5 Superbandas Flopadas Que Poderiam Ter Dado Certo

Quando se escuta o termo “supergrupo” os olhos de qualquer apreciador da música brilha ininterruptamente, paira no imaginário pensar na possibilidade do vocalista de banda tal se unir com o guitarrista daquele outro grupo, as vezes brincar com isso, pensando até em músicos de estilos bem diferentes, é bem divertido. É algo que inconscientemente sempre formulamos nas rodas de “qual sua banda dos sonhos”, mas na prática, nem sempre funciona quando vemos o sonho esbarrar com a realidade.

Muita gente boa se unindo para gravar um disco, surgindo com um trabalho sério, faz o hype ficar enorme. Sei que a emoção se coloca a frente da razão e a expectativa não te deixa preparado para o que vem a ser o tombo. Ainda mais quando tem tantos bons exemplos bem sucedidos de supergrupos como Audioslave, Travelyn Wilburys, Velvet Revolver, Chickenfoot  e o Them Crooked Vultures. Mas, por incrível que pareça, por mais que os nomes aqui até casem mediante aos gêneros musicais de origem em seu novo projeto, nem toda organização entre som, composição e até mesmo motivações casam com o ego e situações mal resolvidas com os grupos ao qual ficaram conhecidos.

É aí que entra o “FLOP”, que se for traduzido ao pé da letra significa: Fracasso, insucesso, derrota dentre outros sinônimos. Na cultura pop, o sentido da palavra fica especificado como uma forma para determinar se algum artista não teve sucesso comercial com as suas músicas, papel no cinema/teatro, etc. Essa lista traz esse popular flop de uma maneira um pouco injusta com as bandas, até porque elas estarem aqui não significa que o que produziram foi ruim. O que organiza a ideia no texto é basicamente o motivo para o começo de uma superbanda e o que decretou seu fim – na maioria dos casos, bem precoce.


THE FIRM

Gostaria de começar com essa banda que é um verdadeiro dream team decepcionante com membros das melhores bandas dos anos setenta. Formada no ano de 1985 pelo vocalista Paul Rodgers (Free, Bad Company), o guitarra Jimmy Page (Led Zeppelin), Tony Franklin (Roy Harper, Blue Murder e Whitesnake) no baixo e Chris Slade (Uriah Heep) segurando a onda na batera. Acredito que o problema aqui tenha sido o péssimo marketing, tanto Paul quanto Jimmy se recusarem a tocar músicas de suas ex-bandas. Eles fazerem o tipo de som popular na época também foi algo flopado, uma abordagem pop não funcionou, o que culminou nas péssimas vendas.

Segundo Page, a banda foi concebida para durar apenas dois álbuns, mas tinha quem dissesse que “a firma” não andava tão inspirada. É irreconhecível a presença do mago do Led Zeppelin nos arranjos das guitarras no primeiro álbum, Paul Rodgers meio que leva o grupo nas costas nas apresentações ao vivo também. As faixas são bem “pau mole”, sem nenhuma pegada, tem péssima mixagem e com pouco brilho também. Após a separação, Page e Rodgers voltaram aos seus respectivos trabalhos solo, enquanto Chris Slade ingressou no AC/DC e Franklin uniu-se com o guitarrista John Sykes no Blue Murder.


GOGMAGOG

Aqui temos o puro suco do metal reunido com uma pegada meio hard e hair metal. O Gogmagog foi idealizado no começo da década de 1980 pelo produtor musical e DJ Jonathan King que queria a representante do heavy Metal dos supergrupos. Para seu desejo ser realizado, foi convocada uma parcela de membros conhecidos pelo Iron Maiden army, como o vocalista Paul Di’Anno, Clive Burr e Janick Gers que até aquele momento ainda era um nome pouco conhecido. Ele surgiu acompanhando o Ian Gillan, depois trabalhou com o próprio Di’Anno no trabalho solo e por ironia com Bruce Dickson, que o levou tempos depois para a dama de ferro.

Para acompanhar a nata do Iron, veio a lenda Neil Murray (baixo) que gravou com Gary Moore e com o Whitesnake. Completando o time aparece Pete Willis, membro fundador do Def Leppard que  co-escreveu muitas faixas e tocou guitarra nos quatro primeiros álbuns da banda. O Gogmagog gravou apenas um EP chamado I Will Be There que possui 3 músicas apenas, com faixas que mostravam um certo bom gosto nas composições, mas era inofensivo. Devido ao fato de ter sido uma fase em que Di’Anno e Burr estavam afundados no consumo de drogas, fez com que tivessem muitas brigas e perdas de shows culminando no fim da banda que nem pode atualmente ter uma segunda tentativa devido ao fato de Barr ter morrido em 2013 devido a complicações por conta da esclerose múltipla, doença que o acompanhou desde o final da década de 90.


