Revisando Clássicos: The Darkness – Permission To Land

Bem vindos a mais um revisando clássicos, aqui analisamos discos atemporais que, de alguma forma, marcaram a história da música de maneira revolucionária. Traremos uma introdução ao álbum contando fatos que o fizeram importante para a carreira da banda, um faixa-a-faixa e por fim, citações das principais mídias especializadas em reviews. Hoje vamos falar do fabulosamente trash Permission to Land, álbum de estreia que nos apresentou ao The Darkness, a banda que não se sabe se pode levar a sério mas que celebramos.


INTRODUÇÃO AO ÁLBUM


O ano é 2005, estamos no início do novo século e o rock passava por mutações com uma diversidade de novos subgêneros e decadência de outros. Os anos 2000 começaram com o movimento grunge americano e o Britpop dos ingleses saturados, e o Guns N’ Roses sumido com a promessa de um álbum de inéditas com uma nova formação que só teria o vocalista Axl Rose como membro original. Em 2001 surgia o Audioslave formada por membros do Rage Agains The Machine mais o vocalista Chris Cornell e tempos depois surgiria em 2004 outro supergrupo, o Velvet Revolver que contava com Slash, Duff, Matt Sorum (todos ex-Guns N’ Roses), o guitarrista Dave Kushner e Scott Weiland, ex-vocalista do Stone Temple Pilots, quebrando a banca.

Esse período em que surge Audioslave e Velvet é bem rico, estes indicavam uma direção para onde novas bandas podiam seguir, mas tinham também grupos que iam do indie para o rock alternativo ditando a moda na Europa e USA. Nessa época, excelentes discos foram lançados por Queens Of Stone Age, The White Stripes, Stereophonics e Strokes que consolidaram suas carreiras também. Mas fora do mainstream, surgiram duas bandas que trouxeram uma retomada ainda mais escrachada dos riffs em power chords com um som mais pesado através de seus álbuns de estreia, o que possibilitou o mundo a conhecer revelações promissoras que ajudaram a permear o rock na paisagem musical da década.

Os ingleses do The Darkness em 2004 trouxeram o irreverente Permission To Land e os australianos do Wolfmother, como bem falamos no revisando clássicos anterior, traziam em seu debut uma ode a bandas como Led Zeppelin e Black Sabbath em seu som. Hoje chegou a vez de esmiuçar a origem dos irmãos Hawkins, que inspirados no Queen souberam mesclar o hard rock tradicional com o glam de uma forma brutal, sarcástica e mágica.

O The Darkness vieram de Lowersoft, em Suffolk, Inglaterra. Em uma noite durante o karaokê no pub de sua tia, Justin se levantou para cantar provavelmente o maior hit do Queen, Bohemian Rhapsody. Segundo o guitarrista Dan, Justin acertou quase todos os falsetes que fizeram Freddie Mercury ficar famoso e foi aí que ele percebeu junto a seus camaradas de banda que seu irmão tinha que ser o homem de frente do projeto. “Foi um daqueles momentos em que você percebe o que é música – se divertir, mas balançar ao mesmo tempo. E é isso que planejamos fazer”, disse Dan a Austin Scaggs , da Rolling Stone.

Pelo nome de Empire, a banda começou com cinco integrantes tocando em qualquer muquifo que surgisse pelo caminho. Logo se transformaram em um quarteto contando com Ed Graham na bateria e Frankie Poullain no baixo, o que deixou – segundo os próprios envolvidos – o som mais enxuto. Uma das grandes apostas da banda após firmar a nova configuração e o novo nome The Darkness, foi trazer ao seu rock de arena a estética junto a sonoridade glam metal dos anos 80.

