The Rock List – 10 álbuns de bandas atuais desconhecidas que vale a pena conhecer. Parte 3!

Por Roani Rock

Uncle Acid & The Deadbeats – Wasteland (2018)

Só imagine a possibilidade de duas das melhores bandas de todos os tempos poderem ressoar ao mesmo tempo em seu ouvido num equilíbrio perfeito entre peso e melodia. Isso é possível de sentir graças ao disco do Uncle Acid & The Deadbeats, através de Wasteland somos capazes de presenciar a união do Black Sabbath com os Beatles. Não é exagero, essa banda de Cambridge faz linhas melódicas nos vocais unirem-se a riffs e solos macabros e poderosos.

Os caras são extraordinários. A influência do doom mesclados ao fuzz do garage rock dos anos 60 estão presente nessa obra de arte lançada em 2018. É o quinto disco da banda, e tem tudo para ser considerado o que de melhor ocorreu no ano passado que ainda precisa ser explorado.

A faixa que possui o nome do álbum é uma virtuosidade. A poderosa Blood Runner é um regojizo. Só quem possui bastante percepção capta tudo, a faixa No return parece um mush up de I Want You dos Beatles com a faixa Black Sabbath dos britânicos do metal.

Os temas das músicas são sempre evocando o desgosto por algo que não cai bem. Até por isso a visualidade do grupo é interessante. As peças promocionais ora evocam a estética dos filmes de terror underground, filmes B e ora evocam um clima misterioso encontrado em produções artísticas da era hippie como por exemplo fotografias do livro Aquarian Odyssey de Don Snyder.

Ouvir esses caras é um deleite e puro bom gosto!

Fuzz – Fuzz I e Fuzz II (2013/2015)

Mais uma banda que seguiu a risca os passos do Black Sabbath. Seus integrantes não são jovens, Ty Segall (31 anos), líder do grupo, está na estrada a muitos anos/décadas com dez discos solos lançados. Mas algo nos trabalhos Fuzz e Fuzz II, de 2013 e 2015 respectivamente, fazem reverberar aquele sentimento de querer pegar numa guitarra.

É uma banda de riff e os vocais estridentes com bastante reverb até lembram um pouco o Uncle Acid, mas diferente destes, o Fuzz foca em mais distorção e com algo mais cru e sólido. quem sabe se com a idolatria ao Greta Van Fleet bandas com esta pegada sonora setentista não entram no cronograma popular? O Rock ‘and’ Roll agradeceria!

Starcrawler – Starcrawler (2018)

Falando em banda com som setentista, essa escolheu bem suas influências. Com o disco debut que acabou de sair do forno, o Starcrawler é uma ode ao caos que faz referência ao MC5 e The Stooges.

Essa banda de L.A. traz tudo que se espera do punk rock: sujeira, cuspe, rasgões, agressões. Você parar para ver um show deles é se preparar para entrar em choque, principalmente pela presença da vocalista Arrow. Vê-la é presenciar um Kurt Cobain ou Iggy Pop em sua versão feminina com um quê teatral ala Alice Cooper.

Mas o lance deles é mais para o New York Dolls e o já citado MC5 vide a música Let Her Be. Seja na maneira de vestir ou instrumental, é certeza a presença de guitarras distorcidas, poucas palavras proferidas mas atitude de sobra. O cenário atual agradece com o pedido de passagem em forma de voadora no meio dos peitos.

Destaque para Hollywood Ending que lembra bastante o som do Hole, a porradeira Chicken Woman e o rock potente Pussy Tower. A melhor do álbum sem dúvida é Love’s Gone Again, clichézona.

Devise – Petricor (2018)

No Brasil a tendência dentro do underground têm sido resgatar a sonoridade da década de 90. A banda Mineira Devise escolheu o Britpop como maior influência.

Com Luís Couto nos vocais sentimos ali a presença do Oasis, Manic Street Preachers, Suede, The Charlatans e Primal Scream na sonoridade. Com músicos bem acima da média do talento, com Bruno Vieira (Guitarra), Bruno Bontempo (Contrabaixo) e Daniel Mascarenhas (Bateria) a banda segue a passos largos para uma notoriedade nacional e até mundial. Vide o cover de Uns Dias ter agradado os Paralamas do Sucesso, feitores da obra. Fora outros músicos consagrados do cenário como o batera Fê Lemos do Capital Inicial e Samuel Rosa.

