Top 5 Origens de Artistas de outros Gêneros do rock

Por Roani Rock

Tem sido normal nos últimos anos ver uma galera do universo pop se arriscar no rock, alguns trazendo um trabalho excelente, como por exemplo Miley Cyrus em seu oitentista Plastic Hearts lançado ano passado e o rapper Machine Gun Kelly que se aventurou no pop punk no álbum Tickets To My Downfall e rendeu um dos melhores discos de 2020 até na opinião do site. Só que tem muito artista que teve suas origens no rock e por uma série de fatores resolveu seguir outro rumo, um rumo mais vendável e comercial, mesmo que ainda tendo muito da atitude e elementos do rock em seu som.

Bem, é dessa galera que vamos falar aqui. Afinal de contas, nem todo mundo tem seu estilo formado em sua primeira banda ou em seu primeiro trabalho. Até as bandas presentes no panteão do rock passaram por transformações, a exceção a regra aparentemente é só o AC/DC. Piadas a parte, essa lista tem o papel de trazer fatos muito impressionantes numa primeira lida – diria inacreditáveis até – de artistas e bandas que tiveram seu começo voltado a algum gênero do rock.

E fiquem calmos, não falaremos aqui do surto do Dee Dee Ramone virando gangsta rapper, Queen ficando mais pop com sintetizadores e conceitos dance 80’s ou o Elvis no alto de sua coroação de rei do rock virando um cantor pop romântico perdendo seu mojo. Aqui falaremos só das mudanças circunstanciais para a carreira dos artistas, como essas mudanças foram acertadas para os estilos que os consagraram. Então vamos a essa lista!

Bee Gees – do som hippe a disco music

Dá pra assegurar que foram os primeiros a conseguirem com a mudança de estética e inovação no som fazer a transição do rock para algo mais dançante com maior excelência e sucesso. Os irmãos Gibb na segunda metade da década de 70 para o início dos 80 estavam antenados e observaram dentro dos EUA a mudança que os rumos da indústria musical estavam tomando, primeiro tentaram ir pra uma direção mais soul, depois vendo a popularização de artistas em suma negros do gueto de Nova York como Kc and The Sunshine Band que estavam utilizando aquele som cheio de boogie e groove swingado feito para ninguém ficar parado, resolveram adotaram para o Bee Gees.

Foi nesta época que surgiu o famoso “falsete” de Barry Gibb que veio a se tornar marca registrada dos sucessos. Eles saíram do papel de mais um grupo inspirado pelos Beatles que brigaram para fazer parte da chamada invasão britânica, para se tornarem únicos dentro da disco music, chegando a alcançar públicos do mundo inteiro, se tornando tendência para os músicos atuais como os conterrâneos da Austrália do Tame Impala e o Foo Fighters que lançou um ep recentemente com covers dos caras, vendendo milhões de álbuns e tudo isso sem perder a essência roqueira por conta disso.

Vamos ser francos, eles passaram a soar bem melhor com esse conceito, sem querer desmerecer as maravilhosas canções da fase dos anos sessenta. Vamos aos fatos comparativos, dos singles, de um soul To Love Somebody foram para algo estimulante como You Should be Dancing, de baladas mas contidas e sentimentais como How Can You Mend A Broken Heart foram para uma triste porém dançante Tragedy. Em julho de 1978 simplesmente lançaram a trilha sonora para o filme Saturday Night Fever, que prestigiava outros artistas da disco, e o resto já contamos no revisando clássicos.

Cher – do folk rock a referência do pop auto-tune

Quem desconhece quem é a Cher precisa de um intensivão sobre a cultura pop da década de 60 até aqui. Digo isso porque a cantora, atriz e uma das primeiras e mais significativas representantes da autonomia feminina é ganhadora de um Oscar, um Grammy, um Emmy, três Globos de Ouro e um Cannes, entre vários outros prêmios suplementares que a fizeram uma das artistas mais bem sucedidas da história. Ela tem muito pra contar, então senta aí que essa vale.

