Review: Imperial Triumphant – Alphaville

Por John Doliver (Debaixo do Chão)

O álbum é difícil, não mais que o Vile Luxury, mas para ouvintes de Metal “comum” vai soar totalmente desconexo, insano, sem objetivo/rumo e surreal – definições que, para os que conseguem apreciar, se tornam elogios. Os instrumentos tocam em tempos próprios, onde as vezes o baixo e a guitarra se tornam uma coisa só e são bem avassaladores. Nos poucos momentos de Breakdowns, se prepare, pois vai te desconsertar todo e deixar em uma espiral dissonante de murros pesados e tempos tão quebrados e técnicos como o disco em si. Alphaville é tipo um Trout Mask Replica do submundo.

John Doliver

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Gravadora: Century Media Records
Data de lançamento: 31/07/2020

Gênero: Avant-garde Metal, Jazz, Blackned Death Metal
País: Estados Unidos

Pra não perder meu costume, vamos começar por onde se inicia, a capa. É
uma arte incrível, que representa totalmente a sonoridade do álbum, se você não ficar olhando apenas pro “personagem” principal. São um bando de prédios e janelas tudo junto e ao mesmo tempo fora e dentro do outro, é bem louco e surreal. É tipo o Inferno do Jardim das Delicias Terrenas só que urbano, e inclusive é um ótimo passatempo ficar buscando algo de diferente, tipo o Mickey no Powerslave do Iron Maiden. A arte completa nem se fala, é um poster magnífico pra quem puder comprar, ela foi feita pelo Zbigniew M. Bielak, que já fez outras capas recentes e conhecidas como Carnivore do Body Count, The Plague Within do Paradise Lost, Revelations of Oblivion do Possessed, Prequelle do Ghost e várias outras artes incríveis, cheias de elementos, personagens e/ou detalhes que enriquecem visualmente obras musicais como essa do Imperial.

Por último, gostaria de dizer que adorei a estética meio retrô das bordas que a banda usa bastante. “STEREO ALSO PLAYABLE IN MONO” (escrito no canto inferior direito) – na hora que eu li isso, eu ri e não, esse álbum não é mono, é só ouvir o Atomic Age de fones que fica a prova. Entretanto, fica interessante pela estética, lembra 20 Jazz Funk Greats do Throbbing Gristle, além de ter um textinho como “uau é um som stereo”. Entretanto, pela questão da capa enganar, muitos que começarem a ler essa resenha sem nenhum conhecimento vão se espantar pelo som que irei falar.

©Alex Krauss Photography | http://alexkrauss.com

Imperial Triumphant é um trio de mascarados Nova Iorquinos viciados em Jazz e grupos pesados e dissonantes que levam à dor de cabeça como Gorguts, Voivod, Deathspell Omega, Blut Aus Nord, e até Portal pela ambientação – mais notável no álbum anterior, que definiu o rumo da sonoridade da banda, que era fazer um Metal Extremo Dissonante com muita pegada de Jazz. Minha principal crítica ao Vile Luxury é que ele continha mais ambientação e Jazz e menos extremismo como o Abyssal Gods, que, na minha opinião, é o segundo melhor deles. Já em Alphaville, além da banda trazer o que digamos eu “queria”, se tornou o melhor álbum do trio, refinando o que eles tinham feito em 2018, e definindo seu som sendo bem inovadores na sua proposta.

O álbum conta com uma produção incrível do majestoso Trey Spruence, guitarrista do Mr. Bungle (minha banda favorita junto com Pantera), e com participações de Tomas Haake do Meshuggah, que toca Taiko aparecendo em uns interlúdios. Você pode ver um pouco dele tocando nesse vídeo e um pouco da produção desse disco maluco – no bom sentido.

O álbum é difícil, não mais que o Vile Luxury, mas para ouvintes de Metal “comum” vai soar totalmente desconexo, insano, sem objetivo/rumo e surreal – definições que, para os que conseguem apreciar, se tornam elogios. Os instrumentos tocam em tempos próprios, onde as vezes o baixo e a guitarra se tornam uma coisa só e são bem avassaladores. Nos poucos momentos de Breakdowns, se prepare, pois vai te desconsertar todo e deixar em uma espiral dissonante de murros pesados e tempos tão quebrados e técnicos como o disco em si. Alphaville é tipo um Trout Mask Replica do submundo.

Tem horas que você pensa que já ouviu umas 3 faixas seguidas e quando olha a tracklist você se dá conta que ainda tá na mesma faixa, como em Excelsior, que no final eu achei que fosse um interlúdio Industrial e depois uma faixa de Free Jazz frenética. É uma loucura, e incrível.

De destaque eu dou fácil para todas as 7 faixas (as duas últimas também são
legais, um cover quase que Slam do Voivod e, pra mim, uma faixa melhor que a original do The Residents). É uma viagem alucinante e insana de um
extremismo fascinante e fabuloso. Uma das faixas mais memoráveis, pra mim, foi Atomic Age, que acho a melhor do álbum em si. Ela começa com uma canção dos anos 50, que acredito que talvez eles compuseram e dá uma vibe meio Fallout, o que combina totalmente com a temática da própria faixa e o disco em si.

Outras faixas memoráveis são a autointitulada Alphaville, que inicia com uma guitarra dissonante se recomeçando, o que me lembra pra caramba o tema de Twilight Zone, e última faixa, The Greater Good, cujo começo parece com um trem gigante desgovernado atropelando várias cidades que passam pela sua frente, e no breakdown parece que ele perdeu o controle e tá capotando de forma repetitiva. Quem não tiver enxaqueca e quiser apreciar um incrível álbum fora das fórmulas musicais, acredito que, assim como eu, vai se deslumbrar do começo até o fim com Alphaville.

Nota final: 10/10

Palavras de John Doliver do Debaixo do Chão

3 comentários

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