Revisando Clássicos: Living Colour – Vivid

Bem vindos a mais um revisando clássicos, aqui analisamos discos atemporais que, de alguma forma, marcaram a história da música de maneira revolucionária. Traremos uma introdução ao álbum contando fatos que o fizeram importante para a carreira da banda, um faixa-a-faixa e por fim, citações das principais mídias especializadas em reviews. Hoje vamos falar sobre Vivid do Living Colour, um álbum potente e importantíssimo para quebrar as barreiras do público do Hard Rock e Metal frente aos pretos no rock.


INTRODUÇÃO AO ÁLBUM


Era o fim da década de 80, e nos estados unidos e no universo do rock reinavam as bandas de hair metal que produziam o que tinha de mais popular no hard rock. O KISS e o Aerosmith foram os sobreviventes dos anos 70 em termos de idolatria e popularidade que souberam velejar por essas ondas, mesmo que em dados momentos tendo que encarar bastante maremotos e tsunamis de problemas nas costas, avarias pessoais e choques conflituosos para se manterem no topo e em muitos casos falharem.

Um bom exemplo de questões a serem resolvidas foi o KISS tirar a maquiagem e assumir uma nova identidade consoante com os caras do metal, um visual cheio de laquê, roupas de latex, calças legging coloridas e coletes de leopardo se tornando uma piada. Já o Aerosmith, que desmoronava por conta da fase pouco criativa e excessos de drogas dos “Toxic Twins“, eram ignorados pela MTV. Entretanto recebeu uma verdadeira dose de adrenalina quando surgiu um convite inusitado de um grupo de rap/hip-hop dos guetos que estava estourado de forma pirata por toda a américa, o RunDMC que também era ignorado pela mídia segregacionista e preconceituosa.

O produtor e co-fundador da Def Jam Records, Rick Rubin, queria ver o Run-DMC alcançar o tipo de adolescente obcecado por rock suburbano que ele já foi. Ele sugeriu aos três membros do grupo que fizessem um cover de um hit do Aerosmith de 1975 que eles estavam sampleando. Então ele procurou o Aerosmith e fez uma proposta. Muitas explicações – de ambos os lados – foram necessárias. “Nós nem sabíamos quem era o Aerosmith”, disse Run. Mas eles finalmente chegaram ao “sim”, com Tyler dizendo: “Só não nos façam de bobos”.

Quando chegou a hora de gravar, “estávamos em turnê em Detroit ou algo assim e tínhamos um dia de folga”, lembra Tyler para a People em 2020. Ele e Joe Perry voaram para Nova York. “Graças a Deus o Joe trouxe a guitarra dele, porque se não fosse ele, eles só teriam usado a bateria que está sozinha no disco. Eles estavam usando aquele sample e tocando repetidamente.” Ele e Perry gravaram a música com os membros do Run-DMC: Joseph “Run” Simmons, Darryl “DMC” McDanielsJason “Jam Master Jay” Mizell. A versão apareceu no álbum Raising Hell do Run-DMC , que ganhou disco de platina triplo no ano.

“Acabou sendo tão mágico”, diz Tyler. “Então [o diretor] Jon Small, que recebe pouco ou nenhum crédito, veio até mim e disse: ‘Tive uma ideia muito boa para isso. Por que não colocamos Run-DMC de um lado, Aerosmith do outro lado, e haverá uma parede, e destruiremos um pedaço da parede.’ A ideia toda era mostrar que rock and roll e rap poderiam viver juntos. Foi um passo gigantesco fora da mente de qualquer um na MTV. Esse vídeo foi tudo. Para nós, estar envolvido nisso foi apenas um milagre. Foi sem dúvida o segundo passo da nossa carreira.”

Isso ocorreu no ano de 1986, e esse fato histórico realmente mudou tudo para os anos seguintes. A MTV adorou, a indústria da música viu a chance de ganhar bastante dinheiro com o investimento e muitas gravadoras começaram a assinar com bandas que estivessem dispostas a fazer essa liga entre o rock e os novos estilos rap e hip-hop. Entretanto, estes não estavam tão abertos quanto a contratar artistas negros. Logo surgiram bandas incríveis pelo underground e chegou um ponto que certos grupos não podiam mais ser ignorados, dentre estes estava o Living Colour, uma banda composta só por músicos pretos e politizados, com forte discurso antirracista, que dá para considerar como uma fiel escudeira do Bad Brains e do Fishbone que também usufruíam das mesmas peculiaridades.

Rock era feito por brancos naquela época. Era o auge da hair band. E o Living Colour chegou conseguindo tocar e cantar muito mais que aquelas bandas. Mas eles eram negros. A indústria musical era totalmente racista. A oposição era intensa por todos os lados. Nós oferecemos a todas as gravadoras. E naquela época havia muitas delas.

