12 músicas dos aniversariantes de maio que mudaram o Rock BR

Por Roani Rock

Maio é um mês super importante para a história da música em diferentes décadas, isso porque as figuras que configuram essa listas tem esse mês como o de aniversário. Ter isso como ponto de partida, a questão do nascimento diz muito sobre toda a trajetória que a música brasileira passou a ter graças as canções que não conheceríamos caso eles não existissem, ou seja, na vida não só deles mas de toda a nação devemos a maio toda essa conquista.

Liminha ( 5 de maio) , Lulu Santos (4 de maio) e Herbert Vianna (4 de maio) são revolucionários a sua maneira e responsáveis por muita coisa que aconteceu no rock do Brasil desde os anos 70 quando o primeiro citado era baixista do Mutantes. Por sinal, todos tem pontos em comum como serem exímios guitarristas e responsáveis por mais da metade das boas canções dos anos 80, 90 e 2000 da MPB. Além disso já se correlacionaram em produções de estúdio e concertos ao vivo.

Essa lista visa prestar uma homenagem a esses grandes nomes, trazendo um pouco de suas histórias, o porque de tal canção ser sucesso e ter lugar cativo nessa lista, assim como curiosidades em geral. esperamos que gostem.


LIMINHA

É mais do que necessário começar pelo Liminha que fez aniversário no dia 5 de maio, um dia depois que os outros figurões da lista. Isso porque foi o primeiro dos três homenageados a aparecer e ser conhecido pela sua obra, mesmo que por muitas vezes como coadjuvante. Após sua saída dos Mutantes no fim dos anos 70 gravou alguns baixos para o disco Há 10 Mil Anos Atrás de Raul Seixas e do Fagner no álbum Raimundo Fagner de 1976. Depois desse período investiu e se profissionalizou como produtor musical e virou um exímio compositor, passando a ser responsável por moldar o som de muita gente com maestria nos anos 80, 90 e até 2000 com destaque por estar a frente de muitos acústicos MTV.

A Hora e a Vez do Cabelo Crescer

A Hora E A Vez do Cabelo Crescer, é um dos maiores berros cult de resistência da época da ditadura militar, com um riff brutal feito em sintonia com o guitarrista Sérgio Dias para o álbum dos Mutantes, Mutantes e Seus Cometas no País do Baurets (1972). Liminha leva créditos na composição e toda a loucura desta faixa tem sua marca bem explícita.

Vamos Tratar Bem Da Nossa Saúde

Vamos Tratar Bem Da Nossa Saúde, do disco Hoje É o Primeiro Dia do Resto da Sua Vida também de 1972, tratado como um disco solo da Rita Lee, é um deleite do que de melhor foi produzido em termos de destaque particular de um instrumento. O baixo de Liminha toma conta da música que ele também é creditado como compositor; seu baixo é o que mais ressoa aos ouvidos. Enquanto o músico está na pressão em um riff bem na linha do rock tradicional, flertando com o progressivo, a guitarra de Sérgio Dias fica fritando em um riff suave sem muitas variações.

Fullgás

Em Fullgás temos um dos baixos mais extraordinários da música popular brasileira. Provavelmente o maior hit da cantora de toda a sua carreira, toda a música tem seu brilho, uma letra provocante e melodia sexy aos moldes dos anos 80, de uma forma que só a década poderia gerar. É um som atemporal, ou seja, ainda muito presente. Ela sendo escutada hoje possui essa vibe rebuscada feita pelos artistas modernos em samplers, o que reforça o argumento que se tivesse sido lançada em pleno 2021 continuaria sendo um sucesso ou até poderia ser capaz de ficar maior.