O disco lançado em 2018 traz músicas de grande potência como Canção pro Vento e 27. Recentemente a banda lançou dois singles de impacto, Além do Próprio Espelho e Tempo Aberto.

The Outs – Enquanto o Futuro Não Vêm (2018)

Falando em influências britânicas, para o álbum Tempos Loucos a The Outs incorporou ao seu som novos elementos. Tame Impala e o rock mineiro dos anos 70 como o Clube da Esquina e o Secos & Molhados trouxeram os jovens cariocas a um amadurecimento em seu som.

Com uma nova formação após a saída do vocalista Tiago, a banda – agora formada por Denis Guedes, Vinicius Massolar e Gabriel Politzer – escolheu fazer as composições do novo trabalho em português, assim como no álbum Percipere. Mas diferente do álbum citado, Enquanto o futuro não vem tem canções com formato mais pop.

Sem perder a veia politizada nas letras, canções divertidas como Tempos Loucos, Balada de Qualquer Lugar e Mistério apresentam o conhecido lado psicodélico recheado de vocais dos cariocas. Águas que Passam e Mágica são o tipo de música que poderíamos ter visto surgir com Beto Guedes ou Lô Borges na década de 70.

Sem Você é aquela faixa circense que podemos traz uma similaridade ao Sgt Peppers dos Beatles, talvez a faixa mais britânica do disco. É uma explosão de sons em uma bateria quebradaça. Maravilhosa!

Ladrão – Demo Cracia (2018)

Seguindo a onda dos anos 90 da mistura do Rap com o Rock, temos aqui uma banda que é quase um stoner rock com músico de rodagem dentro do underground carioca e mineiro. A banda Ladrão capitaneada por Daniel Vitarelli traz o guitarrista virtuoso Farrah Sento Sé e o nome de peso Formigão no baixo para esse trabalho que tem como principal função tocar na ferida.

Músicas como o Preço, Ijexá e Poesia de Liquidificador tem uma carga de seriedade que não deveriam passar despercebidas. A homenagem a David Bowie com uma praticamente versão de I’m Afraid of Americans e o cover de Ódio as Tv’s do Coquetel Molotov são os pontos altos desse ep monstruoso e agressivo.

Claro que eles tem muito do Planet, mas a Ladrão apresentam um viés mais similar ao do Rage Agains The Machine só que tropicalizam com pitadas de Alceu Valença a quem costumam homenagear tocando a música Anjo de Fogo.

Recentemente estiveram no programa Estúdio Showlivre tocando músicas novas e as pertencentes ao ep Demo Cracia, presenciar esse show é estar de frente ao rock em sua essência.

Gerry Cinnamon – Erratic Cinematic (2017)

É dado aquele momento em que é trazido uma calmaria e respirada frente a tantas bandas pesadas e elétricas. Gerry Cinnamon é um cantor folk escocês que ganhou notoriedade por ter tocado no festiva TRNMST o maior do país.

Suas músicas tem uma verdade e diferente de sons como o de Jake Bugg, parece que o cantor é a melhor mescla da forma de cantar do Alex Turner do Arctic Monkeys na voz de Gary Lightbody, vocalista do Snow Patrol. Isso é bem perceptível no hit Sometimes.

Ele tem um algo diferente dos artistas que figuram o universo das bandas indie. É prestar atenção em um artista que tem suas raízes bem definidas. Ainda é uma incógnita seus trabalhos fora do álbum Erratic Cinematic, mas é preciso dar uma atenção já que o cara está sendo figurinha carimbada nos maiores festivais do mundo.

The Lone Bellow – The Lone Bellow (2013)

Esse álbum foi escolhido em especial por representar o quanto o primeiro álbum de uma banda pode tirar tudo que ela tem de melhor e como os seguintes até podem representar uma continuidade e evolução… ou não.

O The Lone Bellow em seu álbum debut de 2013 trouxeram os mais belos vocais folks que pode se querer ouvir. Canções para se cantar em roda de violão. Não necessariamente sucessos, mas certamente pop songs.