Roger Cramer, explicou ao The Ringer em termos simples:

O Living Colour foi criado em 1984 pelo guitarrista Vernon Reid, famoso na cena jazzística novaiorquina. Como um guitarrista estudado, Reid conseguiu seu primeiro show profissional tocando com o baterista de jazz Ronald Shannon Jackson no conjunto de fusão Decoding Society, o tipo de grupo que ganhou convites para festivais internacionais de prestígio como Montreux, mas cujo estilo rítmico avançado permitiu a Reid flexionar uma destreza de dedos velozes que envergonharia a maioria dos trituradores do metal. Contudo, o Living Colour só chegou a sua formação clássica em 1986, com Reid, o carismático vocalista Corey Glover, Muzz Killings no baixo e Will Calhoun na bateria. Todos estavam atentos à revolta do hip hop, à eletricidade do fusion-jazz, à abertura do funk para o pop e, principalmente, ao fim da Guerra Fria, que expunha os artifícios de propaganda de uma América que ainda buscava como reagir diante da abertura da Rússia de Mikhail Gorbachev. Outro ponto interessante a ser dito é que Corey Glover também é ator e já era conhecido por sua atuação no filme Platoon, de Oliver Stone. Essas credenciais ajudam a entender a versatilidade do Living Colour, mas nada se compara ao deleite que é ouvir estes 4 feras juntos.

Muitas gravadoras vieram nos ver tocar em Nova York, em 1987, mas naquela época elas não acreditavam queo Living Colour fosse viável. Ensaiávamos todos os dias, compúnhamos sem medo de experimentar e tocávamos em todos os lugares. E um desses lugares era o CBGB [templo punk em Nova York], onde testávamos nosso repertório. Uma vez o Mick Jagger foi nos ver lá, ficou impressionado e conversou com nosso empresário sobre a produção de duas das músicas, “Which way to America” e “Glamour boys” [que acabaram em “Vivid”, álbum de estreia do Living Colour].

Will Calhoun ao Jornal O Globo, por Silvio Essinger, 2021

Mick Jagger foi um dos primeiros apoiadores da banda. Graças a fita demo que ele produziu contendo as faixas Glamour Boys e Which Way to America? o Living Color conseguiu um acordo com a Epic. Pouco tempo depois, o grupo gravou no Skyline Studios com o produtor Ed Stasium, celebrado por seu trabalho com grandes bandas nova-iorquinas como Ramones, Talking Heads, entre outros. Se ninguém da indústria queria levar eles a sério, quem sabe com o apoio de um dos maiores rockstars da história a coisa toda mudava, não é mesmo?

Entretanto, essa interferência do frontman dos Rolling Stones não foi uma boa ação ou camaradagem, foi uma conquista merecida. Reid conseguiu um trabalho como guitarrista no que viria a ser o primeiro disco solo de Jagger, o Primitive Cool. O cantor já havia ouvido falar do grupo através de Doug Wimbish, baixista com quem trabalhava na época – e que substituiria Muzz Skillings no Living Colour já na década de 1990. Então foi natural que as partes se ajudassem com uma admiração mutua rendendo não só a gravação das músicas e o contrato com gravadora, como também uma turnê com o Living Colour de banda de abertura dos Stones.

Vivid foi lançado em maio de 1988, e traz em seu conteúdo um amálgama de estilos musicais que diferenciam a banda de seus contemporâneos do rock durante uma época em que o gênero estava em mutação. O alternativo e o grunge estavam prestes a explodir enquanto o pop-metal estava saindo de cena. O álbum encapsulava o melhor dos dois mundos, junto com redemoinhos de jazz, hip-hop, pop e funk. Isso foi capaz de explodir mentes que ainda não davam muita bola para o Red Hot Chilli Peppers e não enxergavam um embrião do que seria o Rage Against The Machine, Faith No More ou até o Limp Bizkit.

O álbum possui os maiores hits do grupo, mas seu sucesso está intrinsicamente ligado a poderosa música de abertura Cult Of Personality. Faixa que possui uma gama muito grande de referências. A primeira voz que ouvimos no álbum nem sequer pertence a Glover, mas sim a Malcolm X, que abre os trabalhos com um trecho inflamado de seu discurso subsequentemente chamado “Mensagem a Grass Roots” de 1963. A amostra trazia sua veemente rejeição a protestos pacíficos em favor de ações mais agressivas contra a supremacia branca. 

E nos poucos momentos que nos restam, queremos falar bem próximos ao chão numa linguagem que todo mundo aqui consegue entender.

trecho de Mensagem a Grass Roots de Malcom X, 1963, incluso na gravação da faixa Cult Of Personality de 1988

Para o Living Colour, a citação funciona como um aceno para um antepassado filosófico e uma declaração de missão para Vivid , onde complexas discussões sociopolíticas foram enquadradas em uma linguagem que os adolescentes em 1988 poderiam entender facilmente: hino, rock tingido de metal com peso e ganchos de sobra. ‘Cult’ é uma das maiores salvas de abertura do Side 1/Track 1 do rock. Mas dado que as rádios de rock ainda estavam tocando ninharias pop-metal como “Seventeen” de Winger e “Nothing But a Good Time” de Poison em 1988, é fácil entender por que  a incursão mainstream do Vivid se moveu em câmera lenta. 