Ele produziu Marina no forte Marina Lima (1990) e trabalhou em obras atemporais que revolucionaram o gosto do povo brasileiro e definiram décadas como no caso do Cabeça Dinossauro do Titãs de 1986 e Selvagem? do Paralamas do Sucesso de 1985. O Canto da Cidade de Daniela Mercury em 1992, Parabolicamará de Gilberto Gil em 1992 e no Tropicália 2 feito ao lado de Caetano Veloso também no ano de 1992. o épico Da Lama Ao Caos do Chico Science & Nação Zumbi de 1994, Rappa Mundi do O Rappa em 1996 e Manual prático para festas, bailes e afins do Ed Motta feito em 1997, Isso só para citar os mais emblemáticos.

Vamos Fugir

Nessa linha da produção ele compôs ao lado de Gilberto Gil, o som Vamos Fugir, pertencente ao álbum Raça Humana de 1984. Este foi um grande sucesso a muito por conta da proporção que ganhou a canção, que cai bem na influência do Reggae, o que tornou condizente o apoio instrumental do Weillers, simplesmente os membros da banda de Bob Marley. A versão do Skank pode até ter feito mais sucesso, mas é inegável que nada supera algo como a crueza e originalidade da primeira versão.

Poderia acrescentar ainda muita coisa que saiu por parte da produção/composição de Liminha, assim como dos toques de sua guitarra, baixo e outros instrumentos que auxiliaram e diria até que enriqueceram muito a linguagem das músicas da maioria dos grandes artistas brasileiros e bandas do Rock Br com destaque para o Kid Abelha com quem contribuiu bastante, mas no caso vou parar por aqui. Vocês bem sabem que gosto de escrever, mas nesta matéria vou tentar algo mais simples para a homenagem, todavia, Liminha ainda vai aparecer muito nessa matéria.

LULU SANTOS

Não seria exagero dizer que Lulu Santos que fez aniversário no dia 4 de maio é como se fosse o Prince dropando uma onda na MPB. Há muitas similaridades entre os ícones apesar das diferentes nacionalidades: Os dois começaram em uma banda que não deu nem para o começo (apesar de receber repercussão no futuro), ambos são multi-instrumentistas, flertaram durante suas carreiras com diferentes estilos do rock ao rap e faziam músicas com contesto pop tanto pra dançar quanto para pensar, tanto para sensualizar/conquistar um amor quanto para criticar/provocar o sistema.

Lulu é um exímio guitarrista que surgiu fazendo um som progressivo com seus amigos Lobão e Ritchie no fim dos anos 70 através da banda Vímana, época em que também ficava como roadie dos Mutantes “trocando figurinhas” com Sérgio Dias. Ele teve o estalo de que obras prog de mais de 5 minutos com improvisos e solos estavam fora de moda e ficou antenado quanto as canções de teor pop que vinham fazendo a indústria da música lucrar. Ele começou os anos 80 com um álbum de apresentação que serviu de ponta pé inicial. Já o segundo álbum trouxe como faixa título Tempos Modernos, uma música revolucionária que moldou toda a geração.

Tempos Modernos

A letra era incrível e o jovem Lulu recebeu apoio de peso do Liminha – que por sinal produziu este e mais dois que são considerados a “trilogia do Lulu” (Tempos modernos, O ritmo do momento e Tudo azul)-. Além disso, grandes nomes daquele momento estiveram envolvidos como o maestro Lincoln Olivetti, Serginho Herval nas bateras (Roupa Nova) e Mú Carvalho nos sintetizadores, só para citar alguns. Apesar de todo esse background tornando tudo mais fácil, aqui conhecemos um artista revelação capaz de trazer uma voz totalmente audível, representativa para os jovens e com os arranjos praianos da sua guitarra ter a capacidade de gerar sucessos o que possibilitaram ele de ser reconhecido ao longo da carreira como um hitmaker.

Certas Coisas

Os discos do Lulu Santos dos anos 80 possuem os maiores sucessos de sua carreira, acreditem que falar de 4 destes e deixar tantos outros de fora é um tanto doloroso, até porque estamos falando de uma obra de 24 discos de estúdio lançados sem contar participação especial no trabalho de outros artistas. Seguindo o fluxo, uma das baladas com o riff mais impactante e a letra mais profunda da música brasileira se fez necessária de aparecer.