O cantor Justin Hawkins costumava usar calças de couro apertadas ou macacões de spandex, como Freddie Mercury e David Lee Routh, também teve a questão de Paul Poullian usar um bigode grosso ao estilo mexicano e isso virou um problema. Muitas vezes recebiam olhares tortos do público que se perguntava por que o vocalista estava vestindo um collant e agindo como se estivesse se apresentando para 10 mil pessoas. Piadas sobre o baixista também eram frequentes, o comparando a membros do grupo Village People. Esse ímpeto de “vestir a camisa” do subgênero ao qual pertenciam espantava a mídia britânica que não queriam escrever sobre o som que escutavam por acharem que o visual da banda era uma piada de mal gosto. Isso foi no início dos anos 2000, e muita água veio a rolar para chegar ao que veio a se tornar o Permission To Land em 2003.

A banda continuou a fazer shows por pouco dinheiro em pequenos pubs, determinada a conseguir um contrato de gravação. “A questão é que estar em uma banda é um pouco como ter um filho, e 99% de estar em uma banda é uma luta, uma merda intolerável e um verdadeiro pé no saco”, disse Justin ao Yahoo! Music. “E então o outro um por cento faz tudo valer a pena. É a emoção de fazer isso”. Vale a pena mencionar que Justin Hawkins no fim dos anos 90 era um criador de jingles e a origem do reconhecido sucesso do The Darkness se deve um pouco a esse empreendimento do bandleader.

Comecei um negócio em 1997 chamado Chicken Sounds, fazendo música para TV e cinema. Naquela época eram muitos anúncios, se uma agência precisasse de uma música e não pudesse pagar a coisa real, eles vinham até mim e eu a copiava o mais próximo possível sem ser processado. Eu fazia muito disso e isso ajudou a pagar pelo primeiro disco.

Justin Hawkins, para o Kerrang!, 2021

Grandes gravadoras evitavam a banda, mas eles pressionaram e economizaram dinheiro suficiente para voar para Austin, Texas, para aparecer no festival de música internacionalmente famoso, o South by Southwest (SXSW) na primavera de 2002. Naquele verão, the Darkness gravou e lançou o EP I Believe in a Thing Called Love para a gravadora independente Must Destroy Music. Por incrível que pareça, o single não teve um rendimento tão bom de imediato, mas as coisas estavam para mudar.

Quando o The Darkness voltou mais uma vez a Austin para tocar no SXSW em março de 2003, eles tinham acabado de virar banda de abertura do Def Leppard e colecionaram fãs. Desta vez o clube estava lotado, mas a banda ainda estava sem selo. Depois de esgotar o infame local de Londres, o Astoria sem uma grande distribuidora por traz, a Atlantic Records assinou com o The Darkness e lançou seu álbum de estreia, Permission To Land tanto no Reino Unido quanto nos Estados Unidos no verão de 2003.

A pequena banda que poderia ter fracassado, mas tinha mais energia do que quase todas as bandas modernas no rádio, vendeu mais de 3,5 milhões de cópias em todo o mundo com seu álbum de estreia. Antes que percebessem, bandas cover do Darkness começaram a aparecer na Inglaterra, em uma verdadeira prova de poder. Agraciado pelos singles I Believe in a Thing Called Love, Growing on Me, Get Your Hands off My Woman e Love is Only a Feeling, o álbum foi certificado como platina quádrupla no Reino Unido, com vendas de mais de mil trezentas cópias. Em 2004, a banda ganhou três Brit Awards: Melhor Grupo Britânico, Melhor Artista de Rock Britânico e Melhor Álbum Britânico. 

Há pessoas que pensam que somos uma piada. Mas essas pessoas não sabem nada sobre rock! As pessoas que nos apoiam são pessoas como os caras do Aerosmith, AC/DC, Queen, Whitesnake, Def Leppard – pessoas que realmente conhecem o rock e estavam lá quando o rock era o que deveria ser. não levamos as críticas muito a sério.

Justin Hawkins, para o Yahoo!, 2015

FAIXA-A-FAIXA


Um faixa-a-faixa se torna conveniente. Seguiremos a ordem numérica já que elas todas tem sim a sua importância, não só em termos mercadológicos, mas também para a história dos aqui envolvidos.

