5 Bandas Novas Do Rock Argentino Que Você Tem Que Conhecer

Por Roani Rock

A partir da boa repercussão que teve a lista das 11 bandas de rock e metal japonês que você tem que conhecer matutei e pensei em outro país onde o rock tem sua espinha dorsal, a Argentina. Muito além do tango, a história do rock na Argentina – e em outros países da américa latina – foi contada recentemente na excelente série-documental Quebra Tudo: a História do Rock na América Latina, que possui seis episódios e foi produzida pela Netflix.

Considere esta lista como uma extensão da quantidade de bandas mostradas no doc trazendo para um contexto ainda mais atual que o mostrado no último episódio da série. Apesar de não se ter mais uma cena tão forte assim como no Brasil, aqui tentamos trazer aquelas que começaram sua jornada mais para os anos 2000 e que tenham estourando só um pouco mais de 20 anos. Então aqui você não vai encontrar o Soda Stereo, Café Tacvba respectivamente dos anos 80/90 e muito menos o Los Gatos ou Aeroblues e seu brilhante guitarrista Pappo proeminentes dos anos 70, apesar de recomendarmos fortemente a audição desses grupos.

Os critérios usados para a seleção dos representantes da lista foram: a banda ter surgido no novo século; ter um som original que mesmo sendo bastante inspirado nos americanos ou europeus, consegue ter sua identidade própria na mistura do rock com os ritmos locais como a labamba, chacarera, rumba e o já falado tango. Outro ponto determinante foi as bandas não terem uma sonoridade parecida e alguma música ter causado o impacto imediato; Vamos a lista!


MARILINA BERTOLDI

Provavelmente a novata desta lista, Marilina Bertoldi traz com sigo desde 2014 uma sonoridade bem moderna, seja em seu primeiro trabalho solo ou os mais recentes com bons e dançantes riffs groovados de guitarra acompanhados do baixo e batera pulsantes. Seu terceiro álbum de 2018, Prender un Fuego, que tem com destaque o single La Casa de A foi o primeiro que ouvi e chamou minha atenção dando um check no pré-requisito impacto, achei de muito bom gosto sua arte voltada para composições R&B.

Ela fazia parte da banda de rock alternativo Connor Questa, onde esteve no período de 2010 a 2015, com um som bem diferente do som produzido na carreira solo. Não deixa nada a desejar, se batida de frente com músicas de Jeff Buckley ou Bjork – artistas mencionados como influências diretas para seu som -, ela traz de diferencial o tempero latino em meio ao lo-fi dos efeitos dos sintetizadores ao exemplo dos encontrados nas faixas Intervalo e Techo, músicas experimentais com excelente flow com o idioma espanhol.

INDIO SOLARI Y LOS FUNDAMENTALISTAS DEL AIRE ACONDICIONADO

Primeira coisa que me chamou atenção para essa poderosa banda foi o nome bem criativo e o artista de frente ser o irreverente Indio Solari, uma lenda viva do rock argentino que começou lá nos anos setenta sendo a voz do Patricio Rey y sus Redonditos de Ricota.

Esse projeto relativamente novo, foi feito um ano após sua saída dos Redonditos com o primeiro disco sendo lançado em 2004, considerado um trabalho solo, El Tesouro de Los Inocentes é um manja dos deuses. Entretanto, como uma A Street Band ou Crazy Horse, a banda de apoio tem seus destaques, Baltasar ComottoGaspar Benegas como guitarristas principais fazem um trabalho primoroso. O duo de metais formado por Sergio Colombo no sax e Miguel Ángel Tallarita no trompete dá uma experiência jazzistica e soul ao som. Já o coro feminino formado por Déborah Dixon e Luciana Palacios também é mais que um apoio, é uma força, é um turbo que direciona tudo mais a frente.

Se for pra definir o som, não faça isso. Chame de uma onda experimental do “velho” com o “novo”, com guitarras hard rock. Mas não tente rotular com um gênero, porque diria que é impossível. Há tanta mescla de estilos dentro de um mesmo álbum, e estamos falando de quatro discos lançados com alguns eps tendo suas particularidades. Talvez o primeiro englobe mais elementos e as melhores músicas apesar de ser um trabalho de apresentação, mas no Pajaritos, bravos muchachitos lançado em 2013 temos o reencontro com os ex compañeros de Los Redondos e sua música mais escutada nos streams, a genial obra pop Habia una vez… . O último lançamento de estúdio El ruiseñor, el amor y la muerte (2018) também é brutal e mais consolidado com Solari usando o pseudônimo Protoplasman.

