Review: Haken – Virus

Por Daniel Ladislau e Lucas Santos

O trabalho segue como uma continuação do antecessor Vector (2018), que focou em músicas mais diretas e pesadas, enquanto Virus molda as ideias do anterior e cria uma mescla de músicas mais coesas e diferentes, trazendo uma nova perspectiva sonora.

Lucas Santos

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Gravadora: InsideOut Music
Data de lançamento:
24/07/2020

Gênero: Metal Progressivo
País: Inglaterra

2020 vem sendo um ano muito interessante para o metal progressivo. A cada ano, limites são rompidos e novas sonoridades são “descobertas”, tornando as possibilidades do gênero ainda mais infinitas, expandindo formatos e indo além de todo conhecimento musical possível. O Ebonivory e o Caligula’s Horse apresentam trabalhos que descrevem muito bem essas afirmações, mas outro gigante do Prog também entra nessa lista.

Se tem uma banda com um álbum de nome propício ao tempo que vivemos, essa é o Haken. O sexto álbum de estúdio do sexteto progressivo inglês se chama Virus e o segundo com uma duração menor que 1 hora. O trabalho segue como uma continuação do antecessor Vector (2018), que focou em músicas mais diretas e pesadas, enquanto Virus molda as ideias do anterior e cria uma mescla de músicas mais coesas e diferentes, trazendo uma nova perspectiva sonora.

A faixa de abertura Prosthetic mostra bem a intenção da banda com o novo trabalho. Uma faixa que vai bem direto ao ponto, pesada, fugindo um pouco das características dos álbuns anteriores, que normalmente começam com uma faixa instrumental introdutória mais ambiente. Um belo cartão de visita. Invasion traz algo mais trabalhado e foca bastante na guitarra de oito cordas, com passagens de metal extremo e pegadas djent.

Carousel, de 10 minutos, é o que podemos chamar de “faixa característica” do Haken. Aquela para nenhum fã reclamar que a parte progressiva ficou de lado. Cheia de andamentos diferentes e mudanças, mostra o que eles fazem de melhor. Canary Yellow é o ponto suave do álbum, em um momento bem propício – uma forma de “preparar” o ouvinte para o ponto mais forte do disco: Messiah Complex, que é dividido em cinco atos.

A banda acertou ao dividir essa história épica. É perceptível que cada ato conta um ponto diferente da história. Aqui é onde os fãs obstinados encontrarão múltiplas referências a The Mountain, tanto nas letras quanto nos arranjos e vocais. A composição ao longo da música é nada menos que incrível, com todas as cinco partes possuindo sua própria força vital, mas se encaixando perfeitamente uma ao lado da outra, tornando esta uma das músicas longas mais envolventes do ano. Only Stars é um “alongamento pós corrida” e deixa o fim do álbum sutil. Não sei se eu terminaria assim, mas não compromete as ideias.

As harmonias vocais e o peso adicionado de forma orgânica foram muito bem complementados no som do Haken. A banda pegou o som pesado do Vector (2018) e temperou as bordas, trazendo de volta mais de seu melodismo renomado e, claro, os vocais de marca registrada do vocalista Ross Jennings, além de instrumentação fabulosa e ambientação riquíssima. Virus entra no topo dos lançamentos do metal progressivo em 2020. Um álbum que é perfeito em sua proposta e que segue a linha de ideias que a banda já vinha seguindo.

Nota final: 9/10

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