A forma como ela surgiu como cantora, o que a projetou para saltos mais altos na tv, foi a mais simples. Ela e seu marido na época Sonny Bono, simplesmente um dos assessores do Phil Spector (produtor dos Beatles), criaram um dueto inicialmente chamada Caesar & Cleo, que lançou os singles malsucedidos The Letter, Do You Wanna Dance e Love Is Strange. Após o fracasso, ela seguiu tentando e em 1965 teve um burburinho por seu nome quando fez um cover para a música de Bob Dylan All I Really Want to Do em seu trabalho solo e os singles vendidíssimos Baby Don’t Go e I Got You Baby em dupla com Sonny. Esse último chegou ao primeiro lugar nos Estados Unidos e no Reino Unido simultaneamente, em agosto de 1965, e se tornou um hit internacional.

Com esse sucesso conseguiram gravar mais discos e lançar mais singles, com um específico chamado Alfie que destacou a voz de Cher ao ponto dela ser indicada ao Oscar. Nos anos 70 chega a tv e recebe seu próprio programa de auditório ao lado do marido o The Sonny & Cher Nitty Gritty Hour, uma mistura de comédia pastelão, esquetes e música ao vivo. O programa durou e fez sucesso, mas o casal se separou até certo ponto até rolar o divórcio, ela seguiu investindo na carreira solo e também se tornou atriz dividindo as funções. Seu programa solo, The Cher Show, estreou como um especial em 16 de fevereiro de 1975, na época casou com Gregg Allman do Allman Brothers Brothers Band e lançaram o álbum voltado ao soul Two the Hard Way saindo da figura do folk rock e culminando dois anos depois em mais uma separação.

Ela conseguiu sobressair da sombra dos ex-maridos construindo espetáculos televisionados, conhecidos como shows especiais para tv, que renderam indicações a globo de ouro. No fim dos anos 80 ela adotou para sua carreira musical a estética sexy do glam metal e a sonoridade do pós-punk com bases acústicas misturadas com guitarras que funcionou por um tempo com singles de sucesso como If I Could Turn Back Time e The Shoop Shoop Song (It’s in His Kiss). Nos anos 90 se dedicou mais a carreira de atriz e pouco fez de algo relevante em música, isso até que em 1998 ela simplesmente lançou Believe, uma faixa moderna com um efeito que afinava a voz fazendo alterações robóticas, era o auto-tune ou como ficou posteriormente conhecido o “efeito Cher“, que na década posterior se tornou uma febre e fez a cantora se tornar a “Deusa do Pop“.

Daft Punk – alternativo e New Wave (!)

Eu sei que isso pode soar muito louco, mas um das maiores referências da música eletrônica, o duo francês Daft Punk, que infelizmente anunciou seu fim este ano, teve o início de sua estrada no entretenimento por um grupo de rock chamado Darlin. Isso mesmo, Guy-Manuel de Homem-Cristo e Thomas Bangalter se conheceram em 1987 e formaram esse power trio com Laurent Brancowitz (guitarrista do Phoenix).

Os caras tiraram o nome do grupo de uma das canções dos Beach Boys, mas o som que tiram é mais voltado ao pós punk e ao rock alternativo. Com um registro gravado, o ep multi-artista da Duophonic Records de mesmo nome do grupo que possue 4 músicas bem cruas e distorcidas os levou a uma turnê como banda de abertura para o Stereolab que tinha um certo sucesso e prestígio.

O sonho de serem rockstars acabou de forma breve, segundo Bagalter foi “talvez seis meses, quatro músicas e dois shows e então acabou“. E quem selou o caixão com uma inspiração foi a Melody Maker ao chamar a música do Darlin‘ como “a bunch of daft punk” (“um bando de punks bobos“, em inglês). Brancowitz saiu do grupo e entrou para o Phoenix e o duo remanecente seguiu adotando pra si o nome Daft Punk, criando um som ao qual viraram referência com o uso de sintetizadores e de samples para criar algo novo super dançante.

