Passou Batido – Review: Alpha Wolf – A Quiet Place To Die

Por Lucas Santos

Creep vai direto no estômago, o tempo constante e sonoridade massiva te fazem sentir os downbeats pesados e a agressividade eufórica que a banda demonstra. Golden Fate; Isolate tem ainda mais do seu groove característico, e sua fusão de nu-metal, metalcore e deathcore prova ser uma combinação que funciona. Os vocais mais chamativos predominam em Akudama, uma faixa que também tem uma característica de moshpit poderosa.

Lucas Santos

Haken – Virus
Code Orange – Underneath
Fit For A King – The Path
Avatar – Hunther Gatherer
Memories Of Old – The Zeramin Game

Gravadora: Sharptone Records
Data de lançamento: 25/09/2020

Gênero: Deathcore
País: Austrália

Eu fiquei dois minutos parado em choque depois de assistir” – Essa foi a frase que Gustavo Das Chagas (aliás, nosso primeiro convidado no The Rock Pod) me escreveu após me mandar o link do videoclipe oficial da faixa Restricted (R18+), um dos quatro singles do novo álbum da banda emergente de metalcore australiana, Alpha Wolf. Esse segundo trabalho de estúdio ganhou força em sua antecipação depois que a estréia Mono (2017) e o EP do ano passado, Fault (2019), fizeram barulho na comunidade da música pesada. Confesso que o lançamento me passou batido, mas bastou apenas um link e um “empurrãozinho” para que A Quiet Place To Die recebesse a devida atenção.

O álbum começa com a faixa título trazendo um som misterioso e atmosférico antes de um riff de guitarra pesado entrar em ação. Tem bateria forte e os incríveis vocais de Lochie Keogh – incríveis mesmo, o cara é uma máquina bruta vocal. Creep vai direto no estômago, o tempo constante e sonoridade massiva te fazem sentir os downbeats pesados e a agressividade eufórica que a banda demonstra. Golden Fate; Isolate tem ainda mais do seu groove característico, e sua fusão de nu-metal, metalcore e deathcore prova ser uma combinação que funciona. Os vocais mais chamativos predominam em Akudama, uma faixa que também tem uma característica de moshpit poderosa.

Faixas um pouco mais variadas, como Rot In Pieces e Bleed 4 You, mostram que a banda também utiliza um pouco de tensão no seu som. O último exemplo conta com a aparição vocal de Lizi Blanco (The Beautiful Moment) para adicionar ainda mais camadas de profundidade, ficando bem ao estilo Defeater e Tripsitter. Esses momentos mostram que o Alpha Wolf não é só downbeats, djent e gritos desesperados de ansiedade, existe um senso melódico e mais limpo pairando pela cabeça dos integrantes, só precisam achar uma forma de aplicá-lo corretamente.

Embora A Quiet Place To Die seja, em grande parte, um lado bem mais único das coisas, não há dúvidas de que a banda se destaca, mesmo que de forma repetitiva em certos momentos, em seu modus operandi. The Mind Bends To A Will Of Its Own é uma música que apresenta riffs de guitarra pesados, porém é um exemplo de outro headbanger que está presente no álbum inteiro. É difícil distinguir as faixas.

Dito isso, a música final Don’t Ask também é a mais impressionante e também pode ser usada como um modelo para o futuro. É revigorante ouvir uma emoção palpável em um gênero que às vezes pode ser evitado pela força bruta ou o imenso uso da expressão “blegh“. Uma forma muito animadora de fechar um álbum, algo que joga esperanças distintas no horizonte, mas mostra que a banda não acerta somente em uma linha.

No fim, a resposta fica em músicas como Bleed 4 You e principalmente no encerramento Don’t Ask, que certamente os ajudará a crescer e melhorar uma base mais sólida. Algumas semelhanças com bandas como Employed To Serve também os credenciam durante todos os 39 minutos. A Quiet Place To Die mostra que o deathcore em exagero (às vezes) pode ser demais, porém necessário e de extrema importância quando misturado e usado de forma mais criativa e inteligente no meio das composições.

O Alpha Wolf dá um salto de qualidade tremendo e com certeza vai alcançar vôos maiores quando começar a excursionar com nomes mais importantes do metalcore e deathcore e quando fizer uma turnê fora do seu país natal, principalmente nos Estados Unidos, onde sons como este vêm crescendo de forma rápida. Este é um álbum que te faz fechar a cara e bater a cabeça a todo instante – a sensação quando eu terminei a última faixa foi que eu tomei uma surra sem nem saber o motivo. Mas se você procura algo um pouco fora da curva, pode se decepcionar um pouco pela similaridade de algumas faixas.

Nota final: 7,5/10

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