Review: Greta Van Fleet – The Battle at Garden’s Gate

Por Roani Rock

A banda segue buscando sua própria identidade, aqui temos um breve deslumbre do quanto ainda podem crescer. Não precisamos ser severos numa análise frente a um terceiro disco de uma banda que antes mesmo de lançar algo já vem rotulada como cover de uma das grandes. O que sempre digo sobre o Greta Van Fleet é que todos os críticos gostariam que suas bandas soassem igual, mas não tem cacife para tal. Todavia, olhando para o disco, tenho que expressar o sentimento que eles poderiam ter feito algo menor.

Roani Rock

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Gravadora: Lava/Republic
Data de lançamento: 16/04/2021

Gênero: Hard Rock
País: Estados Unidos


The Battle at Garden’s Gate é o álbum sucessor do poderoso Anthem of The Peaceful Army de 2018 que foi capaz de dar a esses garotos uma experiência de estúdio e tour mundial. O que se tem de diferente no trabalho atual é bem evidente durante as 1 hora e 30 minutos de execução, uma superprodução com adição de outros instrumentos somados a maturidade artística. A banda de Michigan, nos Estados Unidos, não se poupou de trazer canções criativas com refrões fortes mesmo ainda sendo só uma caminhada para uma longa e tortuosa jornada para se manter no topo.

Provavelmente se trata do disco mais aguardado do ano e o que há de certo é que não deixou a desejar. Com seu processo iniciado em 2018 em meio a tour, eles focaram em explorar não só o lado bom de estar na estrada, mas também trazer questionamentos frente a realidades diferentes das que eles tem. A entrega dos irmãos Josh, Jake e Sam Kiszka ao lado de Daniel Wagner é bem clara e eles cumpriram com a promessa de um álbum cinematográfico.

Quando começa The Battle at Garden’s Gate você percebe que não se trata mais de uma banda mediana lutando contra suas limitações frente ao duro olhar do estrelato, não! Os singles Heat Above, Broken Bells, My Way, Soon e Age Of Machine são músicas capazes de conduzir pessoas a curtirem rock. A primeira citada é como uma Like A Rolling Stone moderna, Broken Bells tem a aura ”Zeppeliana” que eles na minha opinião não precisam expurgar, My Way Soon parece Jefferson Airplane e Age of Machine é a primeira canção que sinto ter a cara deles, não a toa considero a melhor do álbum.

O álbum é surpreendente, a complexidade nas canções é notada, principalmente na segunda metade do álbum que tem canções mais obscuras com teor profético. Estamos em uma época muito perigosa do rock e fazer canções mais reflexivas é uma boa “arma” pra se perdurar no tempo. Olhando a questão da temática, vale o destaque para esses dois momentos do álbum, a primeira parte é mais celebração e a segunda é mais “dark” tendo como faixa central, a divisora Tears of Rain, inspirada nas favelas do Rio de Janeiro, que eles classificaram em entrevistas como um momento determinante de inspiração para a obra.

A gente não cresceu com essa pobreza, então você processa e pensa: ‘qual é meu papel?’ Isso se traduz de um jeito natural. Você cresce espiritualmente, se interessa por ideais filosóficos e isso se traduz na arte. Essa foi a experiência.

Josh Kiszka ao G1

Tenho uma mania de ver toda a questão boba de “banda cópia do Led Zeppelin” com uma ótica questionadora e comparativa ao primeiro álbum do Rush julgado pelo mesmo fator o que os fez mudar completamente nos outros trabalhos, esse processo deu certo, mas o que ocorreu com a banda The Darkness que baseou seu som e estética no glam metal dos anos 80 estando nos anos 2000, foi meio inverso, isso os fez serem tirados como uma banda de sátira, sendo que os caras fazem um trabalho sério, apesar de usarem do humor também, mas caíram na armadilha de não soarem mais como eles mesmos nos trabalhos posteriores aos dois primeiros discos.

Em The Battle at Garden’s Gate o Greta Van Fleet manteve uma pegada parecida com o Anthem of The Peaceful Army, então ainda não está no grupo das bandas que mudam completamente, mas já no título disseram as más línguas que eles tiraram a inspiração da canção The Battle Of Evermore do Zeppelin IV de 1971. Ai já se percebe o quanto assumir uma identidade própria, imposta por uma pressão, talvez traga certos desafios e com eles a dificuldades da banda tomar decisões melhores, inclusive na segunda parte deste álbum para as composições. Built By Nations é um desses sons que buscam um caminho, podemos classificar como o bom encontro do Uriah Heep com o The Black Keys.

Stardust Chords apesar de ser bem poderosa não parece ter sido uma faixa fácil de compor, a guitarra não parece ter a timbragem correta, muito suja para o som que a música quer e o baixo meio escondido durante todo o álbum dando mais espaço para teclados e pianos também me deixou incomodado. Já a canção Light My Love os leva completamente a uma influência direta de Elton John que os apadrinhou em alguns shows, os levando para seu próprio festival até. Ela tem uma linha de piano semelhante a de I Guess That’s Why They Call It The Blues, que particularmente achei maravilhoso.

Caravel e The Barbarians são mais duas músicas que achei bem forte e capazes de tira-los desse “estigma de Zeppelin”, mas não adianta dizer que Josh Kizka soa bem mais como Steve Marriott (Humble Pie) ou Roger Daltrey (The Who) nesses soms, porque muitos dos exageros na sua demonstração de poder e controle vocal pra sair da sombra de Robert Plant, em momentos chave, o colocam lá mais uma vez. Assim como ocorre com o guitarrista Jake Kiszka, ele é um estudioso do som setentista, em algum solo pentatônico vai sair um band ou vai ter uma timbragem da “escola Jimmy Page de como tirar um som foda da guitarra” é inevitável. Então se você quer ser um ouvinte dos caras, o importante é se libertar, relaxar e aproveitar.

Trip The Light Fantastic e a faixa final The Weight a Dreams poderiam só inverter de lugar para ficarem melhor encaixadas. A última também poderia ter uma durabilidade menor, mas se levarmos em conta que eles são uma banda de improvisos, faz jus regozijar em quatro minutos de solos. Para mostrar que aqui não é só elogios, dá pra dizer que o álbum é bem grande, e isso não é necessariamente bom. Atualmente o conceito de álbum vem caindo de produção, poucos são os que tem essa audácia de fazer passar de 1 hora de duração e nele ter uma música de 8 minutos, até porque fica cansativo e eles assumiram mais esse “b.o.”. É digno de aplausos, eu como apreciador desses moldes fico com essa sensação de “gostinho de quero mais”.

Nota final: 9,5/10

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