20 Discos Essenciais de Folk Rock

Por Roani Rock

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Não basta apenas empunhar uma viola ou vestir um chapéu de vaqueiro. O significado do Folk Rock para toda sua geração é um conceito, um estado de espírito livre que permite falar mais sobre a natureza, saindo da questão urbana. Esse gênero musical combina elementos de música folclórica e Rock ‘and’ Roll, surgiu a partir de um movimento grande que cresceu nos Estados Unidos e Canadá em meados da década de 1960 onde seus expoentes estavam em total sintonia com as mensagens e melodias por trás das músicas dos primeiros artistas de protesto, como Woody Guthrie e o mais emblemático de todos os tempos Bob Dylan, que pode ser considerado o pai do Folk Rock.

Esse The Rock list não vai trazer nenhum álbum do Dylan, isso porque praticamente toda sua obra até meados dos anos 70 cabem como uma boa sugestão. Mas não vamos fugir de falar do homem, até porque tudo gira em torno de sua influência. Vamos focar em artistas americanos, canadenses e ingleses que também são referência, com álbuns de relevância, não só para suas carreiras gigantes, mas também pelas canções, entrando no mérito da forma em que são tocadas e as participações especiais. Ainda vamos indicar seis obras folk brasileiras que por aqui são considerados “rock rural” que abrangem mais influências, como a música rural brasileira do sertão, principalmente o xote, o baião e o coco.

Stephen Stills – Stephen Stills

Decidi começar com esse disco de 1970 por ele ter uma gama grande de participações importantíssimas para fazer o folk rock popular não só nos EUA mas em todo o mundo. É uma ignição de um grande projeto audacioso e super bem produzido, Stephen Stills não arriscou, ele fez o álbum sabendo que ia dar tudo certo pôs pode contar com seus parceiros inseparáveis Graham Nash e David Crosby, Joni Mitchell, Mama Cass, Ringo Starr (através do pseudônimo “Richie“), John Sebastian e solos especialíssimos de Eric Clapton em Go Back Home e pode acreditar, de Jimi Hendrix em Old Times, Good Times.

As três primeiras músicas são arrasadoras e provavelmente uma das melhores trincas iniciais de um álbum de artista solo. A divertida Love the One You’re With é o maior hit de Stephen Stills com as mais bonitas linhas vocais para uma música otimista e divertida. Do for the Others é uma música com bastante efeito cheia de elementos primordiais da composição folk, ela conquista rápido através de uma melodia bem trabalhada com várias vozes do interprete. Na sequência vem a antológica balada Church (Part of Someone), realmente uma faixa celestial.

The Band – The Band

Os membros da The Band foram os caras que fizeram com que Bob Dylan gravasse seu primeiro álbum com guitarra elétrica saindo do âmbito do folk tradicional de violão. No fim dos anos 60 e início dos 70 Rick Danko, Garth Hudson, Richard Manuel, Robbie Robertson e Levon Helm faziam as tours com Dylan e o seu próprio show, com composições originais e até uma ou outra de seu mentor. Eles gravaram duas obras-primas, o álbum de estréia Music from Big Pink de 1968 que tem uma versão maravilhosa de I Shall Be Released que o baterista Levon Helm pegou a caixa de sua bateria e tirou o som tocando com os dedos nas cordas e o maior sucesso deles, The Weight.

Mas aqui entra o segundo trabalho chamado The Band, não só por representar um amadurecimento nas composições, como também pelo fator da pluralidade de influências não só do folk, como também o country, R&B, funk e rock ‘and’ roll. É um disco recheado de músicas de teor pop, com destaque especial para The Nght They Drove Old Dixie Town, a cheia de boogie Up On Cripple Creek, Rag Mama Rag e as baladas Whispering Pines que tem um belo vocal do tecladista Richard Manuel, Rockin Chair e When You Weak – faixa mais folk do disco.

The Byrds – Sweetheart Of The Rodeo

O Byrds foi um dos primogênitos do estilo, eles eram conhecidos por repaginarem para o formato do pop/rock as canções folk de Bob Dylan. No ano de 1968 eles trouxeram um álbum que fez Roger McGuinn e companhia saírem da onda lisérgica iniciada no Fifth Dimension e finalizada em The Notorious Byrd Brothers, assim voltaram as origens onde seu repertório consistia em versões de músicas de Dylan, com destaque as divisões vocais e com a chegada de Gram Parson mergulharam de cabeça na influência country que o cantor trazia consigo.