Quando fazem as três vozes de Broklin, se tornam incomparáveis basta escutar a faixa Tree To Know ou . Lembram o The Byrds, mas talvez com maior conotação sentimental. A história de como a banda se uniu e como que Zach Williams resolveu ser músico amplificam tudo a outro patamar. Ele aprendeu a tocar para trazer um pouco de esperança a sua esposa que tinha paralisia. Como artista uniu forças com Brian Elmquist e a multi-instrumentista – ela toca bandolim, baixo, teclado e faz vocais – Kanene Donehey Pipkin.

Para os fãs da trilha sonora do filme Nasce Uma Estrela, o The Lone Bellow certamente cairá no agrado. A faixa You Can Be All Kinds of Emotional poderia ter aparecido no filme de Bradley Cooper, ela soa tão cinematográfica.

The One You Should’ve Let Go finaliza o álbum de forma querida e animada para querermos ouvir mais dos caras. O que acontece com o excelente sucessor Then Came the Morning que levou o trio a 11º posição de melhor álbum de grupo de rock, 5º álbum de grupo de folk e 6º de alternativo das paradas americanas. Entretanto no último álbum de 2017 perderam a mão e caíram nas paradas, mas não considere isso algo ruim, eles seguem sendo geniais e o Walk Into a Storm tem sim bons momentos a torcida é que nos futuros trabalhos reencontrem a essência apresentada no primeirão.S

Scoundrels – Sexy Weekend (2012)

Uma banda londrina divertida que mistura soul com Rock ‘and’ Roll com muita qualidade. Eles não são tão novos e até estão bem sumidos, Scounderls são do fim da década passada, mas o ep Sexy Weekend de 2012 faz soar tudo tão necessário, para já.

São cinco músicas que fazem você avaliar como qualquer underground pode trazer coisas maravilhosas. A faixa Brothers é um daqueles Blues que um guitarrista sorri em tirar nota por nota. É pura simplicidade. Assim como ocorre em Sexy Weekend. Essa é aquela música que quando ouvimos não sabemos porque não estourou na época do seu lançamento. Ela é tão dançante, convidativa…

London é aquela porrada pop que fica na sua cabeça por horas, seja pelo solo/riff da introdução ou a levada do baixo viciante. Esses caras merecem muito reconhecimento. Tomara que reapareçam com mais material.

The Claypool Lennon Delirium – South of Reality (2018)

Claypool Lennon Delirium, dá pra dizer que é uma super banda por ser formada por Les Claypool (Primus) e Sean Lennon (filho do ex-Beatle John Lennon)

Mas títulos e antigas bandas de renome não garantem qualidade. Eles apareceram a primeira vez em 2015. O nome do grupo é alto explicativo, tem o sobrenome dos caras e o delirium claramente é a referência ao som. Eles estão mergulhados na lisergia numa busca pelo moderno com elementos do passado.

Sean claramente inspirado não só no pai, mas também em bandas como Os Mutantes – a quem sempre gosta de saudar – traz para o álbum South Reality canções como Blood And Rockets: Movement I, Saga Of Jack Parsons – Movement II, Too the Moon e a faixa que abre o disco Little Fishes que lembram bastante também algum trabalho do Yes e o álbum Blackstar do David Bowie por conta das várias camadas sonoras e mudanças no ritmo das músicas enquanto são tocadas.

A impressão que fica é que John Lennon se estivesse vivo não só estaria orgulhoso de Sean como certamente iria querer participar. É o álbum que John gostaria de ter composto! Sem exagero, ou talvez com muito, já que essa obra de arte traz tudo que o Beatle experimentou em níveis bem elevados.

South of Reality é muito viajante as linhas de baixo são pulsantes e os arranjos de guitarra são cristalinos só ouvir Like Fleas, Boriska ou Amethyst Realm. É a elevação do Revolver dos Beatles a um novo nível. Não precisa de muito para ser feito, veja fixamente a capa psicodélica e interplanetária do disco e coloque-o para tocar e se sinta abençoado pelos próximos quarenta e sete minutos e meio.

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