Black Shuck

Esta música dá início ao álbum de estreia do The Darkness, Permission to Land. É sobre a lenda inglesa antiga de um cão preto fantasmagórico que se diz vagar pela costa de Norfolk, Essex e Suffolk.

Justin Hawkins conhece rock and roll, mas não seria um bom professor de história. “Nada disso é preciso ou mesmo pesquisado”, disse em entrevista ao Songfacts quando perguntado sobre a veracidade da letra desta música. “Como posso ser preciso? – eu estava apenas inventando. Mas ‘Black Shuck’ corre paralelo com a lenda. Eu não estava indo muito longe com essa música, até porque eu estava trabalhando com memórias de infância, de quando visitávamos aquele lugar. Eles costumavam nos contar sobre as marcas de arranhões na porta, e aquele raio atingiu uma árvore. Como diz a lenda, a igreja foi atacada por um cão infernal gigante, e depois queimou até o chão e todos morreram.”

Get Your Hands Off My Woman

Como mencionado anteriormente, o primeiro single do grupo foi I Believe In A Thing Called Love, lançado como um ep pela gravadora independente Must Destroy Music em 2002. Não deu em nada, mas logo que eles conseguiram um acordo com a Atlantic Records, lançaram Get Your Hands Off My Woman com algum poder promocional por trás. Com destaque para os falsetes exagerados do bandleader Justin Hawkins e um riff poderoso, fez uma plateia na Inglaterra começar a entender melhor a banda, principalmente quando se conferia de perto a construção de uma lenda com shows absurdos que de alguma forma mantinham uma sensibilidade rock.

A letra é justamente o que sugere o título, o eu lírico reclama de um cara que tenta agarrar sua namorada. Também conhecida como “Get Your Hands Off My Woman (Motherf-ker)”, esta é uma das músicas mais obscenas com xingamentos ao abusado. Não é de se admirar ela também se tornar um dos sucessos mais aguardados nos shows do The Darkness.A música ficou em 43º lugar no Reino Unido, preparando o palco para o triunfante álbum de estreia de 2003.

Growing On Me

Como bem disse Justin em entrevistas, o segredo desse single é o seu videoclipe. O mais interessante dessa história é que foi um vídeo muito barato, ele foi feito com uma “pequena” ajuda dos amigos como bem sugeriria os Beatles. 

Tínhamos um amigo que gostava da banda e era extraordinariamente rico e dono da casa em que gravamos o vídeo. Tínhamos outra amiga que era uma estilista de muito sucesso, e o namorado dela era um diretor de vídeo que tinha acabado de trabalhar com o Coldplay. Todas essas pessoas nos fizeram um favor e não nos custou muito dinheiro. Fizemos isso em alguns dias, e Alex, o diretor, editou até a morte e fez algo muito especial. Vendo isso na televisão, conseguimos muito pelo nosso dinheiro.

Justin Hawkins, para o Musicradar., 2013

O clipe apresenta uma nave espacial abatida por um pterodátilo que começa a transar com ela, chegando em terra firme, a nave põe ovos. Destes saem versões criança dos membros da banda e começa de fato a interação com a música. Este foi o single e vídeo inovador do The Darkness – mas era realmente sobre DSTs?

Eu ainda acho que é o nosso melhor clipe. Conseguimos muitos favores – desde pessoas que tinham filhos a uma pessoa que tinha um helicóptero. Então pegamos emprestados os filhos das pessoas, as namoradas das pessoas e uma casa. Eu amo como o diretor conseguiu fazer parecer que sabíamos o que estávamos fazendo, enquanto não tínhamos a mínima ideia. As pessoas diziam que a música era na verdade sobre DSTs. Não estou inclinado a confirmar ou negar qualquer coisa – mas estou interessado em escrever letras que signifiquem coisas diferentes para pessoas diferentes.

