Review: Lamb Of God – Lamb Of God

Por Lucas Santos

Lamb Of God definitivamente se inclina para o último, dispensando a experimentação do desigual VII: Sturm und Drang (2015), esse é um álbum mais completo, capaz de satisfazer os fãs obstinados e mostrando vitalidade e criatividade em uma parte crucial da carreira.

Lucas Santos

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Gravadora: Nuclear Blast
Data de lançamento: 19/06/2020

Gênero: Groove Metal/Heavy Metal
País: Estados Unidos

Minha primeira introdução ao Lamb Of God foi através da faixa Laid To Rest no saudoso Guitar Hero II. Apesar do jogo ser de 2006, ano em que a banda continuava o seu reinado no mundo do metal com o sucessor do lendário Ashes Of The Wake (2004), Sacrament, eu só fui me aprofundar mesmo e ouvir outros álbuns lá em meados de 2015. Sim, foi uma banda que eu demorei para ouvir mas de imediato foi um dos atos do metal que mais me surpreenderam por um bom tempo. Lembro bem de Sacrament, Ashes Of The Wake e New American Gospel (2000) fazerem parte da minha playlist diária – e de todo metaleiro de respeito – por diversos momentos durante um longo período.

Foram conturbados últimos anos, principalmente com a saída do baterista Chris Adler – que foi substituido por Art Cruz – e no meio disso, a banda afirmou que estava trabalhando em seu décimo álbum de estúdio, esse que seria auto intitulado. Após algumas experimentações que fizeram de VII: Sturm und Drang (2015) e Resolution (2012) bem inconstantes, os singles disponibilizados trouxeram um misto de; “gosto da direção, mas não sei se o trabalho final vai conseguir trazer uma qualidade solida”, muito em função dos turbulentos anos em que eles passaram e a inevitável comparação com os últimos discos.

Álbuns auto-intitulados na carreira costumam seguir alguns caminhos diferentes; sinalizando uma reinvenção ou mudança da forma criativa, ou uma volta as raízes apagando experimentações recente e uma volta à indentidade original. Lamb Of God definitivamente se inclina para o último, dispensando a experimentação do desigual VII: Sturm und Drang (2015), esse é um álbum mais completo, capaz de satisfazer os fãs obstinados e mostrando vitalidade e criatividade em uma parte crucial da carreira – o famoso “ou vai ou racha”. A faixa de abertura Memento Mori é construida através de acordes atmosféricos e efeitos sonoros, enquanto a sombria melodia vocal de Randy Blythe ativa aquela nostálgica sensação de: ” Eles voltaram!!!”.

Destacando Checkmate à parte, o álbum não tem nenhum destaque fora da curva. Esse é realmente um trabalho muito sólido, as letras lidam com a atual escalada de medo, ódio e consumismo, além de mencionar a divisão e possivelmente a irreparável falta de unidade nos Estados Unidos (e no mundo) no momento. Randy Blythe soa explosivo desde o grito de “WAKE UP” em Memento Mori até os gritos finais de On The Hook, Mark Morton  e Willie Adler trazem bastante riffs à mesa, apesar de segurarem mais que o normal nas variações dentro das músicas, ainda podemos nos deliciar com passagens incríveis em Reality Blath e Poison Dream, essa que conta com a participação do vocalista do Hatebreed, Jamey Jasta. Outra participação do álbum fica por conta do vocalista Chuck Bily do Testament, em Routes.

A mid-tempo New Colossal Hate é o soco na cara de qualquer um que achava que Art Cruz não tinha competência para substituir Adler. Sim, ainda é estranho não ver o baterista dividindo o palco com o que ele mesmo disse ser “o trabalho da sua vida“, mas é vida que segue, e Cruz é mais do que capaz de manter o nível do Lamb Of God no mais alto patamar. Existem sim algumas partes gordurosas onde a banda falha ao encontrar o ponto ideal consistente, algo que era sucinto e preciso nos álbuns antigos, mas o resultado final é muito acima de qualquer expectativa criada, pelo menos por mim.

Lamb Of God é o trabalho mais forte que o quinteto da Virgínia disponibilizou em anos. Obviamente o efeito surpresa passa longe, mas eles mostram uma força e agressividade em 10 faixas sólidas, quebrando uma seca prolongada e recuperando-se de forma saudável a perda do baterista Chris Adler. O álbum oferece uma adição sólida e contundente, comparável aos melhores trabalhos do estilo nos últimos anos, ao extenso corpo de altíssimo nível da banda.

Nota final: 8/10

17 comentários

  1. Adorei esse álbum. Pra mim 10/10 sem dúvidas! Uma das melhores coisas desse ano maluco e isolado. Gostei também da resenha, adoro os textos de vocês, me agrada hehe.

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