Review: Fit For A King – The Path

Por Lucas Santos

Ouvindo um pouco a discografia para me preparar para esse lançamento, me deparei com um sentimento interessante: a banda não tem disco ruim, na verdade eles possuem uma incrível e invejável sólida discografia, mas parece que o “algo a mais” que muitas bandas do gênero alcançaram em algum ponto distinto da carreira, como Parkway Drive, As I Lay Dying e Miss May I, nunca chegou de fato a acontecer.

Lucas Santos

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Gravadora: Solid State Records
Data de lançamento: 18/09/2020

Gênero: Metalcore
País: Estados Unidos

Se você gosta de Metalcore, certamente já ouviu falar do Fit For A King. Seguindo à risca o regime de lançar um álbum a cada dois anos, a banda já está no seu sexto disco de estúdio desde o seu lançamento, Descendants, em 2011 – sinto que foi muito mais que apenas 9 anos atrás. O agora quarteto texano, que passou por algumas mudanças no lineup ao longo dos anos, tem no seu baterista, Jared Easterling, e no vocalista e frontman, Ryan Kirby, a base que ainda mantém o grupo em evidência.

Ouvindo um pouco a discografia para me preparar para esse lançamento, me deparei com um sentimento interessante: a banda não tem disco ruim, na verdade eles possuem uma incrível e invejável sólida discografia, mas parece que o “algo a mais” que muitas bandas do gênero alcançaram em algum ponto distinto da carreira, como Parkway Drive, As I Lay Dying e Miss May I, nunca chegou de fato a acontecer. The Path tenta, consegue sucesso, mas não da magnitude aguardada.

A abertura, The Face Of Hate, começa com um som atmosférico assustador antes da bateria de fazer efeito. Os gritos de abertura de Kirby com um riff de guitarra incrível, simplista por natureza, mas abundantemente poderoso, já prende a atenção de imediato. Breaking The Mirror, single lançado cinco meses atrás, é o primeiro ponto alto aqui. Os belos vocais melódicos e limpos do baixista Ryan O’Leary encaixam de forma catártica. A faixa título é outro exemplo de como as músicas são muito bem escritas. Com um riff de guitarra lento e barulhento ao longo de toda a música, que muda para um ritmo mais rápido e melódico durante o refrão, ainda traz, de quebra, o melhor breakdown de todo o disco.

Dentro da proposta, Prophet é a faixa mais diferente. Ela começa com um ritmo de guitarra suave e melódico antes de aumentar rapidamente, bem na levada de moshpit. O interessante é que, “do nada”, a música volta a ficar lenta e limpa, sem quebrar sua levada ou progressão. A parte da letra que diz “Não deixe o mundo me devorar” adiciona volumes de profundidade emocional ao estilo Make Them Suffer. Mais uma vez, O’Leary brilha em Locked (In My Head), que exibe um lado melódico ainda não visto, sem tirar qualquer força instrumental. Essa é a faixa mais emocional do disco.

Apresentando os vocais do extremamente talentoso Ryo Kinoshita, da banda Crystal Lake, God Of Fire é uma música com pegada industrial e eletrônica em sua maior parte – uma direção inteiramente nova para o álbum. Combinando sintetizadores eletrônicos com os instrumentais básicos e contundentes da banda, a mistura entre os dois estilos é surpreendentemente agradável, o que perde força na faixa seguinte, Stockholm, uma faixa genérica de metalcore que desnivela o álbum de maneira bem esquista e desanimadora.

O término consegue disfarçar o escorregão, e a faixa de encerramento Vendetta, desde o seu início com o grito de “This Is My VENDETTA“, é de longe a música mais agressiva e brutal do álbum. Ótima forma de terminar os rápidos 36 minutos de duração, que foram detalhadamente produzidos, dando uma sonoridade e corpo que todos os fãs esperam, mas que são sempre muito bem vindos. Tive quase a mesma reação quando ouvi a produção de Fracture, do Bleed From Within pela primeira vez. Perfeito!

The Path é o que o Fit For A King pode fazer de melhor. Ainda tenho minhas dúvidas se esse vai ser o álbum mais memorável da banda, mas de certa forma ele é mais uma ótima obra da discografia e mais um dos ótimos lançamentos do metalcore no ano de 2020. Mais que justo botá-lo no repeat.

Nota final: 8/10

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