Review: While She Sleeps – Sleeps Society

Por Lucas Santos

Sleeps Society leva o nome da plataforma de Patreon da banda, e vê-os continuando a destruir as expectativas pré-concebidas antes mesmo do álbum de 2019. O álbum ainda soa como o While She Sleeps, é claro; mas a liberdade criativa da banda consegue trazer materiais mais experimentais que soam embutidos na fórmula clássica do seu som.

Lucas Santos

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Gravadora: Spinefarm Records
Data de lançamento: 16/04/2021

Gênero: Metalcore
País: Inglaterra


Pouco mais de 1 ano atrás eu entrava no Once Ballroom em Boston para assistir o While She Sleeps, headliners da noite, sem saber que esse seria o último show que presenciaria antes do mundo entrar em colapso. Foi uma excelente noite, escrevi um pouco sobre aqui. Na época, a banda inglesa estava divulgando o excelente So What?, lançado no começo de 2019, e que entrou na nossa lista de Melhores Álbuns de Metal daquele ano e que realmente elevou o patamar da banda no cenário do metalcore. Pouco mais de 2 anos depois eles voltaram com o Sleeps Society, quinto álbum de estúdio da banda, que fortifica a magnitude sonora encontrada no último trabalho, aumentando ainda mais o escopo sônico e criando momentos diferentes mas sem medo do erro.

So What? foi arriscado, apresentando rap, coros, eletrônicos e mais melodia, e ganhando reações mistas de alguns fãs que pensavam saber do que se tratava essa banda. Mas a sua abordagem lírica focada em problemas atuais como vícios em redes sociais, saúde mental e política falaram mais alto e alcançaram bastante fãs ao redor do mundo. Sleeps Society leva o nome da plataforma de Patreon da banda, e vê-os continuando a destruir as expectativas pré-concebidas antes mesmo do álbum de 2019. O álbum ainda soa como o While She Sleeps, é claro; mas a liberdade criativa da banda consegue trazer materiais mais experimentais que soam embutidos na fórmula clássica do seu som.

Reforçando a mensagem social e pessoal nas letras, logo na faixa de abertura Enlightenment(?) o vocalista Lawrence Taylor recita “It’s okay to not be okay” algo como “Tudo bem não estar tudo bem“. Os riffs de Sean Long conversam com os as melodias em uma abordagem de tocar quase de metal progressivo com linhas bem criativas e difíceis. You Are All You Need apresenta coros em um refrão e estrutura mais pop sem perder o peso e a vontade de sair quebrando tudo e Systematic injeta alguns raps e sonoridade eletrônica com muita atitude e mudanças bem vindas.

Nervous é uma montanha-russa emocional que nos atinge com sua letra apaixonada. Além disso conta com uma adição incrível de Simon Neil, vocalista do Biffy Clyro. Outra participação especial é a de Deryck Whibley, vocalista do Sum 41, na faixa No Defeat For The Brave. Uma junção do que o While She Sleeps faz de melhor com aquela cereja no bolo que é a voz de Deryck, certamente uma das melhores do álbum.

O fim é bem interessante e surpreendente com Call of the Void e DN3 3HT. A primeira é uma das faixas mais limpas que a banda fez. Com um brilho suave que faz com que soe mais grandioso e um refrão para cantar junto. A última faixa é o tipo de final que apenas uma banda com uma base de fãs tão amada poderia fazer, são mais de 7 minutos de um piano suave tocando e a banda falando mensagens de agradecimento aos fãs. Suas vozes soam distorcidas e estaladas, quase como se fossem uma mensagem em uma frequência de rádio, incrivelmente tocante.

Um final adequado para um álbum que prova que o While She Sleeps está aqui para ficar e não parece que atingiu todo o seu potencial. Sleeps Society mostra o porque eles são uma das bandas mais importantes do Metal moderno. Além de sempre buscar atualizar o seu som de forma orgânica e sem medo de experimentar, a banda ainda se mantém muito atual nos temas abordados em suas letras. Tudo aqui funciona e o preço pela ousadia pontual é totalmente justificado. É difícil descrever o que exatamente ouvimos; metalcore, post-hardcore, pop metal, eletronic metal? Não importa, porque tudo funciona. Grandioso!

Nota final: 9,5/10

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