Justin Hawkins, para o Kerrang!, 2021

A música possui várias camadas interessantes, tanto os versos, ponte e refrão são interessantes e o final apoteótico em solo interminável dá a sensação de que não precisava acabar nunca, mas fica certeiro ela fechar em 3 minutos e 28 segundos.

I Believe In The Thing Called Love

Muitas pessoas se lembram do dia 11 de setembro de 2001 com uma dor enorme, mas tem gente que pode celebrar um certo acontecimento na data como é o caso do The Darkness. Esta faixa se tornou uma das músicas mais reconhecidas instantaneamente gravadas por qualquer artista em décadas. Mas surgiu pela primeira vez em um EP de três faixas um ano antes…

Criamos algo edificante em um dia que estava cheio de terror [mesmo dia dos ataques ao World Trade Center]. Acabamos de reduzir de um quinteto para um quarteto, então nos tornamos uma banda muito mais enxuta enquanto fazíamos essas músicas. Levamos um tempo para descobrir onde estávamos indo, mas depois fez sentido assumir essa vibe pop-rock e a música em si veio com bastante facilidade. Eu sei que muitas pessoas dizem isso sobre suas maiores músicas, mas meio que saiu de nós sem esforço. Desde o início até a realização foi muito suave e você pode ouvir isso enquanto escuta a faixa. Parece fácil, é fácil de ouvir e é divertido de tocar.

Justin Hawkins, para o Musicradar., 2013

O diretor Alex Smith originalmente gravou um videoclipe de baixo orçamento com a banda em sua casa e em um supermercado. Dado um orçamento maior, ele gravou um segundo clipe com tema espacial com Justin Hawkins se apresentando em frente a uma parede de amplificadores Marshall antes que a nave espacial da banda fosse atacada por uma lula gigante. Este se tornou o vídeo oficial.

Correu muito bem. Ele roubou muitos dos efeitos de Big Trouble In Little China … Foi muito legal. Em um ponto, eu estava cantando em uma salsicha. E então nós o refizemos, mas com a plena realização do que estávamos tentando transmitir, com adereços e interiores genuínos que foram construídos por carpinteiros, monstros e naves espaciais e tudo mais. Mas a única coisa que permaneceu – o único suporte que mantivemos de ambas as filmagens – foi a salsicha.

Justin Hawkins, para o Songfacts, 2019

Para o clipe desse som e de alguns dos outros também há a presença de John Friedlander nos efeitos especiais, ele é reconhecido por ter criado o K9 e muitos dos adereços, personagens e marionetes de Doctor Who. “Ele é o cara que fez o pterodátilo e a nave espacial para nós. Ele veio e fez nossa nave espacial e as feras que você vê lá. Foi tudo coisas reais – nós não fizemos nenhuma coisa de CGI. Fizemos coisas antiquadas de ficção científica britânicas.”

Love Is Only A Feeling

Essa é a grande power ballad do disco. Segundo o vocalista Justin Hawkins em entrevista dada em 2015, a formula do sucesso para um grande disco é “você coloca uma grande balada no final da primeira metade do álbum e depois no final da segunda metade, estilo Aerosmith.”

Sobre a a criação do clipe igualmente impressionante, mas numa conotação um pouco mais séria que os demais ele disse o seguinte ao tocar um solo no topo de um penhasco.

Gravamos o vídeo nas Montanhas Azuis, na Austrália. Encontramos esse local com cavernas cheias de morcegos e helicópteros por toda parte e gastamos muito dinheiro no vídeo. Você deve ter três pontos presos ao penhasco quando está fazendo algo assim. Eu não tinha nenhum – foi apenas o jeito que eu rolei. Eu queria que parecesse real . Eu estava fazendo isso com botas de cowboy também. O diretor estava apavorado. Eu estava fazendo um solo na encosta de uma montanha – você não faz isso com uma corda presa a você. Se você vai cair de um mountain você quer fazer isso enquanto segura uma Les Paul Custom.”

