REview: Deftones – Ohms

Por Cleo Mendes e Lucas Santos

A banda sempre se apresenta no seu melhor quando estes elementos estão em equilíbrio, e a tensão entre esses extremos é o centro de sua identidade. Gore (2016) parecia um álbum somente de Moreno, focado em paisagens mais suaves. Em contraste, Carpenter se destaca em Ohms.

Cleo Mendes

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Gravadora: Reprise Records
Data de lançamento: 25/09/2020

Gênero: Metal Alternativo
País: Estados Unidos

A icônica banda de metal alternativo californiana, Deftones, tende a se transformar nas viradas de décadas. Em 2000, eles lançaram seu marco conceitual White Pony, enquanto Diamond Eyes, de 2010, é uma coleção estelar de faixas de skate rock cativantes, mas inteligentes. Por outro lado, o novo esforço Ohms não é uma reinvenção radical, mas é uma adição sólida ao seu lendário legado- surpreendentemente pesado.

Os álbuns do Deftones existem ao longo de um delicado eixo: de um lado, as atmosferas românticas e cantantes de Chino Moreno e, do outro, os grooves “slugs” pesados do guitarrista Stephen Carpenter. A banda sempre se apresenta no seu melhor quando estes elementos estão em equilíbrio, e a tensão entre esses extremos é o centro de sua identidade. Gore (2016) parecia um álbum somente de Moreno, focado em paisagens mais suaves. Em contraste, Carpenter se destaca em Ohms.

Músicas como Ceremony e This Link is Dead revelam-se com o som de uma guitarra distorcida bem corpulenta. Fãs que estavam esperando por mais músicas com a “cara” do Deftones, como Elite ou Rocket Skates, tem motivos para se alegrar: Ohms é o álbum mais amigável que a banda escreveu desde os anos 90. Mas, em vez de retornar à agressão juvenil dos primórdios, essas canções ainda são temperadas com a sofisticada reprodução sonora que caracterizou sua produção desde então.

Ohms está no seu melhor quando mais elementos experimentais se intrometem nos riffs de Carpenter sem deixar a forte essência musical cair. Talvez The Spell Of Mathematics seja a melhor música do álbum por isso. Uma dose atmosférica bem grande é adicionada em cima de riffs grossos e robustos que terminam no estalar de dedos suaves e viajantes, enquanto temos a sensação de que a canção vai sendo levada embora dos nossos ouvidos, ficando cada vez mais distante, até que apenas escutemos as batidas se dissolvendo no término.

Podemos afirmar que alguns ouvintes amam Deftones por seu lado mais sutil. Cada um dos álbuns da banda na última década incluiu pelo menos uma balada, e muitas vezes estão entre as canções mais populares. Ohms reduz essa parte do som deles, por isso, alguns fãs mais desavisados podem sair com uma sensação de vazio. Em Pompeji, talvez seja a primeira vez que a banda flerte com esse tipo de abordagem, e, mesmo nesta música, Carpenter tem espaço para jogar algum peso ao redor. Ohms fica muito preocupado em “corrigir” os erros de Gore, e surge como uma reação ao trabalho anterior, ao invés de olhar para o futuro.

O Deftones sempre produziu bons álbuns, passaram uma década desde Diamond Eyes (2010) explorando texturas e paisagens sonoras, o que às vezes se espelhou em suas composições. Ohms quebra essa tendência, com músicas mais focadas e um amor renovado por riffs de guitarra de hard rock que podem reacender o relacionamento da banda com os fãs que abandonaram o barco após White Pony (2000)

Esse é um álbum que sugere uma mistura purificada de suas influências contrastantes em seus melhores momentos, se reencontrando com o seu “verdadeiro som”, e talvez esse seja o caminho que as próximas ideias devam seguir. Algo tão empolgante e tão revitalizador quanto o som de Deftones em 2020, é tentar imaginar seu próximo álbum baseado nessas ideias e correndo mais alguns riscos ao longo do caminho.

Nota final: 8/10

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