Review: Kansas – The Absence Of Presence

Por Luis Rios

Finalmente, em The Absence of Presence podemos de cara perceber que os novos membros ganharam mais destaque nas composições. Temos também, com a entrada de Tom Brislin, uma presença maior ainda dos teclados e a adição de um 5° vocalista.

Luis Rios

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Gravadora: InsideOut
Data de lançamento: 17/07/2020

Gênero: Rock Progressivo/AOR
País: Estados Unidos

Talvez nenhuma outra banda deste quilate tenha apre‐sentado ao longo da sua grandiosa vida um “Blend” tão bem elaborado de estilos. O Rock Prog, ArtRock, Hard Rock, AOR e até mesmo Southern Rock, deram ao Kansas a personalidade que muitas bandas tentaram ter. E isso não é fácil. Muitas se perderam ao tentar se reinventar. A influência do Progressivo Britânico com o toque do Rock Americano, deram ao Kansas uma sonoridade única e por isso, eles logo se destacaram no início da década de 1970.

Com músicos de grande talento, instrumentação elaborada, peso e melodias belíssimas, esta espetacular banda americana de Topeka se consagroucomo uma das mais aclamadas e premiadas do Rock. Foram grandes álbuns como Leftoverture (1976) e grandes hits como Carry On My Wayward Son do
referido álbum ou Play the Game Tonight do álbum Vinyl Confessions (1982).

O tempo passou e desde 1974 (lançamento do álbum Kansas), várias formações deram a dita personalidade para cada fase que se sucedia através dos discos lançados. A banda apresentou sempre teclados poderosos, duelando com os solos de violino. A guitarra sempre presente, mas deixando o protagonismo para o teclado (moog e pianos principalmente). As vocalizações estupendas, dando por vezes tons de uma orchestra, com a co-participação dos solos de guitarra e de violino (que tem um peso importantíssimo na peculiaridade do som da banda). E a bateria extremamente criativa,tendo o baixo como pilar para a construção de
andamentos variados e conduções quebradas. Toda essa coesão nas composições aparecia álbum a álbum, deixando os fãs cada vez mais surpreendidos.

Após o término da década de 1970 e o declínio do Progressivo, novos músicos e a diversificação do som vieram. Álbuns mais puxados para o Pop Rock e AOR nas décadas de 1980 e 1990 foram gravados, mas sem deixar cair a sofisticação do som. Em 2000 os integrantes que deram início a tudo,
voltaram a gravar juntos e o resultado foi Somewhere To Elsewhere. Uma beleza de álbum. E raro. Daí houve um intervalo de 16 anos até The Prelude Implicit (2016) e que marcou a estréia do ótimo vocalista Ronnie Platt e do segundo guitarrista Zak Rizvi. Os membros originais nesse momento eram Phil Ehart (bateria – único a estar presente em todas
as encarnações da banda) e Rick Williams (guitarra).

Finalmente, em The Absence of Presence podemos de cara perceber que os novos membros ganharam mais destaque nas composições. Temos também, com a entrada de Tom Brislin, uma presença maior ainda dos teclados e a adição de um 5° vocalista. Isso mostra o cuidado de se manter
o padrão de riqueza e musicalidade sofisticada da banda. A audição se inicia com a faixa que dá nome ao album e daí por diante você se depara com algo épico e que dá indícios de coisas grandiosas. A música se desenrola e você sente que está recebendo uma aula de Rock Progressivo. Teclados e riffs de guitarra dando contraponto uns aos outros, num Hard Rock melódico que alcança um clima surpreendente, que acelera e desacelera com seus andamentos trabalhados.

A batida quebrada, o solo que guitarra que se encaixa, seguido de tons vocais belíssimos, te remetem ao som classico da banda,terminando de
forma arrepiante. The Absence of Presence é ininterruptamente espetacular! Todos os momentos do álbum são estupendos e os destaques ficam por conta também de Memories Down the Line, que é uma balada calcada nas teclas e guitarra, com vocais estonteantes. Animals of the Roof, minha predileta, com a marca registrada do Hard característico, rebuscado por empolgantes vocais, solos pra todos os gostos e o violino incandescente (instrumento que ganhou presença impressionante ao longo de todo álbum).

Pra fechar, The Song that River Sang, uma faixa Prog-AOR que dá exata noção de como uma banda antológica como o Kansas deve tratar a sua história com ousadia, modernidade e um frescor avassaladores. Que música acachapante! Essa obra prima que vocês conhecerão em breve, mostra que o Kansas trilha um caminho novo que começou em 2016 com The Prelude Implicit e define, certamente, que eles continuarão por mais tempo a nos brindar com a ausência de sua presença.

Nota final: 9/10

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