11 Covers Ao Vivo Inesperados que Saíram Tão Bons Quanto as Versões Originais

Quando uma boa música se transforma em um hit na voz da primeira pessoa que a gravou, cria-se uma resistência ao ouvir um outro músico interpretando a canção. Mas temos de convir que há casos em que tem releituras tão fora da curva que impressionam ao ponto de a nova versão ficar com ares de modernizada e as vezes superar em números de vendas e ficar no inconsciente popular com mais facilidade que o original por diversos fatores, seja a roupagem, arranjos a adaptação para o contexto ao qual foi inserida, etc.

Nos últimos tempos, alguns programas de rádio tem apostado que os artistas atuais ao se arriscarem criando novas versões de grandes sucessos conseguiriam obter esse feito de modernizar as músicas para ter um pretexto para tocar as velhas canções ou só para brincar com as possibilidades, tipo de coisa que ocorre nas rádios da BBC por exemplo. Além disso, há uma mobilização espontânea dos artistas para gerar essas releituras, fazendo de forma ao vivo e profissional, seja para surpreender os ouvintes ou simplesmente tocar uma música da qual tem identificação e que são importantes para seu desenvolvimento nas influências musicais que definem seu som.

Alguns covers presentes aqui podem parecer um tanto ousados para explorarmos, são músicas que no original são consagrados e conhecemos através das vozes originais, seja as femininas ou as masculinas, e que agora recebem adaptação para as vozes de sexo oposto. Há também bandas de rock se arriscando no pop e tornando música reggae em folk rock. Mas não há aqui certas obviedades como With a Little Help From My Friends dos Beatles por Joe Cocker ou Knocking O’n Heavens Door de Bob Dylan pelos Guns N’ Roses, que até são dois bons exemplos que simplificam a ideia dessa lista que preparamos. O foco aqui é trazer artistas “mais novos” revisitando rocks clássicos, sem necessariamente querer dizer que as versões saíram melhores ou mais atrativas que as originais.

Dito isso, vamos a nossa seleta lista:


Panic At The Disco! – Bohemian Rhapsody

Resolvemos começar com essa versão da provável canção mais conhecida do mundo, por conta da ousadia da banda teatral emo. Eles fizeram algo que nem o Queen fez no palco ao interpretar Bohemian Rhapsody ao vivo recriando o coral da introdução e o da segunda parte ou segundo ato dessa mini ópera rock composta por Freddie Mercury. A banda inglesa quando canta não faz a introdução e quando entra o segundo e divertido ato que começa com os dizeres “I see a little silhouetto of a man” eles colocam um playback, as vezes tocando por cima, mas sem a parte vocal, sempre utilizando a gravada, seja na época de Mercury, Paul Rodgers ou agora com o Adam Lambert.

Apesar de ter esse fator surpreendente, o Panic At The Disco! do showman e vocalista Brendon Urie, tem toda uma conotação teatral em seu som que se assemelha com a proposta do Queen, o que não torna um absurdo a banda dos anos 2000 interpretar um dos hits da banda setentista. Alguns podem achar que a parte instrumental fica a quem do grupo britânico, mas os mais novos tocam o hit com tanto entusiasmo que “certas deficiências” ficam em segundo plano, principalmente por receberem o feedback positivo do público, principalmente pelo desempenho do frontman em exagerados agudos.


Harry Styles – Sledgehammer

Harry Styles aparece com certa frequência em programas de rádio e em shows fazendo alguns covers memoráveis. Sua ligação com Stevie Nicks traz um certo calor para The Chain e há também o cover para Big Yellow Taxi de Joni Mitchell mas resolvemos trazer esta versão para o clássico da carreira solo do Peter Gabriel, tanto pelo ineditismo de ver artistas recentes tocarem esse som, tanto pela qualidade e motivação trazida por Harry e sua banda para proporcionar esse momento épico.

Segundo o maior fenômeno da música pop inglesa atual, em entrevista a Howard Stern, Sledgehammer é a música que possui a melhor mixagem dentre todas que o jovem já escutou e por conta disso o álbum Fine Line foi gravado no mesmo estúdio que Gabriel gravou o álbum So de 1986. Essa releitura, bem parecida com a versão original, nos deixava um gostinho da sonoridade que estava por vir em Harry’s House lançado este ano pelo britânico, uma onda mais dançante e pop frente a tudo que Styles lançou até então em sua carreira solo.