ERUCA SATIVA

Eruca Sativa é um daqueles power trio de hard rock que dá gosto de saber que existe. Vindos de Córdoba, uma das principais províncias da argentina, e formada por duas mulheres, Lula Bertoldi nas vozes e guitarras (sim, irmã de Marilina), Brenda Martin nos baixos e um homem, Gabriel Pedernera que comanda as bateras e faz backing vocals, a banda está na estrada desde 2007.

O primeiro disco é uma brutal estreia com músicas cheias de energia e vitalidade. Devido a todo peso, horas parecem stoner, me fez lembrar das bandas Fu Manchu e até trazendo para sons mais recentes, o The Pretty Reckless. recomendo o segundo álbum também, mas o primeiro é com músicas como Fuera Mós Allá, Eco, Queloquepasa e El Genio de La Nada são arrasa quarteirão. Engraçado que o último trabalho de 2019 chamado de Seremos Primavera vai totalmente na contra mão desses dois, entrando em uma onda pop e eletrônica, é aquele que tem mais repercussão nos streams, mas me decepcionou.

LOS ESPIRITUS

Agora é hora de falar sobre uma das melhores descobertas de banda atual que escutei nos últimos tempos. Se o Brasil tem os Haxixins e os Boogarins, indo na mesma onda lisérgica, mas acredito que mais blues, chega através do espanhol hermano o som dos Los Espiritus. Maxi Prietto (guitarra) e Santiago Moraes (violão) que dividem as vozes e as composições se conheceram na escola e obstinados se uniram a  o percussionista Fer Barrey, o guitarrista Miguel Mactas, o baixista Martín Fernandez Batmalle e o baterista colombiano Pipe Correa. Para criar essa literal onda sonora.

Trata-se de uma banda com um repertório bem abrangente de sons, mas sempre focado na psicodelia, percussão e blues setentista, flertando bastante com a sonoridade latina também. Tudo isso perceptível no até aqui melhor álbum lançado pelos caras, o já conceituado Agua Ardiente de 2017. Esses caras trazem um som livre e bem solar, tem como coloca-los tendo o estilo perfeito para estar presente na trilha de algum filme do Tarantino. Principalmente por ter essa vibe de deserto, ilha, de sol, areia e até um pouco de mar, mas nada relativo a um filme de bang-bang diretamente.

O som é bem chapado, Jugo é uma música perfeita não a toa é a música mais escutada nos streams. Mas é um lance muito claro na mente, da música Huracanes passando todo o percurso de 5 faixas até parar em Esa Luz há uma fluidez que é indecifrável. Perdida En El Fogo e La Roda que Move El Mundo que antecedem a última citada são outras inclusas nas mais escutadas. La Mirada e Mapa Vacio já trazem movimento, Las Armas, Las Cargas El Diablo poderia ser um som do Greateful Dead e a faixa final El Viento tem muito de Hendrix.

Mas os caras não se resumem a esse álbum, o primeiro auto intitulado, apesar de não ser tão impactante tem seu valor por ser o disco de estreia e já mostrar a identidade d banda. Já o álbum Gratitude de 2015 dá um ar de afirmação e possibilitou um burburinho pelo o que já podemos considerar um clássico, o hit Jesus rima com Cruz – oh música estimulante e chiclete! Já o último álbum de 2019 lançado serviu para administrar o que já tinha sido feito em Agua Ardente, com certa preocupação maior nas letras.

BABASÔNICOS

Não tem nada mais rock ‘and’ roll do que quebrar sua própria regra. Então trago a vocês essa que é uma banda vinda da última década do século passado e que fez parte do chamado “novo rock argentino”. O Babasônicos surgiu nos anos 90 e particularmente se tornou minha banda preferida dentre todas dos hermanos graças ao sexto disco Jessico, já dos anos 2000, que mostra uma grande variedade de inspirações e sons.

Eles conversam diretamente com o som que vinha sendo feito no reino unido naquela época. Apesar de atualmente estarem um tanto irreconhecível, com muitas baladas, o álbum Jessico os salva ao trazer músicas criativas com melodias baseadas no rock latino e ao mesmo tempo no que veio a ser o britpop (mais especificamente o Supergrass)e o “som de Manchester” criado pelo Happy Mondays e Stone Roses. A faixa Deléctrico, Soy Rock e El Loco são verdadeiros hinos.

Já o disco Infame tem suas músicas como mais escutadas nos streams. Com um teor mais pop que o Jessico, ele realmente tem potencial maior de atingir as massas. Provavelmente foi o álbum que os consolidou em um patamar de respeito.

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