Justin Hawkins, para o Musicradar., 2013

Givin’ Up

A faixa Givin’ Up, apesar do ritmo dançante, aborda sobre o vício em heroína do vocalista Justin Hawkins e ela não é nada sutil. Hawkins canta: “Eu injetaria nos meus olhos se não houvesse outro lugar para enfiar meu skag (um skag é uma agulha de heroína). Me dê, me dê, me dê esse tapa.”

Além das polêmicas frente as letras que justificam o selo de aviso para “conteúdo explícito”, a arte da capa do álbum também foi uma dor de cabeça já que eles queriam muito fazer sucesso nos EUA. Para criar a capa que tinha uma loira nua sinalizando uma nave alienígena em uma pista, eles convenceram o nome do momento dos designs para elaborar a deles, Bruce Brand que já era um designer de capas veterano neste momento (com clientes como The White Stripes e Billy Childish), mas a banda tinha suas próprias ideias para Permission To Land

Brand relembrou desse encontro com o Darkness em conversa para a Loudersound, Classic Rock.

Acho que foi em 2003… Eles estavam no selo independente Must Destroy na época e estavam procurando alguém para fazer a capa do debut. Era um tipo de coisa ‘décima primeira hora’. Eles já tinham as fotos [tiradas por Patrick Ford], mas por algum motivo não encontraram ninguém para compilar tudo. Então eu os encontrei no pub em Camden. Eles queriam uma capa clássica no estilo dos anos 70 – como ELO ou algo assim. Depois de ter tirado todos os arquivos e informações deles, eu estava em constante contato por e-mail com Justin, que era como o diretor de arte, suponho. Eu recebia essas ligações dele às três da manhã, dizendo: ‘Decidimos que queremos que o interior da espaçonave tenha painéis de madeira – língua e ranhura. É assim que o interior das espaçonaves se parece.’ E eu fiquei tipo [sarcasticamente] ‘Er, ok, vou fazer isso agora, posso?’

Bruce Brand, para o Classic Rock, 2021

Foram necessárias várias tentativas antes que a banda ficasse satisfeita. “Originalmente, a espaçonave era maior e as letras ‘The Darkness’ estavam em um ângulo estranho, como se tivessem sido projetadas para baixo”, explica Brand. “Eles queriam que isso continuasse correto e me pediram para mudar a escala de algumas coisas(…) Eles realmente queriam que eu fizesse uma versão limpa para a América. Eles queriam que eu pixelizasse o bumbum da modelo. Acho que acabamos colocando um adesivo sobre ele ou algo assim.”

 

Stuck In A Rut

Stuck In A Rut funciona como uma sequência direta de Givin’ Up. Fala basicamente sobre sair do comodismo pedindo por uma máquina (provavelmente uma espaçonave) que o possa levar de imediato. É mais uma pedrada nonsense e o som aqui contrasta a questão deles terem gravado o álbum com uma série de limitações de material de gravação e usar o pouco que tinham a seu favor.

Contratamos um Mesa Boogie Dual Rectifier, mas era antigo, então só tinha dois canais em vez de três. Na verdade, prefiro os mais antigos porque eles têm um som muito mais esponjoso, então foi uma sorte termos conseguido um dos Isso é o que eu usei. Dan tocou com um Marshall, como sempre, como sempre, com tanta frequência. Era principalmente Mesa e Marshall. Se você tem apenas dois amplificadores, todo o tempo que você gasta é fazer o melhor som deles.

Justin Hawkins, para o Musicradar., 2013

Friday Night

O verdadeiro coração do álbum está na gostosa balada Friday Night, para os mais atentos, é como um encontro sonoro do The Cure com Peter Frampton. Essa percepção fica justificável justamente por trazer algo que diverte o público que é uma música com listas.

