Gilberto Gil 80: 15 músicas do doce bárbaro tropicalista imortal da ABL inspiradas no Rock

Gilberto Passos Gil Moreira, ou simplesmente Gilberto Gil, completou 80 anos no último fim de semana. O imortalizado este ano pela academia brasileira de letras, por incrível que pareça, tem sua biografia e discografia em certo grau desconhecida ou distorcida por alguns e acredito que devemos nos ater ao fato de que desde os anos 60 ele foi um dos alicerces da transformação da música popular brasileira. Em uma tentativa de simplificar tudo, diante das quase 800 canções existentes em seu catálogo, é certo dizer que ele conseguiu fazer com que sua luta pelos direitos igualitários para os negros, uma maior valorização cultural, tanto a afro quanto a brasileira, de uma forma geral, reverberasse mundialmente.

Nascido em 26 de junho de 1942, em Salvador, Bahia, em entrevista recente mencionou que “nem tem tempo de ver o tempo passar”. Gil foi responsável pelo movimento de contracultura tropicalista que lutou contra a ditadura militar. Anos depois, enquanto ministro da cultura, foi o cara a frente para viabilizar leis e projetos que tornassem a cultura rentável para artistas no âmbito nacional, o cara é um gigante. Enquanto músico, na parceria com Caetano Veloso, popularizou e influenciou muitos músicos tanto contemporâneos seus, quanto aqueles que foram surgindo com o passar dos anos, como: Chico Science e Nação Zumbi, Djavan, Gal Costa, Paralamas do Sucesso, Os Mutantes, Skank, e tantos outros. Cito esses nomes por serem os mais ligados ao rock, que é o público alvo desta página.

O rock está presente na história de Gil. Dentre todos os estilos e a musicalidade que configuram o a forma única de composição da mente pensante do músico baiano, o rock ajudou a desenvolver a Tropicália por exemplo, já que um dos fios condutores para a confecção do projeto foi o impacto da audição dos álbuns Sgt Peppers Lonely Hearts Club Band dos Beatles e o Are You Experienced de Jimi Hendrix. Tendo isso em mente, para poder homenagear octogenário aniversário do mestre, resolvemos trazer um tracklist de músicas que tiveram algum tipo de influência rock para Gil ter composto.


Coragem Pra Suportar

 Essa música está presente no segundo álbum de estúdio conhecido pelo nome de Gilberto Gil, mas também é conhecido com o sobrenome de “Frevo Rasgado”, lançado em 1968. Ela não chega a ser um dos destaques da obra, mas dá pra dizer que é uma das mais diferentes com sua abordagem e sons estridentes na introdução. Ela claramente é uma crítica a pobreza e ditadura, principalmente na parte que podemos chamar de refrão onde é suplicado: “Ou então, vai embora vai pra longe e deixa tudo, tudo que é nada, nada pra viver, nada pra dar, coragem pra suportar”

Simples e complexa, a melodia em acordes menores te traz a agonia e confusão com a guitarra distorcida e repetição constante do título com a intenção de mantra ou grito de protesto no discurso, viabilizando interpretarmos como uma das canções com mais força dentre as obscuras de seu catálogo.


Domingo No Parque

A música destaque do festival da canção da tv Record de 1967 que faturou a segunda colocação. Domingo No Parque de Gilberto Gil ao lado dos Mutantes, “uma meninada de roqueiros paulistas” (como salienta Gil), com arranjos de cordas de Rogério Duprat conseguiu com seu “moderno arranjo” trazer um dos primeiros deslumbres musicados do que veio a ser o movimento revolucionário antropofágico denominado como Tropicália.

A relevância desse som e do movimento tropicalista fundado por Gilberto Gil ao lado de Caetano, Duprat e muitos outros músicos, poetas e cineastas é sem precedentes. A tropicália atingiu a meta proposta por Gil, ele estava vivenciando diferentes experiências que o ajudaram a moldar o conceito daquilo que seria responsável por trazer uma mudança completa na MPB para algo que conversasse com o mundo de forma original. Como um cara formado em administração de empresas, ele sabia que seria um dos responsáveis por estar de frente na nova era dos compositores com sons “nova goma de mascar”, que tinham uma nova textura, novo sabor. Com João Gilberto sendo ponto de partida e Beatles, Miles Davis e Jimi Hendrix representando a faixa de chegada, a música popular finalmente conseguiu atingir toda a brasilidade e transbordar para fora de nossa “nascente”.