Certas Coisas é uma verdadeira obra de arte, uma música que começa com a frase “Não existiria som se não houvesse o silêncio, não haveria luz se não fosse a escuridão” e que segue nessa linha de raciocínio, chegando nesta parte do refrão em que é cantado “Nós somos medo e desejo, somos feitos de silêncio e som. Tem certas coisas que eu não sei dizer“, realmente, não pode ser ignorada. Ela não é uma das mais aclamadas em shows – devido a sua introspecção proposital – , mas quem escuta dificilmente consegue evitar de cantar junto a sua mensagem.

Como uma Onda (Zen-Surfismo)

Não é pecado dizer que o som inicial do Lulu Santos é “americanizado“, mas tem suas particularidades na escrita, no primeiro álbum tinha sons incríveis como De Repente, California, já no disco que vem na sequência que pra mim é o melhor do hitmaker, O Ritmo do Momento, Lulu traz petardos como Um Certo Alguém e Como uma Onda (Zen-Surfismo) que assim como Tempos Modernos representava bem a população carioca e o jeitinho brasileiro dos adolescentes dos anos oitenta. Esta última que foi composta por Lulu e Nelson Motta tem os baixos de Liminha e por essas e outras também marca presença nessa seleta lista. Certamente Como uma onda é similar a uma Love Of My Life do Queen, capaz de ser cantada em uníssono pelo público.

Astronauta

Apesar de Lulu ter muitas similaridades com o Prince, o brasileiro é um pouco mais abrangente para parcerias em composições, por exemplo, quando foi flertar com o rap recebeu apoio de Gabriel, O Pensador. Ou seja, a letra de Astronauta e Cachimbo Da Paz não são em totalidade de Lulu Santos, na verdade, ele participa dos refrãos e toda a parte melódica e harmônica, a parte da letra em todos os versos são obra do O Pensador. O que comprovadamente não é nenhum demérito.

Para rolar a batida e o rap de forma fluída, Lulu Santos apelou para as baladas pops com viés de soul. Em Cachimbo da Paz para o riff do refrão é notória a influência da Motown, quase sampleando nota por nota My Girl. Já a faixa Astronauta, digamos, é um tanto mais original. Toda via, é importante frisar que Lulu em parceria com Gabriel O Pensador desempenhou um papel importante de popularizar o rap nacional, fazer as massas e a alta sociedade curtir um desbocado com excelente retórica e genial papo-reto também. Em shows futuros o guitarrista chamou até galera do Funk, como no caso do seu último show no Rock In Rio que o seu convidado especial foi Mr Catra cantando o hit Condição.

A obra escolhida para entrar aqui e finalizar a parte do Lulu Santos foi Astronauta de 1999 por conta de sua letra bem atual que faz uma crítica ao meu ver mais abrangente apesar de não tão direta quanto Cachimbo da Paz de 1997, que de quebra traz a questão colocada anteriormente de parecer mais única. Astronauta pede uma concentração maior na mensagem e no tanto de informação que Gabriel, O Pensador passa. Há também o interessante olhar do início da internet que em comparação aos tempos atuais fica uma assertiva futurista já que o mundo agora são dos “internautas”, o que não diminuiu em nada “o peso desse planeta doente” cheio de desigualdades, guerras, ódio e a vida tão difícil, “difícil demais“.

Espero que para você leitor a parte do Lulu pareça ter ficado coesa e que tenha respeitado a obra. Para o homenageado seguinte, que também tem uma extensa carreira, preferi destrinchar os muitos caminhos da obra para de fato demonstrar a grandiosidade do músico, na forma mais literal da função, que Herbert Vianna desempenha no país e no mundo.

HEBERT VIANNA

O líder dos Paralamas do Sucesso pode ser considerado sem exageros um dos “maiores patrimônios” que o Brasil já teve na música. Ele pode ser taxado também até de “arquiteto” do que ficou conhecido como rock BR nos anos 80, porque trouxe muita gente para o cenário, demonstrando influência e liderança, sendo a banda brasileira dessa época com maior reconhecimento no cenário do rock latino.

