Review: Machine Gun Kelly – Tickets To My Downfall

Por Lucas Santos

Dado sua alta fama e o fato de que Barker é um dos melhores bateristas/músicos da nossa era, a mistura se tornou real e foi muito esperada depois que o excelente single bloody valentine fez parte da trilha sonora do novo jogo da franquia Tony Hawk’s Pro Skater.

Lucas Santos

Confira mais Pop Punk:
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Gravadora: Interscope Records
Data de lançamento: 25/09/2020

Gênero: Pop Punk
País: Estados Unidos

Começo mencionando que eu nunca tive nenhum apreço pela carreira rapper do Machine Gun Kelly. Nunca gostei desses “novos rappers” que estão por aí, e, por diversos outro motivos, nunca escutei nada dele antes desse álbum. Apesar de ter gostado muito de sua atuação no papel de Tommy Lee em The Dirt, não segui e continuo não seguindo nada artístico do MGK, por pura e apenas questão de gosto pessoal.

Meu interesse por Tickets To My Downfall veio exclusivamente de um motivo: Travis Barker. Desde o lançamento do single de enorme sucesso I Think I’m OKAY, ao lado do baterista do Blink-182 e de Yungblud, Machine Gun Kelly construiu um hype relevante para seu álbum – este que é considerado sua transição musical de rapper para estrela do rock (pop punk). Com produção de Travis, o álbum é uma coleção de experiências de vida passadas e atuais de Kelly. Dado sua alta fama e o fato de que Barker é um dos melhores bateristas/músicos da nossa era, a mistura se tornou real e foi muito esperada depois que o excelente single bloody valentine fez parte da trilha sonora do novo jogo da franquia Tony Hawk’s Pro Skater.

Enquanto o álbum peca na parte lírica, MGK e Travis conseguem criar melodias pops infectantes e refrãos pegajosos em abundância. A trinca inicial, Title Track, Kiss Kiss e Drunk Face é o perfeito exemplo disso. Enquanto é nítido perceber que a mágica de Travis está impregnada em cada parte da música, conseguimos notar uma vibe relaxada, alegre e com diversos momentos gelatinosos. É fato consumado que as letras do álbum vão ficar na sua cabeça, e nessa área temos que tirar o chapéu para os dois.

MGK não tem uma das melhores vozes para cantar esse tipo de música, mas o ex-rapper (ex? agora rockstar?) consegue surpreender e mandar algumas melodias interessantes, como na parte que fala “In My heaaaaaaad” em Bloody Valentine, ou o repetido “yeah, yeah, yeah, yeah” na Title Track, ou até quando repete a palavra “lonely” na faixa Lonely de maneira bem mais comovente e até sensível. Claro que vamos notar diversos momentos em que as memórias das eras douradas do pop punk vêm em mente, mas Tickets To My Downfall tem uma cara própria e bem moderna. Aliás, tente escutar WWIII sem pensar em Blink-182. Eu podia jurar que o meu Spotify trocou de álbum e eu cai em uma música obscura do Blink que nunca tinha escutado antes.

Outra parte interessante do álbum é algo que MGK faz como poucos na indústria da música, collabs. De Travis a Yungblud, temos também participações da cantora Halsey, Blackbear e Trippie Redd. My Ex’s Best Friend exagera um pouco nas batidas eletrônicas, mas muda de pegada quando a guitarra e a bateria entram e vira um dos melhores momentos do álbum. Forget Me Too tem uma brilhante participação de Halsey, esse é o melhor collab do álbum, um hino de pop punk ao estilo Girlfriend da Avril Lavigne ou That’s What You Get do Paramore.

All I Know com Trippie Redd tem o refrão mais grudento de todos, que me arrisco a dizer, nesse ano. “All I know it’s I don’t know nothing, all I know it’s I don’t know nothing at all” vai ficar na sua cabeça por bastante tempo. Outros grandes momentos do álbum ficam ao cargo de Concert For Alien, um hino instantâneo de pop punk, e Jawbreaker, que fará qualquer pessoa entre 25 e 35 anos ser instantaneamente transportada para seus anos de adolescência emo/punk.

Em alguns aspectos, há um certo exagero nas batidas eletrônicas em algumas músicas, e há também um desnecessário número de prelúdios que só me fizeram apertar o skip depois da primeira audição. Sem esses detalhes, acho que o álbum seria mais redondo e completo, porém, é necessário que haja essas diferenças, pois não teria muito sentido MGK lançar um álbum se fosse pra ser apenas de pop punk. Enxerguei um outro problema, este mais pessoal: as letras não falam mais comigo, são temas mais adolescentes e questões que não me interessam muito. Isso é de cada ouvinte, mas não interfere no fato das letras serem fracas.

É inevitavelmente claro que Tickets to My Downfall não seria tão bom se Travis Barker não fosse o produtor executivo. Cada single que Machine Gun Kelly lançou foi um sucesso entre os fãs de pop punk, e o álbum completo supre bem as (altas) expectativas criadas. O que falta em substância lírica é compensado com a abundância de melodias pop contagiantes e refrãos cativantes. No geral, é um disco pop totalmente despretencioso para se ouvir e cantarolar lembrando sutilmente de como era a música pop do rádio quando estávamos crescendo.

Nota final: 7,5/10

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