Review: David Bowie – Toy (Toy: Box)

Por Roani Rock

O álbum “póstumo” lançado em modelo deluxe com versões alternativas e acústicas vão um tanto na contramão do Blackstar, trazendo melodias mais rocks e alegres, o que é ótimo. Pronto desde o início dos anos 2000, não traz nada de revolucionário, seja na letra ou melodia, mas gera uma sensação de estar escutando algo atemporal e ao mesmo tempo uma nostalgia meio triste se pensarmos que só vamos poder aproveitar a voz e o talento nato de composição do Camaleão em arquivos guardados para posteridade, sem a chance de ouvir ao vivo através dele.

Roani Rock

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Gravadora: Rhino/Warner Music
Data de lançamento: 7/01/2021

Gênero: Rock
País: Inglaterra


Álbuns póstumos as vezes soam como trabalhos caça-níqueis, mas tem dois ícones pops que prepararam toda uma discografia a ser lançada pós morte. É o caso de Prince e David Bowie, ao que tudo indica ambos deixaram anotações, algumas com datas para quando deveriam ser lançados os projetos, em que formato, quantidade de músicas e tracklist. Com Toy ocorreu algo um tanto diferente também por conta da Warner ter adquirido todo o espólio do camaleão do rock. Lançado um dia ante do aniversário de Bowie, Toy Box nem se quer entra nos moldes de póstumo, o disco triplo tem sido tratado como um “álbum perdido”, na verdade.

Nigel Reeve [SVP, desenvolvimento de conteúdo e marketing, catálogo global da Warner Music], que trabalhou com Bowie por 30 anos, é o guardião do catálogo. Segundo o diretor de marketing digital da Rhino /Warner Music, Tom Gallacher, sempre foi planejado e sempre se falou que Toy seria lançado em algum momento, mas tinha que ser no momento certo.

“Brilliant Adventure é parte de uma série de box sets [cobrindo cinco eras de Bowie até agora entre 1969 e 2001], então chegamos a esse ponto de sua carreira. Este era o momento lógico para que isso acontecesse. Obviamente, houve vários vazamentos e listas de faixas, as pessoas especularam sobre isso. Nigel havia falado pessoalmente com Bowie e sabia que era exatamente assim que ele queria apresentá-lo. Portanto, este é o culminar de todo esse trabalho.”

O trabalho gravado em 2001 foi disponibilizado em Novembro do ano passado no novo box set chamado Brilliant Adventure (1992 – 2001) e agora está disponível fora da caixa colecionável. Lançado em 7 de janeiro de 2022, Toy Box possui 3 CDs ou seis edições de vinil de 10”, bem como em plataformas digitais, o álbum apresenta reinterpretações que Bowie gravou pela primeira vez de 1964 a 1971. Supervisionada pela Rhino e lançada via Parlophone/ISO, a tão esperada aparição de Toy coincide com as comemorações de Bowie 75 para o que teria sido o 75º aniversário do falecido ícone da música (8 de janeiro), por isso é tão marcante seu lançamento. Esse disco é a prova que os fãs poderão cavar um pouco mais fundo e descobrir coisas que não sabiam antes.

Como muitos já sabem, Toy é o álbum “perdido” que Bowie gravou em 2000 com sua banda ao vivo após sua apresentação triunfante em Glastonbury. A formação inclui Mike Garson, Gail Ann Dorsey, Earl Slick e Mark Plati com arranjos de cordas de Tony Visconti. A lista de faixas inclui I Dig Everything, The London Boys e Can’t Help Thinking About Me, que está na lista de reprodução da BBC Radio 2 e atualmente em 39º lugar na parada de rádio do Radiomonitor

É um disco bem pra frente e solar, com poucas baladas e é perceptível que foi gravado ao vivo tendo poucos overdubs. Tanto que até a 5ª música temos uma pegada com guitarras distorcidas e só em Shadown Man, gravada pela primeira vez em 1970, que tem aquele drama com a conhecida formula de misturar o silêncio e sons ambientes de eco com dedilhadas melodias ao piano, com a potente voz de Bowie sobressaindo em bastante intensidade para trazer a emoção enquanto a música vai crescendo entrando orquestra, violão e guitarra em alguns acordes em pura convergência.

Acho difícil definir qual a melhor do álbum, não temos aqui potenciais hits, tipo de coisa que também ocorre nos discos Heathen (2002) e Reallity (2003). Mas temos nesse período do início dos anos 2000 o que considero a melhor sonoridade dos álbuns do Bowie, podem considerar um crime o que digo aqui, mas até mais legal do que os sons de guitarra do Mick Ronson nos anos 70 ou do Peter Frampton nos anos 80. Gail Ann Dorsey estar presente também eleva tudo para outro patamar só escutar sua contribuição em The London Boys. Todavia, Baby Loves The Way e Can’t Help Thinking About Me me conquistaram gratuitamente por irem direto ao ponto em melodias rock clássicas.

As diferentes mix do disco 2 e as versões “Unplugged & Somewhat Slightly Electric” do disco 3 trazem faixas como Liza Jane que tem uma jam, além de acompanhar as músicas em outra ordem aumentando as percepções como em I Dig Everything com os vocais e backings mais protuberantes. Silly Boy Blue em sua Tibet version e In The Heat Of The Morning me soaram melhores aqui do que na versão oficial. Já Conversation Piece soa como um folk rock ala The Byrds e a faixa título Toy (You Turn To Drive) também me conquistou em sua versão acústica fechando essa caixa fantástica que aumenta o já extenso número de discos lançados por Bowie.

Um ponto importante adotado pela gravadora foi investirem no material de divulgação, principalmente ao usar redes sociais como Tik Tok que segundo Tom Gallacher em sua entrevista a Music Week, foi circunstancial para o sucesso de vendas e audições nos streamings que o álbum vem tendo. Outro fato interessante é que capa do álbum e todo o conceito foi criado por Bowie ainda em vida, a impressionante imagem dele na cabeça do bebê que gerou muitos comentários. Atemporal e visionário.

Com Bowie sempre há um grande aniversário ao virar da esquina, então sempre será um regozijo revisitar seu material e conhecer novos e velhos sons nunca antes disponibilizados. Sempre um prazer acompanhar qualquer lançamento desse cara a frente do seu tempo que faz tanta falta, falta essa um pouco tratada com esses “recebidos”.

Nota final: 9/10

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