Paul Stanley 70: 7 Performances Vocais Incríveis do Starchild

Por Roani Rock

Paul Stanley é inexplicavelmente um dos vocalistas mais underrater da história do Rock ‘and’ Roll. Ele dificilmente aparece nas listas de senso comum em um top 5 ou top 10 de “melhores vocalistas”, o que particularmente considero um crime. Visando o fato que esse gigante acaba de completar 70 anos, trago argumentos cantados pelo aniversariante do último dia 20 de janeiro que atropela, passa por cima destes críticos que o menosprezam.

O nova iorquino começou os trabalhos com o Kiss nos anos 70 com a alcunha de Starchild ,trazendo vigor em collants apertados e a maquiagem com estrela no lado esquerdo do rosto com um batom vermelho nos lábios, bem chamativo. As performances cheias de entretenimento eram tão impactantes quanto o desempenho da banda no palco. Eles sempre souberam “se vender”, mas nada nesse mundo recebe investimento se a empresa não traz um bom produto que vá além da imagem. E uma banda só se torna um “bom produto” se seu conteúdo trouxer excelência, e a qualidade do som conta muito aqui.

Você sabe, não éramos tão bons musicalmente como os Beatles ou os Stones, aliás, ninguém era. Então nós tínhamos que ter um diferencial, algo que extrapolasse os limites da música, algo que nos desse visibilidade, e a maquiagem foi a alternativa perfeita para isso.

O rock era o estilo musical dos anos 70 e o Kiss de Paul Stanley, Gene Simmons, Ace Frehley e Peter Criss tinha tudo para estourar e conseguiu. Paul é um cara perfeccionista devido a criação rígida imposta por sua família, é um cara que apesar disso, fascinado por Beatles e Stones, logo aprendeu a tocar guitarra e desenvolver seus riffs. Cantar para Paul era uma consequência, o que ele queria mesmo era tocar guitarra e sair da obrigatoriedade da escola de música clássica que era para ser sua formação acadêmica.

Ele aceitou ficar de frente liderando o Kiss junto de Gene e ao passar dos anos – devido ao amadurecimento das composições e de seu esforço – recebeu a classificação para sua voz, trata-se do tenor lírico de uma das bandas mais marcantes da história do rock. Isso por conta da sua extensão vocal que foi melhorando dos anos 70 para as décadas seguintes. Não é um primor nos graves, mas seus agudos em muitas vezes exagerados com bastante drive e falsetes eram glamorosos e de forte impacto, não a toa sua forma de cantar foi importante para formar toda uma geração seguinte que teve o hard rock e metal como estilo de vida.

7 músicas com contexto surgem aqui nesta lista para homenagear Starchild, são apresentações ao vivo com o que há de melhor do frontman: performances na fase primal, na “época de ouro”, em formato acústico, com máscara, sem máscara e até as mais esforçadas dos anos 2010 pra cá. Algumas das músicas aqui presentes foram compostas pelo músico e dá pra sacar que o sentimento transborda nos blues e baldas, assim como uma forma mais divertida e agressiva de cantar os rocks aparecem em danças e gesticulações. Então vamos para a famigerada lista!


I STILL LOVE YOU (UNPLUGGED)

Começando com o pé na porta, a sofrida I Still Love You do disco Creatures Of The Night (1982) recebeu sua versão mais pesada e impactante no formato acústico pelo especial Unplugged MTV de 1995, perto da época em que a banda voltou a tocar com a formação original. Aqui nesta balada blues, Paul traz sua presença através da voz que arrepia, dá para sentir toda melancolia e dor da letra da canção, ele transmite bem até através dos improvisos no “Ohhuhh” variando do agudo para o grave em rouquidão com o característico drive no final da música. Certamente a faixa de maior destaque do disco.