Com a alcunha de Daft Punk duraram por 28 anos sendo referência do estilo frensh house que soube misturar synthpop, disco, rock e techno. Eles ao longo dos anos fizeram parcerias com grandes nomes do pop e do rock como o guitarrista do Chic o Nile Rodgers e o vocalista do The Strokes, Julians Casablanca. As referências ao rock ficam evidentes no disco lançado em 2001, o Discovery. Através dele surgiu o longa animado Interstella 5555: The 5tory of the 5ecret 5tar 5ystem tendo como base uma banda famosa de super heróis alieningenas vindo a terra. Músicas como One More Time e Digital Love popularizaram ainda mais o trabalho por conta da animação.

Gwen Stefani – a excelente No Doubt

No Doubt, foi uma das bandas mais interessantes dos anos 90 com uma das histórias mais impactantes da geração e posso provar. O projeto era do irmão de Gwen, Eric Stefani, e do amigo dele, John Spence. Formada por Eric nos teclados, Gwen no vocal ao lado de Spence com a companhia de Jerry McMahon (guitarra), Chris Leal (baixo), Gabriel Gonzalez (trompete), e Tony e Alan Meade (saxofone e trompete respectivamente). Um tempo depois, Chris saiu do projeto sendo substituído por Tony Kanal sendo feita assim a formação que era pra ser definitiva.

Eles misturavam punk rock, reggae e ska em suas canções e o principal hit Don’t Speak tinha até uma vibe latina, mas a história da banda é um tanto trágica a partir do momento em que Spence comete suicídio. Em 1987 eles já tinham tudo ensaiado e se preparavam para fazer uma grande estreia no lendário “The Roxy Theatre“. O trauma foi grande mas a banda resolveu se reagrupar. Meade ia assumir osvocais, mas deixou a banda. Ficou a mercê de Gwen como a vocal principal, e o No Doubt continuou a desenvolver uma sequência de shows ao vivo na Califórnia. 

Lançaram o primeiro disco em 1992 com Tom Dumont como novo guitarrista, o que preencheu com a influência do metal o som que já era cheio e variado. Depois disso foram uma crescente. Eles lançaram o auto-intitulado No Doubt pela gravadora Interscope Records, mas com pouca atratividade e sem hits, o álbum passou quase em branco com apenas 30 mil cópias vendidas. Sem saber o que fazer com da banda, já que ela estava em mais um turbilhão de emoções da banda. Eric se encontrava puto com a perda de controle criativo do projeto com a chegada do produtor Matthew Wilder e o relacionamento de 7 anos de Gwen com Kanal chegou ao fim. A Interscope arrumou como solução sublicenciar o projeto à Trauma Records em 1995. A ação foi acertada quando se prepararam pra lançar a masterpiece do grupo, o álbum Tragic Kingdown, baseado no relacionamento de Gwen e Kanal.

Os hits Just a Girl, Spiderwebs, e principalmente Don’t Speak foram grandes sucessos. O último citado rendeu, impulsionou a venda do disco, a presença por 16 semanas no hot 100 da billboard e premiações do Grammy para melhor álbum de rock e artista revelação. Mas porque a banda ao chegar no mainstream em 1997 começou a sumir? Bem, a Gwen Stefani virou uma artista maior que a banda e passou a trabalhar com feras como Brian Setzer Orchestra, Prince, Fishbone & Familyhood Nextperience, e seu namorado Gavin Rossdale, da banda Bush. Depois de algum tempo sem novos álbuns, o No Doubt incluía sua canção New na trilha sonora do filme “Go” em 1999. New, foi inspirada no relacionamento de Gwen com Rossdale, foi uma das primeiras canções escritas depois do lançamento do Tragic Kingdom.