A competência autossuficiente dos músicos de orquestra como Duprat e Medaglia e a casualidade contagiante dos Mutantes asseguravam o suporte mais que animador para que descartássemos nossa inibição e nos lançássemos ao trabalho com alegria e confiança. Eu fui, no curto espaço de tempo, aprendendo a lidar com aquela nova semântica da música e da poesia e com a inspiração inestimável de Caetano ( ele escreveu comigo canções como “Panis et circenses”, “No dia em que eu vim embora”, “Eles”, ‘Lindonéia’, “Batmacumba”) , canções que corroboravam o significado do lirismo transfigurado com que eu deveria seguir adiante como criador do meu tempo.

Gilberto Gil no texto Antropofagia & Tropicália

Cérebro Eletrônico

Terceiro álbum de Gilberto Gil lançado em 1969, também conhecido como Cérebro Eletrônico, se destaca nesse começo de carreira por ser bem plural em termos de gêneros musicais. O jazz em canções como Futurível e Volks-Volkswagen Blue, o blues em A Voz do Vivo, mas há samba no maior hit do álbum a faixa Aquele Abraço. Cérebro Eletrônico. Ritmos bem dançantes como em Cérebro Eletrônico, faixa que se destacou popularmente ao ponto de nomear o álbum e por fim a psicodelia em 2001 e Objeto Semi-Identificado.

Cérebro é meio samba rock e tem como destaque os riffs e solos de guitarra de Lanny Gordin e os teclados estridentes e meio dissonantes de Chiquinho de Moraes


Back In Bahia

Este álbum se enquadra mais em um contexto de nostalgia. Acabada a efervescência cultural dos anos 1960, a década seguinte foi um período de mudanças com a intensificação do regime militar e de seus mecanismos de censura. Gilberto Gil passou meses do ano de 1969 preso pela ditadura e foi exilado junto a Caetano Veloso por dois anos em Londres. De volta ao Brasil, preparou um álbum voltado a suas raízes nordestinas. O que mais tem de rock aqui é o fato de boa parte das faixas terem sido escritas na Inglaterra e o fato da música hippie, que tinha muitas bandas trazendo folk, servir de inspiração a muita coisa lírica que escutamos no álbum.

Back in Bahia inspirou a confecção dessa lista, é certamente a música mais rock ‘and’ roll de todo o catálogo de Gil. O conceito de Expresso 2222 permeia a volta as tradições, as origens, como forma do entendimento do que Gil estava passando. A canção auto biográfica, que começou à ser composta na casa da mãe de Caetano Veloso, numa festa de boas-vindas, revela o quanto Gil  percebe a importância de certos valores, quando é privado de exercitá-los, trazendo a discussão de descobertas e decepções.

Gil também se destacou neste projeto como um instrumentista virtuoso. A sua técnica ao violão estava muito bem amadurecida em Expresso 2222, onde explora com maestria o baião, estilo esse que Gil começou a moldar na infância com o estudo da sanfona (seu primeiro instrumento) por admiração a Luiz Gonzaga. O baixo pulsante de Bruce Henry é o ponto alto da música junto ao climax vibrante de Gil em versos como “Hoje eu me sinto como se ter ido fosse necessário para voltar, muito mais vivo”. Gil brinca com a ideia de que não há reencontro verdadeiro com seu país até que você entenda quem se tornou fora dele, mas também sabe que é na memória que você encontra as ferramentas para entender e falar daquilo que é novo.


Refazenda

Refazenda é o capítulo inaugural da “Trilogia Re” que refinaria o método de Gil para dialogar, mais direta e especificamente, com o Nordeste, a África e a Disco Music. A parte mais interessante desse folk nordestino é que foi formada por um curioso jogo de palavras. A palavra refazenda é um neologismo criado por Gil, que tanto passa a ideia de ressignificar a ideia de vivência no campo, como também tem a ver com refazer alguma coisa: seja a própria vida, seja o resgate do Tropicalismo.

O período em que compus a canção é permeado por um despudor audacioso de brincar com as palavras e as coisas. É uma fase muito ligada aos estados transformados de consciência, pelas drogas, e a consequente multiplicidade de sentidos e não-sentidos.

