Revisando clássicos: KISS – Psycho Circus 1998

Por Roani Rock

De formato novo, o revisando clássicos não vai mais focar só em celebrar uma data festiva de um álbum memorável que marcou não só uma época, mas também a carreira de uma banda. Agora, vamos trazer também álbuns que foram divisores de águas, que marcaram fatos importantes para a durabilidade da banda e que circunstancialmente fizeram o disco vender bastante.

Quanto ao formato, faremos uma “Introdução ao álbum”, com o panorama geral da situação da banda na época do lançamento, um faixa-a-faixa com curiosidades e algumas opiniões das principais revistas e sites de críticas sobre rock, como a Rolling Stone, Pitchfork, Louder Classic Rock, Ultimate Classic Rock, e, aqui no Brasil, a Revista Bizz e a Popload. Os jornais de destaque também aparecerão por aqui, e opiniões do Jornal Globo, Folha de São Paulo, New York Times e The Guardian são garantia.

INTRODUÇÃO AO ÁLBUM

O KISS vinha de uma sequência de álbuns controversos e de uma década sem as maquiagens tão características, a marca registrada dos caras. Em 1996, eles resolveram trazer uma renovação nostálgica para trazer o seu “Kiss army” em peso para a lotar a nova tour, a Alive/Worldwide Tour (1996-1997). Para isso, Gene Simmons e Paul Stanley finalmente se reuniram com Ace Frehley e Peter Criss após 19 anos, e o resultado é o primeiro disco com esta formação desde Dynasty, de 1979, mas o ato mais visionário do quarteto foi trazer a volta das máscaras e personagens. Dito isso, vamos ao que interessa que é o álbum!

Com o sucesso da tour, foi decidido que era o momento de se lançar um álbum de inéditas da formação original, e este álbum foi o Psycho Circus, de 1998. Entretanto, essa decisão de união claramente tornou-se um golpe publicitário da dupla Gene Simmons e Paul Stanley, que levaram seu domínio da C.O. até a última instância, tanto judicial quanto psicológica, deixando, no fim das contas, Peter Criss e Ace como coadjuvantes do projeto ambicioso. Em meio aos conflitos, o guitarra solo e o baterista icônico acabaram ficando de fora de boa parte das gravações das músicas do disco, tendo sido substituídos por Tommy Thayer e Kevin Valentine, respectivamente. No entanto, os músicos originais foram creditados e fingiu-se, por algum tempo, que eram eles mesmos que tocavam no álbum.

Bruce Fairbairn, produtor do álbum e responsável por trabalhos primorosos do Prism, Bon Jovi e Aerosmith, foi o catalisador desta discórdia, conforme relata o engenheiro de som Mike Poltnikoff, no livro ‘Kiss Por Trás das Máscaras’. “Embora Gene e Paul quisessem se apresentar como a banda original no disco, quando Bruce ouviu Ace e Peter tocarem na pré-produção, pensou em fazer o tipo de disco que ele queria fazer e Ace e Peter não se encaixavam como instrumentistas”, disse.

 Apesar da questão da “reunião fake”, o álbum vendeu 500 mil cópias nos Estados Unidos em um mês, sendo mais de 100 mil delas apenas na primeira semana de lançamento. A turnê lotou estádios por todo o mundo – incluindo no Brasil – e foi a primeira tour da história da música a ter telões em 3D. O marketing foi tão grande que até um game inspirado no álbum, ‘Psycho Circus: The Nightmare Child’, foi disponibilizado na época.

No fim das contas, com passar dos anos e a verdade vindo à tona, seu KISS Army tomou nojo do álbum e certa aversão a Paul e Gene, mesmo indo aos shows – isso é bem verdade. O álbum hoje em dia tem poucas músicas aproveitadas em turnês, e o acontecimento foi importante para deixarmos de ver o KISS como uma banda propriamente dita e passar a enxergá-la como uma marca, uma empresa, como os manda-chuvas passaram a escancarar nos anos seguintes, mesmo lançando álbuns incríveis como Sonic Boom e Monster.