O disco Sweetheart Of The Rodeo é considerado o legítimo disco country do Byrds, mas acredito que por conta de músicas como You Ain’t Goin’ Nowhere, You Don’t Miss Your Water e Notnhing Was Delivery eles dão uma quebrada na música mais “sertaneja” e trazem o que sabem fazer melhor em melodias ora mais roqueiras ora mais blueseiras, que culminou de fazer a banda ir se desfazendo até sobrar McGuinn sozinho.

Gene Clark – No Other

Gene Clark foi membro em curto período do The Byrds em 1972. Ele fez parte de uma formação unida por David Crosby que não tocava com Roger McGuinn desde 1967. O álbum foi intitulado The Byrds e contou com versões pra músicas formidáveis de Joni Mitchell e duas de Neil Young que tiveram Clark como voz central, fazendo a gravadora Asylum o contratar com fortes expectativas. Entretanto, No Other lançado em setembro de 1974, foi amplamente ignorado ou criticado pela mídia gerando um fracasso comercial pela falta de divulgação também.

Justamente por essa obscuridade incompreensível mediante as vendas o álbum anos depois se tornou cult e apreciado por conter músicas de forte impacto pela criatividade de Clark que mencionou ter composto boa parte das canções enquanto olhava a vista para o Oceano Pacífico que tinha de sua casa. O disco possui apenas oito músicas, a faixa que abre o álbum, Life’s Greatest a Fool, é um verdadeiro hino folk e se você quer se emocionar de verdade entre de cabeça na “sem defeitos Strength of Strings e na intensa Some Misunderstanding que possui oito minutos de duração.

Greateful Dead – American Beauty

Saindo desse núcleo “Dylanesco” vamos falar um pouco desse disco e dessa banda californiana. American Beauty é diferenciado dentro da discografia do Greateful Dead, foi o resultado de um período prolífico de parceria de composição de Jerry Garcia e Robert Hunter  – que rendeu dois álbuns de estúdio em um ano para o Grateful Dead. Feito em 1970 recebeu forte influência do CSNY e Dylan, mas o Dead tem um som próprio e uma forma de tocar única, graças a arranjos e individualidade harmônica de cada integrante, como ocorre no caso das guitarras cheia de variações para o mesmo acorde de Bob Weir e o baixo que vai do pop ao jazz de Phil Lesh.

Neste álbum temos Jerry Garcia bem mais experimental largando os solos para explorar o steel-guitar e novos colaboradores como no caso do bandolinista David Grisman , um amigo que havia recentemente se mudado para a Califórnia após a dissolução do Earth Opera este se fez presente na faixa Friend Of The Devil e em Ripple, provavelmente os maiores sucessos da banda, certamente os do disco. Sugar Magnolia de Bob Weir é mais um dos destaques assim como Box Of Rain de Phil Lesh que abre o álbum, particularmente minha preferida. Candyman recebeu a colaboração de um pianista de Jazz e do tecladista Howard Wales. Truckin’ é um bluegrass que os tornou inevitáveis, completamente autobiográfica e se você a escuta compreende a banda.

Simon & Garfunkel – Bookends

Algo que sempre achei peculiar no Simon & Garfunkel é que suas músicas apesar de virem do folk não soam como se tivessem vindo da fazenda, do rancho… elas são bem urbanas. Quando escuto o álbum Bookens por exemplo, imagino a cidade de Nova York ou uma cidade tão industrial quanto. O que mais próximo de natureza seu som traz são os parques, como o Central Park onde fizeram o show mais importante e memorável de suas carreiras. Isso de forma alguma é uma crítica, até porque trazem certamente um senso de liberdade, os afastando de pré definições estéticas e melodicamente não deve em nada aos artistas provindos da roça que tem o country como uma das bases, o que configura uma originalidade.

Paul Simon na realidade é um grande gênio que tem como característica principal a exploração dos baixos do violão para fazer as linhas do arranjo vocal de Art Garfunkel dançarem e isto se tornar o que você mais quer ouvir para o resto da vida quando estes cantam em dueto. A faixa America que o diga, ela dança e com sua letra – que parece mais um conto ou uma boa história, fazemos um tour pelas cidades de Pittsburg, Michigan, Saginaw. Esta é a segunda faixa de Bookens, um álbum feito aos trancos e barrancos, sob forte pressão e que finalizado tornou-se o mais experimental da dupla. Pra não dizer que o álbum deixa de ter algum teor pop, é nele que é encontrada a faixa Mr. Robinson, o maior sucesso da dupla. Destaco além das já citadas faixas: Save the Life of My Child, Fakin’ It, A Haze Shade Of Winter e At The Zoo.