A música também foi colocada por Gil como a faixa que melhor representou seu tempo como ministro da cultura no período  entre 2003 e 2008, durante parte dos dois mandatos do ex-presidente Lula.

Acho que ‘Refazenda’ tem tudo a ver com esse momento. Esse governo significa uma refazenda extraordinária para o país. O presidente me relatava há pouco o avanço da agricultura familiar com os biocombustíveis. Eu a cederia como jingle. Amanhecerá tomate e anoitecerá mamão

Gilberto Gil a Rede Globo, 2008

Refestança

Esse disco e música celebrava a amizade de Gilberto Gil com Rita Lee após os dois por coincidência serem presos no ano de 1976 por porte ilegal de drogas e resolverem fazer uma série de espetáculos com a banda tutti – fruti e a a banda Refavela de Gil os acompanhando.

A música Refestança trata-se de um rock festeiro mesmo, com potencial de clássico de estádio. Os pontos altos estão na interação de Luis Carlini e Roberto de Carvalho com Pedrinho Santana nas guitarras, as fantástica batucadas de Djalma Correia e Naila Mello, sem contar a piração de Rita e Gil aos berros de dança, canta e “tcha tcha uhh”. Um riff realmente enérgico e vitamínico incendeia o público para um fim de esmirilhação até nos teclados para o delírio da galera.


Chuckberry Fields Forever

Em clima festeiro e tropicalista, Gilberto Gil se uniu a seu parceiro Caetano Veloso, Maria Bethânia e Gal Costa para formarem o que pode ter sido a primeira super banda brasileira de todos os tempos. O quarteto estava na metade dos anos 70 celebrando mais de 10 anos de suas carreiras, no auge. O projeto veio dar um choque na mesmice e se propondo desafiar a pauta de costumes e a censura da época com diversas composições dominando as rádios e programas de televisão. Os amigos não se quietaram e após terem decidido até o nome Doces Bárbaros criaram músicas cheias de “alto astral, altas transas, lindas canções”.

Chuckberry Fields Forever foi feita ao lado de Caetano e como o título sugere, é uma homenagem bem humorada tratando de uma interpretação de como foi o surgimento do rock ‘and’ roll colocando-o como um gênero vindo da África e tendo suas origens não só pelo rhythm’n’blues, mas também pela rumba, o mambo, o samba; provavelmente a forma como chegou para eles o famigerado rock. O refrão é apoteótico e faz qualquer um da plateia cantar: “O rock é nosso tempo, baby. O rock ‘and’ roll é isso! Chuckberry Fields Forever, Os quatro cavaleiros do após-calipso, o após-calipso” partindo depois para a conotação do rock ‘and’ roll ser sagrado e poder ser encontrado em uma passagem em um livro como a Bíblia que tem capítulo, versículo e século.

Destaque para o arranjo e o sax animal de Mauro Senise. Perinho Santana ataca mais uma vez é um duelo de solos com Mauro e temos uma swingada batera por parte de Chico Azevedo e um jovem Arnaldo Brandão dando as caras no baixo.


Quando

Mais uma música do Doces Bárbaros, uma das homenagens mais bonitas feitas a um amigo em uma música e a destinatária esta presente logo na primeira parte cantada: Rita Lee!

A letra é fantástica, Gil nessa época estava realmente bem inspirado e nos Doces Bárbaros conseguiu sair das faixas que iam de encontro a seu clamor nordestino e foi de assuntos pesados como a resistência frente aos clichês e “patri-idiotices” da ditadura, até formas mais leves de celebrar a vida e os amigos, coisa que ocorre em Quando. Ela não chegou a ser um hit e nem foi muito explorada para ser tal coisa, os riffs de guitarra de Perinho e o sax de Mauro Seinse se destacam mais uma vez preenchendo a voz de Gil que vem como lead singer.


Não Chores Mais

Faixa presente no disco Realce de 1979, o terceiro da “trilogia re” comentada anteriormente. A via tomada por Gil nesse álbum é a música negra norte-americana, saindo do Brasil. Tropicalismo, rock, Jazz e Bossa Nova já não eram o elixir dos deuses para o gosto popular, no lugar desses gêneros todos, entrou a disco music e o músico foi de cabeça para o estilo, mas também ousou ao trazer uma versão para No Woman No Cry, um verdadeiro hit do reagge.