TINTED WINDOWS

Formada em 2009 pelos guitarristas Adam Schlesinger do Fountains of Wayne, James Iha do Smashing Pumpkins, o baterista Bun E. Carlos do Cheap Trick e o vocalista Taylor Hanson, o Tinted Windows foi uma união inesperada e genial das bandas representantes do power e dream pop. Um som vistoso, agradável e com potencial para evoluir ainda mais nos discos seguintes, isso se não tivesse sido abruptamente interrompido por razões até hoje confusas – em suma por conflito de agendas com as bandas originais dos envolvidos.

O que faz ter uma diferença do Tinted Windows para os demais desta lista, já que tiveram um reconhecido sucesso e não teve nenhum motivo voltado a desavenças ou drogas para o término. O que configurou o “flop” aqui na verdade, foi justamente eles terem calado muitos céticos que achavam que essa combinação não funcionaria, o resultado ser de fato puro êxtase com um sugar-pop de gravata skinny e eles em menos de dois anos pararem a banda, com a gravadora retirando o nome deles do catálogo. Imperdoável, ainda mais se levarmos em consideração que eles nem conseguiram fazer uma turnê de reunião todos esses anos e não poderem mais devido a morte de Adam Schlesinger em 2020 por conta da Covid.


STONE GODS

Agora vamos falar de duas bandas que começaram por questões parecidas, mas que tiveram seu fim por motivações diferentes. O pretencioso Stone Gods foi uma banda formada pelos ex-membros da banda inglesa de hard rock The Darkness sem o bandleader Justin Hawkins. A banda é formada por Dan Hawkins na guitarra, Ed Graham na bateria, Toby MacFarlaine no baixo e o desconhecido Richie Edwards que ficou responsável de assumir os vocais e guitarra base.

O The Darkness se separou em 2006, Justin não queria mais tocar e precisava se internar numa clínica de reabilitação devido ao seu consumo de drogas excessivo. A solução encontrada por Dan para suprir a ausência de seu irmão foi convencer o baixista Richie Edwards – que chegou a cantar AC/DC com eles – de que seria uma boa ideia o cara ficar de frente da nova banda. Eles passaram o final de 2006 e início de 2007 escrevendo e ensaiando novo material, começaram a gravar logo em seguida, mas depois de ver o trabalho lançado, presenciou uma divulgação porca do trabalho.

O caráter sério nas músicas para uma banda com imagem debochada não conseguiu agradar tanto e não houve tanta identificação do público também – parecia que a banda era uma versão mais ameaçadora do Def Leppard. Entretanto o que gerou o flop de verdade foi os irmãos Hawkins se acertaram em 2011, essa foi a gota d’água para Dan e sua trupe entenderem que era necessário voltar para o The Darkness, uma banda já consolidada, bem mais interessante, com um vocalista que é puro carisma.


BEADY EYE

Nascida de uma forma parecida com a do Stone Gods, o Beady Eye foi o projeto do vocalista Liam Gallagher junto a última encarnação do Oasis que contava com o guitarrista Andy Bell, ex-Ride, no baixo. A briga entre os irmãos Noel e Liam foi intensa e os outros membros tiveram que escolher um lado, de prontidão os integrantes do Oasis decidiram apoiar Liam e assim surgiu o Beady Eye, com Andy voltando a sua função original de guitarrista e principal compositor, com Gem Archer nas guitarras solo, Chris Sharrock na batera e nos baixos entra Jeff Wootton conhecido por seus trabalhos com o Gorillaz sendo substituído na sequência por Jay Mehler do Kasabian no ano de 2013.

O primeiro disco, Different Gear Still Speeding dividiu opiniões dos críticos e dos fãs do Oasis devido ao som ser bem diferente. O álbum tinha potencial, mas foi feito nas coxas, a mixagem é horrível, mas tinha boas canções. A banda decidiu que não tocaria no repertório dos shows nenhuma música da antiga banda deles, o que desmotivou uma parcela dos interessados apesar deles terem conseguido tocar em grandes festivais como Glastonbury e fazer uma tour mundial. O segundo álbum, BE (2013) por sua vez foi bem, inclusive fazendo frente ao álbum 13 do Black Sabbath nos charts ingleses. Entretanto, Liam Gallagher começou a ter problemas pessoais e vacilar com o excesso de drogas afetando as performances ao vivo. Ele passou por um processo de divórcio após um caso extraconjugal vir a tona, o que fez o músico ser processado por não ter reconhecido a paternidade de uma filha. Gem Archer por sua vez teve um acidente domiciliar grave e ficou fora da banda por meses também, o que culminou em Andy Bell, desmotivado, resolver voltar com o Ride, sua banda primal.

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