Jefferson Airplane – Volunteers

Há uma linha muito tênue entre a música psicodélica e o folk rock, cambaleando no meio dela temos bandas como o Jefferson Airplane. Toda banda de São Francisco no início dos anos 60 tinha suas origens enraizadas no folk, no rock ‘and’ roll e no blues, o Jefferson Airplane conseguiu um equilíbrio dessas influências, principalmente em seu álbum mais renomado, o elogiadíssimo Surrealistic Pillow, mas para seu quinto álbum intitulado apropriadamente de Volunteers eles construíram uma obra épica e bem folk.

A começar pela lista de convidados: Jerry Garcia na guitarra pedal steel , o veterano pianista Nicky Hopkins, o futuro baterista do Airplane Joey Covington na percussão, David Crosby e Stephen Stills. Essa galera fez o último disco com a formação clássica do Airplane, um álbum desafiador e condenador, por conta disso foi taxado de polêmico e anarquista – o que não está errado. A primeira parte do álbum é bem folk com We Can Be Together, Good Shepherd, The Farm e com o cover de Wooden Chips do Crosby Stills & Nash. As músicas cantadas por Gracy Slick também são poderosas e mais roqueiras entrando naquela questão da linha tênue falada anteriormente principalmente pelo abuso das distorções nos solos de Jorma Kaukonen e Paul Kantner principalmente na brutal faixa título.

Neil Young – Comes A Time

Neil Young é um dos nomes mais importantes do folk rock, um dos artistas mais revolucionários de todos os tempos e sua obra que atualmente já chega a 40 álbuns de estúdio lançados é uma das mais influentes conceitualmente para os contemporâneos e os que vieram depois. Assim como no caso do Dylan, caberia botar qualquer álbum dele da década de 70 aqui. Entretanto, Young tem um diferencial gritante, ele sempre fez músicas para guitarra e poucos de seus álbuns dessa época de ouro possuem o conceito folk, por assim dizer. Temos o Harvest, mas todo mundo fala do Harvest, então optei por colocar o Comes A Time, esta preciosidade que é praticamente toda acústica e leve.

Comes A Time é o nono disco de Neil Young e foi lançado em 1978. Gravado com o apoio da sua estimada Crazy Horse e que recebeu o apoio vocal de Nicolette Larson. Alguns instrumentos que são usados nas músicas chamam atenção como banjo e sanfona, mas diferente dos demais álbuns adorados pela crítica, nenhuma das canções presentes aqui falam de alguma cidade, protesto, fazenda ou vida no mato, são unicamente canções escritas com discursos moralizantes sobre os fracassos do amor e a recuperação de problemas mundanos. Particularmente o considero um álbum de melodias leves para se entrar de boa numa fossa. Destaque para a faixa título, Lotta Love, Peace Of Mind, Human Highway, Already One, Motorcycle Mama (única música com a presença forte de guitarra) e Four Strong Winds.

The Mamas & The Papas – If You Can Believe Your Eyes And Ears

Esse disco possui a faixa California Dreamin’ e grandes versões para músicas pop que já estavam consolidadas na memória afetiva de boa parte dos americanos e pessoas do mundo inteiro. Todo esse pessoal dos anos 60 que fazia residência em São Francisco tinha esse diferencial frente ao rock, o blues e a música country, eles não queriam só falar de relações amorosas, mas queriam também ser um instrumento um veículo para protesto tendo como maior representante o Dylan. Bem, sem o Mamas & The Papas boa parte dessa galera que consolidou o folk rock não teria se encontrado para fazer um som se quer, até porque Mama Cass e companhia eram o que poderíamos chamar de agregadores, só por isso a presença deles aqui já é obrigatória.

Esse disco não é só California Dreamin’ outras faixas como Monday Monday, Got a Feelin’, I Call Your Name, Do You Wanna Dance e Hey Girl configuram toda ambientação necessária da simplicidade dos cantos juntos ao violão e a bateria. Nenhuma das músicas sai do eixo das pretensões pops e anseios jovens, só realmente California Dreamin’ que pode ser tanto um hino hippie e um hino folk rock.