Caleidoscópio

O som do Paralamas também veio de fora, tendendo mais para o lado jamaicano e europeu devida a forte influência do The Police na parte instrumental, não seria exagero se disser que tem muito do The Clash e das bandas de ska e reggae também. Essa mescla toda ainda se encontrou em dados momentos com o movimento do britrock inglês e o que já vinha ocorrendo na MPB no período dos anos 90 e 2000 com pitadas até de soul. perceptível em faixas como Aonde Quer Que Eu Vá uma balada de 2000 e Caleidoscópio um blues/soul de 1991.

Lanterna dos Afogados

Herbert é um dos grandes guitarristas do Brasil e é engraçado que principalmente nos tempos atuais poucos notam isso, talvez até pelas limitações que o músico encontra devido as consequências de seu acidente aéreo ocorrido no início dos anos 2000 que o deixou paraplégico. Até hoje as pessoas lembram dele mais por fazer shows em uma cadeira de rodas do que como realmente um exímio guitarrista cheio de técnica e ser um visceral solista.

Pra reforçar esse argumento, nada como Lanterna Dos Afogados do disco Big Bang de 1989, um afago para o coração que é finalizada com um solo chorado e desesperado. Da forma como toda a música te conduz é notório este momento chave, tão impactante quanto ele cantar “é uma noite longa para uma vida curta“, principalmente se pensarmos que essa música foi feita antes do acidente, certamente ganhando outro significado para muito fã após o evento fatídico que além de levar a possibilidade de ele andar, causou a morte de sua namorada Lucy. Fica claro que o solo é a libertação, o momento mais esperado, ele claramente todas as vezes que faz este solo ao vivo, transmite a sensação de abandono da dor para a satisfação no toque final.

Uma Brasileira

Uma Brasileira é uma música com um poder incrível feita em parceria com Carlinhos Brown e que recebeu apoio do canto de Djavan no ano de 1995 no álbum Vamo Batê Lata. Como mencionado anteriormente, Herbert soube fazer muito bem a imagem do Paralamas e criar laços com muita gente, no álbum Selvagem? que é o mais marcante da carreira eles gravaram uma música que recebeu coautoria de Gilberto Gil, A Novidade que também tem essa brasilidade unida aos componentes do som do reggae. Ele que trouxe o Legião Urbana para tocar tanto no Rio de Janeiro quanto em São Paulo permitindo Renato Russo e seu grande amigo Dado Villa Lobos ganharem notoriedade. Por ter namorado por muito tempo Paula Toller, a vocalista do Kid Abelha, ele contribuiu com muitos sucessos como a linda Nada Por Mim que foi sucesso na voz de Marina Lima também.

Selvagem

Em Selvagem, temos uma música que toca na ferida, com uma crítica que segue sendo atual mesmo tendo sido lançada no ano de 1985. Esse ano trazia Bi Ribeiro, João Barone e o nosso homenageado Herbert Vianna na crista da onda, quando a banda tinha saído com honra ao mérito de um início irretocável de jornada, tendo feito um dos melhores e que depois veio a ser um dos shows mais memoráveis de uma banda brasileira no Rock In Rio.

O álbum que também se chama Selvagem – só que com uma interrogação no final -, é a obra mais impactante do grupo, com temas diversos, mas todos no fim das contas indo na direção colocada por Bi Ribeiro em uma entrevista: “desafiar, provocar, mostrar independência, que a gente podia fazer o que a gente queria“. Foi produzido por Liminha e basicamente, é o disco que possui a incrível Alagados, a parceria com Gil A Novidade, o cover de Você do Tim Maia – que dá uma quebrada na onda questionadoras debruçadas até então -, Melô do Marinheiro que não teve a letra escrita por Herbert e sim por Barone, duas faixas instrumentais de dub e este praticamente punk rock com base no ska, que tem um riff poderosíssimo e letra ácida do guitarrista.

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