Aqui Estão 10 Álbuns de Hair Metal que Você Não Conhece

Nada de Ratt, Motley Crue, Dokken e afiliados. Essa lista é composta de álbuns por bandas que se formaram durante o boom do Hair Metal nos anos 80 e começo dos anos 90, mas que por diversos motivos nunca atingiram o sucesso comercial esperado (ou até mesmo compatível com a qualidade do seu material) e acabaram caindo no esquecimento.

Os álbuns citados nessa lista podem até ser notáveis para quem é mais conhecedor do assunto, mas para o grande público, são nomes que certamente soam desconhecidos. A ideia é expandir o catálogo dos fãs do hard rock oitentista com discos pouco citados e que mostram que apesar de saturada, a cena tinha muita qualidade fora dos grandes holofotes.

Foi bem divertido de escrever essa lista. Espero que gostem e descubram algo interessante, assim como eu.

Fiz uma playlist no final para quem quiser seguir.


BATON ROUGE – SHAKE YOUR SOUL

O Baton Rouge foi uma banda americana formada em 1986 em Pearl River, no estado da Louisiana – Baton Rouge é o nome da capital do estado -. Foram três álbuns de estúdio e um sucesso limitado durante a parte final da explosão do hair metal no início dos anos 1990, antes de se separarem. (eles voltaram em 1998 para o lançamento do terceiro álbum auto-intitulado mas se separaram logo em seguida). Todos os membros da banda passaram a trabalhar com outros artistas de hard rock; mais notáveis foram os guitarrista Lance Bulen com Puzzle Gut e Kingbaby e o vocalista e guitarrista Kelly Keeling com Michael Schenker Group, King Cobra, Trans-Siberian Orchestra.

Shake Your Soul é o álbum de estreia da banda lançado pela Atlantic Records e provavelmente o meu favorito dessa lista (acho que mudarei de opinião durante a minha escrita). A trinca de abertura com Doctor, Walks Like a Woman e Big Trouble é arrasadora, e a voz de Kelly é muito destacada, apesar de ser um pouco mais grave que o “requisito” na época. It’s About Time é a balada do disco, que conta com uma bela composição instrumental acústica chamada The Midge, a melódica Meleine e a groovada Baby’s So Cool.


CATS IN BOOTS – KICKED & KLAWED

O grupo nipo-americano de curta duração Cats In Boots foi formado quando o guitarrista Takashi ‘Jam’ Ohashi e o baixista Yasuhiro ‘Butch’ Hatae, da banda de sucesso Seiki Matsu, de Tóquio. Eles recrutaram o vocalista Joel Ellis, natural de Cleveland, Ohio, e o baterista Randy Meers, originalmente de Houston, Texas, dos restos do grupo Merry Hoax, com sede em Los Angeles. Os membros americanos se mudaram para Tóquio para gravar demos, e essas fitas foram lançadas como um mini-álbum que alcançou o número 1 na parada indie japonesa. O resultado instigou a assinatura do quarteto com a EMI Records.

Kicked And Klawed, único álbum da banda, produzido por Mark Opitz, foi uma estreia estridente e completamente agradável. O som é uma mistura de hard rock cru, punk e thrashy, fazendo comparações com Mötley Crüe, Vain e um Aerosmith com esteróides. Kicked And Klawed foi um grande sucesso no Japão, devido ao som “funkeado” e o groove impactante de suas canções como Shotgun Sally, Her Monkey e Evil Angel, alcançando o número 3 nas paradas, com boas críticas e considerável airplay da MTV, porém as vendas foram apenas moderadas em outros lugares, e com a saída de Ellis e problemas com a gravadora, a banda acabou se desintegrando.


SARAYA – SARAYA

Saraya foi uma banda americana de hard rock, formada em 1987 e sediada em Nova Jersey com a cantora Sandi Saraya, o guitarrista Tony “Bruno” Rey, o tecladista Gregg Munier, o baixista Gary Taylor e o baterista Chuck Bonfante. A banda lançou sua estréia auto-intitulada pela PolyGram Records em 1989. O grande foco na banda sempre foi o forte marketing em desenvolver Sandi em um símbolo sexual, tornando-a o “próximo Bon Jovi“. Os promotores queriam estabelecer Saraya como uma sólida banda de rock e gradualmente estabelecer o sex appeal de Sandi à medida que a banda recebia mais exposição.

