REview: Spellbook – Magick & Mischief

Por Luis Rios

Aquilo que poderia ser uma simples cópia, é na verdade um som honesto e competente. Temos aqui ótimas músicas com passagens que criam atmosferas soturnas e misteriosas, com mudanças de andamento que dão um toque progressivo em alguns momentos. E que momentos.

Luis Rios

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Gravadora: Cruz Del Sur
Data de lançamento: 11/09/2020

Gênero: Heavy Metal
País: Estados Unidos

Meus amigos, nos deparamos aqui com mais um grande representante atual do “proto-metal“. Topei com um álbum que tem um clima envolvente do início ao fim. Estou falando do álbum Magick & Mischief da banda Spellbook. Um quarteto de York na Pennsylvania que faz um som tipicamente Hard Rock, com excelentes riffs de guitarra, uma cozinha presente e surpreendentemente técnica e um vocalista que nos faz lembrar de alguns de nossos ídolos como Ozzy Osbourne, David Byron ou Alice Cooper.

Magick & Mischief, lançado no dia 11 de setembro, nos oferece 7 canções e aproximadamente 45 minutos de puros e genuínos timbres e melodias homenageando o estilo de bandas como Black Sabbath, Deep Purple, Blue Oyster Cult e com um frescor e um “aroma” sonoro que me deixou muito feliz. Aquilo que poderia ser uma simples cópia, é na verdade um som honesto e competente. Temos aqui ótimas músicas com passagens que criam atmosferas soturnas e misteriosas, com mudanças de andamento que dão um toque progressivo em alguns momentos. E que momentos.

Os integrantes, o guitarista Andy Craven, o baixista Seibert Lowe, o vocalista Nate Tyson e o baterista Nicholas Zinn ao começarem a compor para este novo trabalho, resolveram mudar o nome da banda que já existe desde 2007. O Witch Hazel já tinha três álbuns gravados e eles usaram o nome de uma das músicas do primeiro álbum para amarrar toda a história dos quatro e rebatizar a banda, seguindo por um caminho novo. Conseguiram contrato com o selo Cruz Del Sur Music e lançaram um super bem produzido e criativo disco.

Quando você “bota pra tocar”, percebe músicas bem trabalhadas e muito bem tocadas, com peso, melodiosas e uma mescla apurada de Metal, Hard Rock e Doom. A guitarra aparece muito destacada com o baixo marcante e a bateria sempre pesada. As vocalizações variam, mas um pouco mais para os timbres agudos. Mesmo com uma guitarra só, notamos harmonias bonitas e belas construções de linhas e timbres, que fazem você se sentir nos anos 70, mas sem soar datado. Posso dizer que senti influência também de Iron Maiden e Tygers Of Pan Tang. As variações rítmicas promovem na audição uma curiosidade que vai sendo embalada pelas harmonias de baixo e guitarra e de eventuais efeitos, pianos e andamentos .

Os próprios músicos consideram Magick & Mischiefs seu melhor trabalho e quando se ouve de “cabo a rabo”, dá pra perceber que conseguiram criar através das melodias algo muito interessante. A combinação das notas e as melodias emocionam e te propiciam sensações variantes nas músicas. Tudo ficou muito harmonioso e viajante, sem perder peso, suspense ou aquelas sombrias sensações que só o Heavy Metal nos faz sentir. É um “senhor” disco de Heavy Metal com muita força do Hard Rock!! Tudo isso acho que conseguiu ser retradado na estonteante e assombrosa capa criada por Chad Keith que obedientemente aglutinou cada uma das canções do álbum de forma visual, representando adequadamente o som e atmosfera das canções com o que vemos na arte. É realmente um álbum de uma banda que transparece modernidade, sendo fiel a um som de um estilo clássico.

