Revisando Clássicos: Alice Cooper – Trash

Por Roani Rock

Bem vindos a mais um revisando clássicos, aqui analisamos discos atemporais que, de alguma forma, marcaram a história da música de maneira revolucionária. Traremos uma introdução ao álbum contando fatos que o fizeram importante para a carreira da banda, um faixa-a-faixa e, por fim, citações das principais mídias especializadas em reviews. O álbum de hoje é responsável por trazer Alice Cooper de volta a vida e seu primeiro hit Top 10, estamos falando de Trash.

É o ano de 1989 e Alice Cooper vinha em uma década destrutiva e cheia de erros e acertos em seus discos. Ele ficou ofuscado pela NWOBHM (New Wave of British Heavy Metal) com Iron Maiden, Saxon, Def Leppard .Enquanto via sua terra mãe, os Estados Unidos, trazerem vários sons que não apareceriam sem sua contribuição na década anterior. O Quiet Riot assaltou as paradas de sucesso com o seu cover do Slade para C’mon Feel The Noize, o Twisted Sister que abriu por anos os shows do Alice, veio com a música e o clipe de We’re Not Gonna Take It, o Bon Jovi surgiu e além de seu álbum de estreia, lançou seus maiores acertos com New Jersey e Slippery When Wet. O Guns N’ Roses fez o ano de 88 o mais surpreendente com o lançamento de Appetite For Destruction um fenômeno descomunal. Bandas que vieram da mesma década de Alice se moldaram e lançaram boas músicas como a da já citada banda de Dee Snider e também o KISS que teve seu hit I Love It Loud (Hey hey hey, yeah!).

Alice viu tudo isso enquanto tentava se recuperar, estava com a saúde debilitada devido aos excessos de álcool e drogas. Foram seis discos lançados na década de oitenta até ele ver que precisava tomar um novo rumo na carreira, lançou o elogiado Costrictior que rendeu numa tour que foi de 1986 até 1988 quando seu pai Ether faleceu. Melhor dos vícios, firmou um acordo com a Eíc/CBS se uniu ao produtor Desmond Child e contando com uma banda afinadíssima: John McCurry (guitarra), Hugh McDonald (baixo), Bobby Chouinard (bateria) e Alan St. John (teclados) fez não só o álbum mais comercial de sua carreira, mas também o com maiores participações especiais até então que iam de membros do Bon Jovi ao Aerosmith. Ele entendeu o que era os anos 80 e a nova década que estava por vir e como usar isso em seu favor para fazer seu horror show funcionar novamente.

Tem garotos que vêm até mim na rua que pensam que Trash é meu primeiro álbum. Mas então eu estarei no palco e haverá um garoto de 15 anos que sabe cada palavra de ‘The Ballad of Dwight Fry.’ Existem certas crianças que ignoram totalmente qualquer um dos heróis dos anos 80. E essas crianças estão muito conscientes de quem é Alice – e isso é ótimo.

Alice Cooper

FAIXA-A-FAIXA

Um faixa-a-faixa se torna conveniente, mas não seguiremos a ordem numérica e sim a de importância, não só em termos mercadológicos, mas também para a história da banda.

Poison

Cooper escreveu essa música com Desmond Child , que é uma das maneiras mais eficazes de produzir um hit. Uma década antes, Child escreveu I Was Made For Lovin ‘You com membros do Kiss, o que abriu as portas para escritores externos em bandas de Rock. Seu próximo show foi Bon Jovi, resultando em seus sucessos You Give Love A Bad Name e Livin ‘On A Prayer.

É uma linha tênue entre alguém contar a verdadeira história de sua vida em uma música e também o que seu tipo de personagem exige. É uma mistura quando se trata de algo assim. Com Alice Cooper, é um pouco diferente, e Meat Loaf também. Esses são verdadeiros personagens teatrais. Alice Cooper, seu nome verdadeiro é Vincent Furnier, e o nome de Meat Loaf é Michael Aday. Eles criaram seus personagens. Ambos começaram do mesmo jeito – Alice Cooper era o nome da banda dele e depois todo mundo começou a chamá-lo de Alice Cooper. E a mesma coisa com o Meat Loaf. A banda dele se chamava Meat Loaf, e depois as pessoas começou a chamá-lo de Meat Loaf. Para ambos, evocou personalidades que são tão exageradas…

Desmond Child

Essa música é bem contribuitiva e ela é tão Bon Jovi que conta com o baixista que passou a fazer parte do grupo nos anos 90, além de Jon Bon Jovi que fez os backing vocals deste acerto. A canção empatou School’s Out na classificação mais alta de Cooper nos Estados Unidos. Este também foi o primeiro videoclipe de Cooper a ser exibido na MTV. Ele inovou em 1975, quando transformou o show de sua turnê Welcome To My Nightmare em um filme completo, o que serviu de lançou base para o vídeo de Thriller de Michael Jackson – ambos os clipes foram narrados por Vincent Price. Com Poison, Cooper atingiu o público da MTV pela primeira vez e se tornou muito mais relevante para a geração mais jovem, que entendeu a piada quando ele apareceu no filme Wayne’s World em 1992.

