Review: Pride Of Lions – Lion Heart

Por Luis Rios

Este, que é o sexto álbum de inéditas, acerta em cheio no alvo das grandes melodias, vocalizações sensacionais e no repertório encantador. O disco vai “tocando” e você tem a impressão de estar revivendo, a cada canção, momentos de décadas passadas, mas com uma sensação de renovação.

Luis Rios

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Gravadora: Frontiers Records
Data de lançamento: 9/10/2020

Gênero: Hard Rock/AOR
País: Estados Unidos

Todas as bandas de Melodic Rock devem pagar tributo a um dos precursores deste sub gênero, Jim Peterik! A despeito de qualquer coisa, acho que existem músicos de todos os matizes. Aqueles que tocam muito bem um instrumento, outros que cantam muito bem e ainda outros que compõem competentemente. Mas este senhor em questão é algo extra classe. É um mestre em produzir melodias, canta com excelência, toca guitarra e teclados, compõe como pouquíssimos e, pra completar, é um produtor de mão cheia.

Não satisfeito com o que criou no Survivor e no Ides Of March, além de várias parcerias ao longo da extensa carreira, como a com o 38 Special ou no álbum dos irmãos Van Zant, Brother To Brother, montou o Pride Of Lions e lançou um debut extraordinário no ano de 2003. Ademais, Peterik descobriu um vocalista fenomenal e ambos vem numa trajetória bem sucedida de 5 álbuns de estúdio. Com Toby Hitchcock, que brinca de cantar e foi comparado a Bobby Kimball (Toto), Jimi Jamison (Survivor) e Lou Gramm (Foreigner), por ter uma invejável extensão vocal e tons perfeitos para o Rock melódico, gravou músicas excepcionais e discos belíssimos. Aliados a grandes músicos, fundaram uma banda que é um panteão no cenário AOR/ Melodic e agora, repetindo a fórmula mágica, ressurgem com Lion Heart.

O álbum lançado no dia 09 de outubro faz jus a todo o passado desta fantástica banda, bem como ao passado de Peterik. Este, que é o sexto álbum de inéditas, acerta em cheio no alvo das grandes melodias, vocalizações sensacionais e no repertório encantador. O disco vai “tocando” e você tem a impressão de estar revivendo, a cada canção, momentos de décadas passadas, mas com uma sensação de renovação. Já adianto que Lion Heart é um clássico atemporal. Assinalo que isso será atestado pelas futuras gerações como a nossa fez, por exemplo, com Eye Of The Tiger do Survivor e Vehicle do Ides Of March, banda seminal de Peterik.

Falando das músicas especificamente, temos inúmeros exemplos de harmonias vocais esplêndidas, refrões ricos em emoção, melodias que se sustentam e, especialmente nos momentos mais acelerados, aparecem dando sustentação à música. Enfim, o disco é um carrossel de acordes destruidores, letras interessantes que falam de amor, amizade e positividade e que cairão firmes no gosto dos apreciadores da banda. Quem gosta do gênero e já conhecia a banda, não se decepcionará. Desde a primeira audição fica claro que eles acertaram e produziram algo importante.

As passagens de teclado estão muito criativas. As guitarras base são um caso à parte e aparecem sempre enchendo a música e adicionando harmonias que dão beleza e sustentação aos riffs e principalmente às vocalizações. Os solos de guitarra são outro caso à parte. A guitarra base e os teclados em harmonia estão extremamente elegantes e a beleza das composições fica amplificada. Lion Heart é um disco bem rock and roll, mas que traz a melodia como arma principal. Nos brinda com “levadas” no piano, guitarras e tempos de batera e baixo espetaculares. Os duos vocais da dupla estão afiadíssimos e são uma marca registrada da banda, o que fica evidente em We Play For Free, Heart Of The Warrior, Good Thing Gone e Give It Away.

A faixa de abertura tem na batera o filho de Peterik, Colin Peterik, e é uma clássica canção AOR. Nela, piano e sintetizador aparecem poderosos e o refrão dispensa comentários. Hitchcock arrebenta nos tons agudos. É um grande cartão de visita pro que vem pela frente. Temos duas canções que “de cara” me pegaram na veia: Rock & Roll Boom Town e Now, que são cheias de mudanças harmônicas, rítmicas e melodias cativantes, além de guitarras marcantes com solos curtos e surpreendentes. Em Now, uma de minhas prediletas e que já digo que é um hino, tem uma guitarra acústica no início, que chama muita atenção pra melodia. A música vai se desenvolvendo com a entrada das guitarras e o sintetizador. Tudo muito harmônico e perfeito. Os solos de guitarra são maravilhosos e posso assegurar a vocês que temos aqui, indubitavelmente, um clássico.

Sleeping With A Memory é uma balada arrasadora, que crava um punhal no coração do ouvinte. Carry Me Back (um dos singles) te leva pros anos 80. Lá você encontra um arranjo de teclado “vintage” e aquela melodia vocal que te levou de volta a essa década inesquecível. Que música! Que refrão! Que levada de baixo e batera! Ela é outra das minhas preferidas.

Sei que falei pouco de Toby e sua “performance”, não quis me tornar redundante. Ele está irrepreensível, como sempre. Os últimos acordes desse disco soam como um rugido do rei das selvas ao entardecer. E podemos dizer, sem pestanejar, que Jim Peterik é de fato um rei! Os leões estão de volta com um disco excepcional!

Nota final: 9/10

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