Review: Bullet Bane – Ponto

Por Lucas Santos

Um ponto não é fim, é um começo de mais uma estrofe“. É incrível como essa frase da faixa Cinza, do novo álbum da banda brasileira de hardcore melódico Bullet Bane chamado Ponto, conversa diretamente com o caos que estamos vivendo mundialmente.

Lucas Santos

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Gravadora: Independente
Data de lançamento: 13/03/2020

Gênero: Hardcore
País: Brasil

Um ponto não é fim, é um começo de mais uma estrofe“. É incrível como essa frase da faixa Cinza, do novo álbum da banda brasileira de hardcore melódico Bullet Bane chamado Ponto, conversa diretamente com o caos que estamos vivendo mundialmente.

O quinteto paulistano mudou de estratégia no álbum anterior Continental (2017), sendo cinco no total. Nos três primeiros trabalhos de estúdio eles cantavam músicas em inglês. porém agora cantam todas as suas letras em português. Uma abordagem interessante já que em território nacional o alcance de público será maior mas praticamente acaba matando qualquer sonho de conquistar territórios fora do Brasil.

Um, mais pessoal, é que tenho um certo pé atrás com o hardcore cantado na nossa língua nativa, questão de gosto. Poucas bandas me chamaram a atenção abordando esse estilo – como não citar o CPM22 nos seus tempos de auge ou alguma fase do Dead Fish – mas no fim são muito poucas. No caso do Bulelt Bane essa mudança surtiu muito efeito, pelo menos pra mim. Ponto é um excelente registro, independente, que contém de tudo um pouco que o gênero pode oferecer. É de se notar facilmente que eles já vem escrevendo músicas à muito tempo, as construções são mais redondas e coesas. Faixas mais rápidas como Cuide de Você e a já citada Cinza, também contam com passagens mais leves e bem carregadas emotivamente que encaixam no clima.

Ego traz o melhor riff do álbum, simples, porém muito bem encaixado com a bateria e a música também carrega com bons andamentos depois do riff inicial. Outra mudança notável, e que muitos fãs ficaram com um certo receito, foi a troca do vocalista, esse é o primeiro passo de Arthur Mutanen com a banda. Uma troca difícil dessas sempre vai chamar a atenção, e Arthur se sai muito bem. Ele põe sua própria personalidade nas músicas e se mostra uma adição muito importante. As letras que tratam de recomeço, lutas internas, escolhas, soam muito pessoais e podem falar diretamente com um grande público, ainda mais no momento confuso da atualidade.

Mudanças são sempre bem vindas e o Bullet Bane maneja uma transição extremamente positiva. Como disse antes, é difícil uma banda que faz esse tipo de som, em português, me agradar como o Ponto me agradou. Eles certamente são o cargo chefe do hardcore brasileiro atualmente. Temos em 30 minutos um dos melhores trabalhos nacionais de música pesada e um dos melhores trabalhos – certamente para mim – do quinteto paulista.

Nota final: 8/10

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