Review: Midnight Oil – The Makarrata Project

Por Roani Rock

a banda ativista de Peter Garrett reuniu canções fortes e representativas para um país inteiro neste trabalho coletivo do Midnight Oil. Curto mas audacioso, The Makarrata Project é a personificação da frase dita pelos Beatles em “With a Little Help From My Friends” em realidade devido a quantidade de contribuições para um bem maior

Roani Rock

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Gravadora: Sony Music Austrália
Data de Lançamento: 30/10/2020

Gênero: Rock alternativo/Rock industrial
País: Austrália

No mesmo da que leio uma teoria bizarra sobre a Austrália não existir na “Terra Plana” escuto esta obra do Midnight Oil, primeiro disco de inéditas em quase duas décadas que contrariando os “terraplanistas”, comprova a existência de sua terra através das parcerias contidas aqui.

Midnight Oil é uma das preciosidades da Austrália, tão ativista e encontra em seu líder Peter Garrett não só a voz do grupo, mas a representação política como ex-ministro do meio ambiente, maior embasamento é impossível para qualquer outro artista que pensa em falar sobre política e meio ambiente. Nem mesmo Bono Vox e Eddie Vedder conseguem, todavia, para o vocalista todos tem direitos iguais para tratar sobre o assunto, o que nos leva ao The Makarrata Project.

Ele começou a ser pensado em 2017, na época em que a banda havia retornado as atividades e logo depois da Convenção Nacional Constitucional das Primeiras Nações, que tinha como primária função a entrega da declaração Uluru do Coração, propondo a reconciliação dos australianos com os povos aborígenes, seu povo ancestral que como muitos povos milenares estão a beira da extinção. Apesar da declaração ter sido rejeitada pelo governo da época, a banda decidiu agir de uma forma que os esforços de conciliação e reconhecimento não caíssem em descaso, logo, eles convidaram Jessica Mauboy, Alice Skye, Tsaman Keith, Kev Carmody, Sammy Butcher e Frank Yama para a composições das canções presentes no novo disco.

Os títulos das músicas já entregam suas temáticas, são sete ao todo e como de praxe, musicalmente seguem a mesma formula que os consagrou nos hits atemporais Beds Are Burning e Blue Sky Mine, mas em First Nation, faixa que abre o novo álbum, eles trazem o elemento do rap em momentos chave da música. Ela recebe o apoio vocal de Jessica Mauboy e as palavras de Tasman Keith. Em seguida vem Gadigal Land, primeiro sinlge de The Marrakata Project, uma faixa que recebe os metais até nostálgicos quando se pensa em Midnight Oil. Ela foi o primeiro single e recebeu seu título em homenagem aos proprietários tradicionais de Sydney, as pessoas Gadigal (também escrito ‘Cadigal’), cuja terra se estende desde o Sydney CBD a South Head e até a Inner West. Ela foi a que recebeu mais parcerias, Dan Sultan, Joel Davison, Kaleena Briggs e Bunna Lawrie.

Em nota, a banda disse a respeito da música:

Sempre tivemos o prazer de dar voz àqueles que clamam por justiça racial, mas realmente parece que chegamos a um ponto crítico. Instamos o governo federal a seguir as mensagens da Declaração Uluru do Coração e agir consequentemente. Espero que esta música e o mini-álbum The Makarrata Project que criamos junto com nossos amigos das Primeiras Nações possam ajudar a iluminar um pouco mais a necessidade urgente de uma reconciliação genuína neste país e em muitos outros lugares.

Em seguida vem Change The Date. Uma bela balada que Recebe um baixo na pressão e uns cantos de introdução que parecem mantras, ela tem a parceria assinada com Gurrumul Yunupingu e Dan Sultan. O arranjo de piano dessa música, assim como o da faixa seguinte Terror Austrália, são bem emocionais e atingem ao ponto de deixar os olhos lacrimejando.

As faixas que vem na sequência, Desert Man, Desert Woman, Wind In My Hand e principalmente Uluru statement From The Heart não são bem músicas, as melodias servem de apoio e climax para pronunciamentos com falas importantes sobre igualdade e até explicando a história do acordo com os aborígenes para enfim finalizar com Come On Down, uma música, de fato. As faixas são só base para que as ideias sejam passadas com maior receptividade. Não se trata bem de um álbum, é mais um manifesto político muito bem vindo para uma conscientização global, transcende a música.

Nota final: 8/10

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