Rock In Rio: Noite problemática para as atrações internacionais do Pop Punk é finalizada com show enérgico do Green Day

O dia 09 de setembro marcou a estreia de dois grandes nomes no maior festival de música do país e três apresentações surpreenderam a sua maneira. Billy Idol finalmente cumpriu sua promessa de tocar no Rock In Rio mais uma vez, mas de certa forma, dispensável. Avril Lavigne fez valer a aposta de seu retorno aos palcos, mas foi prejudicada ao tocar num palco de menor expressão e pela qualidade de som. Por fim o Green Day quebrou a banca e trouxe um dos shows mais espetaculares da história do Rock In Rio. Vamos nos aprofundar mais no decorrer da matéria.

Ao lado deles teve Capital Inicial e Fall Out Boy no palco mundo que mostraram que ter experiência em outras edições facilitou a troca de energia com o público. No sunset Di Ferrero volta ao evento, agora em carreira solo acompanhado do hitmaker Vitor Kley, e teve também Jão. Uma homenagem ao primeiro rock in rio recebeu artistas que tocaram na edição e alguns recentes que deram uma canja. Irei entrar em maiores detalhes sobre esse palco ao decorrer da matéria também, mas vamos para o início.

O Rock express foi bem organizado e está de nota 10 apesar da distância para as pessoas terem de andar um tanto para adentrar a cidade do rock, nada mudou dessa para as outra edições. Para entrar no festival foi muito rápido, seja com a leitura de qr code e vistoria de mochilas, e sinceramente isso não é necessariamente uma coisa boa. Pela produção, o que representa o festival e investimento na segurança, foi uma revista bem porca, coisa que eles poderiam rever nos próximos anos, principalmente em época de eleição onde ânimos estão a flor da pele, se alguém quisesse entrar armado conseguiria com facilidade.

Passado da porta e dessa sensação de algo que vai de preocupação a piada, deu para finalmente aproveitar o dia que estava completamente lindo e tinha um Sol pra cada um. Chegando no evento já estava rolando o Di Ferreiro com Vitor Kley apresentando os sucessos de cada em um repertório bem honesto, músicas solares para um dia destinado ao pop punk. uma boa dupla de artistas talentosos, para início dos trabalhos foi uma boa escolha.

Em seguida veio o Jão, que confesso não ter parado pra assistir, mas tenho de comentar que o som estava muito bom, dando pra ouvir a longas distâncias seu repertório pop com uma banda gigante, cheia de metais com um palco que apresentava a mandíbula de um tubarão e o artista com uma calça rola brilhosa que também era perceptível de longe. Não acho que escolheram o melhor dia para o rapaz, ele provavelmente tocará no palco mundo em 2024, isso se não cair no esquecimento. Ele ainda chamou a Lucinha Araujo, mãe de Cazuza, ao palco logo após apresentar uma versão de Exagerado.

Em termos de estrutura melhorou muito, as lojas e palcos ficaram melhor distribuídos, menos tempo para ir do Sunset para o palco mundo. Os palcos diversificados como o favela ganharam um upgrade e na rock street tinham bons shows rolando, como por exemplo o de uma banda muito boa tocando diversos covers de Blues. Me encantou tocarem Elvis e uma versão de Touch Me do The Doors sem teclado. foi muito bom!

foto/divulgação: Stephanie Rodrigues

Começa então as atrações principais, Capital Inicial do “highlander” Dinho Ouro Preto fez o mesmo show de sempre, o que está longe de ser ruim, principalmente porque agora estão completando 40 anos de carreira, então todos os hits foram tocados. Mas quem viu eles em 2019 teve um déjàvu. A banda segue sendo formada pelos irmãos o baixista Flávio Lemos e o baterista Fê Lemos, o vocalista Dinho Ouro Preto e o guitarrista e vocal de apoio Yves Passarell. Pra quem gosta, a energia foi muito positiva.

No Sunset, uma homenagem ao rock in rio de 1985 foi protagonizada pelo lado nordestino que se apresentou na época, com Alceu Valença, Pepeu Gomes e Elba Ramalho. Mas, logo de cara veio a sensação do rap carioca Xamã com Ivan Lins cantando Começar de Novo e Novo Tempo.”Sempre liberdade, voto consciente, esse é o ano de mudar o Brasil, como era em 1985. É o retorno de um novo tempo”, disse Xamã finalizando sua participação.

foto/divulgação: Rock In Rio

Com Anunciação e Morena Tropicana, Alceu levanta a galera e anima o público e então surge o maravilhoso arroz de festa Andreas Kisser, do Sepultura, surge e dá seu toque nas guitarras ao lado de Pepeu em um duelo espetacular e tocando o clássico Eu Também Quero Beijar, “Viva 1985, que a gente nunca esqueça”, disse Pepeu ao sair do palco. Foi a deixa para Andreas Kisser convidar a Blitz palco, banda carioca que tocou na primeira edição do Rock In Rio. Depois, Elba Ramalho dá as caras com a novata Agnes Nunes, para cantar Chão de Giz, Mas fica registrado, os melhores momentos ficaram com Pepeu e Andreas ao lado da aparição de Luísa Sonza que cantou Love Of My Life do Queen com o guitarrista do Sepultura.

Em seguida veio Billy Idol ao palco mundo que começou com Dancing with Myself e na sequência Cradle of love e podia ter parado por ai. Na sequência se viu um cantor já sem boa parte do que cativava em seus shows. Em Eyes without a face parecia que ele estava sem retorno e entrou errado na faixa por duas vezes. Todavia ele mostrou seu lado punk dizendo que o que importava era “estar de volta ao Rock In Rio yeah!”