Saraya é um álbum muito mais melódico que muitos dessa lista, com bastante uso dos teclados de Gregg Munier e com eventuais músicas mais focadas nas guitarras, mas com uma veia bem mais pop que rock n’ roll. O grande foco é obviamente na voz de Sandi, que me lembrou bastante Janet Gardner do Vixen. O grande hit da banda Love Has Taken Its Toll é a faixa de abertura do álbum, que apesar de ter um foco mais pop, como anteriormente comentado, varia bastante em suas canções; seja em uma balada mais arranjada em Gypsy Child, ou fortes composições de hard rock mais cru como Get U Ready e Runnin’ Out Of Time até uma faixa instrumental de piano em Alsace Lorraine. O álbum teve algum sucesso, passando 39 semanas na Billboard 200, chegando ao número 79 em seu pico.

Saraya lançou mais um álbum, When the Blackbird Sings em 1991, mas sem a sombra do “meio” sucesso anteriormente conseguido, se desmancharam. E não, Saraya não virou o “próximo Bon Jovi


LILIAN AXE – LILIAN AXE

De toda essa lista, o Lillian Axe é a banda que mais lançou material em sua carreira. A banda americana de Nova Orleans, Louisiana, atingiu o seu pico de fama com o auto-intitulado álbum da lista Lillian Axe lançado em 1988 e Love + War lançado no ano seguinte pela MCA Records. Originalmente formado em 1983, o grupo ainda está ativo, embora apenas o guitarrista Steve Blaze e o baixista Michael Max Darby permaneçam na formação original. São 10 álbuns de estúdio até agora, com 2 compilação e 2 álbuns ao vivo.

Focado em um som menos “festivo” e mais melódico, pela menos em seu debut, o homônimo do Lillian Axe tenta escapar para um som mais diferente californiano, mas para ser honesto, a música não é tão diferente da maioria das bandas que inundavam a sunset strip na época. O destaque de Steve Blaze e para o pouco lembrado vocalista Ron Taylor são presentes na melhor faixa do álbum, Misery Loves Company e Hard Luck, que soam mais soturnas e pesadas, mas também há muitas melodias e refrões pegajosos como Dream of a Lifetime. A balada acústica Nobody Knows é agradável e utros momentos como Inside Out, Vision in the Night e Waiting in the Dark.

Love + War (1989) pode ser o álbum mais “famoso” do Lillian Axe, mas o seu debut continua sendo o trabalho mais impactante da banda. Eles passaram por algumas mudanças no lineup e lançaram o último trabalho em 2012 chamado XI The Days Before Tomorrow, álbum de estreia do vocalista Brian C. Jone


ICON – NIGHT OF THE CRIME

Originalmente conhecido como The Schoolboys em 1979, o ICON foi formado oficialmente em 1981, em Phoenix, Arizona, pelos amigos de escola Dan Wexler (guitarra), Stephen Clifford (vocal) e Tracy Wallach (baixo). Eles foram acompanhados por Dave Henzerling (guitarra) e John Covington (bateria). Como Schoolboy, eles lançaram um EP chamado Singin’ Shoutin’ o que chamou a atenção da Capitol Record em 1984, lançando um álbum homônimo no mesmo ano.

Night Of The Crime é o segundo álbum pela gravadora, lançado em 1985, e é o ápice da curta carreira da banda, um verdadeiro tesouro glam. Carregando um som mais AOR, com forte influência dos sintetizadores e teclado, alinhados à uma produção menos crua, Naked Eyes e Hungry For Love são exemplos do foco sonoro do ICON aqui, mas existem partes onde as guitarras brilham como em Danger Calling e Shot At My Heart, tornando a audição e produto final um verdadeiro buffet de melodia e bom gosto.

Eles tinham tudo para embalar na onda do estilo que começava a tomar força naquela época e se tornar um nome bem mais forte do que acabaram sendo. Infelizmente durante o processo de mixagem do álbum, o vocalista Stephen Clifford saiu da banda alegando problemas pessoais, e a dificuldade da banda de encaixar outro vocalista durante o processo fez com que eles perdessem o contrato com a gravadora.