Em 25 de fevereiro de 1989, Vivid , do Living Color,  entrou no Top 20 das paradas da Billboard 200 — um feito impressionante para qualquer álbum de estreia, mas estranho para um disco que já tinha 10 meses. Em pouco tempo o clipe da música se tornou um clássico da MTV, e ganhou três prêmios no Video Music Awards (VMA). A música também venceu o Grammy de Melhor Performance de Hard Rock em 1990 – justo no primeiro ano da categoria. No fim das contas o álbum conseguiu o certificado de duplo-platina nos Estados Unidos.


FAIXA-A-FAIXA


Um faixa-a-faixa se torna conveniente. Seguiremos a ordem numérica já que elas todas tem sim a sua importância, não só em termos mercadológicos, mas também para a história dos aqui envolvidos. No caso especial do Vivid, a primeira música termina por ganhar mais destaque, mas vale a pena. Boa leitura!

Cult Of Personality

De acordo com Vernon, a música nasceu a partir de uma ideia do vocalista Corey Glover e então, a melodia se criou sozinha. Corey começou a cantarolar um riff para os demais integrantes da banda, que mesmo sem entender muito bem o recado do cantor, tentaram criar uma estrutura para a canção.

Eu realmente não conseguia entender o que ele estava fazendo, mas Muzz [Skillings , então baixista do Living Colour] e eu tentamos tocar e elaboramos algo. Então, dissemos ao Will [Calhoun, baterista], ‘Você pode colocar uma batida nisso?’. E de uma forma estranha, a melodia escreveu-se sozinha.

Vernon Reid ao jornalista Joe Baso, Guitar World, 2021

Cult Of Personality é pontiaguda e politicamente carregada – a introdução de guitarra rosnante e empolgante de Vernon Reid vem acompanhada de trechos de áudio de discursos políticos e faz referências a John F. Kennedy, Gandhi, Stalin e Mussolini -. Tornou-se a música de assinatura do Living Colour, assim como o vídeo que chegou à MTV de forma ameaçadora e arrebatadora.

A origem da expressão “Culto à personalidade” por exemplo, vem de um discurso de Nikita Khruschev ao 20º Congresso do Partido Comunista denunciando o stalinismo. E além da inflamada fala de Malcom X, comentada durante a “introdução do álbum”, há ainda citações e referências à grandes líderes durante a música.

As citações finais começam com a famosa frase de John F. Kennedy: “Não pergunte o que seu país pode fazer por você, mas o que você pode fazer por seu país.” Tirada de seu discurso inaugural em 1961.

Uma observação pertinente é que as falas surgem nas vozes de dois líderes que foram assassinados. A maior parte da música parece denunciar a idolatria, há uma estrofe que contém o verso: “Um líder fala, um líder morre“. Living Color também parece não fazer distinção entre o bem e o mal durante a música, até porque cada vez que mencionam um herói, eles o associam a um inimigo: Mussolini e Kennedy; Stálin e Ghandi.

As palavras finais são:

A única coisa que devemos temer é o próprio medo.

Esta é uma citação do primeiro discurso de posse de Franklin D. Roosevelt em 4 de março de 1933. Roosevelt usou o discurso para anunciar seu programa “New Deal” e encorajar os cidadãos dos Estados Unidos a superar seus problemas econômicos ao emergirem da depressão.

O videoclipe dirigido por Drew Carolan, um fotógrafo amigo da banda. As filmagens da banda tocando a música foram filmadas no Hammerstein Ballroom na cidade de Nova York dois dias após o término da turnê europeia e um dia antes de pegarem a estrada para a turnê americana. Em uma entrevista do Songfacts com Corey Glover , ele disse: “Parecia que era uma continuação da turnê, na verdade, porque estávamos fazendo um show, porém, só estávamos tocando a mesma música por tempo indefinido.”

Living Colour e esta música tem mais uma polêmica, mas essa é leve. A MTV, que estava no auge de seus poderes na época, não queria rodar o clipe. No livro I Want My MTV , foi alegado que a Epic Records, que tinha Living Color e Michael Jackson com suas credenciais, se recusou a lançar o vídeo de Smooth Criminal de Jackson para a rede até que eles concordassem em colocar o clipe de Cult of Personality na programação e assim o fizeram, fazendo as duas obras funcionarem e darem retorno ao canal.

