Review: Joel Hoekstra’s 13 – Running Games

Por Lucas Santos

Diferentemente do debut de 2015, Hoekstra escreveu as letras e compôs todo repertório, deixando os músicos livres para darem suas contribuições no momento da gravação. Ele chegou a afirmar que foi muito interessante poder conduzir o trabalho dessa forma como o chefe, mas sem autoritarismo. Russell Allen, que desta vez é o lead vocal em todas as canções, adicionou notas diferentes e ajustou algumas melodias na hora de cantar. Jeff Scott Soto que ficou responsável pelos backing vocals, gravou sua participação em cima dos vocais de Allen e deu seu toque especial em cada nota.

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Gravadora: Frontiers Records
Data de lançamento: 12/02/2021

Gênero: Hard Rock
País: Estados Unidos

Quando você ouve seus riffs, quando você o assiste solar na sua Les Paul ou ainda quando você vê Joel Hoekstra falando sobre música e suas influências, percebe na hora que estamos diante de um amante do bom e velho Rock And Roll. Atuando no Whitesnake desde 2015, o guitarrista que nasceu em Chicago, busca inspiração nas suas influências pra fazer fluir de sua guitarra um som que possa inpressionar e satisfazer a si próprio. Antes de se tornar o guitarrista que conhecemos com passagens pelo Night Ranger, Foreigner, Cher, Trans-Siberian Orchestra (ainda no projeto) e atualmente Whitesnake, Hoekstra se aventurou no violoncelo e piano. Seu pai, musicista, sempre o incentivou. Mas já na adolescência, quando ouviu Angus Young e seus riffs enebriantes, foi arrebatado instantaneamente pelo som da guitarra, que viria a se tornar seu instrumento.

Daí pordiante, cresceu ouvindo Black Sabbath, ACDC, Scorpions, Iron Maiden e do Rock Progressivo, Yes e Rush. As mais melódicas que tocaram seu coração foram Boston e Journey. Com esse gosto musical e o talento nato, Joel Hoekstra desenvolveu suas habilidades na guitarra e hoje pode ser considerado um dos grandes guitarristas de Hard Rock da atualidade. Em 2015, o projeto Joel Hoekstra ‘s 13 surgiu com o álbum Dying to Live, reunindo os mesmos músicos de seu mais recente trabalho, lançado no dia 12 de fevereiro fe 2021. Running Games é um álbum mais coeso e que brilha como um genuíno disco de Hard Rock. Tenta, com sucesso, alcançar uma sonoridade de discos do passado deste gênero, que traziam a fórmula mágica de ótimos riffs, solos empolgantes e melodias tocantes.

Diferentemente do debut de 2015, Hoekstra escreveu as letras e compôs todo repertório, deixando os músicos livres para darem suas contribuições no momento da gravação. Ele chegou a afirmar que foi muito interessante poder conduzir o trabalho dessa forma como o chefe, mas sem autoritarismo. Russell Allen, que desta vez é o lead vocal em todas as canções, adicionou notas diferentes e ajustou algumas melodias na hora de cantar. Jeff Scott Soto que ficou responsável pelos backing vocals, gravou sua participação em cima dos vocais de Allen e deu seu toque especial em cada nota. Derek Sherinian com sua precisão e bom gosto, deu a base e solos de teclado e as harmonias perfeitas que Hoekstra queria. E pra fechar, sua cozinha. Vinnie Appice e Tony Franklin, este último, o parceiro que ajudou a dar vida ao projeto desde o seu inicio, são a junção perfeita da marcação que Hoekstra precisava para conduzir suas melodias.

O disco em si não apresenta composições complexas. É focado nas melodias simples e cativantes do Hard, com boas doses de solos e riffs que vão ao longo da audição, te envolvendo no universo do verdadeiro Hard Rock. Os vocais são um grande diferencial no álbum, porque os dois vocalistas tem timbres distintos, porém modos semelhantes de cantar e o blend de suas vocalizações ficou especial. A suavidade dos backings de Soto, entremeada com a agressividade dos vocais principais de Allen, ambos os timbres possuindo muita melodia, trouxe uma identidade ao álbum e se adequou maravilhosamente bem as composições de Hoekstra.

