Review: U.D.O / Musikkorps der Bundeswehr – We Are One

Por Luis Rios

Quando se põe instrumentos clássicos e se desenvolvem
arranjos de orquestra para se mesclarem com essas características de som mais distorcido e pesado, você pode neutralizar essa pegada forte, como também pode potencializa-la. É uma harmonização difícil. Sinceramente acho que ele conseguiu um resultado surpreendente.

Luis Rios

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Gravadora: AFM Records
Data de lançamento: 17/07/2020

Gênero: Heavy Metal
País:
Alemanha

É impossivel achar um disco do U.D.O que seja fraco. São todos de bom pra cima. E isso fica evidente quando você ouve um a um, atravessando todas as décadas pelas quais ele passou, lançando grandes álbuns. Eu diria que até o Thunderball (2004), seus discos são irrepreensíveis. Há outros muito bons, mas mais irregulares. Udo Dirkschneider é um verdadeiro bastião do metal mundial e sua consistente e poderosa carreira solo só vem sedimentando isso perante os fãs do Accept e de sua banda U.D.O.

Seu último lançamento Steelfactory (2018) é ótimo disco também e me deu esperança de que podiamos esperar por coisa boa vindo com a notícia
de seu próximo trabalho. Principalmente para o gosto dos fãs que apreciam a mistura de música erudita com Rock. Ele anunciou que lançaria um álbum conceitual e em parceria com uma orquestra. Mas antes de falarmos de We Are One, previsto para vir à luz neste próximo dia 17 de julho, vamos entender um pouco mais a banda.

Seu excepcional debut Animal House (1987), lançado depois da primeira saída do vocalista do Accept, foi inteiro composto com seus companheiros e dado a Udo de presente pela banda. Ficou um discaço.O estilo do som da banda tem base na tradicional escola germânica de Power Metal e no Hard Rock clássico, com linhas vocais e de guitarra bem estruturadas, combinando as harmonias. Algo que me agrada muito são as Power Ballads, que em alguns momentos, soam como um AOR com peso. A presença permanente da bateria (básica e redonda), marcando forte a seção rítmica com o baixo, deixa para os riffs de guitarra a missão de criarem
excelentes melodias. Na sua banda passaram grandes músicos, com destaque curioso para o guitarrista Stefan Kauffman, que por 15 anos tocou bateria no Accept. Ele também produz os álbuns da banda com bastante categoria.

Outro músico que tocou no Accept e no projeto solo foi o batera Stefan Schwarzmann. Ele integrou a banda desde o 2°disco Mean Machine (grande álbum), até No Limits (outro petardo) de 1998. Desde o penúltimo álbum, Decadent (2015), o filho de Udo, Sven Dirkschneider é o dono das baquetas. Caindo de cabeça nesse novo projeto da banda, Udo promoveu a reunião dos antigos parceiros de Accept, Stefan Kaufmann (guitarra) e Peter Baltes (baixo), para o processo de composição da nova obra. Eles
não tocam no álbum novo. Udo tem uma clara mensagem com este novo álbum. Todos nós juntos como um somos mais fortes e lutando para que o planeta seja um lugar melhor para nossos herdeiros. Coisas boas e ruins estão acontecendo e temos que, unidos, fazer o máximo para que o progresso não destrua a Terra.

Na parte musical, o que a banda se propõe a apresentar é bem audacioso e é uma fórmula que deu certo para algumas e para outras foi um erro. Falo de orquestrações misturadas com o Heavy Metal. Ou se descaracteriza o som da banda, ou se cria uma aura espetacular para composições que já eram especiais. É ame ou odeie! O som do U.D.O como já mencionei, de modo geral, é um Heavy Metal com toques de Hard Rock, poderosos
riffs de guitarra e um vocal que sabemos ser de um ‘drive poderosíssimo e bem agressivo. Quando se põe instrumentos clássicos e se desenvolvem
arranjos de orquestra para se mesclarem com essas características de som mais distorcido e pesado, você pode neutralizar essa pegada forte, como também pode potencializa-la. É uma harmonização difícil. Sinceramente acho que ele conseguiu um resultado surpreendente.

Buscando essa atmosfera o U.D.O se uniu a Das Musikkorps der Bundeswehr, a “Banda Militar das Forças Armadas Federais Alemãs”, para um trabalho conjunto, inclusive compondo com os músicos da orquestra também. Essa união de esforços é, na prática, a mensagem que ele passa nas letras. As Forças Armadas Alemães tem um trabalho muito importante também em seu país de preservação do meio ambiente e conscientização na diminuição da poluição dos oceanos. A música produzida por essa união, trás uma orquestra com 60 músicos, percussão oriental, flautas marcantes, vocais femininos, coros infantis e até gaita de fole, mescladas a um Metal clássico que o U.D.O já vem mostrando há tempos.

As 15 músicas deste álbum conceitual foram compostas em parceria
com esta orquestra e portanto, são arranjadas para comportarem a quantidade de instrumentação e as vocalizações. Diferentemente de outros projetos em que músicas já antigas tinham que ser re-arranjadas.
Ficou muito interessante. Nem suntuoso, muito menos longe do Metal. As composições são super criativas e se utilizam maravilhosamente bem de
todos os instrumentos que mencionei. Os coros e a voz de Udo ficaram muito bem combinados. Há momentos de clima musical cinematográfico nas introduções das faixas. Utiliza-se o Metal, música celta, pitadas ao longe de Pop como em We Are One, refrões melodiosos e a orquestra emulando uma atmosfera que potencializa tudo muito bem. Os vocais de Udo são bem intercalados entre a agressividade de sempre, com momentos mais
graves.

Em Blindfold (The Last Defender) e Neon Diamond ele é acompanhado por um vocal feminino e há lindas melodias criadas. Nesta última ainda tem um saxofone que trás muita classe para a música. Temos três músicas
instrumentais que são Blackout, Natural Forces e Beyond Good and Evil, que trazem belas interseções entre a orquestra e a banda. Os solos de guitarra são inspirados. Beyond Gravity é a faixa que destaco por ser a mais inusitada, mesclando estonteante percussão, gaita de fole, duelo desta com as guitarras, criando uma atmosfera totalmente fascinante. As faixas mais Heavy Metal são Pandemonium e We Strike Back. Temos como outro destaque pela simbologia da temática da música, Rebel Town, que é como uma espécie de um hino dedicado a uma Alemanha reunida em 30 anos. Refrão forte, letra significativa e uma pegada metal com um coro
emocionante! Pra fechar com tremendo brilhantismo, Beyond Good And Evil apresenta a combinação de tudo que já abordei sobre as composições. A pegada do riff com os coros, o belíssimo solo de guitarra, o baixo muito
criativo e presente e a flauta com os metais elevando a música numa base orquestral de deixar o queixo caído.

É um disco de Heavy Metal orquestrado para se ouvir na íntegra, com calma e saboreando tudo que vai se apresentando e vindo num crescente, faixa a faixa. Acho que você tem tudo para se deliciar com essa preciosidade.

Nota final: 8/10

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