Review: Besides – Bystanders

Por Lucas Santos

O álbum é baseado e funciona como um trabalho conceitual construído pelas histórias e destinos dos prisioneiros de Auschwitz e das pessoas que viviam na sombra do campo de concentração

Lucas Santos

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Gravadora: Fundacja B-Side
Data de lançamento: 27/01/2020

Gênero: Pós Rock/Instrumental
País: Polônia

Quem me conhece sabe que eu não sou muito fã de álbuns instrumentais. A voz sempre foi uma parte essencial na música para mim, a falta dela me deixe com uma sensação de vazio e incompleto. As verdadeiras músicas instrumentais de valor são aquelas que através dos instrumentos conseguem suprir a ausência do vocal, e quando isso acontece, é de fato algo que me prende bastante a atenção. Ainda tenho uma memória vívida da primeira vez que escutei YYZ do Rush e pensei que nada poderia ser tão incrível quanto aquilo.

Pesquisando amplamente sobre alguns álbuns, que deixei escapar já nesse começo de 2020, me deparei – diversas vezes – com o terceiro trabalho de estúdio da banda polonesa de post-rock Besides, o Bystanders. Ele seria facilmente ignorado se não fosse por um motivo, o álbum é baseado e funciona como um trabalho conceitual construído pelas histórias e destinos dos prisioneiros de Auschwitz, e das pessoas que viviam na sombra do campo de concentração – Auschwitz foi uma rede de campos de concentração localizados no sul da Polônia operados pela Alemanha Nazista. O maior símbolo do Holocausto perpetrado pelo nazismo durante a Segunda Guerra Mundial. – Sou completamente fascinado pela história da Segunda Guerra e também um consumidor assíduo de todo tipo de informação e entretenimento do assunto – livros, séries, games etc…

A audição de Bystanders calhou também de a minha leitura atual ser o livro Irmãs em Auschwitz, de Rena Kornreich Gelissen, e eu não poderia ficar mais envolvido. Cada música tem um tópico especial sobre a época em que o campo de concentração existia. Depois de uma introdução atmosférica, a primeira música Ich bin wieder da! começa bastante pacificamente e é amigável, mas gradualmente passa para uma atmosfera mais sombria e deprimente. Ela tem uma passagem de uma notícia de rádio sobre a queda da França, e assim como a vida de diversas pessoas, o tom sinistro do disco, muda também.

Para cada música existe um tópico específico correspondente, além de obter um som especial que se conecta à história, alinhados à cordas, piano e sons orquestrais, o triunfo são simples porém intensos. Por exemplo, a música For Hanna, tem um começo sensível com estruturas sonoras paralelas – dramáticas – que o arrastam para baixo, porque você sente algo que exala esperança. Miners produz um som que permite reconhecer um túnel de mineração, combina tons diferentes que se fundem em sinal esperançoso dentro da escuridão. Na faixa Kids, o som começa a diferir. Além disso, eles adicionam o som de brinquedos infantis no início e as vozes de crianças no final. Se pararmos pra pensar em todas as crianças presas nesses campos de extermínio, essa é uma das músicas mais tocantes do álbum.

Bystanders é uma jornada emocional, profunda que transcende emoções primárias. A instrumentação leve e ao mesmo tempo densa, juntos da criatividade e equipagem sonora criam momentos marcantes e fascinantes. Feche os olhos e se imagine, nem que por um instante, nos locais em que o Besides se esforça à te levar. Embarque nessa viagem à um dos lugares mais macabros que já existiram.

Nota final: 8,5/10

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