Review: Pearl Jam – Gigatron

Por Lucas Santos

Gigatron chega para nós em momentos de delírio coletivo. Enquanto o planeta pode não estar bem pelas milhares de mensagens muitas vezes terríveis e agourentas, a banda em si não mostra sinais de alinhamento. Já faz muito tempo desde que o Pearl Jam, no estúdio, apareceu como inovador e sincero em suas composições.

Lucas Santos

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Gravadora: UMG Recordings
Data de lançamento: 27/03/2020

Gênero: Grunge/Rock Alternativo
País: Estados Unidos

Faz quase sete anos desde que recebemos um álbum de estúdio do Pearl Jam. Ao escutar Lightning Bolt (2013), poucos anos depois do seu lançamento oficial, eu fiquei surpreso pela vitalidade e energia que a banda ainda podia demonstrar mesmo depois de tanto tempo de carreira. Obviamente ele não se equipara aos anos dourados da banda, mas foi uma forma de se manter na ativa demonstrando boa forma, ainda mais quando as músicas eram tocadas ao vivo.

Gigatron chega para nós em momentos de delírio coletivo. Enquanto o planeta pode não estar bem pelas milhares de mensagens muitas vezes terríveis e agourentas, a banda em si não mostra sinais de alinhamento. Já faz muito tempo desde que o Pearl Jam, no estúdio, apareceu como inovador e sincero em suas composições. Bem, foi preciso um planeta à beira de um colapso climático e uma democracia em perigo para acender esse fogo e senso de urgência em uma banda com mais de 3 décadas nas costas. Independente de tudo isso, eles nos trouxeram Gigaton – um álbum de trovão e tranquilidade, talentoso e de esperança – em um momento em que precisamos, desesperadamente, entender os dois.

O primeiro single, Dance Of The Clairvoryants, de começo, me fez torcer muito o nariz, mas depois de algumas audições, me desceu mais fácil, não é uma faixa que eu vá voltar pra escutar muitas vezes, mas é legal ver eles saindo um pouco dos trilhos e tentando algo pouco usual – sintetizadores e bateria programada. Superblood Wolf, o segundo single, é mais interessante, grooveado, alegre e com ótimo trabalho de guitarra.

Quick Scape, o último single lançado, é o ponto alto de Gigatron. Essa música é “a cara” da banda, e consegue passar um certo ar de rejuvenescimento agradável e bem vindo. As coisas mudam de figura, principalmente em Seven O’ Clock, ficam mais frágeis e diminuem a correria. O último “suspiro gunge” fica ao cargo de Never Destination. Até aqui, tudo bem. Aqui vai um obs – Eu sei que fica chato falar incontáveis vezes o quão, musicalmente a banda é incrível, mas sim, eles se mostram mestres mais uma vez por aqui. O que falar da performance de Eddie? Apesar da fadiga que a idade pode apresentar, ele é um vovô garoto.

O fim do álbum é mais devagar, ele tem mais cara de projeto solo de Eddie – que é espetacular aliás – do que de Pearl Jam. As faixas como Retrogade e Comes Then Goes, por exemplo, tentam ser uma espécie de balada mas acabam sendo bem sem fracas e sem sal, não fazem nem sombra as “baladas” mais conhecidas da banda (como Black) – apesar de passarem uma mensagem importante – produzindo um terço final do disco sem força e bastante esquecível.

Eddie Vedder, o “último ídolo grunge”, pode demonstrar um certo cansaço, afinal são mais de 30 anos não só de Pearl Jam, mas de carreira solo e diversos outros projetos. Ele não é um herói do rock n’ roll para muitas pessoas à toa. Em Gigatron, temos um esforço que passeia por áreas que não foram muito exploradas por eles, o som que conquistou o mundo nos anos 90 está presente também e as mensagens mais pessoais e sinceras falam diretamente com o tempo que estamos vivendo. Eu tenho certeza que ao vivo, as músicas do começo do disco serão muito bem aceitas pelo público. Um forte começo e um fim mais esquecível, o saldo é positivo e vai agradar.

Nota final: 7/10

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