PASSOU BATIDO – Review: Poppy – I Disagree

Por John Doliver

Esse é um disco que com certeza vai e já está desagradando muitos, sejam os fãs de Metal por sua delicadeza e fofura do começo ao fim, e até garotinhas com vontade de cantarolar apenas um Pop plástico, que serão assustadas por sons distorcidos e agitantes remetendo ao Deathcore e até Marilyn Manson, mas soando bastante autoral com suas misturas inusitadas.

Confira mais metal em 2020:
Havok – V
Alestorm – The Cursed Of The Crystal Coconut
Elder – Omens
Code Orange – Underneath
Divine Weep – The Omega Man
Currents – The Way It Ends
Lamb Of God – Lamb Of God

Gravadora: Sumerian Records
Data de lançamento: 10/01/2020

Gênero: Metal Industrial/Alternativo; Pop; Avant-garde Metal
País: Estados Unidos

Eu descobri a Poppy por acaso, vi algumas publicações sobre ela nas redes sociais principalmente pela Kerrang!, que ela até foi capa de uma edição inclusive. Assim, o nome dela é Poppy e eu fiquei pensando que fosse algum tipo de artista Indie ou de Pop Rock ou algum Pop chato que eu não gosto, aí não senti interesse em procurar. Vi que o Ghostemane já tirou umas fotos com ela (depois fiquei surpreso muito lá pra frente em descobrir que eles namoram) aí pensei: QUEM SABE eu dou uma chance. Aí apareceu de recomendado do nada a faixa X do álbum anterior dela e fui ouvir pra falar que não gosto, mas que tentei, e mano… Me apaixonei por completo. Essa faixa misturando Metal, baixo de Trap ou Billie Elish e Pop dos anos 70 me faz até hoje imaginar conceitualmente como uma representação da família Manson, ainda mais depois que eu vi “Era uma Vez em… Hollywood”. Achei Avant-garde pra caramba e eu adoro coisas experimentais e malucas.

Eu poderia muito bem dar contexto sobre ela ser uma artista multimídia que fazia vídeos esquisitos no Youtube e que virou um meme e personagem, e que essa questão é discutida nas letras, mas vamos focar na música pra tentar te convencer a perder os preconceitos e dar uma chance, como eu dei ao mais novo disco, I Disagree, o quinto álbum de estúdio da artista americana.

Concrete é um começo incrível para você entender do que se trata musicalmente o álbum. A música é realmente muito boa com uma pegada setentista no decorrer da canção mostrando que além da mistura inovadora, ela é bem abrasiva em sua música. O destaque dessa faixa dou para a letra, que faz um contraste de fofo com bizarro humorado, em que deseja ser enterrada e se tornar pedaço da estrada. Eu ri pra caramba! A letra (e a música em si) é equivalente a um Happy Tree Friends, mas é uma pena o resto das músicas não ter esse humor de Mr. Bungle que sou fã. Enfim, essa faixa já me foi o suficiente pra ouvir tudo o que tem depois, é um Metal realmente bom.

A faixa título é perfeita no quesito Pop de cantar junto e bater cabeça. É, eu descobri que isso é possível nesse álbum. Mentira, tem uma pá de metal melódico por aí, mas a única banda que eu conheço que mistura Pop mesmo com Metal é uma banda de Avant-garde Metal chamada Pin Up Went Down mas que é realmente Avant-garde, aqui a Poppy faz os dois soarem juntos e não desconexos e absurdos de malucos.

Bloodmoney mostra uma linha de baixo e bateria repetitiva com pegada industrial/eletrônica e um pouco noisy (coisas de industrial). Essa música é bem glitchy e tem um solo daora. É impressionante que uma mina que antes só fazia música plástica/robótica sairia fazendo um metal tão diferente, goste você ou não tem que dar parabéns por não ser um metal plástico bobo para vender.

Anything Like Me, é a melhor faixa. Não tem o quesito fofo, mas tem um refrão com baixo distorcido (quase um Nine Inch Nails), ela gritando como uma criança maldita e poxa… me impressiono com quem gosta de Pop apreciar essa faixa. Sério, isso é arte e criativo, eu como um fã de música avantgarde dou valor a tudo que é diferente, ousado, novo e que taca o dane-se pra regras de música. Fill The Crown é música com pegada mais Rammstein, Bite Your Teeth é bem extrema, divertida e Avant-garde. E além da faixa de encerramento, que é uma ótima forma de terminar o álbum, bem cinematográfica e emocionante, dá um sentimento de satisfação quando chega nela. Essas são as minhas faixas de destaque.

As 3 faixas mais “calmas/leves” são os momentos mais fracos do álbum. Sit/Stay eu sempre pulo, ou meu cérebro ignora que tá tocando. Talvez seja porque eu não goste de Pop, mas acredito porque não possui aquele contraste com Metal ou um fator especial que cada faixa pesada possui. Mesmo assim, eu continuo ouvindo esse álbum várias vezes, pelo fato de ser curto, o fator Replay é muito mais garantido.

Esse é um disco que com certeza vai e já está desagradando muitos, sejam os fãs de Metal com sua delicadeza e fofura do começo ao fim e até garotinhas com vontade de cantarolar apenas um Pop plástico, que serão assustadas por sons distorcidos e agitantes remetendo ao Deathcore e até Marilyn Manson, mas soando bastante autoral com suas misturas inusitadas. Infelizmente, acaba sendo fraco nas faixas mais calmas, pela falta do peso e agressividade que são fatores especiais que fazem o diferencial desse álbum contrasteando os dois estilos com qualidade. Ainda assim é um chute nas bolas da música e eu apoio bastante o Avant-garde, apesar desse álbum ser bem acessível por padrões experimentais. De qualquer modo, se tornará memorável quando falarem da música em 2020 por conta de sua ousadia.

Nota final: 8/10

Palavras de John Doliver do Debaixo do Chão

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