Review: Andy Bell – The View From Halfway Down

por Roani Rock

Para falar deste álbum, tenho que citar o título da primeira canção, porque este novo trabalho de Andy Bell é um “amor que vem em ondas, psicodélicas raves e noites perdidas encontradas em dias de volume, fuzz e atrasos“. O excesso do álbum é fundamental e ele soa muito mais pessoal que qualquer outro trabalho do Andy Bell, seja com o Ride, o Beady Eye ou, com certeza, pelo Oasis.

Roani Rock

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Gravadora: Sonic Cathedral Recordings
Data de lançamento: 09/10/2020

Gênero: Shoegaze/Indie Rock
País: Inglaterra

Para os fãs da fritação do shoegaze e que seguem amando o Ride, esse esforçado primeiro trabalho solo da alma e coração da maior banda expoente do gênero parece uma reunião pessoal para tomar um café com uma antiga amizade. A intimidade e o foco parecem especiais. Perfeito para sentar e apenas aproveitar o tempo gasto com um velho amigo. Para Andy, este talvez seja um parceiro de guitarra, Gem Archer, que tocou com ele no Oasis e na Beady Eye e que agora participa de ao menos quatro faixas deste novo momento do músico.

Em termos de inovação, o álbum não é algo experimental, mas traz o músico em um ápice criativo melódico. É uma mistura agradável de pop psicológico e música eletrônica. Este disco foi confeccionado ao longo de um período de quatro anos e, segundo o vocalista, o isolamento provocado pela pandemia foi um dos fatores que contribuiram para que ele pudesse se debruçar sobre as canções e finalmente finalizá-las, já que as ideias há muito estavam delineadas.

“Sempre quis fazer um álbum solo, sempre disse que o faria, embora nunca tenha imaginado que isso acontecesse ou soasse como este”.

Andy Bell

Os sons característicos do shoegaze são encontrados no álbum: muitos efeitos de pedais, riffs zumbindo, algumas faixas com guitarras distorcidas misturadas ao barulho, sendo que a marca registrada de Andy aparece nos vocais característicos, bem brandos e moderados no tom, às vezes em notas mais altas. A faixa Love Comes In Waves, certamente o hit do álbum, segue os moldes do último disco do Ride, This Is Not A Safe Place de 2019, com suas letras edificantes e melodia ensolarada.

Indica recebe a primeira colaboração de Gem, ele foi responsável pela execução da bateria, do baixo e piano/sintetizadores enquanto Andy canta e também colabora com os efeitos. É uma faixa de música eletrônica de puro transe. Em seguida vem a cativante faixa instrumental acústica chamada Ghost Tones, que poderia ser usada em um filme de faroeste ou ser pano de fundo para alguma animação psicodélica como as que aparecem em filmes como Yellow Submarine ou The Wall.

O álbum é recheado de boas influências, incluindo The Stone Roses, Spacemen 3 , The Beatles, The Byrds, The Beta Band, Stereolab, Neu !, Can, John Fahey, The Kinks, The La’s, The Who, e Tame Impala, em sua fase inicial. O título do álbum foi tirado de um episódio da série de animação BoJack Horseman, que tem um poema que o roteirista Alison Tafel escreveu para o penúltimo episódio, que fala sobre suicídio.

O poema descreve alguém que se suicida ao pular para a morte e o arrependimento que o protagonista sente ao ver ‘a vista do meio para baixo’, embora, é claro, seja tarde demais para mudar o que vai acontecer. Eu li este poema como sendo uma mensagem de prevenção ao suicídio: se você pudesse ver a vista do meio para baixo, você nunca faria algo que acabasse com sua vida. Senti-me realmente comovido por este poema brilhante quando assisti ao programa durante a turnê de Ride nos Estados Unidos, no outono de 2019. É uma mensagem incrível.

Andy Bell

A faixa Skywalker é uma justa homenagem a Star Wars. Uma faixa alegre, mas também um devaneio alucinante num baixo que nos remete aos Beatles. Ela fala sobre um cara que está “cego pela luz do Sol” – provavelmente o personagem seria aquele que caiu para o “dark side“. De todo modo, ela é uma das músicas mais longas do álbum, alcançando a marca de 6:22 minutos, ficando atrás apenas de I was Alone, que tem 23 segundos a mais, e Heat Haze On Weyland Road, a mais longa, que tem sete minutos de duração, finalizando o álbum com chave de ouro. A primeira é uma onda lisérgica que também vai numa onda hippie com Andy proferindo palavras de paz. Já Heat Haze é, disparada, a música mais eletrônica do disco.

The View From Halfway Down é bem expansivo e criativo, um tanto longo, mas que não decepciona. Traz um Andy Bell seguro, com canções bem trabalhadas e gravadas junto ao seu amigo Gem. Este participou na parte instrumental da já citada Indica, Skywalker, Aubrey Drylands Gladwell (talvez a faixa mais improvisada e rica musicalmente – minha preferida) e Cherry Cola, uma faixa “Stoneroseana” bem irônica sobre a sociedade.

Nota Final: 7/10

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