Creedance Clewater Revival – Cosmo’s Factory

Sem dúvidas o Creedance Clewater Revival é uma grande referência do folk rock e Cosmo’s Factory fez bem o balanceamento do rock e country que tem como filho o folk tocado na guitarra elétrica. Bem baseado nos riffs de Chucky Berry e voz rasgada de Little Richards, John Forgety conseguiu unir tudo isso na sua forma caipira de tocar guitarra e cantar na primeira parte do álbum que fez o CCR atingir seu apogeu comercial. O quinto álbum dos caras se tornou um sucesso internacional, liderando as paradas de álbuns em seis países.

A partir de Lookin’ Out My Backdoor o disco que já trazia Ramble Tamble e Travelin Band que são bem mais agitadas, traz amostras mais acústicas ao lado dos rocks, trazendo as canções folks mais marcantes da banda que são Who’ll Sop The Rain e Long As I Can’ See The Light contrastando Up Around The Band e a versão de I Heard It To The Greapvine, em uma perfeita cadência que surpreende nas primeiras audições e são sempre celebradas nas seguintes.

Mott The Hoople – wildlife

Muitas bandas na década de 60 terminaram fazendo projetos mais acústicos devido a tamanha influência que as canções de Dylan causavam. Os Beatles foram afetados e fizeram obras como Rubber Soul e Revolver seguidos por Rolling Stones que fizeram algumas músicas neste padrões no Stick Finger e no Goats Head Soup, por exemplo. Já indo mais embaixo, catando raridades, um álbum chama bastante atenção. Wildlife do Mott The Hoople, uma banda glam rock de um hit só composto por David Bowie criou essa obra com muitas músicas com status de folk rock.

Um trabalho transitório para carreira deles onde se encarregaram da produção, criando algo brilhante, vigoroso, que merece atenção por ser tão agradável. Ele é tão cult quanto o disco de Gene Clark, algo tão notório que você não encontra o álbum em nenhum streaming, só no youtube. Todas as músicas seguem um padrão que fala mais de natureza e liberdade a exceção de Whisky Women que abre o disco, todas as músicas seguintes vão por essa fluidez: Angel Of Eighth Avenue, Wrong Side Of The River (a minha preferida de todo repertório da banda), Waterlow, a bem gospel Lay Down e claro, It Must Be Love que faz referência aos Beatles.

Beck – Morning Phase

Beck foi um cara diferenciado nos ano 90 por unir justamente o folk com um estilo que estava em sua fase inicial mas tomando de assalto o gosto popular, o rap. O seu som já no primeiro trabalho de 1994, o álbum Mellow Gold e era como se fosse o encontro do Byrds com os Beastie Boys – guardadas as devidas proporções. Era um som novo e visceral que ele foi explorando brilhantemente e se perdendo um pouco também, até que após oito discos chegou no ano de 2014 lançando sua masterpiece, o álbum Morning Phase.

Apesar de não seguir os padrões das obras folks tradicionais, tendo a inclusão de orquestra e os efeitos eletrônicos para a ambiência, este trabalho de diversas formas é mais que música pop ganhadora de grammys. Só ouvir o single Heart Is A Drum, a Blue Moon e Unforgiven, canções que poderiam ter sido compostas facilmente por David Crosby. Don’t Let It Go, Blackbird Chain, Turn Away são sons completamente folk e essa última música citada nos remete fortemente a Simon e Garfunkel. Um trabalho completo e de primeira linha.

Jake Bugg – Jake Bugg

Esse cara surgiu como um dos rolés do Ronaldinho para o mainstream da música, não a toa é um cara taxado como arrogante já que fez sucesso. O Folk Rock a muitos anos não era referência na música, isso acabou na década de 70 quando Johnny Cash acabou as tours nas cadeias e sossegou como pai de família, Dylan começou a fazer músicas mais rock e meio perdidas em termos de inspiração, provavelmente nos álbuns pós acidente de 1966 quando resolveu experimentar novos sons e até usar pseudônimos, também quando a The Band encerrou suas atividades e outras bandas como Greateful Dead foram esquecidas pela indústria já que o punk rock é que estava tomando de assalto o coração dos jovens, antes hippies paz e amor que entraram de cabeça no rock progressivo. Nos anos 80 o Dead até voltou a estourar, mas com a morte de Jerry Garcia a banda se desfez e mais uma vez uma referência folk foi perdida, isso até que em 2012 surge esse inglês blasé apenas com seu violão tocando a faixa Lightining Bolt.

