Passou Batido! Review: Origami Angel – Gami Gang

Por Roani Rock

É fora de questão escutar esse LP duplo e não ficar impactado pela criatividade do duo que integra o Origami Angel. Gami Gang é ambicioso, repleto de trocadilhos e bastante sentimento, típicos do “emo-punk”, que a dupla afia para trazer uma definição para um som tão inventivo. O poder deste álbum consiste em trazer melodias embelezadas, marcantes e modernas de uma forma pouco vista e explorada até pelos nomes mais conceituados do estilo.

Roani Rock

Confira mais pop punk:
The Bombpops – Death In Venice Beach
Honey Creek – A Whole Year In Transit
Chief State – Tough Love
All Time Low – Wake Up Sunshine

Gravadora: Counter Intuitive Records
Data de lançamento: 30/04/2021

Gênero: EMO Punk
País: EUA


A dupla se conheceu no final de 2015, após um show na Barbershop de Archie Edwards em Washington, DC. De lá pra cá foram quatro eps e um album de estúdio até o cantor e guitarrista Ryland Heagy e o baterista Pat Doherty poderem apresentar o LP duplo Gami Gang – intitulado Bat-Signal, na mídia social dos fãs – que captura uma ambição por meio de expansivo emo-pop embelezado com screamo, pós-rock e experimentação eletrônica.

Olhando as influências deles dá pra entender o porque do som do Origami Angel ser tão diferenciado do emo e do pop punk. Barenaked Ladies , Yes , Prince, Daddy and the HyenaLil Uzi Vert e The Obsessives. Os conceitos do prog – principalmente por parte da bateria – estão encrostados assim como os efeitos eletrônicos que antecedem as canções no formato de intro. É interessante ver as referências de cultura pop que eles trazem nas temáticas das canções além do conceito, ao exemplo do EP Gen 3 que tem uma homenagem ao anime/jogo Pokémon em sua capa.

Heagy e Doherty usam suas habilidades instrumentais para trabalhar partes extravagantes e às vezes divertidas em canções elegantes e cheias de ganchos, emprestando ressonância emocional ao que de outra forma poderia parecer meramente exibições atléticas. Na melhor das hipóteses, Gami Gang parece ilimitado.

Pra quem está tendo sua primeira experiência com o som do power duo, a faixa que da nome ao disco que é nada mias do que uma intro engana bem, ser só um lance eletrônico é até cômico ouvindo o restante da obra que vai em uma velocidade e intensidade totalmente diferente. Self-Destruct é uma das mais bem trabalhadas no disco, seu instrumental que une bem o emo com o hardcore é instigante.

Möbius Chicken Strip é minha preferida, ela está no compasso de 6/8, algo que é bem difícil de administrar em uma música e que se o arranjo funciona fica dinâmico e bonito. Eles utilizam de riffs poderosos com caídas para acordes menores, principalmente no refrão. Realmente, difícil de achar bandas fazendo algo tão desafiador hoje em dia, me remeteu bastante ao rock japonês assim como Noah Fence, a música que vem na sequência, que em seus primeiros acordes já dá pra sentir que nasceu como um hit.

Mach Bike tem um excelente trabalho de guitarras, naquel conceito de música de vídeo game. Já Isopropyl Alchemy entra naquela aura gótica até entrar mais uma vez nos clichês alegres do pop punk, quando a música começa a ser tocada de fato. É interessante como usam os breaks da batera para fazer variações no ritmo da melodia.

Apesar de ter uma ampla variedade de composições com suas peculiaridades – Neutrogenea Spektor que o diga – , por conta de seguirem o mesmo formato e formula, as canções terminam por se assemelhar muito umas com as outras, mas não chegam a cair na previsibilidade, fato comprovado através da balada Greenbelt Station tocada apenas ao violão que quebra completamente a dinâmica da rapidez de acordes abertos e batera, trazendo uma calmaria muito bem vinda que nos faz pensar que a guitarra vai entrar, o que não acontece, perfeito. No show seria o momento para respirar e se preparar para uma ousada Bossa Nova Corps que brinca com o estilo musical brasileiro mais popular na gringa. Eles conseguem fazer a união da Bossa com o pop punk sem soar desrespeitoso, eu particularmente nunca tinha visto alguém tentar isso.

Esse ponto do álbum mostra toda a criatividade de Hagy e Doherty, mesmo com o guitarrista não tendo a voz como um ponto forte, mesmo em dados momentos soando esganiçado na tentativa de screamo como em Kno U, sua agudez é agradável e as transições com diálogos fazem o dinamismo mais interessante. Trust é uma das mais ousadas principalmente por sua melodia difícil que traz grande variedade, entrando num conceito até progressivo. E a faixa Tom Holland Oaetes que traz o eletrônico com sigo, é outro hit, ao ouvir você se sente transferido para um parque de diversão indo nos brinquedos mais rápidos e que podem mudar mais a direção, seja ficar de cabeça pra baixo ou muito alto, talvez ter no título uma homenagem ao ator que incorpora o Homem Aranha tenha um pouco a ver com isso.

Dr Fondoom e Bed Bath & Batman Beyound são o deleite para qualquer fã de bateria, soam bastante como Green Day nos tempos áureos dos californianos. Footloose Cannonball Brothers -sim, os títulos das músicas são geniais – Blanket Statement e a faixa final gg mostram o quanto o roteiro do set é dedicado aos mais novos, não são faixas tão pessoais e para quem está no frescor da adolescência está bom demais passar a seguir essa banda. Espero que não tenham gasto seus melhores trabalhos aqui, se manterem esse fluxo possivelmente ouviremos falar muito desses caras.

Nota Final: 9/10

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