Review: The Flower Kings – Islands

Por Luis Rios

A banda que produz álbuns quilométricos, tem estruturas rítmicas que vão derivando em mudanças de andamento e de ritmos. Uma mesma peça musical do The Flower Kings, em seus 14 álbuns contando com este acertadíssimo Islands, tem muitas dessas variáveis que se completam com muitabeleza e riqueza. Ritmos jazzísticos e de blues se mesclam com o rock sinfônico e se fundem a nuances de música clássica. Tudo, de modo equilibrado e que faz você sentir curiosidade em ouvir no que aquela música se tornará do meio pro final ou se ela vai se complementar com a próxima.

Luis Rios

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Gravadora: Century Media Records
Data de lançamento: 30/10/2020

Gênero: Rock Progressivo
País: Suécia

Ao reunir uma banda lá pelos idos de 1993, pra gravar seu 4°álbum solo, o sueco de Uppsala, Roine Stolt estava na verdade, sem saber, montando uma das maiores bandas de Rock Progressivo na época, bem como, a mais bem sucedida banda deste gênero da Suécia até os dias atuais. Após a gravação e ótima repercussão de The Flower King, eles resolveram sabiamente continuar juntos, a banda perdurou e acabaram gravando discos espetaculares. Daí pra frente é história!

A banda que produz álbuns quilométricos, tem estruturas rítmicas que vão derivando em mudanças de andamento e de ritmos. Uma mesma peça musical do The Flower Kings, em seus 14 álbuns contando com este acertadíssimo Islands, tem muitas dessas variáveis que se completam com muitabeleza e riqueza. Ritmos jazzísticos e de blues se mesclam com o rock sinfônico e se fundem a nuances de música clássica. Tudo, de modo equilibrado e que faz você sentir curiosidade em ouvir no que aquela música se tornará do meio pro final ou se ela vai se complementar com a próxima.

A complexidade da música da banda não chega a ser pomposa ou exagerada. Ao contrário, há uma suavidade que torna o som deles bem palatável e nada cansativo. A palavra equilíbrio, resume pra mim o som dessa bandassa! Islands é um álbum muito relaxante. Há muitas passagens tranquilas entremeadas com certo intrincamento, mas repito, ao ouvir um álbum de 93 minutos como é o caso deste e não se sentir enfadado, já é um grande mérito. O baixo está maravilhoso – linhas bem complexas e que enchem a música. Os teclados estão brilhantes. Sentimos muitos tons diferentes embasando as harmonias, dando um ar sinfônico ao som, preenchendo a música, criando atmosferas lúdicas e te levando a imaginar de fato como o contexto do álbum foi esboçado na mente de seus criadores. Muitos são os Mellotrons, Hammonds e pianos a darem o tom do disco e prepararem a cama pras guitarras deitarem e rolarem.

A bateria me pareceu mais distante na mixagem com relação aos álbuns antecessores. Nada que seja incômodo. As guitarras estão extremamente sofisticadas. Stolt toca com esmero, classe, sutileza e virtuosismo. Muitas texturas e solos que se sucedem e se trançam com os teclados, levando as canções a adensarem-se naquele emaranhado progressivo que me faz tão feliz. Os vocais são marcantes, mas sem se sobressairem demais em relação as harmonias dos instrumentos. Não temos um longo épico, mas não faz falta. Penso que o disco como um todo e em determinadas partes, tem momentos interligados que substituem um épico tradicional! É como uma colcha de retalhos musicais que combinam e um retalho que está no início do disco é lembrado em outro ponto da obra, sem que haja repetição. Riqueza de notas.