Foi um choque ver um jovem de 18 anos tendo a ousadia de trazer músicas falando do cotidiano apenas em formato acústico e folk rock como Dylan fazia. Mesmo que sejam músicas inocentes, como Two Fingers, Taste It e I See It All, elas fizeram Jake colocar uma geraçãozinha indie pra balançar em sons com pegada blues e caírem no choro reflexivo em Simple As This, Broken e Slide. O que mais encanta nesse álbum é a forma rústica que tem sua sonoridade, muitas músicas parecem ter sido gravadas na década de sessenta. Seja pelos efeitos na voz com reverb ou a impressão de ter um chiado, próprio de audições de discos de vinil.

Fleet Foxes – Helplessness Blues

Hoje em dia é um tanto difícil definir uma banda como pertencente ao folk rock, até porque tudo foi ensacado e rotulado como Indie, mas o Fleet Foxes é descaradamente do estilo. As melodias, as temáticas, tudo ressoa como o gênero que mistura folclore e rock ‘and’ roll. Inspirados por Donovan (outro cara que poderia ter tido um disco figurado aqui) e Roy Harper.

Esse álbum de 2011 é aclamado de forma universal pela crítica. Helplessness Blues foi feito na garra, de forma conturbada no processo de produção e que no fim custou até relacionamentos amorosos além de muita grana do próprio bolso. Robin Pecknold disse que em seu segundo álbum ele tentou soar “menos pop, menos otimista e mais baseado no groove” e isso é notado. Melodias que transitam entre o belo e pesado(em termos de carga) são sentidos em faixas como Sim Sala Bim, The Plains/Bitter Dancer. Outros destaques são certamente a épica primeira faixa Montezuma, a faixa título, Someone You’d Admire, Lorelai e The Shrine/An Argument.

Sá, Rodrix & Guarabyra – Passado, Presente & Futuro

Aqui temos o primeiro exemplo de folk rock brasileiro, com o dito movimento “rock rural” que teve sua notoriedade frente a um momento em que a música brasileira vinha sendo silenciada pela ditadura e que através de Luiz Carlos Sá e Guttemberg Guarabyra que se uniram a Zé Rodrix arranjaram uma rota de fuga, eles trouxeram um pouco de esperança através desse projeto similar ao de Crosby, Stills, Nash & Young, só que muito mais plural e “abrasileirado”.

Nesse conceito, nasceu o rock rural: no limiar entre o moderno-antigo, o elétrico-acústico, o urbano-rural, o roqueiro-caipira e a própria relação entre o tradicionalismo e o vanguardismo. Quando Sá, Rodrix & Guarabyra se uniram, tinham certo que o trabalho era pra ser atemporal e por conta disso deixaram o título como Passado, Presente e Futuro. As músicas que mais se destacam na obra são Zepelim, a belíssima Me faça um favor, Hoje ainda é dia de rock, Cumpadre Meu e a impactante Primeira Canção da Estrada. Mas vale a audição completa da obra, recomendo muito.

Sá & Guarabyra – Pirão de Peixe Com Pimenta

Embora rock seja sinônimo de um ritmo específico, a expressão rock rural é mais um conceito. Uma valsa pode ser chamada de rock rural, gravamos várias em nossos discos. É a forma como se tratam alguns temas, quase uma crônica. Damos nomes às paisagens, descrevemos personagens. Tudo num espírito viajante.” Melhor explicação do que essa dada por Guarabyra na Folha de São Paulo em 2007, eu desconheço. Então podemos usa-la como ponto de partida para falar em um parágrafo sobre este álbum.

Também sem estar disponível nos streamings, essa obra prima de 1977 é o álbum que melhor sintetiza o Brasil: fala sobre natureza (Marimbondo e Água Corrente), sobre trem (Trem De Pirapora), faz crítica social (João-Sem-Terra), faz referência ao sertão e sua cultura (Sobradinho, Pirão de Peixe Com Pimenta e coração de maçã), canções de amor (Cinamomo e Espanhola) e Uma Canção dos Piratas(!). É um verdadeiro passeio, particularmente considero um dos trabalhos mais importantes para definir o país.

Zé Ramalho – Antologia Acústica

Zé Ramalho é reconhecidamente tratado como um dos padrinhos da música nordestina, mais precisamente do forró, todavia, ele misturou esse estilo incrível ao rock, isso deu pra ele uma paleta de cores infindável para explorar durante toda sua carreira. Aqui poderiam ter sido colocados os discos Zé Ramalho (1978), A Peleja Do Diabo Com o Dono do Céu (1979), A Terceira Lamina (1981) ou Pra Não Dizer Que Não Falei de Rock (1983), mas acredito que trazer a Antologia que dá uma repaginada folk para todas as canções de sucesso presente nesses discos cabe melhor para essa matéria.