Miley Cyrus – Heart Of Glass

Aqui temos uma interprete que vem se destacando nos últimos anos numa evolução artística e técnica poucas vezes vistas. Para quem não a acompanhava – assim como eu – se surpreendeu quando ela fez o discurso da inclusão de Joan Jett ao Rock ‘and’ Roll Hall Of Fame de 2015. Quem viu ficou ainda mais arrepiado com a performance das duas juntas no clássico Crimson and Clover no evento e depois em outro momento no Super Bowl LV onde cantaram juntas alguns hits como Bad Reputation e reparamos o quanto a voz da ídolo teen deu uma encorpada e amadurecida.

Dito isso, chegou o ano de 2020 e encontramos um álbum diferenciado na carreira da cantora, Plastic Hearts é um dos melhores flertes do pop com o rock desde Beat It do Michael Jackson. No disco tem parceria com Stevie Nicks, Billy Idol, Dua Lipa e Joan Jet volta para presentear com seus vocais guturais. Para a divulgação a musa esteve no Whisky a Go Go e durante a tour mudou um pouco seu repertório, colocando algumas músicas como Zombie dos Cramberries. Em outro show cantou Maybe da Janis Joplin, mas o cover para Heart Of Glass pro I Heart Radio ficou poderoso demais, certamente deixando a Debbie Harry orgulhosa.


Arctic Monkeys – Hold On, We’re Going Home

Antes do Drake ser reconhecido como um gigante no rap e ser um dos que mais vendeu discos na história do gênero, em 2013 o cara lançou o álbum Nothing Was the Same que teve como um dos hits a música Hold On, We’re Going Home, que hoje em dia pode até não ser uma das mais tocadas do rapper canadense, mas fez um certo sucesso, tanto que o Arctic Monkeys, que lançou no mesmo ano seu álbum de maior expressão o AM, resolveu fazer sua própria versão da música.

Com Alex Turner fazendo uma mudança drástica em seu visual, adotando um topete e usando óculos escuros, se comportando como uma espécie de Elvis Presley, sem tocar sua guitarra, nos agracia com bom vocal. Trata-se de uma faixa com linha de baixo por parte de Nick O’Malley bem dançante ao mesmo tempo que obtêm um arranjo de guitarra através do toque de Jamie Cook bem na onda indie, mais introspectiva. Particularmente acho essa versão melhor que a original.


The Pretty Reckless – Champagne Supernova

Esse cover feito em 2014 pela banda gótica de hard rock para um dos maiores clássicos do Oasis ficou impressionante. Num formato mais acústico e suave, pouco visto até então por parte da banda da vocalista Taylor Momsen, essa versão conseguiu ainda ter a mescla de Champagne Supernova com Dear Prudence dos Beatles de uma forma bem encaixada que confesso ter arrepiado. Muitos fãs do Oasis que são verdadeiras malas classificam esse como o melhor cover já feito de uma música da banda.


Liam Gallagher – Natural Mystic

Esse cover além de surpreendente fica fora da curva de tudo que o ex-vocalista do Oasis já cantou. Liam Gallagher é mais conhecido por ser um dos últimos rockstars e fã do John Lennon, mas desde o início de sua carreira solo, se vê uma postura mais amigável, bem menos combativa, onde vemos o forntman falando com propriedade sobre George Michael e garantindo se fã de Bob Marley e consequentemente de reggae.

Tais afirmações vieram após aparições do artista em dois momentos distintos, sua aparição no documentário George Michael: Freedom de 2017 dando um depoimento sobre sua idolatria ao cantor pop e neste interessante cover para a radio BBC2 da música Natural Mystic do rei do reggae, dando um arranjo bem folk inglês para a faixa icônica lançada do álbum Exodus de 1977. Apresentando assim para um público mais voltado ao rock um pouco de reggae raiz.


James Bay – Simply The Best

James Bay é um é um cantor/compositor inglês com suas raízes voltadas mais ao folk e ao pop, ele soa bastante como John Mayer, se é que aceita uma comparação frente a um artista de proposta similar. Mas ele tem algumas músicas tendo o soul como inspiração também.

Por conta disso, ao mesmo tempo que soa estranho, tem sua graça escutar uma versão dele para um dos maiores hits de Tina Turner. Claro que nem se compara o vocal do rapaz com o de Tina, a diva do rock setentista tem uma ferocidade de uma tigreza em seu canto, o que faz o grunhir do guitarrista sair como o de um filhote de leão. Mas é interessante a guitarra ficar com tanto destaque e ouvir uma versão ainda mais pop e não tão preenchida quanto a de Tina Turner.