Bitter Taste, faixa que Idol canta sobre o grave acidente de motocicleta que sofreu no início de 1990 que levou ele a ficar internado em estado grave sem poder fazer shows por um ano com a volta sendo justamente no Rock in Rio de 1991, também não animou. Rebel Yell fechou os trabalhos sem muito glamour. Apesar de sua presença nesse dia fazer sentido e não estar desconexa, ele poderia muito bem ter trocado de lugar com a Avril Lavigne fechando o Sunset, já que a canadense tem um repertório muito mais popular e condizente com o público presente e as bandas que compunham o dia 09.

foto divulgação: Rock In Rio

Um dos shows mais esperados da noite começou um pouco depois das 21 horas com muita gente lotando o Sunset para conferir a estreia de Avril Lavigne no Rock In Rio. Infelizmente a frustração chegou para todos com o som prejudicado, um som que para outros artistas estava ótimo, para a canadense foi de muito baixo até a sensação de que só o público estava cantando acompanhado da bateria.

Outro ponto negativo foi o show ter sido muito curto. As cinco primeiras músicas foram arrebatadoras, se você lembrou do seu MP3 escutando Girlfriend, Bite Me, What A Hell, Complicated e My Happy Ending, sim, você foi contemplado pelo momento mais nostálgico da noite por parte da canadense. Love It When You Hate Me (Feat. blackbear) foi uma das poucas do último álbum lançado pela ídolo teen que parece ter se conservado no formol. Tocada Sk8er Boy e na sequência Head Above The Water teve uma debandada da galera que achou que por mais que tenha sido prematuro o show tinha acabado. Entretanto, a cantora ainda trouxe duas músicas para o bis, duas baladas, com o hit I’m With You fechando a participação dela de uma forma frustrante pelo som e rapidez do repertório.

Voltando ao Palco Mundo a diferença no som foi abismal, o Fall Out Boy literalmente cuspiu fogo, mas com o pouco de músicas interessantes do repertório, a pirotecnia se fez mais interessante que os vocais de Patrick Stamp.

Não foi a primeira vez que a banda de Chicago esteve no Rock in Rio. Em 2017, substituiu de última hora o Billy Idol, em show menos no automático, mas igualmente salvo pelas músicas do começo da carreira: Sugar, We’re Goin Down, Dance, Dance e Thnks fr th Mmrs. O que eles tocam além disso vai do genérico ao sem força, mesmo com os caras tocando em um piano em chamas. Tanto que a penúltima música que tocaram, Centuries, do álbum de mesmo nome lançado em 2014, eu poderia jurar que era do Maroon 5. A história escrita aqui é: A Skater Girl era mais palco mundo que Billy Idol e Fall Out Boy. Acredito que isso pode ser consertado numa próxima edição em que ela for convocada.

foto/divulgação: Rock In Rio

É dado o momento do show principal, aparece o coelho maluco atiçando a galera e em seguida, o Green Day sobe ao palco tocando os primeiros acordes de American Idiot, todos os problemas e shows meia bocas que ocorreram antes são esquecidos. Implacáveis, em um repertório pulsante com muitos hits dos anos 90 e 2000 eles não davam brechas para um respiro se quer do público.

Eles também foram a banda mais povão, que faz o papel de deixar o público realmente bem perto. Tanto que uma fã subiu ao palco para cantar a parte final de Know your enemy, terceira faixa da noite. Em seguida, em Boulivard Of Broken Dreams, Billie Joe Armstrong chama um casal ao palco para que os fãs fiquem noivos. Mais pra frente, a terceira subida de uma fã brasileira ocorre, para tocar guitarra em Knowledge, da clássica banda punk Operation Ivy. Nesta parte, Billie Joe se enrolou em uma bandeira do Brasil, que recebeu do público. Nela, estava escrito, em inglês, “Não ao racismo, não ao fascismo, não ao sexismo”. Mais tarde, ele também mostrou uma bandeira LGBTQIA+.

O cover de Rock ‘and’ Roll All Night do KISS foi a parte chavão do rock, algo inesperado como terem ameaçado tocar Iron Man do Black Sabbath. Para quem não acompanha a banda foi chocante e fez muita gente pular num dos hits mais clichês do rock, sem questionar se uma banda punk pode tocar ou não o hard rock dos maquiados, foi épico.

O show foi tão impactante que uma música como She, uma das queridinhas, terminou tendo afalta de sua presença passando batida. Foram tocadas as mais famosas do Dookie de 1994, como o hit máximo Basket Case, e as mais brutais do American Idiot de 2004 como St.Jimmy. Sobrou espaço também para Longview, Brain Stew, Waiting e Minority, muito festejadas quando tocadas.

Eles realmente são uma banda de rock de arena, perfeita para festivais, quando tocam a dobradinha de King for a Day – que é uma verdadeira fanfarra – e over para Shout do The Isley Brothers, esquece, eles configuram o carisma que o dia precisava. Até as baladas escolhidas foram certeiras, tanto 21 guns, quanto Wake Me Up When September Ends são a garantia de coro e show de luzes.

A penúltima faixa, Jesus Of Suburbia é uma catarse, apresenta o melhor da banda composta por Billie Joe Armstrong, o “carioca” baterista Tré Cool, o baixista Mike Dirnt e os músicos de apoio Jason White (guitarra solo), Jason Freese que faz os teclados e brincou com Careless Whispers quando fez seu solo de sax além de Jeff Matika que faz algumas guitarras.

Confesso que o auge foi fecharem com Good Riddance (Time of Your Life), foi um golpe ao qual se tem que estar com o coração preparado. Certamente o melhor shows dessa edição e entra para história dentre os melhores do festival.

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