Um elemento-chave no vídeo é a garotinha paralisada como em um Poltergeist na frente da televisão. Corey Glover disse ao Songfacts sobre o conceito: “A garotinha assistindo televisão era como um prenúncio do mundo em que vivíamos, que as pessoas obtinham suas informações da televisão, não de realmente estar no mundo. Éramos todos “filhos da idade da televisão.” Nossas informações vieram em primeira mão dessa maneira, e é sobre isso que o clipe estava tentando falar: os momentos seminais em sua vida que, na maioria das vezes, você viu através da televisão.”

O diretor Drew Carolan acrescentou: “O Hammerstein Ballroom estava disponível para uma apresentação controlada, mas tenho que admitir que estava nervoso porque o palco era muito grande. Eu estava acostumado a ver o Living Color se apresentar em lugares como CBGB, Tramps e 930, que são minúsculos. A filmagem do Super 8 ajudou a intimar a apresentação, mas, honestamente, a performance de Corey foi tão explosiva e ele se alimentando da guitarra de Vernon e o resto da banda negou qualquer preocupação que eu tivesse com o espaço. À medida que a performance do vídeo culmina, as imagens tornam-se cada vez mais rápidas, sobrecarregando a compreensão da criança. Ela balança a cabeça em descrença do que vê, estende a mão e desliga tudo!”

Nos prêmios MTV Video Music Awards, Cult of Personality levou os troféus de Melhor Performance de Palco, Melhor Artista Revelação e Melhor Vídeo de Grupo. A cerimônia aconteceu em 6 de setembro de 1989, enquanto o Living Color estava em turnê como banda de abertura dos Rolling Stones. Eles estavam tocando em Pittsburgh naquela noite, então Mick Jagger os presenteou com os prêmios nos bastidores do Three Rivers Stadium.

No que depender do guitarrista Vernon Reid, a música jamais deixará de ser tocada em uma apresentação ao vivo. “Por que eu deveria? É uma ótima música e adoro tocá-la. Há um lugar especial no inferno para músicos que têm um hit que eles desprezam, mas você não vai me encontrar lá”, finalizou em sua entrevista a guitar player.

I Want To Know

Esta é uma das músicas mais divertidas do álbum e me remete ao modo como Reid e Glover se conheceram para dias depois firmarem a confecção da banda. Foi bem bobo e descompromissado o encontro, foi numa festa que o guitarrista foi com a irmã e viu o cantor mostrando um desempenho fervoroso em um parabéns para a namorada dele na época. Glover que também é ator teve um papel determinante para que a imagem da banda ficasse em evidência além da qualidade técnica dos integrantes em seu determinado instrumento. O “Hey Kids!” que chama a música já demonstra que a faixa romântica não é qualquer uma.

Ela traz muito do desempenho de todos do grupo, porque até mesmo quando voz e guitarra seguem uma linha, digamos, mais ‘padrão’, lá vem Muzz encaixando o groove do seu baixo no que seria um glam-rock em I Wanna Know. Melhor de tudo: ele o sustenta a ponto de torná-la uma das canções mais dançantes de Vivid. A faixa também serve para mostrar que o disco abrange diversos temas, não só políticos ou pesados, tem espaço para uma graça e sentimentos clichê.

Middle Man

O guitarrista do Living Color, Vernon Reid, fez os acordes e linha melódica para esta música, com o vocalista Corey Glover compondo a letra. Glover, em entrevista para o songfacts, explicou que a letra veio de uma nota de suicídio que escreveu quando era adolescente. “Eu tinha talvez entre 16/17 anos e estava farto de tudo”, disse ele. 

Eu estava me sentindo para baixo e deprimido. Quando comecei a escrever, seria uma carta aberta para qualquer um que me encontrasse, que eu estava cansado de ser pego na confusão de todos. Eu estava cansado de estar no meio das coisas. Estou cansado de ser o intermediário. E então, enquanto trabalhava com isso na minha cabeça, me dei conta de que este não era um lugar ruim para se estar em alguns casos, que pelo menos eu estava em algum lugar. Não que seja o melhor lugar do mundo, mas também não quer dizer que seja o pior. Então, na verdade, me tirou a ideia de que eu precisava parar de existir. Mudou minha vida.

Corey Glover

Vivid foi o primeiro álbum do Living Color. Foi lançado em maio de 1988, mas demorou muito para ser construído. Na América, o primeiro single do álbum foi Cult of Personality, lançado em fevereiro de 1989. No Reino Unido, entretanto, eles apostaram em Middle Man como o single de estreia, lançado na mesma época do álbum. Rapidamente ficou claro que a jogada não foi tão boa, já que “Cult” era a música mais popular e que Middle Man nunca foi lançada na América.

Desperate People

Reid, era um guitarrista virtuoso que se inclinava para o rock, mas também se destacava na cena jazz de vanguarda do “centro” de Nova York. Ele foi criado no Brooklyn, mas nasceu em Londres, o que levou à grafia britânica do nome da banda.

