The Rock list: 8 Hits Lados B Do Rock Brasileiro dos Anos 80

por Roani Rock

Pensando na questão de ser esta a semana do dia mundial do rock, comemorado no último dia 13, decidimos trazer a tona músicas pouco faladas dentro do repertório das bandas brasileiras consagradas nos anos 80 e que seguem com uma gama de fãs até hoje.

O contexto é simplório, não se trata de número de vendas ou de acessos em streamings, essa são músicas que quando são tocadas em festas, em shows ou ridinhas de violão o interprete precisa dizer de quem é a música ou ver uma catarse sonora de aplausos dos que se surpreendem pela execução da faixa.

Acredito que as canções aqui expressas tem uma resposta do público. É aquela canção que os fãs ficariam indignados se não tocassem nos shows ou quando tocam surpreende, causa uma reação instantânea de satisfação. Para os que não conhecem as músicas, ao menos servirão para apresentar algo novo para os não iniciados ou que só conhecem os hits.

Barão Vermelho – Down Em Mim

Um blues entorpecido que apresenta as melhores qualidades de cada membro da banda carioca. Nos anos 80 o Barão foi uma das primeiras a se destacar, essa música é do primeiro disco que dentre os três com Cazuza nos vocais é o menos celebrado. Eles conseguiram ter no disco maior Abandonado os maiores êxitos de vendagem e certamente essa música ficou na sombra de Bete Balanço e Pro Dia Nascer Feliz.

Depois, com Cazuza em carreira solo e Roberto Frejat assumindo os vocais, a música ainda permaneceu nos setlist de ambos. O Barão que já está com seu terceiro vocalista, o Rodrigo Suricato, ainda tocam esse precioso blues que na versão ao vivo abaixo em pleno Rock in Rio tem a introdução ao piano de Maurício Barros, precisa levada de Guto Goffi, o gruvado baixo de , o rasgante vocal de Cazuza e encerrada com pura alma no delicioso solo de Frejat.

Eu não sei o que o meu corpo abriga
Nessas noites quentes de verão
E nem me importam que mil raios partam
Qualquer sentido vago de razão
eu ando tão down, eu ando tão down

Kid Abelha – No Seu Lugar

Uma música cheia de bom gosto com participação de destaque de todos do trio. Uma típica balada dos anos 90 com pegada oitentista graças ao sax de George Israel. A letra não é profunda e foge dos hits que trazem algo mais direto e excitante como em Como Eu Quero e Pintura Íntima, muito mais famosas. Justamente por isso essa pérola tem seu brilho, traz uma perspectiva diferente mesmo que musicalmente não altere em nada o Kid Abelha.

A música pode ser encontrada na coletânea lançada nos anos 90 e no acústico MTV que recebeu uma repaginada nos arranjos que a tornou ainda mais linda com o auge da voz de Paula Toller, já nos anos 2000. Ela também pode ser encontrada no cd e dvd do show de 30 anos da banda gravado no Rio em 2012 onde o destaque fica a cargo do solo animal de Bruno Fortunato. Abaixo uma performance classuda no Programa Livre em 1992.

Com você, o tempo para
Sem você, o tempo voa
Sem você, eu perco tempo
Com você me sinto imortal
Eu quero ver você, ficar no meu lugar
Eu quero ser você, ficar no seu lugar

Titãs – Desordem

Quem quer manter a ordem, quem quer criar desordem”, os autores dessas letras são brasileiros desordeiros assumidos, criticam todo e demolem tudo (…)” com essa introdução Jô Soares chamou os Titãs para seu programa em 1988. Essa frase foi tirada da música que está contemplada nesta lista.

Desordem é uma canção punk que realmente detona o Brasil e é atemporal já que continua refletindo situações que continuam, seja brigas em estádio e violência policial. Vinda do disco Jesus Não Tem Dentes no País dos Banguelas de 1987, ela é tão atual que na turnê do disco Nheengatu ela voltou a ter presença cativa nos sets, quem foi no show deles e escutou sua presença se arrepiou.

É seu dever manter a ordem?
É seu dever de cidadão?
Mas o que é criar desordem,
Quem é que diz o que é ou não?

Paralamas do Sucesso – Uns Dias

Essa é uma obra prima. A banda brasileira mais próxima do que foi capaz o The Police, possivelmente, superando-os. Uns Dias é uma canção cheia de angustia, mas ao mesmo tempo, com tanta genialidade. Ela foge da veia divertida, leve e ao mesmo tempo de confronto de Hebert Viana, o principal letrista e compositor do power trio de Rock e Ska com pitadas de reggae.

Uns Dias fala sobre o fim de relacionamento de Hebert e a cantora Paula Toller do Kid Abelha. Ela em sua versão original tem uma guitarra distorcida e uma batera de João Barone com uma levada mais para uma marchadinha, até que a música começa de fato com a entrada do teclado e o baixo de Bi Ribeiro. A estrutura da música já é excelente no formato elétrico, mas com a repaginação para o acústico MTV ela ficou mais poderosa, vide a reação do público na hora da improvisação da percussão.

