Rock In Rio: Dia 28 foi o Mundo celebrando Dave Grohl

Por Roani Rock

AVISO: Aqui se trabalha com qualidade e não imediatismo, então vamos a como ocorreu o dia 28/09 data marcada pelos shows de CPM22 com Raimundos, Tenacious D, Weezer e Foo Fighters no Palco Mundo e principalmente Detonautas, Titãs e Whitesnake no Palco Sunset.

O Palco Mundo realmente foi o que teve de mais interessante no dia. Podem considerar como o mais fraco line up do festival mas na realidade não foi o que foi visto, retirando o fato de que o público do rock in Rio não está preparado para bandas como Weezer e Tenacious D e provavelmente não estará nunca já que são bandas que nunca dialogaram com o mercado, mesmo na época em que surgiram. Certamente em um show solo os shows deles conseguem trazer a vibração real de suas músicas.

foto/divulgação: Daniel Castelo Branco 

Mas em um consenso, acredito que geral, a união entre Raimundos e CPM22 deu tanta liga que só não podemos considerar o melhor do dia e o melhor show nacional de todos os anos do evento pelo fato de ter sido curto. As duas bandas se dialogaram bem e por serem de épocas similares e terem se encontrado na estrada durante anos souberam deixar o repertório redondinho só com os sucessos de cada. Era uma música do Raimundos e depois uma do CPM22, em um dinamismo que impressionava.

Mulher de Fases (Raimundos) iniciou o set para mostrar o porque faz sentido as duas bandas estarem juntas no palco. Regina Let’s Go! (CPM 22), Palhas do Coqueiro (Raimundos), Dias Atrás (CPM 22) vieram na sequência para não deixar ninguém parado. A Mais Pedida (Raimundos), O Mundo Dá Voltas (CPM 22), Reggae do Maneiro (Raimundos) dão uma aliviada mesmo que mantendo tudo na pressão. Não Sei Viver Sem Ter Você (CPM 22) Puteiro em João Pessoa (Raimundos) Tardes de Outubro (CPM 22) e I Saw You Saying (That You Say That You Saw) dos Raimundos vieram para todos cantarem em uníssono.

Chegando perto do fim do show, Desconfio (CPM 22) e Me Lambe (Raimundos) deram uma caída no repertório por erros tolos e bem vindos mostrando que até mesmo bandas bem ensaiadas podem perder o tempo e esquecer letra. Inevitável (CPM 22), Eu Quero Ver o Oco (Raimundos) e o gran finale  Um Minuto Para o Fim do Mundo (CPM 22) chegaram para cravar o show dos caras como um dos maiores presentes que o rock nacional já beneficiou ao brasileiro. Somos sim privilegiados em ter um rock feito em português em que os criadores das canções tiveram cuidado de fazê-las com cuidado para se tornarem atemporais.

O palco mundo ficou marcado pela vinda de duas bandas gringas que nunca haviam pisado no Brasil, as já citadas Weezer e Tenacious D. Muitos estranharam a vinda de nomes que não estão na crista da onda. Muito se fala que a banda de Rivers Cuomo foi um nome ao qual restou para chamar, já com a banda de Jack Black o assunto de sua vinda já era esperado desde 2013 com o ator e cantor dizendo que era seu sonho subir ao palco principal do mega evento da cidade maravilhosa.

O Tenacious D deveria ter sido a banda a tocar antes do Foo Fighters por ter uma certa familiaridade a banda de Dave Grohl – que gravou com eles um dos principais hits, Belzeboss -, mas é notório que apesar de serem músicas muito bem construídas, com muitas variações e Jack Black junto a Kyle Gass fazendo momentos hilariantes de encenação, podem não ser populares e não tem um domínio de palco suficiente. Logo, o Weezer, que ao menos tem sucessos desde a época de 2000, eram menos estranhos de ouvir antes do Foo.

Visando compensar pela falta de músicas que prendessem por um teor pop, conseguiram através de Júnior Bass Groovador cativar o público. O baixista potiguar que gravou um vídeo tocando a música mais aclamada do grunge em versão forró chamou a atenção de Jack Black, que 10 dias antes da apresentação no Rock In Rio compartilhou o vídeo e fez uma campanha nas redes sociais para colocarem o músico em contato com o Tenacious D, para este participar da apresentação.