Desparate People é uma música bem forte que engloba um pouco de tudo que tem no DNA da banda em termos sonoros. Como o baterista da banda Will Calhoun respondeu em uma matéria do jornal O Globo, que teve perguntas da banda brasileira Black Pantera pros caras, as principais referências do Living Colour vão além dos músicos:

As referências foram simplesmente nossos pais, amigos, bairros, escolas, igrejas, parques da cidade e praias. Havia muitos lugares em Nova York para se ouvir jazz, rock, funk, blues, disco, hip hop (que começou no meu bairro), reggae, jazz de vanguarda, clássico, salsa, hardcore e diversas formas de música indígena. O rádio naquela época era muito diversificado. Algumas de nossas influências são Robert Johnson, Miles Davis, Fela Kuti, Jimi Hendrix, James Brown, Sly Stone, David Bowie, Mahavishnu Orchestra, John Coltrane, The Chambers Brothers, Beatles, Santana, Richard Pryor, Led Zeppelin… e muitos mais.

Will Calhoun ao jornal O Globo, 2021

Aqui temos um trabalho intenso das guitarras de Vernon Ried com um reverb astuto no início e uma linha melódica que remete ao Van Halen. A letra de Desperate People é um retrato inabalável dos efeitos corrosivos e mortíferos vício na criatividade. mente (inspirada na morte do artista Jean-Michel Basquiat) e assim como Which Way to America? traz uma crítica furiosa à classe impenetrável do país e às divisões culturais.

Open Letter (To Landlord)

O guitarrista do Living Color, Vernon Reid, escreveu essa música com a poetisa Tracie Morris, que o ajudou a compor a letra. A música aborda a gentrificação do East Village da cidade de Nova York, já que prédios antigos estavam sendo demolidos e residentes de longa data forçados a sair. Gentrificação é um processo de transformação de áreas urbanas que leva ao encarecimento do custo de vida e aprofunda a segregação socioespacial nas cidades.

Morris em entrevista para a songfacts em 2015 deu o seguinte depoimento:

Na época, estávamos falando sobre cortiços e outros edifícios sendo demolidos para edifícios que seriam habitados por ‘Yuppies’. Lembro-me de muito alarme na BRC (Black Rock Coalition) quando The Gap abriu uma loja na St. Marks’ Place. Vimos o estilo de vida do centro/boho mudar diante de nossos olhos. A música focava no deslocamento de residências claro, mas acho que estávamos considerando como se bairros inteiros estivessem começando a mudar. A ideia de proprietários e proprietárias de favelas tirando inquilinos para colher recompensas financeiras não é nova, especialmente em Nova York. Certamente sentimos na época que grande parte da motivação por trás dos tumultos era gentrificar o East Village. Agora, é claro, ouvimos falar de gentrificação em um nível mais extremo ocorrendo em toda a cidade de Nova York, não apenas em Manhattan, mas em todo o Brooklyn e em todos os bairros. De certa forma, ‘Open Letter’ foi um precursor do expurgo total das pessoas comuns que tornaram a cidade de Nova York grande desde o início.”

Tracy Morris ao Songfacts, 2015

Vernon Reid co-fundou a Black Rock Coalition em 1985, uma organização dedicada a “criar uma atmosfera propícia ao máximo desenvolvimento, exposição e aceitação da música alternativa negra”. Tracie Morris fazia parte da organização. Ela explicou:

Vernon me contatou para ajudá-lo a trabalhar na música. (Eu conheci Vernon através da Black Rock Coalition – ele realmente me deu instruções para a primeira festa que eles deram na JAM Gallery no Soho por volta de 1986 – e eu me tornei um de seus membros fundadores.). Vernon estava um pouco travado em um certo ponto ao escrever a letra da música. Eu era muito politicamente ativa durante esse tempo. Então, entre ser uma poeta e uma ativista, acho que ele achou que eu poderia ajudar mais com as letras das músicas sobre um tema político. Escrevi algumas estrofes para ele, ele escolheu as que queria e pronto.

Foi muito bom ouvir Corey cantar minhas palavras. Lembro daquele momento como se fosse ontem. Também foi um pouco… enervante ouvir minha própria escrita na voz de outra pessoa, especialmente na época porque eu estava com medo de apenas ler minha própria escrita em público. (Obviamente eu “resolvi” esse problema…) Era divertido sair com aqueles caras antigamente. Foi muito bom estar envolvida com o projeto, mesmo que de forma pequena.

Tracy Morris ao Songfacts, 2015

Este foi o segundo single do Living Color lançado na América, após Cult of Personality. A música dura 5:32, o que se configura como muito longa para um single, mas não foi editada. Lançada em junho de 1989, a canção alcançou a posição # 82 em 22 de julho, cinco semanas antes de o grupo embarcar na turnê Steel Wheels como banda de abertura dos Rolling Stones.