Hose Of Fire

House Of Fire é uma das canções mais fortes do álbum. Sua letra é alto explicativa, basicamente o eu lírico quer que a sua garota construa junto dele uma “casa de fogo”. Uma das mais sexuais do álbum, ela conta com os riffs e solos de Joe Perry do Aerosmith. O álbum Trash é um esforço pop-metal altamente astuto e comercial, mas que restaurou temporariamente Alice Cooper nas paradas em grande forma.

Há dois fatos interessantes sobre essa canção. Ela originalmente foi composta por Joan Jett, que decidiu, na época, não utilizá-la. O segundo fato é que existe uma versão demo de House of Fire gravada pelos queridinhos de Desmond, o  Bon Jovi, que foi lançada em 2014 como parte das reedições do New Jersey na sua edição  Deluxe.

Bed Of Nails

É o segundo single de maior sucesso do álbum (o primeiro sendo ” Poison “), alcançando a posição 38 no Reino Unido, embora o single não tenha sido lançado nos Estados Unidos. Eu não sei o que dizer além do óbvio, claramente uma música com os doces e travessuras dos anos 80. Tem todos os clichês e como em muitas músicas do disco, há a repetição de seu título durante boa parte da música.

Essa é sadomasoquista por excelência. Alice diz o trecho sussurrado por Alice na abertura da música:

(I love the way you hurt me, my tears, your wine
Your thorns withdraw my blood and fall like crimson rain.
Light candles in the pale moon shining above us.
The line between pleasure in pain has slowly vanished
Reaching deeper and deeper into a void of your venomous love)

que traduzido fica algo como:

(Adoro o jeito que você me machuca, minhas lágrimas, o seu vinho
Seus espinhos retiram meu sangue e caem como como chuva vermelha
Velas acesas sob o pálido brilho da lua sobre nós
A linha entre prazer e dor lentamente desapareceu
Chegando cada vez mais fundo dentro de um vazio de amor venenoso
)

Only Heart Talking

Only Heart Talking, que não foi escrita por Alice, é uma balada decente que se tornou ainda mais especial com o dueto de Steven Tyler. Esse é o melhor tempero da canção. Alice faz uma homenagem a ele no clip da música. Sua namorada (amante) parte em um carro com o nome TYLER escrito na placa. Parando pra analisar, é a canção mais anos setenta do álbum e soa muito Aerosmith, não só pela presença de Steven Tyler.

Acho que Steven Tyler tem a melhor voz no rock and roll. Durante nosso apogeu nos anos 70, estávamos sempre muito bêbados para trabalhar juntos. Finalmente liguei para Steven e ele amou a música, então fomos para Boston, sentamos no estúdio por cerca de oito horas e nos divertimos. Cantei o mais alto que pude e ele estava lá, ainda mais alto. Esse é um vocal que eu não gostaria de ter que fazer novamente.

Alice Cooper

Trash

Essa música tem uma overdose de Aerosmith, na cozinha do instrumental com Tom Hamilton (baixo) e Joey Kramer(bateria). Mas a pretensão de Alice era que tivesse um dos maiores crossovers da história do rock até então.

Eu queria que Jon cantasse em ‘Trash’, porque nenhuma das coisas que ele canta é tão desagradável. Eu queria que ele cantasse em algo que ele não tinha permissão para cantar em seu álbum.

Abaixo uma versão ao vivo na turnê de divulgação do álbum a Trahes The World. Os encarregados de fazer funcionar esse momento de Alice estava pela habilidade de Al Pitrelli (guitarra), Pete Friesen (guitarra), Tommy ‘T-Bone’ Carradona (baixo), Jonathan Mover na bateria (substituído por Eric Singer nos shows dos EUA e Austrália) e Derek Sherinian (teclados)
Devon Meade – backing vocals

Hell Is Living Without You

Alice é conhecido por dar uma temática a seus álbuns e negavelmente as relações amorosas foram as mais abordadas, seja de uma forma mais vulgar ou mais melosa, quer dizer, melosa ao estilo Alice Cooper que é só menos suja.

Co-escrita por Cooper, Child, Bon Jovi Richie Sambora Hell Is Living Without You é a música mais Bon Jovi do décimo primeiro álbum de estúdio do grande progenitor do shock rock. A contribuição de Sambora é notável nessa música.

