Review: Tears For Fears – The Tipping Point

Um disco diferente dentro da discografia da dupla Curt Smith e Roland Orzabal, tocando em temas muito profundos sobre perda. Como bem sugere o nome do álbum, para os fãs que esperaram por quase 20 anos por uma novidade, temos aqui músicas que vão do estranhamento a um forte impacto. Aqui há a constatação de que o Tears For Fears não deveria ter ficado tanto tempo sem lançar algo e que é a banda ideal para a sonoridade popular dos tempos de agora.

Roani Rock

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Gravadora: Concord
Data de lançamento: 25/02/2022

Gênero: New Wave/Rock
País: Inglaterra


Para os não iniciados, Tears for Fears no final dos anos 80 foi épico; eles venderam 30 milhões de cópias em três álbuns de grande sucesso: The Hurting , Songs from the Big Chair e Sowing the Seeds of Love. The Tipping Point é o primeiro projeto inédito da banda desde Everyone Loves a Happy Ending, de 2004, somando aí 18 anos sem alguma novidade em estúdio por parte do grupo liderado por Curt Smith e Roland Orzabal.

Mesmo com o reencontro, a criação do The Tipping Point teve um começo conturbado. Os dois passaram por uma longa lista de produtores de sucesso que tentaram recriar as glórias passadas do Tears for Fears, deixando a dupla com muitas músicas sem vida. As músicas não tinham o que a banda achava que deveria ser arte, vitalidade ou significado profundo. O título do álbum que em tradução livre é “O Ponto de Virada“, foi concebido logo após A volta de Smith, que tinha abandonado o projeto e as esperanças da banda lançar boas músicas. Quando resolveu regressar, sentou com Orzabal com seus violões e começaram compor; Por isso o título é bem apropriado.

Mais uma vez a dupla atingiu um período intensamente criativo. The Tipping Point são basicamente insights pessoais e políticos que configuram as 10 faixas do álbum. Uma parte comentando nossa triste condição como sociedade e a segunda parte analisando as jornadas pessoais da dupla, incluindo as experiências marcantes de Orzabal com a morte de sua esposa, Caroline, em 2017.

O álbum começa e logo se sente um estranhamento devido a primeira faixa No Small Thing ser uma canção folk melancólica com o poderoso e grave vocal de Roland Orzabal, algo que nunca se ouviu na discografia da banda. Não diria que foi uma péssima escolha porque é uma ótima música, mas não trouxe uma primeira impressão muito boa, se não tivesse tido os singles lançados antes do lançamento, eu acharia que a tônica do disco seria apenas essa penumbra em violões, com esse ar pesado da canção tão fora do que se conhece do Tears For Fears. Mesmo com ela crescendo depois dos “2:15” minutos assim que entra o restante dos instrumentos, fora o vocal de apoio do baixista Curt Smith tomando o protagonismo no refrão, trazendo a química dos dois a tona.

Passando para a segunda faixa, o álbum começa a entrar nos eixos e nos mostrar o que a banda tem de melhor, entrando na modernidade com batidas eletrônicas. A faixa que denomina o álbum tem uma letra sombria, mas o arranjo conduzido pelo teclado nos leva aos anos 80 com precisão, não a toa virou single. Long, Long, Long Time e Break the Man mantém o ritmo, sendo a segunda a faixa mais legal do disco, soando bem dançante e pop apesar de uma letra arrasadora, a melodia boba tira o ouvinte um pouco do desconforto do roteiro das músicas tocadas até então.

É um álbum diferente de todos que o duo já lançou. Até pra quem não está por dentro dos bastidores que já comentamos no decorrer da matéria, saca pela condução das faixas, após uma agressiva e espacial My Demons, vem sons bem sofisticadas, maioria baladas em tom menor. A sequência Rivers Of Mercy, Please Be Happy e Master Plan arrasam e estilhaçam qualquer um que não está preparado. Realmente não é um álbum para se ouvir muitas vezes. Pegar a maravilhosa End Of The Night – que incrivelmente não virou a música de trabalho – e botar no repeat é até recomendável, mas fique por aí se a cabeça não estiver boa.

Tenho certeza que o Tears For Fears é a banda mais indicada para regressar e lançar mais álbuns com essa sonoridade que casa o que faziam nos anos 80 com o que há de mais moderno em produção sonora. É incontestável como os refrãos e divisão vocais do grave de Orzabal com o agudo de Smith está em outro patamar, até mesmo para bandas que se inspiram neles como The 1975 e Killers, nesta onda indie que domina os gostos populares. Espero um álbum mais feliz para os próximos anos e com menor distância entre os lançamentos.

Nota final: 7/10

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