O vídeo foi dirigido por Drew Carolan , um aclamado fotógrafo que também dirigiu o clipe “Cult of Personality” do Living Colour. Ele contou sobre a produção do vídeo ao Songfacts:

A filmagem ao vivo foi feita no Toad’s Place em New Haven diante de uma plateia ao vivo. A banda estava se preparando para sair com os Rolling Stones na turnê Steel Wheels. Convidamos 500 pessoas cedo para alguma cobertura de playback e depois o resto da multidão para um show real.

O material em corte foi filmado em Nova York, DC e em LA. Em 89, a situação habitacional era ruim na maioria das cidades urbanas. As pessoas estavam sendo forçadas a sair de lugares onde viveram por gerações. A Living Color sabia disso. Eles vieram do Brooklyn, Bronx e Staten Island. Eles viram isso em todos os lugares que tocaram. Eu era do Lower East Side. Eu vi a escrita na parede. A gentrificação estava varrendo as cidades e levando consigo a classe trabalhadora. Vemos a banda caminhando pelos bairros dizimados onde costumavam tocar. Uma rua chamada Esperança. Protestos e gritos pacíficos se misturam ao som monótono do sistema de transporte público. Acabei de assistir e soa verdadeiro até os dias de hoje. Triste mas verdadeiro.

Drew Carolan ao Songsfacts, 2015

Funny Vibe

O Living Colour usa o preconceito racial como fio condutor para abordar preconceito social. A primeira música composta pela banda foi Funny Vibe, que parece um funk alegre, até que Corey começa a esbravejar enquanto canta: ‘Não, eu não vou te roubar/Não, eu não vou te bater/Não, eu não vou te estuprar‘ sob guitarras à lá Nile Rodgers por parte de Vernon. O guitarrista disse que a ideia da canção surgiu quando ele pegou elevador com uma senhora branca numa loja de departamento. Esboçando medo, ela segurou a bolsa com força, como se estivesse suspeitando de Vernon.

Funny Vibe é a música mais antiga do repertório do Living Color e é o que mais reflete as raízes improvisadas da banda, oferecendo uma sacudida no meio do álbum de funk principesco, escalas progressivas e participações especiais de Chuck D e Flavor Flav do Public Enemy. No entanto, ele responde ao flagelo do perfil racial não com raiva, mas com incredulidade.

Na política moderna do último quarto a meio século, o que importa é o culto à personalidade. Estamos apenas falando sobre as coisas que estão acontecendo no mundo como o vemos. Como costumavam dizer sobre o hip-hop, é a notícia com uma batida. É isso que estamos fazendo.

Corey Glover para Daniel Durchholz, St Louis post, 2022

Living Color estourou na mesma época que artistas de hip-hop politicamente conscientes como Public Enemy, NWA e Boogie Down Productions. Mas o Living Color era uma banda de rock cujos membros são afro-americanos – algo quase inédito na época e, apesar dos esforços da banda em aumentar seus números formando a Black Rock Coalition, ainda hoje é muito raro.

“Inspiração musical é inspiração musical”, diz Glover ao St Louis Post. “Nós crescemos em torno de pessoas que pensavam da mesma maneira. Portanto, é lógico que as mesmas coisas que inspiraram o Public Enemy nos inspiraram.”

Memories Can’t Wait

Não era como se a ideia de Vivid ou Living Color fosse gerada por algum tipo de desejo de fazer sucesso no mundo branco do rock. Falou-se muito sobre isso. Mas não é estranho que os negros toquem rock & roll – o que é realmente estranho é que as pessoas pensam que é estranho. É uma pena que mais pessoas não tenham se concentrado na música em si, porque é isso que nós temos procurado.

Vernon Reid para a Rolling Stone na lista dos 100 melhores álbuns dos anos 80, 1989

O cover da música do Talking Heads é bem pertinente. A faixa presente no lado A do álbum Fear Of Music da banda de post punk não foi um hit, nem é um dos destaques dentro da discografia, mas a banda americana era conhecida por saber explorar sons diversificados e essa música possui a lisergia que somada a todo groovie do Living Colour, não tinha como ela não ficar uma versão ainda mais potente que a original, que é bem mais experimental.

Reid aponta para “Memories” e outras faixas do álbum como evidência de que as canções pretendem retratar os sentimentos pessoais dos membros da banda, em vez de seguir qualquer agenda social específica. “O fato de sermos afro-americanos tem muito a ver com o que está registrado e com o que vemos em nossas vidas”, diz Reid a Rolling Stone, “mas todos os nossos problemas não são gerados pelo fato de sermos negros”.