Liricamente, percebi que as pessoas gostavam de músicas com listas. Há duas listas lá – há a lista de dias e a lista de atividades também. Era uma música conceitual. Eu queria ver como seria fazer uma música de amor com essas listas. Foi um exercício lírico. Era apenas uma ideia e eu queria ver se funcionaria. Desenvolvi uma teoria sobre certas músicas e pensei que as pessoas sempre cantam sobre os dias da semana, então queria que todos os dias tivessem algo diferente.

Justin Hawkins, para o Musicradar., 2013

Love On The Rocks With No Ice

O álbum como um todo tenta abordar sobre relações e sentimentos, normalmente o amor como tema principal. A música com o riff mais pesado do álbum, Love On The Rocks With No Ice, traz um pouco de rancor em meio a questionamentos.

Você não pode suportar a fadiga que eu demonstro
Quando você vem para casa por apenas um turno
Todos os acontecimentos que fazem seu coração sangrar
E aqueles que arruinaram seu dia

verso de Love On The Rocks With No Ice em tradução livre

A faixa foi indicada como um dos melhores momentos do álbum pelo The Guardian em seu review, o que nos leva a crer que não é um som que passa desapercebido, na verdade, quem pensa em passar essa música é louco.

Tudo o que gravamos já estávamos tocando ao vivo, então sabíamos o que seria popular entre nossos fãs. Nós sabíamos que este seria popular. Nós só gravamos o álbum por necessidade, já que estávamos tocando em locais muito pequenos para nós. Antes de fecharmos um contrato de gravação, nos tornamos a primeira banda sem contrato a vender ingressos para o Astoria, então nós precisávamos de um álbum. Tivemos que fazer isso nós mesmos. A indústria da música tentou ao máximo nos ignorar, mas não conseguiu. Quando tínhamos esse produto gravado lá, a indústria percebeu que éramos uma banda, porque tínhamos esse produto. Eu entendi isso, porém, porque estávamos fazendo algo completamente longe do que era popular. Se há uma lição a ser aprendida com The Darkness é que se você acredita no que está fazendo, um por um eles vão cair.

Justin Hawkins, para o Musicradar., 2013

Todo mundo está muito tenso hoje em dia. Eu odeio a arrogância de bandas que pensam que suas emoções mesquinhas são interessantes. Se você olhar para bandas de 25 anos atrás, as pessoas têm sorrisos em seus rostos. Estamos trazendo um pouco disso de volta.

Frankie Poullain, BBC, 2003

Holding My Own

Essa faixa é apoteótica! Apesar da frase “Holding My Own” ser autoexplicativa e deixar claro seu sentido, era para significar algo sobre competir em alto nível entre seus pares, mas não é sobre isso que essa música fala no contexto da canção. Aqui, o herói está deixando sua garota saber que ele se recuperou e está se sentindo muito bem consigo mesmo. Ela não está pronta para transar, mas tudo bem – ele só vai dar prazer a si mesmo. Sim, a música é sobre masturbação.

Um tema tão…gozado, preocupou os membros do The Darkness apesar da faixa ter momentos inspirados e poéticos como no trecho em tradução livre “Que a luz da minha vida Abriria um buraco através de cada nuvem que passasse, apenas para iluminar você e eu”.

E um dos motivos para tal foi expressado até por Bruce Brand quando eles ficaram receosos com a capa estampando uma bunda. Eles queriam muito conquistar o público americano mas não causaram um dano nos EUA, nem se quer o grammy veio, infelizmente não rolou. Eles foram enormes em sua terra natal, o Reino Unido e I Believe in the thing Called Love tocou até em novela da Globo. Em 2003, no ano do lançamento do Permission To Land, Holding My Own era destaque certo em muitas críticas apresentando a banda aos ouvintes, deixando claro o que faziam. Mas The Darkness tinha que ser visto para se fazer crer, com o vocalista Justin Hawkins comandando o palco trajado em seus macacões bizarros e falsete brilhante.