O trabalho do Sax traz elegância com sutileza. Dá os toques jazzísticos juntamente com linhas de baixo mais ousadas. Com apenas três membros – Stolt, Fröberg, Reingold – da formação clássica de 20 anos atrás, eles conseguiram montar um álbum muito sólido em progressões sinfônicas e lembrando os clássicos álbuns da década de 1990. A capa (Gatefold) é de Roger Dean. Uma verdadeira obra de arte! As inspirações pra compor foram isolamento, solidão, perda, angustia, tristeza. De fato, não é um álbum alegre, mas a música não te deixa melancólico. Pelo contrário, ele fala desses temas, mas as melodias te colocam pra cima. É como se as letras te apontassem o problema atual que vivemos e a música tocada remediasse. Ela te dá ânimo. Ouvir o disco e especialmente algumas canções específicas te acalma, te alegra, te dá uma sensação de bem estar. Essa é minha interpretação, minha sensibilidade nitidamente e gradativamente foi me revelando isso ao longo da agradabilíssima audição.

Falar de todas essas músicas individualmente é ardua tarefa. Seria um trabalho quase infindável pra mim e enfadonho pro leitor. É um CD duplo de 93 minutos, com 21 faixas e muito detalhado. Mas não deixe de ouvir muito atentamente o disco e especialmente as seguintes: Broken. É um caso a parte. Que trabalho instrumental. Teclados, sax, cadência rítmica. Violões e guitarras harmonizando com o vocal. A melodia que se criou é um deleite. Uma das melhores canções da banda. Falando exclusivamente das vocalizações, elas são feitas por Stolt e Fröberg. E as entonacões são perfeitas, combinando lindamente com as bases melódicas. Tangerine é uma mistura espetacular. Arranjo fusion (teclados arrebentam) com a bateria e o baixo destruindo, dentro do contexto progressivo que tem o álbum como um todo. É uma das melhoras coisas que ouvi neste ano. Diferente e arrojado. Solaris é um show de baixo, sintetizadores e um coro lindo. Guitarras arredondando as melodias e dando arte final pra música. Os solos de guitarra entram duelando com os teclados. É um estouro esse som! Hoje, minha predileta.

All I Need Is Love. Essa tem uma pegada mais pop, mas com lindos solos de guitarra. O baixo e os sintetizadores e órgãos desfilando lindamente as melodias. Vocais excelentes! Looking For Answers é uma que traz uma melodia “desbundante” à la prog setentista e variações belíssimas com um “Pipe Órgão” finalizando a música de forma grandiosa. O disco fecha com Islands. A canção tem algo extraordinário principalmente pelos solos de guitarra inacabáveis e incansáveis de Stolt, emulando talvez um certo David Gilmour na timbragem e criatividade. É uma beleza de fechamento!!

Dando fim a todo o enredo do álbum, bem como sobre o artífice e cérebro dessa banda que me cativou há tempos, quero fazer um adendo sobre este grande músico prodígio chamado Roine Stolt. Ele merece destaque, pelo que mostra desde tenra idade. Tem uma habilidade rara com a guitarra. Fez parte na decada se 70 da banda Kaipa e em 1974, aos 18 anos, o hábil e inventivo músico já desenvolvia um trabalho prolífico, tanto nas 6 cordas quanto em vários outros instrumentos.

Seu talento nato hoje é emprestado para outros projetos. Ele faz parte do Transatlantic com seu amigo Neil Morse e também realizou um especialíssimo álbum com o vocalista Jon Anderson (Invention of Knowledge) de 2016. Quero recomendar muito a audição de Roine Stolt’s The Flower King (começo da estória dessa banda, 4°solo de Stolt, onde ele toca todos os instrumentos menos a batera), The Sea Within (projeto com o batera Marco Minnemann – 2017) e claro, o Transatlantic (petardo classudo do Prog Rock contemporâneo com vários albuns lançados).

Termino meus apontamentos, desejando aos amantes do Rock uma ótima audição de Island e minha homenagem a um músico que soube do falecimento enquanto escrevia essas linhas. Obrigado por tudo Ken Hensley! Você foi um daqueles que me fez prestar atenção nos teclados e me ensinou o que era o lirismo e beleza de uma melodia maviosa!

Nota final: 8,5/10

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