Broken Hearts

Essa fantástica balada soul é um dos melhores números do disco; apesar dela ser meio esquecida pelos críticos. Ela desfoca um pouco das demais, mas aqui encontramos a primeira participação de Mick Jagger no álbum, e isso é gigante. Ele toca gaita na música na parte da introdução e é bem perceptível sua participação. Ele não chegou a gravar uma demo para essa, mas, certamente o Living Colour conhecendo ele e mostrando o repertório, acertou na escolha e no que melhor caberia ele fazer na faixa.

A parte instrumental possui belos slides e uma linha de baixo divertida com um inspirado e desconcertante solo de Muzz Killings para a chorada guitarra de Vernon Reid vir na sequência. A letra é bem poética e trata de um cara refletindo sobre um término e faz isso de maneira simples e de fácil leitura para o povo. Reid falou para a Rolling Stone sobre essa identificação das pessoas e da questão de serem considerados uma banda que traz mensagens:

As pessoas dizem que obviamente somos uma banda de mensagens”, acrescenta Reid. “Mas estamos apenas tentando registrar uma certa coisa que estava acontecendo conosco. Aquela coisa sobre as mensagens – bem, realmente, o álbum era sobre como nos sentimos”.

Tomo a liberdade de trazer essa versão ao vivo da banda tocando a música no Circo Voador em um show que estive presente e segue sendo um dos meus favoritos desde então.

Glamour Boys

Menos atual, mas igualmente otimista, Glamour Boys foi a rara canção de rock de sua época a abrir buracos na construção da masculinidade, mirando nos “casanovas” de boate que estão sempre vestidos como um milhão de dólares, por isso é fácil ver o porque do Living Color sofrer uma desconfiança mediante a tais ”poseurs”. Não havia um caminho fácil para o sucesso dessa banda – tudo o que eles alcançaram veio por meio de trabalho duro, tenacidade obstinada e autoconfiança implacável diante da indiferença da indústria.

A grafia do estilo inglês de “Glamour” é consistente com a grafia do grupo de “Colour” em seu apelido. Vernon Reid nomeou o grupo após a introdução que a NBC usou para anunciar sua programação em cores: “O seguinte programa é trazido a você em cores vivas” (Reid às vezes atribuiu isso ao Wonderful World of Disney). Por que a grafia alternativa? “Achei que a palavra cor era mais interessante de se olhar quando escrita com um U “, disse ele.

O videoclipe foi dirigido por Graham Elliott e John England, ambos formados no Royal College of Art em Londres. Eles desenharam a arte do álbum para Vivid depois que Vernon Reid viu um cartão postal que eles fizeram e pediu por eles. Quando Elliott e England começaram a trabalhar na arte, o álbum ainda não tinha um nome e a banda não tinha um logotipo, então eles esboçaram um logotipo de espaço reservado e inseriram uma posição temporária onde o título do álbum ficaria com o nome e design em que trabalhavam: Vivid.

Quando a versão final do álbum foi impressa, não apenas o logotipo temporário foi usado, mas o álbum foi intitulado “Vivid”, com o mesmo cabeçalho da casa de design usado como marca d’água – os espaços reservados foram usados ​​como a cópia final!

Elliott e England nunca haviam dirigido um vídeo antes, mas estavam ansiosos para fazê-lo e conseguiram através de Glamour Boys. Eles criaram um conceito baseado na natureza insípida e na vida noturna de Nova York, com caras colocando cabeças falsas (como bonecos Ken) para ir aos clubes. Felizmente, eles tiveram dois dias para filmar e estavam trabalhando com uma equipe experiente; o primeiro dia foi uma bagunça, mas no segundo dia eles pediram ajuda à tripulação e conseguiram.

What’s Your Favorite Color?

Uma coisa sobre essa fase da banda é que o vocalista Corey Glover, passou a usar uma roupa de mergulho de neoprene. Ela pode ser vista no clipe de Cult Of Personality e no de Glamour Boys. Ele havia começado a usar esses trajes ao vivo depois de encontrar uma com sua então namorada, uma figurinista. Ao site americano The Ringer, ele falou sobre a esse figurino:

Eu não tinha pensado muito sobre isso até perceber que parecia uma roupa de super-herói.

Indo na mesma veia de raciocínio sobre essa parte visual e o que representa a cultura do hard rock e do metal para a banda, Vernon em entrevista para Classic Rock disse:

O metal sempre foi uma coisa muito tribal e também é extremamente competitivo. Abracei o poder do hard rock, mas não estávamos dispostos a jogar de acordo com suas regras e cultura. Alguns achavam que éramos provocativos apenas por existir.

Vernon Reid ao Classic Rock, 2018

A música tema é bem divertida e traz arranjos de metal para depois entrar num swingado funk. Acompanhando todas as referências, é engraçado pensar que eles são uma banda que conquistou não só os Stones e o Public Enemy, mas também a banda de trash metal Anthrax; algo que olhando o público que os idolatra, é bem fora do que é esperado. A recepção para o som do Living Colour na turnê que foram como banda de abertura do grupo que pertence a nata do metal foi boa até entre os fãs mais rigorosos. Mas tem crítico que consegue ver um tanto de Megadeth no som da banda de Vernon Reid, então não é tão fora de contexto.