Eu nem te falei,
que eu te procurei pra me confessar
Eu chorava de amor e não porque sofria
Mas você chegou já era dia,
e não estava sozinha
Eu tive fora uns dias eu te odiei uns dias…
Eu quis te matar

Engenheiros Do Hawaii – Eu Que Não Amo Você

“Eu que não fumo queria um cigarro, eu que não amo você! Envelheci dez anos ou mais, nesse último mês” é assim que começa a música e é esse o refrão. Pesado, um blues com bastante distorção que é a cara do excelente Engenheiros do Hawaii de Humberto Gessinger.

A canção é formidável, neste registro ao vivo notasse o quanto essa música de 1999 potencializou o que já estava consolidado na década anterior. O público cantando em uníssono, os fãs do Engenheiros são muito fieis, são participativos, mas se você for perguntar para não fãs, a canção fica perdida no tempo.

Essa não chega a ter o brilho das mais antigas porque a banda já não possuía o power trio clássico, nem Augusto Licks e Carlos Maltz participaram, só Gessinger do original, então em termos de importância, fica atrás de outras canções como Ninguém = Ninguém (Filmes de Guerra, Canções de Amor) do disco , Gessinger, Licks & Maltz, ou GLM, um dos mais aclamados dos gaúchos.

Eu que não fumo queria um cigarro
Eu que não amo você
Envelheci dez anos ou mais nesse último mês
Eu que não bebo pedi um conhaque pra enfrentar o inverno
Que entra pela porta que você deixou aberta ao sair

Lobão – A Vida é Doce

Essa música é uma porrada, bem nervosa, trata sobre dependência química. Uma curiosidade sobre essa música é que o disco ao qual ela pertence foi um dos mais bem vendidos da história do Lobão.

Ela tem duas características interessantes para se comparar a partir do acústico MTV que o Lobão gravou. A versão deste unplugged, ganha uma orquestração que traz uma dramaticidade maior a balada, já a versão ao vivo em seu show Lindo Sexy e Brutal fica exatamente como no título que foi dado não só ao registro mas a toda a turnê.

São novamente quatro horas
eu ouço lixo do futuro do presente
que tritura as sirenes que se atrasam pra salvar atropelados,
que morreram, que fugiam, que nasciam, que perderam, que viveram
depressa, depressa demais,
a vida é doce, depressa demais

Nenhum de Nós – Amanhã ou Depois

Esta banda é uma das últimas da geração 80 a atingir sucesso. Eles renderam bem mais nos anos 90 e 2000. Mas é certo que Astronauta de Mármore e Camila, Camila são as únicas músicas que realmente atingiram a massa. Toda via, a banda não se resume apenas nestas canções. Um bom fã dos gaúchos sabe que há ao menos mais 3 canções indispensáveis, mas que ficam restritas a bolha dos fãs e ao povo do Rio Grande Do Sul.

Essa música é bem pós-punk, típica canção feliz e triste ao mesmo tempo, nível The Cure. Vai indo na contramão das demais canções que aparecem nesta lista. Os arranjos também cativam unidos a uma letra tão Pop e aceitável. No acústico ao vivo 2 a música recebeu um banjo e uma sanfona tornando-a ainda mais rica.

Deixamos de sentir o que a gente sentia
que trazia cor ao nosso dia a dia
Deixamos de dizer o que a gente dizia
Deixamos de levar em conta a alegria
Deixamos escapar por entre nossos dedos
A chance de manter unidas as nossas vidas

Ira! – 15 anos

Também conhecida como Vivendo e Não Aprendendo é uma música muito legal e sutil. Mostra a inocência dos homens naquela fase de amadurecimento quando conhece um amor. A melodia é bem nos moldes MOD que o Ira! aplicou durante toda carreira. A canção por sinal é do disco mais famosos da banda, famoso por conter suas faixas mais celebradas, Dias de Luta e Envelheço Na Cidade, com Flores Em Você correndo por fora também.

Os paulistas sempre encaixam ela no repertório e até pedida em rádio pelos fãs ela é com certa frequência. Sua versão mais festejada é a do acústico MTV com belo arranjo de orquestra e a presença dos backing vocals bem mais claros do que na versão do disco de 1986.

Vivendo e não aprendendo
Eis o homem, este sou eu
Que se diz seguro
Que se diz maduro
Seu amor hoje
Me alimentará amanhã
Eis o homem
Que se apanha chorando

Legião Urbana – Teatro dos Vampiros

Uma música que só ganhou notoriedade anos depois quando a Legião Urbana autorizou a divulgação do seu acústico MTV. Teatro dos Vampiros tem uma das letras mais inspiradas de Renato Russo e melhor trabalho de arranjo do Dado Villa Lobos.

Segundo o próprio Renato, ao introduzi-la no acústico, a música era para falar sobre a televisão mas se tornou algo a mais. Certamente, a música aborda mais coisas além do impacto da mídia. Lançada em 1991 e contida no álbum V, O Teatro dos Vampiros trata da sociedade, sobre incertezas e ver meios de fugir.

Vamos sair mas não temos mais dinheiro
Os meus amigos todos estão… procurando emprego
Voltamos a viver como há dez anos atrás
E a cada hora que passa envelhecemos dez semanas
Vamos lá, tudo bem eu só quero me divertir
Esquecer, dessa noite ter um lugar legal pra ir
Já entregamos o alvo e a artilharia
Comparamos nossas vidas e mesmo assim,
não tenho pena de ninguém

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