Desde sua estadia em Londres no ano de 1970 até 1972, Gil vinha sendo influenciado pelo gênero jamaicano que estava bem fresco antes de ser popularizado por Bob Marley e os Weilers, mas até o ano de 79 não tinha tentado trazer uma música com essa pegada. Ainda bem que trouxe, Não Chores Mais, é uma balada que faz uma crítica social de impacto com um lindo arranjo de violão de Gil, com a participação de seu filho Pedro Gil na batera (que veio a morrer no início dos anos 90), um coro com três Marias e Liminha no baixo e percussão. A gravação foi feita por Gil com Mazzola no Rio de Janeiro e lançada como compacto meses antes de ir aos Estados Unidos. A faixa é um misto de flagelo e canção de luta que valeu ao artista seu primeiro Disco de Ouro.

Eu pensava na transposição de uma cena jamaicana para uma cena brasileira a mais similar possível nos aspectos físico, urbano e cultural. Emblemática do desejo de autonomia e originalidade das comunidades alternativas, No Woman, No Cry retratava o convívio diário de rastafaris no ‘government yard’ (área governamental) em Trenchtown, e a perseguição policial, provavelmente ligada à questão da droga (maconha), que eles sofriam. Esta situação eu quis transportar para o parque do Aterro, no Rio de Janeiro, também um parque público, onde localizei policiais em vigília e hippies em rodinhas, tocando violão e puxando fumo, como eu costumava vê-los de noite na cidade. Coincidindo com o momento em que a abertura política estava começando, Não Chore Mais acabou por se referir a todo um período de repressão no Brasil.

Gil explicando a origem da música em seu site

Punk da periferia

Essa faz parte do álbum Extra, aqui já estamos nos anos 80 e Gil segue a todo vapor com músicas que retratam o cotidiano e a população. Punk da Periferia é uma excelente leitura do cidadão brasileiro dessa época, uma crítica vil a como é tratado o país.

Como tudo que estava fazendo sucesso nos anos 80, a música mistura o ska com bateria eletrônica, alguns momentos distorcidos na guitarra de Liminha e um naipe de metais com Leo Gandelman. Um verdadeiro “rock de arena” de Gil com um refrão goma de mascar.


Roque Santeiro, O Rock

Aqui Gil está claramente entusiasmado com as novas bandas de rock brasileiras que vinham surgindo e as homenageia com citações. Uma boa música que mostra um Gilberto Gil aberto as novidades que vinham tomando de assalto o gosto popular. Aqui temos a presença do mutante Sérgio Dias nos solos de guitarra ao lado de Liminha que também fez parte da banda paulistana.


Extra II (Rock do Segurança)

Extra II (Rock do Segurança) é uma faixa pertencente ao álbum Raça Humana de 1984, talvez o disco mais rock ‘and’ roll de Gil, por conta disso tem três canções dele aqui. Com uma pegada pop/new wave com bastante sintetizador dialogando com as guitarras e sax, o Rock do Segurança é a faixa de abertura que nos reapresenta a um Gil que sempre esteve ligado e a disposição de dialogar com a juventude seguindo as tendências.

Ele sabia do sucesso que bandas como o The Police vinham fazendo e acompanhou de perto o surgimento do Paralamas do Sucesso com quem compôs e gravou junto tempos depois. Ele sabia que tinha de trazer algo abusado e com potencial de hit. A letra desta aqui é bem especial, a história abordada é muito fora do que Gil tinha feito até então, já a melodia nos remete ao que Prince veio a conseguir nos EUA com Purple Rain.

A música foi feita em meia hora, na mesa de um quarto do Hotel Marina, no Rio, onde eu estava morando um tempo com Flora. Eu estava criando as canções do Raça Humana (metade do disco era na linha rock brasileiro) e, uma noite, antes de sairmos pra jantar, fiquei fazendo um riff de rock e quis usar um mote ligado às vivências típicas do mundo do rock’n’roll. Pensei então na situação dos seguranças barrando os fãs no ímpeto de entrar nos lugares onde estão os ídolos, e o impasse natural e necessário que se cria. A partir daí, as associações foram sendo feitas naturalmente por necessidade de criação do personagem, um ET divino que vem como um homem simples, humilde – uma imagem cristã, a do Deus que encarna para se solidarizar com o ser humano.