FAIXA-A-FAIXA

Um faixa-a-faixa se torna conveniente, mas não seguiremos a ordem numérica e sim a de importância, não só em termos mercadológicos, mas também para a história da banda.

Into the Void

Segundo o guitarrista Ace Frehley, a música que marcaria o retorno de seus vocais em Psycho Circus não se chamaria Into The Void, e sim “shaken sharpshooter“, algo como “franco atirador agitado“, em tradução livre para o português. De acordo com Peter Criss, em entrevista de rádio concedida para o apresentador Eddie Trunk, após a sua saída, a única música que contou com a contribuição de todos os membros foi a Into The Void.

Psycho Circus

Um hino instantâneo, o clipe trazia a mensagem e deixava clara a questão lúdica e a questão do 3D. O KISS é uma banda extravagante e esse som ao vivo trazia partes vocais impressionantes de Paul Stanley, até em outros momentos, em todas as vezes que ele citava o álbum emulava o refrão. O álbum tem esse perfil de músicas para serem tocadas em estádio.

You Wanted The Best

Essa tem o impressionante, diria até inacreditável, papel de ser a única faixa em que todos os quatro cantam alguma estrofe em algum momento, dentre todo o catálogo da banda. Tirando este fato, a música não é lá grandes coisas. É a segunda e última faixa a contar com os membros originais na parte instrumental no Psycho Circus.

I Finnally Found My Way

A música contém os necessários vocais de Peter Criss. Parece ser uma tentativa frustrada de refazer Beth, e digo frustrada porque está anos luz atrás do hino atemporal. A balada do Pycho Circus recebe um bom piano, mas melodicamente fica atrás das demais, e o vocal de Peter Criss parece entoar um “me tirem daqui“. Também não traz o sentimento correto.

We Are One/ Within/ I Pledge Allegiance To The State Of Rock ‘and’ Roll

Músicas potenciais que vão a extremos. É interessante, se você escuta a We Are One você pensa que tem muito pouco KISS, parecem estar tentando emular o som pop dos anos 90 nessa balada. Eles fizeram muito isso nos anos 80, tanto que Within é tipo o resquício dessa época e soa como um irmão espiritual de Unholy de Gene em Revenge, de 1992. Já I Plege Allegiance To The State Of Rock ‘And’ Roll tem o DNA do KISS da década de setenta e é a cara do Paul Stanley. O álbum tem excelentes letras e melodias, trouxeram o espírito dos anos 70, mas, pela falta de honestidade, as músicas terminaram soando tão falsas quanto a reunião da formação clássica.

Dreamin/ Journey of 1.000 years/ Raise Your Glasses

Essas três tem um mesmo fator comum. Servem para compor o álbum, não se destacam, mas também não o comprometem negativamente. Todas possuem seus momentos e a Journey of 1000 Years se destaca por ser pretensiosa. Já Rise Your Glass chega a ser uma das piores de toda a carreira da banda por ser superficial.

O QUE DISSE A MÍDIA?

A imprensa e crítica especializada elogiaram muito o disco, sendo que este alcançou a terceira colocação na Billboard 200, vendendo 110,000 cópias na primeira semana de lançamento, além de ter obtido a certificação de disco de ouro, pela RIAA, no dia 22 de outubro de 1998.

Rolling Stone

O primeiro novo álbum de estúdio do quarteto original em quase duas décadas, Psycho Circus – um álbum de ritmos intensos de plataforma, riffs de guitarra de montanha-russa e refrões para cantar – é muito mais respeitável do que qualquer um dos fracassos estranhos dos anos sem maquiagem.

Whiplash

(…)Há ótimos momentos e “Psycho Circus” é um disco de fácil assimilação, não sendo preciso ouvi-lo muitas vezes para se sentir cativado por várias faixas do mesmo. Há ótimos riffs, trabalhos vocais, ótimos solos de guitarra, e toda a energia que fez com que o Kiss se tornasse uma verdadeira e respeitada instituição do Rock ‘n’ Roll!

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