Review: Liam Gallagher – Why Me? Why Not.

por Roani Rock

Why Me? Why Not. consegue trazer todos os mistos que um bom disco de rock têm que ter ao decorrer de suas faixas. O rock inglês sempre foi simples e repleto de distorções bem melódicas, solos de guitarra e baladas emocionais. Liam Gallagher trouxe tudo isso e prova o porque de atualmente ser o artista dentre os de maior relevância preocupado em balançar a bandeira dos rockstars!

Roani Rock

Confira mais Rock e Oasis:
10 anos sem oasis mas com rivalidade entre irmaos
review: ride – this is not a safe place
the rock list: 7 albuns ao vivo pouco comentados parte-2
13 bandas para conhecer o power pop parte1

Gravadora: Warner Bros. Records

Lançamento: 20 de setembro de 2019

Liam Gallagher chegou a um respeitável patamar em seu segundo álbum. Sua parceria com Andrew Wyatt deu muita liga neste novo trabalho, canções com a atitude e vocal do ex-oasis auxiliadas por muitas batidas e melodias que vão de potentes e agitadas para belas e suaves.

Se o primeiro trabalho soava como Oasis e as canções que Liam vinha produzindo com a Beady Eye, em Why Me? Why Not. ele e seu atual parceiro do crime trouxeram mais foco em produzir algo mais popular mesmo que trazendo assuntos de cunho pessoal.

O Why Me? Why Not. tem músicas melhores do que o As You Were. São canções mais bem escritas. Acho que são maiores, mais profundas. É meio que uma evolução natural. É fácil (trabalhar com parceiros). Achei que seria mais difícil e que eu fosse me sentir bem mais desconfortável. Eu só vou lá, digo o que eu quero e depois disso envio pra eles partes de algumas merdas que eu fiz e tal. Daí a gente faz o que tem que fazer. Não perdemos tempo.

Liam Gallagher para a Yahoo Entertainment!  em setembro
Liam & Wyatt

O nome do álbum vem de dois desenhos de John Lennon que Gallagher possui. O primeiro intitulado “Why Me?” foi comprado por Gallagher de uma exposição de arte de John Lennon em Munique em 1997 e o segundo intitulado “Why Not” foi dado a Gallagher pela viúva de Lennon, Yoko Ono.

O disco é bem referenciado com os trabalhos dos Beatles em carreiras solo na década de setenta. Primeiramente pode ser interpretado como a modernização do álbum Imagine do John Lennon pelas temáticas de canções como Why Me? Why Not, The Shockwave e Once, mas nota-se principalmente em Alright Now e Glimer referências ao Wings de Paul McCartney. As faixas Gone, Meadown e a lado b Missunderstood soam como canções do All Things Must Pass e do Dark Horse de George Harrison.

Mas não é só de Beatles que se paira as inspirações de Liam, Wyatt e o também contribuidor Greg Kurstin, que apoiou Gallagher na confecção e produção de algumas músicas como Be Still.

Eu meio que posso dizer ‘Vamos fazer uma faixa estilo Faces ou Stones’. Amo música. Adoraria escrever um disco inteiro, mas não é assim que funciona. Mas não perco meu sono com isso. Só quero participar de boa música. Não estou nessa para ganhar dinheiro. Já tenho o suficiente. Então não sou o tipo de pessoa que escreve uma música para conseguir um contrato. Não dou a mínima pra isso. Só quero fazer boa música e ir pra estrada e tocar boa música para as pessoas que vão ao show e é isso.

Liam Gallagher para a Yahoo Entertainment!  em setembro

A música mais sentimental composta por Liam para o álbum, o single One Of Us, remete a um saudosismo frente ao Oasis e seu irmão Noel. Ela é a cara dos trabalhos solo do vocalista do The Stone Roses, Ian Brown. Liam sempre copiou o visual e postura dele, talvez agora veja possibilidade de sua inspiração mor – além de John Lennon – ser uma fonte produtiva para se criar boas canções. Esse petardo conta com a participação de Gene, filho de Liam, na percussão tocando bongô.

A faixa Halo é uma porrada stoneana, sua melodia lembra bastante com Let’s Spend The Night Together. Outra influência que fica mais na interpretação do que propriamente direta está em Invisible Sun, uma das três faixas lado b do álbum, que poderia muito bem ser uma música nova do Kasabian, do Catfish and the Bottlemen ou quem sabe do Echo and the Bunnymen. Talvez a madchester entrando mais uma vez na rota… pode se imaginar o Ian Brown cantando essa música.

Os fãs do Oasis brincam com essa possibilidade de Liam e Noel estarem em um duelo para lançarem “o melhor disco de um Gallagher pós-Oasis“. Apesar dos envolvidos não estarem muito preocupados com isso e não estarem em rivalidade por conta de música, certamente as faixas do álbum Why Me? Why Not. tem ao menos quatro letras direcionadas a Noel, como em Shockwave e One Of Us, de certo que o Gallagher mais velho as escutou até.

O primeiro single de Liam Gallagher para o álbum Why Me, Why Not?, segundo de sua carreira solo, foi um presente e uma bela porrada. Foi o primeiro gostinho do que viria que Liam disponibilizou. A letra de Shockwave tem o peso das guitarras e um misto do que há de melhor em seu processo reto de composição. Um refrão contagiante, música para ser cantada em estádios lotados com solos de poucas notas fazendo alusão ao punk rock como bem prometeu o Gallagher mais novo.

Once é uma música que é necessário receber uma atenção grande, ela soa como How? e como Jealous Guy de Lennon, dois clássicos presentes no Imagine, álbum de 1971. Quando lançada causou um frisson sobre o quanto sua letra e melodia estavam acima da média, até mesmo perante as canções de Noel. O próprio Liam declarou que é uma das melhores músicas que ele já fez parte.

A aproximação de Liam com sua filha Molly Moorish deu mais frutos do que apenas sossego e um bom relacionamento familiar. A alegre faixa Now That I’ve Found You é tão divertida e festiva que emociona, a letra é muito sentimental e ganha um destaque absurdo frente as de mais. “Eu serei impetuoso para quebrar sua queda, se precisar de mim, faça a ligação, eu estarei lá e eu sei que é tarde para canções de ninar, mas o seu futuro e o meu é agora e para sempre” Esse é um dos trechos da canção. Ele escreveu essa música para sua filha. Embora ele a tenha apoiado financeiramente, ele a conheceu pela primeira vez em 2018, supostamente no London Stadium, onde Liam se apresentou em apoio aos Rolling Stones.

É bom frisar que outra coisa importantíssima neste álbum é a presença de solos de guitarras bem elaborados, alguns com slide o que nos faz referência a Harrison. Em The River, terceiro single lançado, temos algo mais para Pete Townshend de solos mais curtos de poucas notas.

Liam Gallagher conseguiu chegar em seu auge pós Oasis com muita classe e musicalidade. Este álbum está muito mais coerente, sincero e seguro que o primogênito como artista solo. Em termos musicais está alguns passos à frente, em termos de espírito se estabeleceu muito a frente de As You Were. No entanto, tem uma aura melancólica, mesmo nas músicas mais pra cima.

Pode não vir a ser o álbum do ano, pode não render grammys ao músico e pode até não ser superior aos trabalhos mais aclamados do irmão como o debute do High Flying Birds. Mas inegavelmente, quem escutar vai gostar da pluralidade do rock britânico presente neste disco coeso cheio de hits.

Nota Final: 9/10

3 comentários

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: