REview: The Struts – Stranger Days

Por Lucas Santos

Com todos os pontos “adversos” em seu processo, Strange Days soa exatamente como deveria: mal acabado e apressado. A escolha do produtor pode não ter sido de toda ruim, porém algumas escolhas de produção culminaram com a sonoridade mais “vazia” e sem corpo. Para um disco de uma banda que majoritariamente toca Rock N’ Roll, fica faltando algo. Não que seja um disco ruim, as performances estão ali, o carisma e a alegria também, porém achei que talvez essas não sejam as melhores músicas do The Struts.

Lucas Santos

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Gravadora: 16/10/2020
Data de lançamento: Interscope Records

Gênero: Hard Rock
País: Inglaterra

Não faz muito tempo que citei os Struts em uma matéria sobre as bandas que definem a cena de rock do Reino Unido atualmente. Uma reminiscência da pompa do Queen e dos Rolling StonesThe Struts é uma banda extravagante, apaixonada pelo rock n’ roll retrô. Os dois álbuns do grupo até agora alcançaram o top 20 nas paradas de rock dos EUA, começando pela bombástica estreia Everybody Wants (2016) e culminando com o fantástico YOUNG&DANGEROUS de 2018, e a banda se tornou uma das referências nessa sonoridade e também em suas apresentações de palco – Sério! Felizmente, tive a sorte de acompanhar um show deles em 2018 e afirmo que foi uma das grandes noites da minha vida. A banda se conecta intensamente com o público e a performance é de aplaudir de pé. É só conferir algumas das muitas gravações ao vivo da banda no youtube para comprovar. Deixo com vocês a minha favorita abaixo.

Com toda essa curta, porém grande bagagem, qualquer novo trabalho dos Struts é digno de muita espera, assim como foi esse terceiro álbum de estúdio, Strange Days. Mas o que o novo lançamento tem de diferente dos anteriores? Primeiramente, ele conta com um produtor diferente, Jon Levine, que produziu, em sua grande maioria, artistas de veia Pop: Dua Lipa, Nelly Furtado, Selena Gomez, Drake e Avril Lavigne; segundo, a banda gravou com o produtor em um período de 10 dias. Algo que não é ruim, mas arriscado. E, terceiro, que Strange Days conta com algumas participações de artistas variados que vamos falar mais pra frente.

Com todos os pontos “adversos” em seu processo, Strange Days soa exatamente como deveria: mal acabado e apressado. A escolha do produtor pode não ter sido de toda ruim, porém algumas escolhas de produção culminaram com a sonoridade mais “vazia” e sem corpo. Para um disco de uma banda que majoritariamente toca Rock N’ Roll, fica faltando algo. Não que seja um disco ruim, as performances estão ali, o carisma e a alegria também, porém achei que talvez essas não sejam as melhores músicas do The Struts.

A faixa título é uma balada que abre o álbum com uma participação inusitada de Robbie Williams, tem uma levada ótima e, apesar de não causar impacto inicial, é uma ótima faixa. I Hate How Much I Want You tem as participações de Joe Elliott e Phil Collen, ambos do Def Leppard, mas que passa bastante despercebida. É uma faixa “sem sal” e que não empolga em nenhum momento. Wild Child, já na metade do álbum, tem a participação do lendário guitarrista Tom Morello (Rage Against The Machine e Audioslave), e aqui, as coisas começam a ficar um pouco mais animadas e interessantes. Um ótimo riff indie mais pesado de Morello, junto de seus efeitos inconfundíveis, dão um ar bem agradável na faixa e funcionam muito bem.

A outra “balada” com levada no piano, Burn It Down, funciona melhor e se destaca por ser um dos momentos mais legais do álbum. Another Hit of Showmanship contém a última participação do álbum, Albert Hammond Jr, guitarrista do Strokes, e entrega algo focado, de novo, ao indie rock, mas dessa vez com uma veia mais radiofônica.

Outro momento especial – e, pra mim, o melhor, é a faixa Can’t Sleep. Aqui temos tudo o que o The Struts faz de melhor, e ainda com algumas experimentações atípicas. A alegre, pulsante e dançante faixa nos remete aos melhores momentos de YOUNG&DANGEROUS e certamente será uma faixa certeira em seu setlist quando os shows voltarem. Cai muito bem na vibe ao vivo da banda, identidade e imagem.

Strange Days não é ruim, mas aparenta ser um pouco apressado. Algumas faixas não empolgam, principalmente na primeira metade. Porém, a segunda metade mostra alguns bons momentos que empolgam e deixam um gostinho de quero mais no ouvinte. Como eu gosto muito do The Struts, este é um álbum que não me incomoda – qualquer coisa nova da banda é bem vinda-, mas, se compararmos com a discografia completa, ele fica devendo. Faixas como Wild Child, Can’t Sleep e Burn It Down valem muito a sua atenção. O disco inteiro? Provavelmente uma vez. A banda tem potencial pra lançar algo mais impactante.

Nota final: 6/10

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