Review: Huntsmen – Mandala Of Fear

Por Lucas Santos

Enquanto as ideias são bem pensadas, a execução acaba se perdendo para a megalomania criada pela banda. Não que não há nada de bom no álbum. As apresentações são sólidas e, quando o inchaço está contido, a banda ainda mostra que o ritmo lento e tenso ainda é capaz de cativar.

Lucas Santos

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Gravadora: Prosthetic Records
Data de lançamento: 13/03/2020

Gênero: Metal Progressivo
País: Estados Unidos

Faz mais de dois meses que continuo na minha imersão no Huntsmen. Mandala Of Fear é o segundo álbum de estúdio da banda que faz um Metal Progressivo misturado com Sludge/Stoner Metal, porém, para entender melhor do que se trata, tive que me aprofundar bastante no seu antecessor, o seu debut American Scrap (2018). Ao misturar Progressivo e Stoner, eles criaram um som bem peculiar e diferente. As músicas, sempre concetuais, contam histórias sinceras sobre o trabalho nas minas de carvão, uma tragédia em Atlantic City e outras. Se mostrou ser um formato poderoso de contar histórias, reforçado por riffs fortes, vocais sérios e composições sucintas.

Com um sucesso além do esperado, a banda resolver mostrar trabalho e acabou fazendo Mandala Of Fear algo muito mais grandioso e complexo. O inchaço é nítido (são 78 minutos contra apenas 40 de American Scrap) e a justificativa da duração do álbum, tornando o material muito mais expansivo, musical e tematicamente, é de contar uma grande história de guerra apocalíptica, além de 5 faixas instrumentais espalhadas pelo tempo de execuçãoe, e de trazer uma história escrita contida dentro do LP duplo.

Enquanto as ideias são bem pensadas, a execução acaba se perdendo para a megalomania criada pela banda. Não que não há nada de bom no álbum. As apresentações são sólidas e, quando o inchaço está contido, a banda ainda mostra que o ritmo lento e tenso ainda é capaz de cativar. A faixa de abertura Ride Out é facilmente o exemplo mais forte, com as linhas trocadas entre a vocalista Aimee Bueno com suavidade de do vocalista Chris Kang com instrumentação bem areiosa, até uma explosão sonora interessante. God Will Stop Trying é bastante eficaz de uma maneira discreta, com uma atmosfera sombria e pegada Doom. Além disso, a produção é muito boa, uma pequena melhoria em relação ao seu antecessor, com um bom equilíbrio e mais dinâmico entre os instrumentos.

O grande problema em Mandala Of Fear é o exagero. Eu pouco me importo com álbuns grandes, o problema é o significado para cada peça e ocasião. Aqui, me parece que muitos momentos são totalmente descartáveis, do meio pra frente o disco se torna chato e entediante, salvo poucas ocasiões de algum suspiro e excitação. Uma banda que criou algo tão complexo e ao mesmo tempo simples em American Scrap realmente acabou se perdendo em suas próprias ambições.

Naturalmente Mandala of Fear deveria pegar as qualidades do Huntsmen e colocá-las em uma ótima, épica e abrangente história. Mas o resultado final é uma estrutura gigantesca e gritante, que grita com talento, mas é inchada demais para para atingir a sua palavra final. Possa ser que talvez eu compre o LP e leia a história enquanto escuto o álbum pela trigésima vez, mas no momento, tive muitas dificuldades em me interessar, e gosta, do álbum.

Nota final: 5,5/10

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