Seus maiores acertos em carreira solo começaram já no primeiro álbum lançado nos anos 2000, o Love. Angel. Music. Baby. com faixas produzidas por um time de primeiro escalão que inclui Andre 3000, do Outkast e Dr. Dre. Em seguida lançou o The Sweet Escape que através de músicas como a faixa título e Wind It Up teve bastante repercussão e grammys. Em 2005 ela também hoje em dia sua música mais identificável, Hollaback Girl. Ela trabalhou também com Pharrel Williams e Eminem por diversas vezes. Já na “década de dez” ela também virou jurada do programa The Voice americano tendo o seu lado carismático, interativo e extravagante tão em evidência e popularidade quanto seu canto. Ela vira e mexe volta com o No Doubt para alegria dos fãs, mas para os desavisados chega a ser um choque a mudança de um projeto para o outro.

Mr Catra – o pai de todos era o advogado punk

Não façamos aqui juízo de valor com falso moralismo, porque é claro que perderíamos a causa com com bons argumentos feitos pelo próprio Catra em uma auto representação judicial. O funkeiro carinhosamente chamado de “pai de todos”, começou sua jornada musical no rock – mesmo que de forma breve -, isso sempre tem que ser celebrado. Catra foi guitarrista de uma banda denominada O Beco, que chegou a fazer um relativo sucesso em festinhas e em saraus de faculdades. Mas Catra foi tocado pelo funk, ritmo oriundo das favelas, e se identificou com esse som popular de massa.

Ele foi levado para esse caminho partindo de sua experiência em São Paulo na década de 1990, graças a sua amizade com o ex-VJ da MTV, o paulista Primo Preto que firmou o contrato de Catra com a Zâmbia Records (gravadora independente de São Paulo, responsável pelos primeiros discos dos Racionais MC’s). Essa parceria deu tão certo que depois criaram a empresa Rapsoulfunk, onde instauraram seu próprio selo de gravadora, usado também em grife de moda e que era responsável por organizar bailes funk e shows de hip hop no Rio de Janeiro e em Sampa.

Em 1994 foi lançado o excelente álbum O Bonde dos Justos, emplacando o hit Vida na cadeia. As canções de temas fortes chamaram a atenção da Warner Music que lançou em 1999 com o funkeiro o disco O fiel. Em 2001, juntamente com MV Bill, lançou o Partido Popular Poder para a Maioria (PPPomar), mas não durou muito a união e ele voltou a ser um artista inteiramente carioca relatando os caos da cidade maravilhosa, principalmente a realidade das favelas.

Mercenária, Vacilão, A Favela Também é Arte, Líquido do Amor, Bolidor e Peida Agora, Para Não Peidar Na Hora são bons exemplos da qualidade de seu som. Ainda no novo milénio, com seus “funks paródicos” ele criou a faixa Adultério, paródia do hit dos anos 80 Tédio, da banda Biquini Cavadão. A música entrou em diversas coletâneas de funk e tocou em rádios do Rio de Janeiro. Catra então passou a adotar um discurso mais apelativo para o lado sexual em suas letras de forma humorosa e explícita – nada mais AC/DC que isso.

Agora o ponto mais interessante da carreira desse cidadão, pai de 32 filhos, que fez dois anos do curso de direito e falava quatro idiomas além do português: inglês, francês, alemão e hebraico. Foi ele ter resolvido no alto de seus 47 anos em 2015 voltar ao Rock. Ele se juntou com uma galera do underground carioca.

O nome Os Templários existe desde 2001, antes chamado de Os Apóstolos. O grupo acabou se tornando um trabalho paralelo na carreira do funkeiro, que toca desde canções autorais a de grandes nomes do rock BR, como Titãs e Zé Gordo. A banda é formada por Marcello Nunes na bateria, Reinaldo Goredoom na guitarra, Stanley Svaig no baixo, Willigton Coelho e Morgan Stern na percussão e mais importante, Catra no vocal.

Definido pelo vocalista como um estilo “rock básico, viajando no rap e funk. E uma mistura de funk metal, rock e hardcore…” que ele conclui definindo como “‘powerfunkineroll‘” alcançou mais de 700 mil visualizações na época do lançamento em 2015. O EP é brilhante e tem uma força e forte impacto, recomendo a audição.

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