Spark In The Dark

“A faixa Spark in the Dark, tem um riff que destaca-se principalmente pela semelhança harmônica com a música Sweet Dreams, especialmente na versão que foi regravada pelo Marilin Manson. Tirando isso e a letra meio sem graça, os timbres vocais e instrumentais são perfeitamente escolhidos. E a troca de tonalidade em um dado momento da canção, também é uma agradável surpresa.” Assim classifica a Roadie Metal.

Why Trust You

“Agora sim, lá vem um daqueles sons perfeitos pra cair no meio da estrada e voltar só amanhã! Why Trust You pode entrar na playlist de qualquer um que ame o motociclismo ou a liberdade. O solo de guitarra, une precisamente o virtuosismo e o feeling de uma forma rara de se encontrar, o que torna essa parte muito esperada pra quem já está numa segunda audição.” Mais uma interpretação da Roadie Metal e abaixo mais uma parte do show desta tour com a música sendo tocada.

This Maniac’s in Love with You

Lembra quando falei que o disco trazia músicas com letras mais melosas para o padrão Alice Cooper? Essa é um exemplo apesar da psicopatia e a levada safada dos riffs.

Meu coração foi amarrado em uma camisa de força do amor
Os meninos dizem que a terapia se encaixa como uma luva
Eu estou cruzando a linha em meu cérebro
A linha entre o prazer e a dor
Isso leva tudo o que tenho para sobreviver
Esta loucura vai me comer vivo
Não há mais nada que eu possa fazer
Este maníaco está apaixonado por você

verso traduzido de The Maniac’s in love with you

I’m Your Gun

É a canção mais fraca do álbum, mas também é a música mais rock ‘and’ roll e que chega mais perto do estilo clássico de Alice. Em entrevista ele chegou a falar um pouco sobre Desmond que além de produzir o álbum ajudou a escrever todo o material.

Quando eu descobri por quantos Desmond tinha sido responsável, eu sabia que ele era o homem certo. Eu comparo este álbum com Billion Dollar Babies [1973] . É o mais perto que eu já estive de recriar esse estilo. A música está bem na frente, bem na sua cara. Mas eu acho que este é um álbum dos anos 90. um pouco mais inteligente.

Alice Cooper

O QUE DISSE A MÍDIA?

A mídia fala bem do álbum de uma forma geral, mas menciona o quanto Alice está descaracterizado e comercial. O álbum é considerado fraco em termos musicais dentro da discografia, a Ultimate Classic Rock o colocou na 16ª posição por exemplo. Vamos a algumas avaliações.

Quando Cooper decidiu se juntar ao maestro do power ballad Desmond Child (Bon Jovi, Aerosmith), ele tinha seus olhos postos nas paradas. Funcionou. “Poison” é o tipo de doce para os ouvidos delicioso que merecia um grande sucesso (o primeiro de Cooper em mais de uma década), e “Trash” está repleta de músicas quase tão irresistíveis. Mas quando Cooper fez um acordo com Child, ele pode ter perdido tanto quanto ganhou. Claro, Cooper pode olhar maliciosamente através de skeezy come-ons, mas ele é capaz de muito mais vocal, liricamente e certamente musicalmente. Talvez o som fraco do álbum seja o preço a pagar pela popularidade do pop metal em 1989, mas décadas depois ele apenas torna “Trash” mais descartável.

Ultmate Classic Rock 2015

Alice Cooper não tinha um álbum de enorme sucesso em mais de uma década quando, em 1989, ele se juntou ao produtor do Bon Jovi , Desmond Child for Trash – um esforço pop-metal altamente astuto e comercial, mas que o restaurou temporariamente nas paradas em grande forma. Alimentado pelo irresistível hit “Poison”, o álbum temporariamente devolveu a Cooper o tipo de visibilidade que ele merecia. Não há nada de chocante aqui, e a capacidade de Cooper de gerar polêmica há muito já havia desaparecido. Mas, embora o escapista Trash – que visava claramente o público do Mötley Crüe / Guns N ‘Roses – pode não ser o álbum mais desafiador deA carreira de Cooper , e não está em uma aula com School’s Out ou Billion Dollar Babies , é divertida e bastante agradável. E foi ótimo ver o negligenciado Cooper na MTV ao lado de tantos roqueiros dos anos 80 que ele influenciou.

All Music 2017

A letra de “Trash”, um dueto com o próprio Jon Bon Jovi, é tão ruim que nem tem graça. “Se meu amor fosse um pirulito, você o lamberia?” Jon Bon acabou de dizer isso? “I’m Your Gun” dificilmente é melhor. Eu simplesmente não suporto ouvir essas músicas. Se você está com vontade de alguma merda absoluta, dê uma olhada em “This Maniacs ‘In Love With You”.

Mike Ladano 2014

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