Review: Bon Jovi – 2020

Por Roani Rock

Vamos acordar, não dá pra almejar a eternidade de algo que é bom. Não é que o tempo seja cruel, o tempo só segue seu fluxo. O Bon Jovi é a prova viva disso, nos mostrando que dá pra arranjar ferramentas de se manter relevante com o álbum 2020, mesmo envelhecidos. Bem ou mal envelhecemos, e no caso da banda oitentista, se adequar em meio às presentes limitações foi o que restou.

Roani Rock

Confira mais Rock em 2020:
The Lemon twigs – Songs For The General Public
Dead Lord – Surrender
Seether – Si Vis Pacem Para Bellum
Blues Pills – Holy Moly!
Norah Jones – Pick Me Up Off The Floor
The Strokes – The New Abnormal

Gravadora: Island Records/Universal Music Group
Data de lançamento: 2/10/2020

Gênero: Hard Rock/Pop Rock
País: Estados Unidos

Este álbum é uma incógnita, digo isso achando um tanto engraçado, já que o título dele é 2020, referência a um ano difícil, também complexo de analisar, com muitos acontecimentos e muita informação para absorver. Interessante que ele foi gravado em março de 2020 e teve seu lançamento previsto para o último mês de maio. Todavia, por conta da pandemia do novo coronavírus, a data foi adiada para outubro e cá estamos. Certamente trouxe outra perspectiva para Jon, além de novas canções, o que nos leva às suas complicações. Ao mesmo tempo em que traz temáticas sobre as quis é importante ver um músico do cacife de Jon Bon Jovi se posicionando, traz também a banda Bon Jovi atual, que está estagnada na mescla do mesmo som dos anos 2000 e do último álbum – que já se tornou datado e sem meios de acrescentar algo substancialmente bom para fazer diferença ao escutar as novidades.

O 15º álbum da banda traz um Jon Bon Jovi claramente desgastado com o tempo de estrada, procurando ser “uma testemunha da história“, como o músico bem disse para a Reuters TV. 2020 é composto por 10 canções que abordam temas de valor social que entram em viés político e que explora até a questão da Covid 19. Jon já havia adiantado que o disco seria de temática mais política – ou, na expressão usada por ele, “consciência social”, em contraponto ao álbum anterior, This House Is Not For Sale (2016), que abordava questões pessoais. Mas ainda há aquele fator patriótico que já não dá mais pra suportar.

2020, diferente do que vinha ocorrendo, não me soa como um álbum do Bon Jovi pra se curtir, e sim para prestar atenção ao escutar. Há duas músicas que abordam a temática racial: American Reckoning, que aborda o caso George Floyd, um negro sufocado até a morte por um policial em Minneapolis que desencadeou os protestos do Black Lives Matter sobre igualdade racial. A outra faixa que vai por este caminho é Brothers In Arms, só que o protagonismo cabe à analise das manifestações do atleta de futebol americano Colin Kaepernick contra o preconceito. Elas tem essa similaridade, mas enquanto American é uma balada forte, Brothers busca trazer a mensagem de forma mais assertiva numa tentativa de blues, um tanto mais animada.

Foram feitas duas mudanças na tracklist: Do What You Can e a já citada American Reckoning, que foram compostas nos últimos meses, substituindo Luv Can e Shine, que estavam na lista original. A primeira é interessante porque Jon mobilizou seus fãs nas redes sociais para auxiliá-lo na composição, que tinha como tema o confinamento causado pela epidemia da COVID-19. Cada um tinha o dever de acrescentar um novo verso e, para ajudar, o frontman deu ideias:

O baile de formatura que provavelmente não irá acontecer, o bebê que você está esperando, o salário que não vai chegar, ou o simples fato de estar com medo.

Jon Bon Jovi em vídeo do Instagram

Um outro tema explorado foi o transtorno de estresse pós-traumático entre veteranos de guerra, este está na canção Unbroken, que fecha o álbum. A canção faz parte da trilha sonora de um documentário sobre o assunto, To Be Service, da Netflix, e foi liberada como o primeiro single de 2020. Mas, tirando esses fatos interessantes, o disco não conquista em fator melódico e nem em sua ordem, e olha que chegou a ser alterada com referência à ideia original. A primeira versão do álbum deveria começar com Beautiful Drug e terminar com Blood in the Water.

As canções “mais normais” tem seu brilho. O hit do álbum certamente é Limitless, que foi feita por Jon em parceria com Billy Falcon e o produtor John Shanks, que fez algumas guitarras para 2020. Ele é o produtor não só deste álbum, mas também de trabalhos como What About Now, de 2013, e Beautiful Day, de 2015, disco solo de Jon. A parte técnica é de excelência, nota-se isso na balada (quase valsa) Story Of Love, que lembra a atemporal Bed Of Roses. Let It Rain é uma música que caberia no Have A Nice Day de 2005, já Blood In The Water é um gracejo que traz um Jon mais recitante e que busca um deslumbre da voz forte do passado no refrão, mas fica só na tentativa.

Agora vem o problema do álbum, que está justamente no excesso de técnica. Apesar de toda excelência de caras como Phil X, que dá sua cara nas guitarras e ao mesmo tempo emula o som clássico da banda, é difícil não pensar que com Richie Sambora as músicas sairiam com arranjos mais criativos, que receberiam um ‘up’ da sua potente voz nos backings, principalmente se levarmos em conta que agora o instrumental tem que sobressair em relação a voz de Jon. Em comparação com o passado, em que se podia esperar uma forte presença do vocalista, agora as músicas anseiam por solos e arranjos destacados. Por isso, as “canções normais” não chegam perto dos trabalhos anteriores em relevância melódica e desempenho. As letras salvaram o álbum.

Nota final: 7/10

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