Review: Manic Street Preachers – The Ultra Vivid Lament

Por Roani Rock

Os galeses do Manic Street Preachers vieram com um disco inspirador, trazendo bastante entusiasmo em melodias fortes e bem elaboradas com os tradicionais belos solos de guitarra, marca registrada da banda – apesar de ser o trabalho menos focado nelas em comparação ao anterior. A parceria com Julia Cumming é um regozijo, apesar da aura melancólica que perambula não só nela, mas por todo o álbum, diverte.

Roani Rock

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Gravadora:  Columbia Records
Data de lançamento: 10/09/2021

Gênero: Post-Punk/Britpop
País: País de Gales


The Ultra Vivid Lament é o décimo quinto álbum de estúdio da banda galesa formada pelo vocalista e guitarrista James Dean Bradfield, o batera Sean Moore e o baixista Nick Wire. Nessa longa estrada, eles ficaram marcados pelo mega hit Motorcycle Emptyness do disco de estreia Generation Terrorist de 1992 e um tempo depois pelo álbum This Is My Truth Tell Me Yours de 1998 que contém o seu single de maior sucesso If You Tolerate This Your Children Will Be Next. Esses sons e principalmente esses discos os colocaram dentro de um contexto denominado Britpop (principalmente após virarem a banda de abertura do Oasis) que fez com que a música britânica se transformasse em uma febre pós a derrocada do grunge de Seattle.

Aprofundando mais no som que o Manic Street Preachers fez ao longo desses anos posso afirmar que a banda vai além dessa classificação simplória. Nota-se em seu catalogo outras influencias sonoras como o U2 ABBA, Roxy Music pós-Brian Eno, Echo & the Bunnymen, a era Fables of the Reconstruction do R.E.M, e The Ultra Vivid Lament está recheado de referências a estes. Antes de tudo, é importante dizer que quando se desenvolveu os trabalhos, foi em um período anterior ao COVID-19, tanto que em uma ocasião, os músicos afirmaram que não fariam referência no novo material autoral à pandemia.

Os galeses do Manic Street Preachers vieram com um disco inspirador, trazendo bastante entusiasmo em melodias fortes e bem elaboradas com os tradicionais belos solos de guitarra, marca registrada da banda – apesar de ser o trabalho menos focado nelas em comparação ao anterior. A dinâmica e o companheirismo seguem, todas as letras foram escritas por Nicky Wire enquanto todas as melodias e riffs compostas por James Dean Bradfield e Sean Moore. Still Snowing in Sapporo abre os trabalhos e já nos dá um pouco desse mix do britpop com o som do U2 com um solo de guitarra e sintetizador ao mesmo tempo.

via Columbia/Sony, no álbum altamente introspectivo a música Orwellian que tem o seguinte verso baseado nas obras mais populares de George Orwell, “Everywhere you look, everywhere you turn / The future fights the past, the books begin to burn“. Referente ao conceito do álbum a banda emitiu a seguinte nota.

É sobre a luta para reivindicar significado, sobre o apagar do contexto dentro do debate, do sentido dominante do conflito de facções conduzido por plataformas digitais que conduzem a um estado perpétuo de cultura de guerra. Como acontece com muitas canções do disco, foi escrita ao piano por James Dean Bradfield. Musicalmente, faz eco dos ABBA, da majestade de Alan Rankine a tocar com os Associates e ‘It’s My Life’ dos Talk Talk com um solo de guitarra de Lindsey Buckingham. Pareceu a introdução sónica e lírica perfeita a ‘The Ultra Vivid Lament’

Há um sentimento de desapontamento com a sociedade, de tristeza e, ao mesmo tempo, um inabalável otimismo e sentido de coesão, tipo de método de interpretação do mundo que foi bastante explorado pelos gauleses.

Encontra-se também muita referência aos The Zombies melodicamente falando, Quest For Ancient Colour soa como um som do grupo de Rod Argent. Os vocais e bela melodia trazem um clima de floresta, de um conto maravilhoso. Há uma cisão com o seu último lançamento, o Gold Against The Soul. The Ultra Vivid Lament é o primeiro álbum dos Manic Street Preachers concebido desde o início ao piano e não à guitarra. É mais pop e melódico, com menos punch de guitarras, todavia com mais refrãos.

O disco contém 11 faixas e a parceria com Julia Cumming é um regozijo, apesar da aura melancólica que perambula não só nela, mas por todo o álbum, ela diverte. Já a união com Mark Lanegan em Blank Diary Entry há um sentimento esperançoso apesar da carga pesada da voz rouca e grossa do americano que casou bem com a de James Dean. As outras canções seguem nessa mistura equilibrada entre o reflexivo e arranjos divertidos, é uma boa pedida para se manter inspirado e atento. Não cansei de ouvir e é um daqueles discos que você nem sente o tempo passar.

Nota Final: 7/10

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