Os singles foram muito bem escolhidos. Finish Line que abre o disco e Hard to Say Goodbye, que vem como a terceira canção, deram a exata noção do que viria a ser o álbum. O restante das canções são coerentes com a proposta. O primeiro single (ele abre o disco) é forte e possui uma levada tradicional do Hard Rock, com o vocal poderoso de Allen e o backing num tom mais abaixo. Temos um solo de teclado seguido do solo de guitarra de Hoekstra que se destacam. Perfeita pra abertura. Já o segundo single tem uma levada Hard Rock mais melódica, riff agressivo que se mistura lindamente com as harmonias de teclado. As vocalizações no refrão ficaram espetáculares. Hoekstra dá um show, apresentando harmonias na guitarra que mesclam com o riff principal e os diferentes solos que aparecem em vários momentos. Vinni Appice dá a música aquela levada que embalou muitas de sua fase Dio, onde as quebradas na batida eram a cadência perfeita pra mudança de clima. Uma beleza de música.

A pegada Classic Rock do álbum é muito evidente, com as suas influências aparecendo em diferentes momentos. Lembramos muito de Dio e Foreigner, por exemplo, numa mesma música e isso torna o disco mais agradável ainda. Fantasy representa essa congruência de influências que Hoekstra tem e trouxe com maestria para seu álbum. Heart Attack é outra que mostra como uma música pode ser o mais puro Hard Rock, contendo uma cadência característica daquele Blues Rock a lá Whitesnake, mas sendo bem moderna e melódica. Aliás, Tony Franklin dá um verdadeiro show aqui com sua linha de baixo. Lonely Days é outra belíssima canção, com quebradas de cadência, vocal bem melódico e um timbre de guitarra que te derrete, juntamente com o teclado fazendo um acompanhamento de base perfeito. O solo de guitarra dessa música lembra os grandes momentos do Hard oitentista. Uma delicia de canção.

Take What’s Mine é outra digna de nota. A intro da música é cinematográfica. Quando a batida acelerada do “hardão” entra, e em seguida, ouve-se a voz de Allen, dá aquela emoção que as grandes canções te trazem. O riff poderoso é interrompido por uma levada mais melódica. Enquanto as notas vão se sucedendo o riff principal retorna e os backing vocals adoçam um pouco mais a canção. O solo de teclado duelando com o de guitarra levam você até a estratosfera! Uma das melhores do álbum. Finalmente a bucólica Running Games fecha os trabalhos, que surpreende pela introspecção e certa “latinidade“. Ela traz uma melodia envolvente com violas dedilhados, “cello” (ele não poderia deixar de fora), violinos e uma percussão captaneada por Lenny Castro (mago da percussão que já trabalhou com meio mundo da música). A canção é bem influenciada por Toto com certas pitadas da World Music e um solo pequeno, mas belíssimo de violão.

As outras canções que não foram destacadas não devem quase nada. Hoekstra encontrou em Running Games inspiração e ao colocar sua transpiração num trabalho muito bem capitaneado, provou que tem condições de prosseguir em sua paralela carreira solo, com muita competência e habilidade para produzir outros primorosos álbuns como é este que acaba de lançar. A propósito, ele próprio revelou recentemente que está preparando colaborações com seu amigo Jim Peterik (ex-Survivor, Pride of Lions) e com Michael Sweet (Stryper). Aguardemos…

O que nos resta agora, é ouvir com carinho esse disco, porque nota-se claramente que ele foi feito com um enorme esmero e cuidado. É muito bem produzido e a “performance” dos músicos e principalmente de Joel Hoekstra está num padrão altíssimo. O guitarrista fez um disco que merece nosso crédito e admiração.

Nota final: 8 /10

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