ROUGH CUTT – ROUGH CUTT WANTS YOU

O Rough Cutt teve uma breve existência entre os anos 80 (1981-1987) e lançou dois álbuns de estúdio neste período; o auto-intitulado em 1985 e Wants You! no ano seguinte (em alguns lugares ele é chamado de Rough Cutt Wants You!). A banda nunca alcançou o sucesso comercial como outras de sua cidade natal -Los Angeles – mas vários membros que passaram por ela fizeram sucesso em outros grupos, incluindo Jake E. Lee com Ozzy Osbourne, Amir Derakh com Orgy, Paul Shortino com o Quiet Riot e Craig Goldy e Claude Schnell com Dio.

Apesar de algumas mudanças nos anos iniciais, a sólida base, que fez parte da gravação de Wants You! é composta pelo quinteto Paul Shortino (vocais), Amir Derakh (guitarra e sintetizadores), Chris Hager (guitarra), Matt Thorr (baixo) e Dave Alford (bateria). O álbum é uma mistura de hard rock rápido e festivo – como a elétrica abertura Rock The USA e a direta ao ponto We Like It Loud -, com muito groove da cozinha e letras que seriam canceladas nos dias de hoje (rs) – como na faixa Hot ‘n’ Heavy. Realmente o trabalho de Dave e Matt, junto da poderosa voz de Paul são o foco e o trunfo principal do Rough Cutt neste álbum.

Infelizmente depois da gravação de Wants You!, quando a turnê do álbum passava pelo Japão, Paul resolveu sair da banda por diferenças internas. Ele foi substituído por Parramore McCarty mas em menos de um ano a banda resolveu encerrar as atividades. Uma pena, pois é notável o crescimento musical e profissional que a banda estava seguindo. Em 2000 Paul Shortino voltou às atividades com a banda com uma formação totalmente nova, e em 2021, já com a volta de Amir Derakh nas guitarras a banda lançou o álbum Rough Cutt 3. Atualmente eles são os únicos integrantes remanescentes dos “quase anos dourados” da banda, e recentemente lançaram um single chamado Secrets em março deste ano.


HEAVENS EDGE – HEAVENS EDGE

Falando em breves carreiras, o Heavens Edge teve um suspiro de vida entre 1987 e 1992 no ápice da era do Hair Metal. A banda originária da Filadélfia lançou apenas um álbum de estúdio pela Columbia Records na formação que continha Mark Evans (vocais e violão), Reggie Wu (guitarra e teclados), Steven Parry (guitarra), G.G. Guidotti (baixo) e David Rath (bateria e percussão) que alcançou o número 141 na Billboard 200 mas não atingiu o sucesso esperado pelo grupo e gravadora.

Esse talvez seja o meu segundo álbum favorito dessa lista, bangers como Skin To Skin -único clipe oficial lançado pela banda, Play Dirty, Bad Reputation e Daddy’s Little Girl mostram que era preciso não só apenas talento para que as bandas se destacaram naquela época, isso eles tinham de sobra. Groove, diretamente ligado ao trabalho estelar das guitarras de Reggie e Steven por riffs memoráveis e solos fritadores. Na parte melódica, Find Another Way e a balada Hold On To Tonight cumpre um papel importantíssimo na diversidade e senso mais comercial das coisas. Heavens Edge não tem uma música mais ou menos.

Em 1998 a banda voltou brevemente lançando o segundo álbum, Some Other Place, Some Other Time, incluiu as sessões de um álbum que deveria ser lançado em 1992 e novas músicas de 1998. Um fiasco total. Desde 2013 o Heavens Edge aparece em ocasiões especiais como no Firefest Festival em Nottingham, Inglaterra, um show esgotado na Filadélfia no World Cafe, bem como no M3 Festival em Maryland e o MelodicRock Fest em Chicago em 2014.


TUFF – WHAT COMES AROUND GOES AROUND

Diferente de muitas bandas dessa lista, o Tuff nunca encerrou as atividades oficialmente. Formada no Arizona em 1985, eles lançaram 3 álbuns de estúdio sendo que What Comes Around Goes Around foi a sua estreia no ano de 1991 que contou com o incrível quarteto composto por Stevie Rachelle (vocais), Todd Chase (baixo), Jorge DeSaint (guitarra) e Michael Lean (bateria).