Which Way to America

Estávamos todos muito verdes no que dizia respeito ao que estávamos nos aventurando, um novo território, e nos perguntando o que iria acontecer. Não sabíamos como isso seria percebido (musicalmente). Isso vai acontecer, quer estivéssemos tentando ou não.

Gary Glover

É aí que entra “Which Way to America”, que critica o status quo que vem como consequência do american way of life. Quando diz ‘quero saber como chegar à sua América‘, Corey fala por todos aqueles que não fazem parte do 1% mais rico. Ela e Glamour Boys tornaram-se os primeiros blocos de construção para o Vivid e isso é muito importante, também por conta de alguns detratores alegando que o grupo tinha amigos em cargos importantes. O patrocínio de notáveis ​​escritores David Fricke e Kurt Loder já havia colocado as rodas em movimento. E com uma gravadora rival recusando-os, a banda assinar seu contrato com a Epic Records por instigação de Mick Jagger, que produziu as fitas demo. Essa troca fez Reid e o baterista Will Calhoun (que entraria no Living Colour anos depois) expressarem sua gratidão ao participar do álbum Primitive Cool de Jagger. E logo depois eles excursionaram com os Rolling Stones na tour do Steel Wheels


O QUE DISSE A MÍDIA?


De uma forma geral a mídia abraçou o álbum e as diversas críticas feitas na época junto as mais recentes instigam as percepções para achar similaridade no som inédito da banda de Vernon Reid com o de outras bandas, tratando como legado a veia politizada das músicas e a cultura racial sendo passadas para outros grupos e artistas de etnia negra que despontam agora. No The Philadelphia Inquirer , Ken Tucker comentou que Living Color “desafia os estereótipos musicais ao evidenciar influências que incluem Lynyrd Skynyrd , Jimi Hendrix , Roxy Music e Sly Stone para produzir um álbum feroz e engraçado.” O álbum alcançou a sexta posição na parada US Billboard 200 e foi certificado como dupla platina pela Recording Industry Association of America. Tem presença garantida em diversas listas sobre hard rock e metal construídas pela mídia especializada, possuem o grammy de melhor performance hard rock em 1990.

A guitarra elétrica gritante pontua as melodias estridentes e as letras espertas em Vivid , um álbum que não apenas marcou a estreia auspiciosa da banda de hard rock Living Color, mas também foi creditado por quebrar as barreiras raciais na música pop. A banda provou ser ser o primeiro grupo de black rock a atrair um grande público mainstream desde Sly and the Family Stone no início dos anos setenta, e a ascensão do álbum foi acompanhada por tanto burburinho sobre a composição étnica da banda quanto seu estilo atraente.

Rolling Stone, 1989

o legado de  Vivid tem uma cauda muito longa, estendendo-se de Rage Against the Machine e Sevendust a Ben Harper e Gary Clark Jr. a TV on the Radio e Bartees Strange a Brittany Howard e Black Pumas a WILLOW e Soul-Glo. Nem todos esses artistas são necessariamente descendentes sonoros diretos do Living Colour, mas todos eles passaram pelas rachaduras nas barreiras da indústria que o  Vivid violou e, de maneiras únicas, cada um herdou a missão de recuperar a linha de frente dos criadores negros.

Stuart Berman, Pitchfork, 2022

O que há para não gostar neste álbum de estreia de uma banda única? Você gosta de funk old school? Está lá dentro. Um ótimo riff de guitarra é a sua praia? Eles têm você coberto. Gosta de algum comentário social com sua música? Aqui está. Este álbum está na minha lista de rotação há três décadas!

Jerry Lantz, Classic Rock, 2018

O álbum também foi incrivelmente consistente, como provado pelo roqueiro Middle Man (que contém letras de uma nota escrita por Glover, na qual ele ponderou sobre o suicídio), o funky, anti-racista Funny Vibe , a comovente Open Letter (To a Landlord ) , além do rock caribenho de Glamour Boys . Adicione a isso uma leitura inspirada de Talking Heads’ Memories Can’t Wait , Desperate People no estilo Zeppelin , e duas canções de amor complexas (I Want to Know e Broken Hearts), e você tem um dos melhores álbuns de hard rock dos anos 80 – e, aliás, de todos os tempos.

Um comentário sobre “Revisando Clássicos: Living Colour – Vivid

  1. Que análise fantástica (talvez definitiva) sobre esse disco. Desde o lançamento nunca foi um trabalho que considero excelente, mas certamente a resenha irá melhorar a forma como vou ouvi-lo. Parabéns!

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