Review: The Dirty Nill – Fuck Art

Por Lucas Santos

Para mim, que era bastante leigo sobre a banda, conhecer a sua obra começando com Fuck Art foi um banho de ótimas influências e musicalidade jogados de uma só vez. Pesado, mas ao mesmo tempo despojado e muito cativante. As letras se destacam e a performance dos músicos torna a experiência mais especial.

Lucas Santos

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Gravadora: Dine Alone Records
Data de lançamento: 1/01/2021

Gênero: Punk/Rock Alternativo
País: Canadá

Tem que ser muito ousado para lançar um álbum de inéditas no dia primeiro de Janeiro. A banda canadense The Dirty Nill, que ganhou o Prêmio Juno de Grupo Revelação do Ano no Juno Awards de 2017 – prêmio de música da sua cidade natal, é formada pelo vocalista e guitarrista Luke Bentham, o baixista Ross Miller e o baterista Kyle Fisher. Juntos desde os tempos de escola, em meados de 2006, a banda tem, com Fuck Art, três álbuns de estúdio lançados.

A sequência do fenomenal Master Volume (2018), a banda aprimora sua mistura divertida de punk e rock clássico e consolida seu lugar dentro daquelas bandas que tem discografias consistentes. A forma despojada e divertida de abordar os temas e melodias criadas são um lembrete que o rock ‘n’ roll foi feito para ser divertido. Se Fuck Art tivesse sido lançado um dia antes, sem dúvidas teria aparecido em várias listas de ‘Melhores do ano’.

Os riffs pesados das guitarras distorcidas metálicas, logo no começo de Doom Boy e no meio de Ride or Die, lembram passagens de bandas de Thrash, como Power Trip, Turnstile e Cro-Mags, e se encaixam muito bem em letras mais descontraídas. Letras que falam, por exemplo, de assuntos que vão sobre o ladrão de bicicleta em The Guy Who Stole My Bike, que contém algumas das melhores letras do álbum: ‘Espero que tenha servido bem a você/Espero que os freios não travem/quando você estiver descendo a colina para o inferno‘, até Done With Drugs, aonde Bentham desfia uma lista de coisas que gostaria de fazer ao invés de ficar bêbado: “talvez eu deva tentar origami ou jiu-jitsu/ou caminhar pela Ikea com você“.

Se você busca algo mais pegajoso, Hello Jealousy é um número rápido e cativante, com mais atitude punk arrogante e direta. O refrão é um dos maiores e mais instantâneos do álbum, aquele que marca de primeira. One More and the Bill fecha o álbum de forma cativante. A música é construída em torno de um momento de canto que soa como um manifesto de autocuidado para 2021, enquanto Bentham grita “Vou quebrar minha TV/ quebrar meu telefone/deixar a política em paz“. Depois de um ano em que tudo parecia perdido, cantar essa música da mesma maneira que Bentham a interpreta é sentir como se o cantor fizesse parte de cada uma de nossas decepções em 2020.

Para mim, que era bastante leigo sobre a banda, conhecer a sua obra começando com Fuck Art foi um banho de ótimas influências e musicalidade jogados de uma só vez. Pesado, mas ao mesmo tempo despojado e muito cativante. As letras se destacam e a performance dos músicos torna a experiência mais especial.

Fuck Art é uma explosão divertida, com músicas que nos fazem acreditar que 2021 terá dias melhores. Um álbum que mostra que, quando os shows voltarem, o The Dirty Nill vai estar lá com músicas estridentes energéticas, com letras espertas e debochadas e o mesmo novo de sempre.

Em um lado mais pessoal, foi ótimo começar o ano resenhando Fuck Art. Se mantivermos o nível assim durante o ano todo, 2021 será grande!

Nota final: 8/10

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