Review: Cult Of lilith – Mara

Por Cleo Mendes Lucas Santos

É difícil encontrar bandas de death metal técnico hoje em dia que escrevem músicas reais com elementos definitivos de progressão e estrutura lógica e coesão, enquanto também escrevem riffs complicados manteno uma loucura ou seções que aumentam tanto a habilidade técnica quanto a resistência. No caso da estreia do Cult Of Lilith, um tiro em cheio.

Cleo Mendes

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Gravadora: Metal Blade Records
Data de lançamento: 4/09/2020

Gênero: Death Metal Melódico/Técnico
País: Islândia

É raro que as tentativas modernas de Death Metal técnico impressionem. Muitas das bandas que estão produzindo coisas boas no estilo existem há pelo menos cinco anos, se não mais. Então, quando uma banda chega e é completamente novata, com sangue totalmente novo, já destruindo e impressionando em seu álbum de estreia, tem que se dar todo o crédito que merecem.

A grande questão sobre o Death Metal técnico (Tech Death para os mais chegados) e que muitos não entendem, é que se trata de demonstrar virtuosismo instrumental, mantendo ao mesmo tempo uma habilidade de composição convincente. Suffocation tem isso, Necrophagist tem isso, Exocrine tem isso, apenas para citar alguns nomes. É difícil encontrar bandas de death metal técnico hoje em dia que escrevem músicas reais com elementos definitivos de progressão e estrutura lógica e coesão, enquanto também escrevem riffs complicados manteno uma loucura ou seções que aumentam tanto a habilidade técnica quanto a resistência. No caso da estreia do Cult Of Lilith, um tiro em cheio.

Mara, é, um dos trabalhos estreiantes de Death Metal desse ano mais importantes e empolgantes. Reunindo um punhado de precisão mortífera, melodia neoclássica no estilo Black Dahlia Murder e a tendência de ir em direção a uma ideia mais rústica e imperial, porém técnica, traz um resultado que é uma explosão acertada de melodias matadoras alinhadas a passagens complexas cheias de reviravoltas. A música de abertura Cosmic Maelstrom certamente pega os ouvidos com a deliciosa introdução de cravo, porém, a onda de som que se segue – uma mistura delicadamente equilibrada de melodia romântica e ornamentação barroca e criatividade no departamento de riffs – bate forte e implacável.

A primeira música por si só é uma vitrine de resistência e uma demonstração do potencial de composição de alto nível. Excelentes divergências duplas de guitarra, um grau atraente de diversidade na tonalidade vocal e um baterista que tem a combinação perfeita de execução intensa, mas intrincada, na maneira como ataca seu instrumento. A seção surpresa que se quebra no meio da música é um belo toque adicional de diversidade estilística que se encaixa de forma natural e completa nas sequências sonoras.

O grande trunfo de Mara é talvez a forma excêntrica de como a banda mistura elementos fora do Death Metal de forma orgânica e pura. Purple Tide foca mais em torno de muitos riffs dissonantes serpenteantes e pequenas alterações para carregar a abertura ao estilo Stranger Things. Enter The Mancubus é puro caos – progressões de acordes arrasadoras, harmonizações de guitarra com som sinistro e passagens volúveis. Músicas como Atlas introduzem alguns vocais limpos e seções de guitarra sem distorção que parecem aliviar de várias maneiras, trazendo uma gigante armação de riffs distorcidos trazendo as seções de mais groove de todo o álbum.

A forma como a banda atinge tantos tempos, estilos de riff e outras nuances estilísticas de todos os cantos do death metal e faz com que tudo funcione é simplesmente de tirar o chapéu. Os pequenos petiscos legais de instrumentos clássicos, como cravo, piano e outros, também dão à banda uma vibração que é toda própria. O peso é sempre presente, o punho para o alto e a cabeça batendo vão ser frequentes, mas diferentes modos de abordagem são sempre bem vindos.

As faixas Comatose e Profeta Paloma destoam um pouco do material bruto por trazer riffs menos inspirados. Diferente do restante do álbum, essas faixas não captam toda a criatividade e potencial que a banda demonstra ao longo do trabalho. Outro exemplo pode ser a faixa de encerramento Le Soupir Du Fantôme, que inicia de forma acústica e lenta, e que depois explode de forma mais usual, que mesmo ultilizando de sons mais atraentes, acaba abusando do “Death Metal tradicional” dando a sensação que o resultado final poderia ser melhor aproveitado.

Cult Of Lilith entra no radar da grande e eclética lista de Tech Death mundial. Da longínqua Islândia, produzindo um disco imensamente poderoso que engloba tudo o que é divertido, emocionante e louvável sobre o Death Metal em todo esse mundo técnico e sombrio. Mesmo sem atingir o seu potencial total, quando se fala deste estilo é difícil encontrar algo de “novo” que realmente chame a atenção, porém, de forma sutíl e brilhante, Mara adiciona pequenos momentos que somente engrandecem todo o estilo e trabalho.

Nota final: 8/10

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