Boa parte dessas canções deste álbum duplo tem seus melhores arranjos ao original nos seus respectivos álbuns. Mas, quando saiu esses trabalho em 1997 foi um frisson, as canções de Zé voltaram a estar na boca do povo e isso é muito importante. Zé não quis abusar da voz e fez frases na zona do conforto e mais faladas do que cantadas para canções como Vila do Sossego, Avôhai e Frevo Mulher. Mas, em contrapartida, Chão de Giz, Banquete de Signos, Bicho de 7 Cabeças, Admirável Gado Novo e principalmente Jardim das Acácias II receberam versões que além de mais modernas e que dialogavam com o som da época, a reformulação de suas melodias ao menos abriram espaço para ver o quanto Zé era fora da caixinha e podia repaginar suas músicas sem trazer um ar de “desrespeito” com a obra.

Bom abrir um apêndice/parenteses/uma observação aqui: Batendo Na Porta do Céu é uma das melhores versões existentes para um hit de Bob Dylan!

Boca Livre – Boca Livre

O Boca Livre é um grupo de excelentes músicos e cantores que lançaram por muitos anos discos baseados no formato acústico e a cultura folk brasileira, apesar de músicas mais profundas, tiravam da cartola sons como Duas Praias, Quem Tem A Viola e Toada (Na Direção do Dia) músicas com um contexto de liberdade e natureza.

O disco escolhido foi o primeirão Boca Livre, a estreia desse grupo em 1979 tem as faixas Quem tem a viola e Toada (Na direção do dia). Mas entrando no contexto folk/rock rural a música Boi, Feito Mistério (ao som de um acordeon), Fazenda, Minha Terra e Ponta de Areia que tem como único instrumento a voz, essa última quase uma canção de roda de quadrilha de festa junina os fazem ter lugar de fala na lista.

Vanguart – Muito Mais Que O Amor

De uma forma bem similar a aparição de Jake Bugg, quando o Vanguart apareceu no ano de 2007 foi totalmente inesperado. A onda da época no âmbito roqueiro era o hard core melódico e o emo, fora dele o culto ao axé, pagode, samba e a MPB seguiam firmes na preferência da audiência. Nessa época, indo na contramão vinha o Cachorro Grande trazendo rock britânico em português com sotaque gaúcho e Sandy & Jr tinham lançado seu acústico MTV. Por conta disso da pra entender o quanto fora da curva era escutar o Vanguart com seu som folk cantando Semáforo.

O primeiro disco foi bem recebido e divulgado. A banda foi crescendo e em 2013 lançaram o que pode ser tachado como uma obra prima de devoção as músicas de amor. Com um conceito muito mais ensolarado que o trabalho anterior, foi considerado denso por alguns. Hélio Flanders foi a alma do disco em todas as composições e a banda teve a adição de Fernanda Kostchak nos violinos o que fez ela se tornar integrante fixa do grupo. Todas as músicas são bem bonitas, mas destaco Estive, A Escalada das Montanhas de Mim Mesmo, O que Seria de Nós, Pelo Amor do Amor e Mesmo de Longe.

Suricato – Sol-te

Por último, achei conveniente colocar esse disco do Rodrigo Suricato que é um guitarrista carioca que seja em seu projeto solo ou na sua banda Suricato, sempre prioriza o formato acústico. Assim sendo, o uso excessivo de violões e suas timbragens assim como o uso do Cajon para fazer anos depois seu projeto One Man Band é super bem vindo.

Ele ganhou notoriedade quando participou do reality musical Superstar da tv Globo em 2014, o que possibilitou muita gente – assim como este que vos fala – a conhecê-los. Com uma pegada mais rock que os demais trabalhos, Sol-Te traz músicas com uma variedade grande de instrumentos por todos os envolvidos, em Trem e Inseparáveis o multi-instrumentista Guilherme Schwab toca didgeridoo, em Um Tanto e Amo Todo Dia possui a guitarra havaiana Weissenborn assim como uma gaita em Talvez, tocam também mandolim e ukelele em algumas. O amplo uso de instrumentos diferentes torna o disco único em toda a discografia do Rodrigo e até em toda MPB, mas é certo que seu álbum Na Mão As Flores caberia aqui, mas por seu teor pop ficou fora e Sol-Te merecidamente se fez presente.

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