Júnior, que mora na Zona Norte de Natal e há 19 anos se apresenta como músico no Rio Grande do Norte, tem 35 anos e começou a tocar baixo em bandas de igreja. Ele rapidamente foi achado e aceitou o convite do ator/cantor norte americano de imediato.

A participação de Júnior foi o que deixou o público mais aceso, talvez tenha sido a versão mais louca e bagunçada – num bom sentido – de Smells Like teen Spirit que o mundo e Dave Grohl tenham escutado na vida. Essa foi a primeira homenagem da noite ao Nirvana e consequentemente ao frontman do Foo Fighters.

Groovador chegou a voltar ao palco mais uma vez e tocou colado a Jack Black, o convidado chegou até a beijar a testa do anfitrião. Mais tarde fez um mega solo e sua espetacular dancinha, foi ovacionado e possibilitou o show do Tenacious D ser marcante.

O Tenacious D fez um repertório a risca do que tinham de melhor a oferecer, músicas do último álbum de estúdio distópico-sexual Post-Apocalypto (2018) o da sua estreia auto-intitulada de 2001 e passando pela trilha do divertido filme The Pick of Destiny (2006) provavelmente o que contêm as faixas mais conhecidas e aplaudidas do show, fecharam com Tribute e o público pôde relaxar para logo se preparar para o que estava a vir.

A missão foi dura, mas o Weezer conseguiu sobressair e acabou com o marasmo da espera de seletos fãs que estavam aguardando a vinda da banda a cidade maravilhosa desde os anos 90.

Rivers Cuomo, o mestre de cerimônias, estava ciente de que era o momento de causar a melhor impressão possível, dirigiu-se à multidão quase sempre num português treinado, utilizando uma série de expressões bem características dos cariocas. “Muito f*da, o Brasil é f*da”, exclamou quase no fim, satisfeito com a recepção do público geral que claramente estava mais interessado no headline Foo Fighters.

Eles fizeram em fim sua estreia no Rio de Janeiro e foi em grande estilo. Para mostrar a intenção de agradar, abriram o show com uma de suas canções mais emblemáticas, Buddy Holly, de seu primeiro e aclamado álbum de 1994. Weezer é uma banda cult de power pop que é desconhecida dos adoradores da indústria da música atual. E a aparência de Cuomo ser um tanto quanto parecida com a de Samuel Rosa do Skank não seria o suficiente para levantar a galera.

Bom, o Weezer com seu show trouxe a impressão de que não deixa em nenhum momento o silêncio reinar mesmo com falta de aplausos ou ”uhuls”. Eles entraram em uma fria, notaram e não ligaram. Fizeram o set list de estrema finesse já que vieram com a turnê que aborda o álbum The Teal Album que traz cover de vários hits oitentistas como Africa do Toto e Take On Me do A-Ha, essas executadas e celebradas pelo público.

Estamos muito felizes por tocar aqui finalmente, no Rock in Rio(…) Prontos para ir até ‘Africa’?.

Rivers Cuomo

Canções fortes da banda também apareceram como Pork and Beans, Berverly Heels, Perfect Situation onde o vocalista pediu a colaboração para um uníssono “uou” e Holiday, claro que não tão ovacionadas quanto My Name Is Jonas ou Say It Ain’t So que animaram de verdade até aqueles que estavam desatentos. The end of the game, o novo single, funcionou bem ao vivo também. 

O resultado final é que foi um dos show mais divertidos do segundo dia, em que deu para analisar de forma fria que faixas como In the garage ou Undone (the sweater song) conseguem ser fortes, de proporções iguais a Africa ou Happy together do The Turtles, que recebeu um genial mash-up com Longview do Green Day (banda com quem o Weezer vai dividir turnê apoiados ainda pelo Fall Out Boy muito em breve). Aplacadas as angústias de outros tempos, o Weezer pode fazer reluzir um de seus hits, como Islands in the sun, fazendo um público desinteressado cantar junto.

Só uma falta particular quanto a dois hits foram sentidas por esse que vos escreve,  (If You’re Wondering If I Want You To) I Want You To e Keep Fishin‘. Essas predadas tem que aparecer no repertório deles numa nova vinda.