A única música que estávamos preocupados em tocar ao vivo nesta turnê tocando o álbum na íntegra era Holding My Own. É a última faixa e é uma balada e nós nunca a tocamos ao vivo como uma banda completa antes desta turnê. Eu costumava tocá-la como parte de um segmento acústico do set e apenas pegava algumas linhas. Mas, tocá-lo como uma banda completa… soa realmente épico para mim.

Justin Hawkins, para o Musicradar., 2013

O Que disse a Mídia?


No início o The Darkness era sumariamente ignorada pela mídia. A maioria dos jornalistas de música na Grã-Bretanha pensava em seu som e aparência retrô como uma piada e se recusava a escrever algo de bom sobre eles, ou no caso de uma grande revista de música, qualquer coisa. Assim que permission to Land saiu e o hit I Believe In The Thing Called Love estourou no mundo inteiro, não teve mais como os veículos permanecerem em silêncio. Rob Kemp, da Rolling Stone, foi um daqueles que reconheceu que a banda foi criticada por ser “irônica”, mas era dado o momento em que suas músicas não poderiam mais ser ignoradas. 

A revista de música britânica NME, que ignorou a banda por anos, finalmente deu ao Darkness a atenção que eles mereciam. Ao longo de 2003 e 2004, a banda apareceu na capa várias vezes, todas sem uma entrevista oficial dos membros do Darkness, que se recusaram a falar com eles depois de anos sendo esnobados.

Como muitos revivalistas do hard rock hoje em dia, este quarteto britânico está imerso na dobradinha do AC/DC e do início do Queen. Mas o The Darkness tem uma arma secreta: o cantor Justin Hawkins, um homem sem medo de perpetrar gritos de falsete dignos de Tiny Tim em todas as músicas de seu álbum de estreia. Não se engane, no entanto – isso não é uma novidade danificada pela ironia. Músicas como “Get Your Hands Off My Woman” e “Givin’ Up” exibem riffs de força industrial, solos de guitarra vigorosos e uma seção rítmica que balança como uma bola de demolição. Baladas como “Love Is Only a Feeling” são reproduzidas com um entusiasmo jamais sonhado por parodistas do metal como Satanicide. Permission to Land é o primeiro álbum de retro-metal que vale mais do que uma risada momentânea.

Rob Kemp, Rolling Stone,2003

Permission to Land tropeça um pouco em “Stuck in a Rut”, que é um pouco simples em comparação com as outras faixas, mas quando The Darkness faz funcionar, o que é muito frequente, eles a tiram com a maior exuberância e alegria que ouvimos de uma banda de hard rock há muito tempo. Eles parecem ridículos e soam dessa forma, justamente por saberem que são e se deleitam descaradamente em seu ridículo. The Darkness pode ser um pônei de um truque total, mas eles fazem esse truque tão bem, que é fácil cair nele todas as vezes.

Adrian Begrand, Popmatters, 2003

Então, como é o som de The Darkness? Bem, eles são uma mistura de pomp-rock dos anos 70, metal do início dos anos 80 e rock de arena bombástico e brilhante. O que eles fazem bem pode ser melhor exemplificado por “I Believe in a Thing Called Love”, que combina mais efetivamente seu senso de teatralidade e grandiosidade com sua propensão para grandes ganchos pop. Enquanto isso, “Black Shuck” canaliza AC/DC (realmente deveria haver uma chave de raio), “Growing on Me” remete ao Van Halen da era David Lee Roth, e “Love Is a Only a Feeling” invoca o rock dos anos 70 extravagância da balada. Em outros lugares, “Stuck in a Rut”, “Get Your Hands Off of My Woman” e “Holding My Own” demonstram o alcance da voz do cantor Justin Hawkins enquanto ela transita entre todos os modos do rock clássico: extravagante, delicado, grave.

Scott Plagenhoef, Pichfork, 2003

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