Chris Cornell – Nothing Compares To You

Prince é o compositor dessa obra de arte e muitos consideram a versão de Sinéad O’Connor como a versão definitiva, mas desde 2016 o posto para a melhor versão está no mínimo dividido entre a cantora irlandesa e Chris Cornell.

A voz do Soundgarden e Audioslavetrouxe todo o peso e sofrimento que a música pede nessa versão acústica para a rádio SiriusXM, tal performance e gravação em forma de estúdio ocorreram em forma de tributo para honrar Prince que tinha falecido dois dias antes da performance. Como bem disse o músico em entrevista:

A música de Prince é a trilha sonora para o lindo e emotivo universo que ele criou, e todos nós temos o privilégio de fazer parte. Eu gravei sua música ‘Nothing Compares 2 U’ pela primeira vez há dois meses. Ela tem uma relevância atemporal para mim e praticamente todos que eu conheço.

A versão de Cornell ganhou uma proporção maior depois da sua morte em 18 de maio de 2017, com a sua filha em sequência, no ano de 2021, dando uma nova roupagem pra faixa, fazendo valer esse sentimento de perda e homenagem que a música adotou ao passar dos anos.


Foo FightersYou Should Be Dancing

O Foo Fighters tem uma particularidade de sempre conseguir fazer bons covers para a música de outros artistas, por muitas vezes com Dave Grohl atuando como baterista e o já saudoso Taylor Hawkins indo pros vocais, isso ocorreu em várias faixas do Queen, Have a Cigar do Pink Floyd, Rush… Mas Dave Grohl e seus camaradas ousaram bonito no ano passado quando anunciaram que lançaram um EP com o pseudônimo de Dee Gees tocando alguns clássicos do Bee Gees.

Muito se pensou que era uma piada e que eles fariam tal ato pelo bel prazer de zoar. Mas a parada foi séria e eles proporcionaram bons covers com Dave Grohl arriscando nos agudos, sendo deveras vitorioso. You Should Be Dancing foi um dos destaques dessa empreitada e veio a ser interpretada ao vivo dignamente.


Rage Against the Machine – The Ghost of Tom Joad

Essa música do Bruce Springsteen está presente no álbum de regravações do Rage Aginst The Machine, Renegades de 2000 e foi lançado após o final da banda. Apesar do “The Boss” ser politizado e se manifestar politicamente até em suas letras mesmo que de forma sútil, é certo que seu som não é tão combativo e possui uma conotação nacionalista demais, que é muito fora do que agrada o público do Rage.

O disco Renegades apresenta músicas de artistas aos quais a banda californiana gosta e The Ghost Of Tom Joad terminou sendo um dos grandes sucessos do álbum. Assim como a faixa foi o grande sucesso do décimo terceiro de Springsteen e o segundo que ele gravou em formato acústico que por sinal recebeu o nome da música como título do LP. O que de fato diferencia uma versão da outra é justamente a versão original ter um arranjo voltado ao folk e a versão do RATM ser cheia de riffs pesados e cheia de guitarras distorcidas com o canto indo mais na direção do rap por Zack De La Rocha.


Rock ‘and’ Roll Hall Of Fame – While My Guitar Gently Weeps

Deixei por último essa versão de While My Guitar Gently Weeps feita em 2004 por conta do seu simbolismo e o grande evento que foi a reunião de todos esses artistas para prestar uma homenagem a George Harrison que havia falecido em 2001.

Tom Petty e Jeff Lynne já tinham tocado juntos no Travelyn Wilburys, banda que era liderada por George e se reuniram novamente para homenageá-lo em um show tributo com grande número de músicos e artistas que haviam tocado com o falecido amigo, dentre eles Eric Clapton e os ex – companheiros de Beatles, Ringo Starr e Paul McCartney. Mas para o Rock ‘and’ Roll Hall Of Fame, na indução de George, resolveram mexer um pouco no time e convocaram o magnífico Stevie Winwood e o craque das guitarras Prince, que é o principal responsável por fazer essa ser a versão definitiva para a música de algum dos Beatles.

O solo de Prince é atemporal. a reação dos outros músicos incrédulos, em especial a de Tom Patty e Dhani Harrison, filho de George, presenciando aquilo com uma cara de realização, representam essa sensação. Ele roubou o palco de uma maneira respeitosa e épica, por conta disso, ela não poderia ficar de fora desta lista e podem interpretar como um verdadeiro presente, principalmente porque desde a morte do Prince a versão também ganhou esse peso, já que nunca mais vai se repetir e dificilmente alguém chegara perto de tamanha eficácia para chegar no pico da satisfação em um solo de guitarra tão autêntico em seu virtuosismo.

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