Gil explicando a origem da música em seu site

Tempo Rei

Quem escuta a versão original de Tempo Rei nem desconfia que se trata da balada que Gil toca seca ao violão. Ela tem tantas camadas e o arrepiante “uuuh” de Gil na introdução é tão estimulante, acredito que está seja a música com mais preenchimento sonoro de toda essa lista.

Amo os coros feitos por Ritchie e que belo trabalho nos solos de guitarra feitos por Liminha. Nas baquetas assume aqui Téo Lima e Liminha faz a cama no baixo e teclados. Um verdadeiro pop rock maravilhoso que lida, segundo Gil, com uma coisa mais religiosa, um culto ao tempo, tanto que ela é uma interpretação frente a canção Oração ao Tempo de Caetano.

A frase-chave para mim é: ‘Quando eu tiver saído para fora do teu círculo, não serei nem terás sido’ – quer dizer: o tempo desaparecerá, eu desaparecerei; o tempo e aquele que o inventa, o ego, estarão ambos desinventados, portanto. Na música do Caetano parece haver um niilismo essencial, um mergulho no nada absoluto e uma resignação plena, orgulhosa e altiva com a extinção. Na minha tem uma coisa mais cristã; uma, quem sabe, quimera; um vago desejo de permanência e de transformação.

Gil explicando a origem da música em seu site

Vamos Fugir (Gimme Your Love)

O antigo lado B do disco traz, logo de cara, uma das grandes gravações de reggae já feitas por um artista brasileiro, Vamos Fugir, realizada na Jamaica, com participação dos Wailers, músicos que acompanharam Bob Marley. Popularizada nos dias atuais pelo Skank, a versão original de Gil também tem muito impacto, principalmente devido a simplicidade da letra que é uma das mais incríveis de todo o catálogo do octogenário que estamos a homenagear.

Composta ao lado de Liminha, Vamos Fugir é uma a música mais regravada e mais tocada por outras banda dentro do catálogo de Gil. Djavan a regravou para seu álbum Daúde #2 de 1997 e a banda Natiruts fez um dueto com o próprio Gil em Natiruts Reggae Brasil de 2015. Ou seja, uma música transcendental!


A Novidade

Composição feita por Gil com os Paralamas do Sucesso para o álbum Selvagem? de 1986, produzido pelo Liminha que foi o cara responsável pelo contato e unir a banda ao artista. Os Paralamas amavam reggae e estavam mergulhados em tudo que o gênero vinha produzindo, especialmente o dub. Eles queriam trabalhar com alguém que entendesse aquela linguagem tão bem quanto eles e Gil era o cara.

Herbert Viana não estava sabendo como encaixar uma letra para esse dub e coincidiu do Gil estava em Floripa e então pediu para que os Paralamas enviassem a música pro hotel. Lá pras 14 horas o doce bárbaro baiano colocou no gravador e depois de quatro ouvidas começou a escrever. As 15 horas da tarde ligou para o estúdio e passou o texto para banda.

De um modo surpreendente até pra mim, porque mesmo sem tempo pra qualquer avaliação crítica no dia seguinte, resultou no que eu acho um dos meus melhores textos – pela escolha e pela maneira de tratar o assunto. (…)
O tema da desigualdade está recorrente em meu trabalho. Está em Roda, em Procissão, em Barracos. Agora, em A Novidade, a imagem da sereia é que dá a partida para o tratamento da questão; a novidade é essa. Pode-se imediatamente pensar no Brasil, mas é sobre o terceiro mundo em geral; mas, sobre todo o ‘mundo tão desigual’, mesmo, de que fala o refrão.

Gil explicando a origem da música em seu site

A letra emocionou Herbert Viana que anotava no papel sem crer no que estava escutando. O clipe da música foi feito na barca que liga o Rio de Janeiro à Niterói e até concluir tudo, foram feitas 16 viagens. Gil apresentou a música no seu acústico e recorrentemente aparece nos seus shows.

4 comentários

  1. Essa ABL já foi bem melhor…..depois que admitiu o nomeou o dono dos “Marimbondos de fogo” e o Dono da Globo e agora esse cantor, virou lugar de tretas e politicagem!!!! José de Alencar, Machado de Assis e os REALMENTE imortais, devem estar se contorcendo nos túmulos!!!!!

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