Outro momento interessante foi a música Paranoid do Black Sabbath sendo tocada com bastante pressão e recebendo os vocais do guitarra Brian Bell. Duas tiradas foram bem interessantes do Weezer, repetir Buddy Holly só que apenas a capella com vocais simulando os instrumentos para ditar o ritmo e executarem Lithium do Nirvana, foi o momento que o público cresceu e fez o Weezer se consagrar. Esta foi a segunda homenagem a Dave Grohl que era o dono da noite.

Foto/divulgação: Marcelo Brandt

Fim de Weezer e o público cansado aproveita para descansar, depois de menos de meia hora de espera Dave Grohl já começa a paletar sua linda Gibson es-335 azul para trazer o animo de volta a um público desgastado. A responsável por levantar a galera foi a superpotente The Pretender, arrisco a dizer que foi a melhor versão dessa música ao vivo que o Foo Fighters já fez.

E a sequência foi só explosão de energia aos 220 voltz. Learn to Fly e Run botaram rapazes e meninas, idosos e crianças para pular incessantemente, parecia que não iria ter tempo para respirar mas tocaram a pesada meio blueseira The Sky Is a Neighborhood do álbum de 2017 Concrete and gold, que justifica a atual turnê.

Através de Times Like These e All My Life os brasileiros tiveram momento nostálgico lembrando o álbum One By One de 2002 assim como ocorreu através de My Hero e Monkey Wrench do álbum The colour and the shape de 1997 convocando os “fãs raiz” que Dave mencionava direto.

Em noite com muitos pontos altos para Dave e seus asseclas, músicas do Concret and Gold como a insuportável La Dee Da e a bem arrastada, mas grandiosa, Sunday Rain cantada pelo batera Taylor Hawkins, começaram a fazer o público presente sair da frente e buscar ar para respirar. Não que isso seja um demérito já que foram casos isolados e a medida que vai ficando mais tarde o público vai esvaziando a frente mesmo.

Certo ponto é dada a hora do momento “por conta desses caras que estamos tocando hoje para vocês” quando a banda resolve tocar música de outros grandes como Under pressure e Love of my life, do Queen, e as citações a Beatles (Blackbird) e Rolling Stones (Start me up) que aproveitam para apresentar os integrantes. Sem contar a tiração de sarro com Noel Gallagher ex-Oasis que teve seu rosto estampado no bumbo de Taylor Hawkins.

Pontos altos do show de grande retribuição do público veio com as baladas Wheels e Big Me (que dedicou ao Weezer por ter tocado Nirvana logo antes), quando as luzes dos celulares são acesas fazendo daquele um momento único.

Dave diz que ouviu a versão no camarim e chorou. “Doce Weezer”, ele disse. Outro elogio dele foi a Júnior Bass Groovador, o brasileiro que tocou com o Tenacious D. O líder do Foo Fighters disse ter ficado incrédulo. Ele faz essas conversas longas com o público o que é ótimo para os presentes se sentirem queridos apesar de cansados. Certamente poderiam ter tocado meia hora a mais se contar o tempo de bate papo.

Após a execução de Best Of You, que sempre é mágica, um fã subiu ao palco e propôs a namorada em casamento. O cartas estava ao contrário e muitos tentaram avisar em tom de deboche, Dave ficou sem entender, mas adorou ver a cena da proposta sendo gentil e abraçando o casal. Assim que os dois saíram a banda tocou o gran fiunale com a melhor música da banda, segundo Bob Dylan, Everlong.

Foo Fighters faz um show impecável e a voz de Dave estava no ponto certo, foi um show melhor do que o solo no maracanã de 2015. Dave é um cara que faz o mundo ser mais feliz e divertido, não é a toa que sua banda segue com a mesma formação a anos. Ele trouxe o Pat Smear do Nirvana para sua banda e não por acaso está até hoje também com o FF.

Acredita-se que todo mundo compreende isso já que ele é taxado como a alma mais legal do rock e que está sempre em todas as boas do mundo da música sendo celebrado com sorrisos e abraços. Ele prometeu que vai vir mais um álbum do Foo Fighters e este será certamente mais um polido de muita entrega e amor a música.

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