What Comes Around Goes Around foi impulsionado pela poderosíssima power ballad I Hate Kissing You Goodbye co-escrita por Todd Meagher, que teve o vídeo clipe alcançando o 3º lugar no Dial MTV atrás de Guns N’ Roses e Metallica. Faixas como Lonely Lucy, Ain’t Worth A Dime e Good Guys Wear Black mostram todo o lado pesado e rock n’ roll da banda, e a faixa The All New Generation paga uma homenagem à alguns nomes consagrados do hair metal e influências dos anos 70. Certamente uma das composições mais interessantes da banda. A musicalidade do quarteto, principalmente em seus grudentos refrões não deixam a desejar em momento algum. Lembra muito uma mistura da festividade do Poison com momentos de Warrant. Um álbum que conquista facilmente.

Talvez pelo momento de declínio do estilo, ou mesmo pela falta de apoio da gravadora depois de sua estreia, ou até mesmo a falta de um trabalho sucessor mais sólido, nunca saberemos. O fato é que o Tuff caiu logo no esquecimento no começo dos anos 90. A banda lançou outros trabalhos, continuou na ativa, mas nunca mais foi sombra do que poderia ter sido um dia, principalmente quando comparamos What Comes Around Goes Around com o resto de seu catálogo.


VON GROOVE – VON GROOVE

Baseada em Toronto, Ontário, e criada em 1990 como um trio composto pelo vocalista e baterista Michael Shotten, o guitarrista croata Mladen e baixista Matthew Gerrard, a banda já havia marcado créditos em composições com a banda canadense de rock Triumph, tanto Shotten quanto Gerard.

O álbum auto-intitulado do Von Groove marca a estreia da banda em 1992 após conseguir um acordo com a gravadora A&M Records. Deen Castronovo, conhecido por seu trabalho com bandas como Wild Dogs, Hardline e Bad English, ficou responsável pelas baquetas. Embora esse seja um disco que tenha todos os requisitos para se tornar um clássico genuíno do gênero em muitos círculos, a banda sofreu enormemente quando a onda do Grunge envolveu a cena do Rock n’ Roll. A poderosa Once Is Not Enough é uma das melhores faixas de abertura dessa época. Outros bangers como House of Dreams, Better Than Ever fazem a audição valer muito a pena. Mladen e Shotten são um duo poderoso, e além disso, a balada Once in a Lifetime é uma das minhas favoritas entre todas as diversas baladas lançadas na época. Lindíssima.

O Von Groove lançou mais 6 álbuns de estúdio depois de sua estreia, e sendo bem sincero, eles são trabalhos bem sólidos. O último álbum 3 Faces Past foi lançado em 2004 e depois disso a banda tem aparecido em algumas ocasiões mas sem muito alvoroço. Apesar de nunca terem encerrado as atividades oficialmente, é difícil encontrar alguma informação mais recente sobre eles.


HERICANE ALICE – TEAR THE HOUSE DOWN

Formada em 1984 no estado de Minnesota, o Hericane Alice passou por algumas mudanças até se mudar para Los Angeles em 1987, se solidificar em seu lineup que conseguir um contrato com a Atlantic Records, possibilitando que seu debut Tear The House Down fosse lançado em 1990. A formação composta por Bruce Naumann (vocais), Ian Mayo (baixo), Danny Gill (guitarra) e Jackie Ramos (bateria) não durou muito.

Tear The House Down sofre um pouco com a produção, que não é uma das mais limpas, e também com o ano de seu lançamento. Faixas como Wild Young and Crazy, Tear The House Down e Shake, Shake, Shout trazem uma vibe crua de punk rock ao álbum. I Walk Alone e Dream Girl são boas baladas, mas apesar de ser um bom álbum, Tear The House Down sofreu um pouco para se destacar entre as milhares de outras bandas que sufocavam a cena no começo dos anos 90. Naumann soa como Dave Coverdale e o trabalho de Danny Gill é muito interessante. Crank The Heat Up tem um dos meus riffs favoritos de toda a cena.

Por motivos óbvios, a banda se desintegrou logo em seguida. Mais recentemente Ian Mayo começou a trabalhar com o guitarrista Doug Aldrich no ótimo projeto de hard rock Burning Rain e o Hericane Alice, com apenas Bruce Neumann e um lineup totalmente reformado, lançou um EP independente de cinco músicas chamado Gotta Be Real em 2020.

9 comentários

  1. Show de bola, gosto muito haed rock e um modo geral de rock in roll, curto rock deste meus 15 anos de idade e até hoje ok

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    1. Parabéns pela matéria. Importante ressaltar que são bandas que, se não alcançaram o estrelato, produziram trabalhos de qualidade e deram sua contribuição para a cena.

      Curtido por 1 pessoa

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