Review: Nervosa – Perpetual Chaos

Por Lucas Santos

É inegável que as treze faixas do disco contém um nível de musicalidade e qualidade nas composições polido e consistente. Às vezes a fórmula de músicas construídas em torno de refrões simples, estruturas giratórias e grooves elegantes e previsíveis são ultilizadas à exaustão, mas não tem como negar que a voz de Diva, o baixo de Mia e a batera da Eleni dão uma liga mais maciça aos excelente riffs distribuidos por Prika durante todos os 44 minutos.

Lucas Santos

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Gravadora: Napalm Records
Data de lançamento: 22/01/2021

Gênero: Thrash/Death Metal
País: Brasil, Itália, Espanha e Grécia

Nenhuma banda brasileira chamou tanta a atenção do mundo do metal quanto o Nervosa nos últimos anos. A banda foi formada pela guitarrista Prika Amaral e a baterista Fernanda Terra em 2010. Um ano e meio mais tarde, a vocalista e baixista Fernanda Lira entrou na banda, e a sua última formação, a que ficou mais conhecida, era composta de Prika, Fernanda e a baterista Luana Dametto. Esse trio foi resposável pelo álbum de maior destaque da banda, Downfall Of Mankind (2018), que até garantiu com que as meninas tocassem na edição de 2019 do Rock In Rio no Palco Sunset. Um dos destaques do evento na ocasião.

Infelizmente (ou felizmente) o ano de 2020 começou estranho para elas. Em meados de março, Fernanda e Luana deixaram a banda, por motivos ainda não concretos e divulgados 100%, para formar o Crypta. E mesmo com algumas dúvidas e incertezas, Prika começou uma caça intensa por novas integrantes, em busca de formar uma nova fase do Nervosa. Rapidamente a nova formação estava confirmada, agora um quarteto, e não só brasileiro, mas internacional. Apresentando a guitarrista e fundadora Prika Amaral, a vocalista espanhola Diva Satanica (eu amo esse nome!), a italiana Mia Wallace no baixo e a baterista grega Eleni Nota, a nova etapa da banda mostra-se mais redonda e convincente.

Durante todo esse processo de troca de integrantes e pandemia mundial, o quarteto fez o que muitas bandas fizeram em 2020, entraram em processo de trabalho para gravar novos materiais, material esse que virou o quarto álbum de estúdio da banda, Perpetual Chaos. Até aqui o Nervosa nunca tinha me conquistado totalmente com nenhum trabalho e, apesar de alguns tropeços, Perpetual é o melhor álbum lançado sobre o nome da banda até o presente momento. A presença de nomes mais experientes parece ter revigorado o lineup e ajudado Prika a fermentar ideias mais sólidas e convincentes. A banda continua a entregar um Death/Thrash Metal direto e brutal, mas aqui, é nítido o degrau escalado pelo grupo.

O som destruidor vem de influências claras do Thrash germânico do Kreator, e do Death/Thrash americano do Death Angel, por exemoplo. Além disso, fica fácil formentar essas influências quando o disco traz presenças de Marcel Schirmer do Destruction na faixa Genocidal Command e de Eric AK do Flotsam e Jetsam na brutal Rebel Soul. Suas contribuições, junto com desvios interessantes e destruidores em faixas como Guided by Evil e na sombria e mid-tempo Perpetual Chaos, empurram o estilo do material para fora de sua própria zona de conforto. Algo que, como citei anteriormente, eleva o nível de qualquer material que o Nervosa já disponibilizou.

É inegável que as treze faixas do disco contém um nível de musicalidade e qualidade nas composições polido e consistente. Às vezes a fórmula de músicas construídas em torno de refrões simples, estruturas giratórias e grooves elegantes e previsíveis são ultilizadas à exaustão, mas não tem como negar que a voz de Diva, o baixo de Mia e a batera da Eleni dão uma liga mais maciça aos excelente riffs distribuidos por Prika durante todos os 44 minutos. Aliás, essa é o ponto mais fascinante do trabalho. Blood Eagle, Time To Fight e Under Ruins são exemplos de de músicas com riffs marcantes, que tem pitadas de Black/Thrash/Death e até Doom.

Perpetual Chaos é o melhor trabalho que o nome Nervosa já registrou em sua discografia. O álbum oferece muito bem a sonoridade moderna e Old School que a banda se propõe a fazer desde o seus primórdios. Ainda há espaço para melhoras, apesar de parecer que esta formação já toca junto há bem mais tempo, nota-se que todo o seu potencial ainda não foi ultilizado. Mesmo assim, é louvável que o quarteto tenho tirado da cartola um material tão convincete e poderoso em tão pouco tempo.

Quanto ao Crypta? Espero que essa seja mais uma história estilo Megadeth/Metallica. Aonde nós perdemos a formação clássica de uma, mas acabamos ganhando duas bandas incríveis. É esperar pra ver quando o debut delas sair.

Nota final: 7/10

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