Review: W.E.T. – Retransmission

Por Luis Rios

Vem o dia 22 de janeiro de 2021 e o que eu temia aconteceu. Um petardo sonoro invadiu meus ouvidos poderosamente. Se apoderou de minhas áreas corticais responsáveis pela emoção e memória. Sabe aquela sensação que você tem quando ouve algo que te arrepia e te faz vibrar as suas fibras mais sensíveis? Pronto.

Luis Rios

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Gravadora: Frontiers Records
Data de lançamento: 22/01/2021

Gênero: Hard Rock/AOR
País: Estados Unidos/Suécia

Essa é uma banda que traz no seu “pedigree“, uma grande capacidade produtiva e criativa, porque os três mentores, ao longo de seus projetos e bandas, desfilaram uma série de grandes trabalhos. “W” vem de Work of Art (Robert Säll – Vocais e Teclados). “E” vem de Eclipse (Erik Mårtensson – Guitarras, Vocais e Teclados). “T” vem de Talisman (Jeff Scott Soto – Vocais Principais). Essas três bandas criaram enormes discos, e esses três caras são jóias raras do rock melódico mundial por tudo que produziram. E juntos?

Sempre que um supergrupo como esse se forma, uma pergunta sempre fica no ar. Será que vai dar certo? Algumas vezes não rola. Algumas combinações ficam devendo. Mas acho que no caso do W.E.T. a coisa engrenou de uma forma grandiosa. Depois deste quarto álbum, tudo pode ser percebido por si só. Você ouve o primeiro W.E.T. (2009) e a impressão é muito forte. É marcante demais. Vem o segundo Rise Up (2013) e você percebe a manutenção das capacidades musicais que foram desenvolvidas antes e agora neste, e se pergunta se pode melhorar. O terceiro, Earthrage (2018), é sentido como um chute na cara, logo na primeira ouvida. Tudo foi ampliado… e muito. Em 2020 ficamos sabendo que Retransmission estava no forno e neste caso, desconfiei. Afinal, já tinha sido “espancado” três vezes e fiquei com o pé atrás. Vão novamente “arrebentar” nossos córtices auditivos?

Vem o dia 22 de janeiro de 2021 e o que eu temia aconteceu. Um petardo sonoro invadiu meus ouvidos poderosamente. Se apoderou de minhas áreas corticais responsáveis pela emoção e memória. Sabe aquela sensação que você tem quando ouve algo que te arrepia e te faz vibrar as suas fibras mais sensíveis? Pronto. Foi isso que aconteceu nos primeiros acordes de Big Boys Don’t Cry. Uma sonoridade avassaladora socou meus tímpanos, retransmitindo com maior modulação aquela impressão sentida nos três discos anteriores. E com particularidades inacreditáveis. Que álbum espetacular!

Dá uma olhada no press release: “Combinando ritmos poderosos e produção de primeira linha, a música éigualmente clássica e contemporânea. Retransmission nada mais é do que um marco absoluto, o que está de acordo com a tradição estabelecida pelos três incríveis registros que precederam este“. Ou seja, eles sabiam… tinham certeza do sucesso e soltaram bem em cima de nós sem piedade! Obrigado! Magnus Henriksson (Guitarra), Robban Bäck (Bateria) e Andreas Passmark (Baixo), completam os créditos desse cataclisma sonoro que deve brigar pra ser um dos melhores álbuns de 2021. E certamente já podemos dizer que é o melhor da banda. Eu acho. Façam sua avaliação.

As músicas estão sequenciadas de uma forma que quando você ouve, um toque de Eclipse surge. Logo inebriado por uma pitada de Work Of Art e tudo vai se mesclando com o vocal que te traz memórias de Talisman. No mesmo momento, tudo isso não se sobrepõe as melodias do teclado de Säll, que podem te derreter a qualquer instante, enquanto seus sentidos estão sendo retransmitidos entre as muitas partes do seu cérebro. No silêncio entre um acorde e outro, um timbre de guitarra mais típico do Eclipse aparece novamente e quando você acha que vai permanecer, entra de novo Soto com uma melodia vocal a là “Takara” e tudo se mistura numa química constante e estonteante.

As quatro primeiras faixas não te deixam respirar. Sentimos um toque AOR meio que metálico, porém com umas harmonias sempre no ponto certo. Esse blend é conseguido, acho eu, pelo grande entrosamento entre o “cabeça” Erik, com os timbres vocais de Jeff e com a sutil base, feita nos teclados de Robert. Os outros músicos, acompanhando, permitem com categoria que isso vá fluindo e crescendo ao longo de todo álbum, de uma maneira incontrolavelmente perfeita.

Acho que Soto canta como há 15 anos atrás e com mais controle e entusiasmo. As composições estão distintas umas das outras, com muitos riffs de guitarra e muita harmonia. O disco vai passando, e no meio, fica não menos empolgante, porém mais cadenciado, por conta das variações melódicas e solos de guitarra que são uma marca criativa muito forte. Os grooves se misturam às harmonias vocais. É uma explosão que expõe uma textura musical que vai te envolvendo e sempre com muito esmero na execução instrumental.

O final se aproxima e você não se toca. As três últimas canções produzem uma nostalgia capaz de te levar pra outras décadas, e principalmente os refrões são responsáveis por isso. Se você tem memórias afetivas de bandas clássicas de AOR, a sua produção de dopamina chegará neste momento a níveis intergaláticos. Claro, que com a luxuosa ajuda das harmonias vocais e destaques individuais, que vão sendo percebidos durante a audição das músicas. Você vai perceber! A banda está impecável em todos os momentos dessa “obra-mestra” do rock melódico.

Um disco que sintetiza o que há de mais moderno no AOR atual. Um disco que te leva aos anos 80, passando pelos 90, mas sem te esquecer por lá. Um disco que prova que fazer música é sempre uma renovação, se você tiver a essência e o talento dentro de você. E esses caras mostram aqui que tem tudo isso de sobra. Não há a menor necessidade de desfiar música a música aqui hoje! Depois que ouvirem o álbum na sua integra, tenho convicção de que o enlevo em que estarão será insofismável. Já ouviu o álbum? Não? Recomendo que faça isso já!!!

Nota final: 9,5/10

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