Se você quer mais referências, podemos facilmente citar Praying Mantis, Picture, Def Leppard, Saxon, Thin Lizzy, dentre outras. A viagem “vintage proto-metal” começa com Wands to the Sky que é um petardo regido por uma intro de batera num rufar desenfreado e um riff simples e certeiro de guitarra. A “cozinha” funciona bem demais e o vocal à Ia Ozzy Osbourne mostra presença. Pro final há uma pequena e linda mudança no andamento mas com o riff dando a harmonia, seguido do baixo. Black Shadow é um rockão emulando Black Sabbath e B.O.C, de respeito. Tem um refrão ótimo e notas mais longas que dão um ar bem setentista. Há um solo de harmônica belíssimo que é seguido por um solo de guitarra lembrando Ace Frehley. O baixo vem cavalgando lindamente pela música quase toda.

Ominous Skies, uma das minhas prediletas, começa com um riff estilo Dave Murray e uma intro de baixo espetacular. A condução da bateria é daquelas de arrepiar, com peso e técnica, usando os pratos com maestria e por vezes se fundindo na levada com a melodia da guitarra. No meio da música, rola uma diminuição no ritmo e depois acelera novamente com a entrada do vocal e um longo solo de guitarra agressivo e penetrante. Uma beleza! Que música!

Not Long for This World é longa e bem estruturada. Também é bem Doom Metal, mas não tão cortante e melancólica. Tem passagens empolgantes, galopantes. Um Black Sabbath com uma certa suavidade, mas fiel ao estilo. Numa quebra antes de entrar os vocais, tem um violão belíssimo com o baixo segurando tudo. De repente, o riff pricipal volta com o peso e o solo de guitarra se desdibra simples e impactante. A musica vai assim, ainda com umas acelerações rítmicas e efeitos bem legais de teclado. É uma musica de mais de 8 minutos e não enjoa.

Motorcade chega e posso dizer: essa é a minha preferida! Um deslumbre que se inicia com uma linha de baixo espetacular. Logo vem um riff avassalador e o vocal lembrando a carreira solo lá dos primórdios de Ozzy. Em outros momentos, passagens meio New Wave of British Heavy Metal. A bateria quebrada, solando, rufando. Ouvem-se carros acelerando, até que o baixo entra solando e a música ganha uma atmosfera que remete a velocidade (a capa dá pistas). E a música vai acelerando novamente com um solo destruidor e melodioso ao mesmo tempo e a linha de baixo estraçalhando… Que catarse! Uma das melhores músicas que ouvi neste ano.

Amulet: Fare Thee Well inicia com um dedilhado de guitarra assombroso. A batera vem rufando como se a caveira segurando o amuleto a estivesse dominando magicamente. O riff de guitarra está estridente e marcante. A batera e o baixo dão a condução perfeita. O solo segue a melodia do riff. Lindo. A banda é bastante entrosada. Os backings são bem colocados e o vocal agride contrastando com a magia das harmonias. De repente um interlúdio com piano e efeitos. Parece simples e na sua simplicidade encerra a música docemente.

Dead Detectives inicia com um piano clássico e um clima de melodia de cabaré. Inusitado e impressionante como combina com a temática da música. Serão mais de 11 minutos e não sabemos o que está por vir. Parece uma estória sendo contada com diálogos entremeados ao canto de Tyson. Subitamente rompe um “rockaço”, com a guitarra no comando. Os músicos interagem com solo de batera, quebras espetaculares de andamento, baixo pulsando a todo vapor. Novamente muda tudo. Uma melodia enigmática invade nossos ouvido. A chuva cai ao fundo, os diálogos retornam, o baixo destrói e os agudos de Tyson aparecem. Tudo permanece misterioso. Outro solo de guitarra. A música vai encorpando com coro, peso, condução nos pratos variando com o contratempo. Tudo volta ao início, cabaré novamente, e a estoria se aproxima do se desfecho. O piano solo, a chuva caindo e você precisa ouvir isso pra saber a verdade sobre as letras, o incrível som dessa banda e entender porque o Rock nunca morrerá!

Spellbook é meu mais novo amuleto!

Nota final: 9/10

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