MAKIN’ LOVE (ALIVE II TOUR)

Uma das faixas dos primórdios da banda mais quente do mundo na década de 70 que tem mais presença e demonstração do poder da voz do Starchild. Ela é agressiva, não é sexy mas Paul traz uma raiva que a faz ser um dos destaques do segundo álbum ao vivo do grupo. Abaixo uma performance na tour que deu origem ao disco no ano de 1977 em Budokan, no Japão.

TONIGHT YOU BELONG TO ME (ONE LIVE KISS)

Gravado em 2006, esse DVD do show feito no The House Of Blues em Chicago do Paul Stanley trouxe a oportunidade de escutar certas músicas que não eram muito lembradas pelo Kiss, outros músicos interpretando sua obra e principalmente esse hit apresentado no seu primeiro disco solo. Ver Paul nos anos 2000 mandando agudos tão limpos, similares aos da gravação em estúdio de Tonight You Belong To Me que é de 1978, é estimulante e faz qualquer um esboçar um sorriso. Se comparada a voz que tem agora, quase 20 anos depois, é fantástico ver como que ele conseguia com certa tranquilidade chegar as notas mais altas.

FOREVER (KISS ALIVE IV)

Certamente uma das músicas mais difíceis de se cantar por parte de Paul Stanley. A balada da época mais contestada do Kiss, quando a banda resolveu tirar a maquiagem e se vestir de acordo com a tendência do glam metal. A power ballad foi gravada pro disco Hot In The Shade de 1989 e foi usada em propaganda de cigarros, bom pelo menos na zoeira do Hermes e Renato como trilha no Tela Class. Brincadeiras a parte, Forever emociona bastante e nessa versão em especial de 2003, em que tem uma orquestra trazendo um arranjo de cordas fica em outro patamar. Até o próprio Paul parece cantar com mais coração do que em outras versões.

GOT TO CHOOSE (LIVE IN SÃO PAULO)

Neste show de 1994, o Kiss sem máscara conheceu seu público brasileiro. Quem esteve lá pôde escutar bastante clássicos, a música do momento que era I Love It Loud por conta dos “Hey yeah” e algumas ratarias como Got To Choose, faixa do álbum Hotter Than Hell de 1974. Sua presença nesta lista se justifica pela possibilidade de ouvir a boa divisão vocal do Kiss. Enquanto o batera Eric Singer e Gene Simmons ficam dividindo os graves e agudos, Paul fica como a voz principal o tempo todo. Esse tipo de divisão ocorre em alguns sons, Love Her all I Can e Shout It Out Loud, por exemplo.

TEARS A FALLEN (MONSTERS OF ROCK FESTIVAL)

Acredito que o fim dos anos 80 e a metade dos anos 90 foram os melhores momentos da voz do Starchild. Se não tinham mais algo atraente visualmente que os diferenciasse dos demais, a qualidade do som estava em outro patamar. Tears are Fallen é um dos melhores exemplos do quanto Paul Stanley era um cara diferenciado quando se tratava de performance rockstar e interação com o público. Sua voz era ardente e poderosa.

LOVE GUN (REUNION TOUR)

Provavelmente a música que mais chama a atenção nos vocais por parte de Paul Stanley, parece ser uma das mais simples de cantar, mas ao mesmo tempo, quando ele sobe as notas, se percebe que não é um trabalho tão fácil. Se assemelha ao meu ver com I Stole Your Love, são do mesmo disco até. Mas Love Gun é aquele hit atemporal, um destaque tanto do álbum que foi batizado com seu nome, tanto nas apresentações ao vivo. Vez ou outra é escolhida para anteceder Rock ‘and’ Roll All Night como música de encerramento das apresentações, então é realmente uma faixa que abala os fãs, feita para justamente deixar todo mundo ligado, até porque nela a banda transborda na teatralidade. Aqui a versão feita para o MTV Awards de 1996 com a formação clássica cuspindo fogo, a música finalizou apresentação que teve ainda Rock ‘and’ Roll All Night, New York Groove, Deuce e Calling Dr Love.

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